segunda-feira, 18 de junho de 2018

18 de Junho de 1861: Nasce o escritor português Trindade Coelho, autor de "Aos Meus Amores".

Escritor e jurista, José Francisco Trindade Coelho nasceu a 18 de junho de 1861, em Mogadouro, e suicidou-se a 9 de junho de 1908, em Lisboa. Órfão de mãe aos 6 anos, partiu com o pai para o Porto, onde fez os estudos liceais num colégio interno, e depois para Coimbra, onde frequentou o curso de Direito, colaborou em jornais e revistas e se casou, conhecendo grandes dificuldades financeiras. Após ter exercido a advocacia durante algum tempo, em 1886, graças ao empenho de Camilo junto do seu amigo Tomás Ribeiro, então ministro de Estado, foi nomeado delegado do procurador régio no Sabugal, transitando depois para Ovar e, em 1889, para Lisboa. Depois de uma passagem por África, regressou à capital e foi colocado em Sintra. Em 1895, foi finalmente nomeado juiz em Lisboa. Paralelamente à carreira jurídica, desenvolveu uma intensa atividade jornalística: fundou, ainda em Coimbra, Porta-Férrea e O Panorama Contemporâneo; em Portalegre, a Gazeta de Portalegre e o Comércio de Portalegre; em Lisboa, a Revista Nova; colaborou em muitos outros periódicos, como O Progressista, O Imparcial, Tirocínio, Beira e Douro, Jornal da Manhã, Portugal, Novidades e O Repórter. Publicou diversas obras didáticas (desde manuais pedagógicos, como o ABC do Povo, de 1901, adotado oficialmente nas escolas públicas, até ao guia de cidadania Manual Político do Cidadão Português, de 1905, entre muitos outros títulos). Em 1907, durante a ditadura de João Franco, foi exonerado do lugar de delegado do procurador régio. Esse dissabor, acrescido das desilusões com a Justiça acumuladas durante toda a vida e da doença nervosa de que padecia, levá-lo-ia ao suicídio, no ano seguinte.
Celebrizou-se pelo livro de memórias In Illo Tempore (1902) e, sobretudo, pelo volume de contos rústicos Os Meus Amores (1891), eivado de saudosismo e de reminiscências da infância vivida em Trás-os-Montes, onde foi de encontro ao desejo neogarrettista de regresso às origens nacionais, expresso no artigo inaugural da Revista Nova, de 1893: "necessário é retemperar-nos nas camadas onde essas qualidades [fundamentais do nosso génio] mais perfeitamente se mantêm, indo às províncias do país buscar para os desfalecimentos do espírito a saúde e o vigor que para as enfermidades do corpo vamos pedir às brisas salgadas do mar e ao ar fortificante dos campos, mergulhando e realentando-nos nesse fecundo veio, que, depois de Garrett, ninguém mais soube sondar e seguir". Com esta obra singela, foi juntar-se ao grupo daqueles que, nas décadas finais do século XIX, cultivavam o conto rústico. Os seus contos evocam, com uma notável delicadeza de estilo e uma sedutora simplicidade, cenas da vida campestre, paisagens, pessoas e mesmo animais. Numa sucessão de obras - como Os Meus Amores, À Lareira, Abyssus-Abyssum, entre outras -, Trindade Coelho cultiva sempre o seu poder descritivo, dando especial relevo à natureza.
Fontes: Infopedia
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18 de Junho de 2010: Morre o escritor José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998.

Escritor português, José Saramago nasceu a 16 de novembro de 1922, em Azinhaga, no concelho da Golegã e faleceu a 18 de junho de 2010, na ilha espanhola de Lanzarote. Ficcionista, cronista, poeta e autor dramático, coube-lhe a honra de ser o primeiro autor português distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, em 1998, consagrando, no seu nome, o prestígio das letras portuguesas contemporâneas além-fronteiras. Atribuição tanto mais meritória quanto a sua existência encontrou sempre condições adversas à satisfação da sua sede de cultura, ao longo de um percurso biográfico pejado de obstáculos.
Oriundo de uma família humilde, José Saramago não pôde, por dificuldades económicas, prolongar os estudos liceais; depois de obter o curso de serralheiro mecânico, desempenhou simples funções burocráticas e conheceu, em 1975, o desemprego - que não o impediria, porém, nem de manter uma postura cívica exemplar, marcada pelo empenhamento político ativo, antes e após o regime salazarista, nem de, graças a um trabalho de autodidata, adquirir um saber literário, cultural, filosófico e histórico incomparável, nem de se tornar um dos raros escritores profissionais portugueses.
Figura de primeiro plano da literatura contemporânea nacional e internacional, a sua obra encontra-se traduzida em diversas línguas, sendo objeto de vários estudos académicos. Revelou-se como poeta com a coletânea Os Poemas Possíveis (1966), a que se seguiria Provavelmente Alegria (1970), desenvolvendo, simultaneamente, uma longa experiência como cronista, coligida nos volumes Deste Mundo e do Outro (1971), A Bagagem do Viajante (1973), As Opiniões Que o D. L. Teve (1974) e Os Apontamentos (1976). Destes dois registos fez o campo de ensaio, para, com 44 anos, encetar uma amadurecida carreira de romancista, que deixaria para trás experiências ficcionais ainda não suficientemente reveladoras, como Terra de Pecado, de 1947.
Manual de Pintura e de Caligrafia e Levantado do Chão são os dois primeiros títulos de uma atividade romanesca que, concebida como registo privilegiado para uma interrogação sobre a relação entre o homem e a História, entre o individual e o coletivo, entre o escritor e a sociedade, nos anos 80, conhece um sucesso fulgurante, junto do grande público e da crítica especializada. É durante esta década que publica os títulos que o celebrizaram, como Memorial do Convento (1982), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) ou A Jangada de Pedra (1986), e onde problematiza, de forma imaginativa e humorada, numa dinâmica narrativa livre (sem constrições, seja ao nível da expressão linguística, marcada, do ponto de vista formal, por uma estratégia de integração, sem marcas gráficas, do discurso dialogal das personagens e do narrador no fluxo contínuo do texto; seja ao nível da efabulação de personagens ou do tempo), as modalidades de ficcionalização do tempo histórico, quer remetido para um passado revisto a partir da atenção conferida às histórias reais ou sonhadas dos seres anónimos que construíram a História (Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis), quer concebida como crónica de um futuro virtual que, sob a sua forma alegórica, não deixa de refletir uma inquietação sobre o presente (A Jangada de Pedra).
Posteriormente publicou outras obras, de entre as quais merecem menção História do Cerco de Lisboa (1989), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1992), Ensaio sobre a Cegueira (1996), Todos os Nomes (1997), A Caverna (1999), Ensaio sobre a Lucidez (2004), As Intermitências da Morte (2005), As Pequenas Memórias (2006) e A Viagem do Elefante (2008) . A bibliografia de José Saramago abrange ainda textos teatrais (Que Farei Com este Livro, A Segunda Vida de São Francisco, In Nomine Dei, Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido), o registo diarístico encetado com a edição de Cadernos de Lanzarote e ainda uma breve incursão à literatura infanto-juvenil com A Maior Flor do Mundo, de 2001, livro escrito em parceria com o ilustrador João Caetano, que acabou por receber o Prémio Nacional de Ilustração atribuído nesse ano. Em 2008, Saramago viu o seu best-seller Ensaio sobre a Cegueira ser adaptado para o cinema, pela mão do realizador brasileiro Fernando Meirelles.
José Saramago, comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada desde 1985 e cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras Francesas desde 1991,recebeu ao longo da sua carreira numerosas distinções. Para além do prémio Nobel, foi galardoado, entre outros, com: o Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa, em 1991; o Grande Prémio Vida Literária, atribuído pela APE, em 1993; o Prémio Camões, em 1995; e o Prémio de Consagração de Carreira, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 1995. Em 1999 foi doutorado Honoris Causa pela Universidade de Nottingham, em Inglaterra; em 2000 pela Universidade de Santiago, no Chile; e, em 2004, pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e pela Universidade de Charles de Gaulle-Lille III, em França.
José Saramago. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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José Saramago por Carlos Botelho

18 de Junho de 1815: Napoleão é derrotado em Waterloo

Batalha histórica, travada a 18 de junho de 1815, que pôs termo ao império napoleónico, após vinte e três anos deguerra entre a França e outros países europeus. O teatro da luta foi o lugar de Waterloo (atual Bélgica), onde osexércitos de Wellington (inglês) e de Blücher (prussiano) se agruparam contra as tropas francesas. 

Em 18 de junho de 1815 Napoleão Bonaparte perdeu a batalha de Waterloo contra a Inglaterra e a Prússia. Assim, as potências europeias encerraram o império de Napoleão I, obrigando-o a abdicar pela segunda vez e  deportando-o para Santa Helena.
As potências europeias já negociavam em Viena quando Napoleão I deixou o seu exílio na ilha de Elba, em 26 de fevereiro de 1815, para retornar à pátria, no sul de França. Em 20 de março, ele foi recebido com triunfo em Paris. Pouco tempo depois, a Inglaterra, Prússia, Áustria e Rússia decidiram recomeçar a guerra contra Napoleão. O imperador francês aproveitou o entusiasmo existente em França para organizar um novo exército e, em seguida, marchou com 125 mil homens e 25 mil cavalos para a Bélgica, a fim de impedir a coalizão dos exércitos inglês e prussiano.
Em 26 de junho de 1815, as tropas francesas alcançaram Charleroi.
Atrás da cidade, numa encruzilhada, o exército de Napoleão dividiu-se em duas colunas: uma marchou em direção a Bruxelas contra as tropas de Wellington, e outra, sob o comando do próprio Napoleão, em direção a Fleuru, contra o exército prussiano de Blücher. No cerco das linhas inimigas, Blücher aquartelou-se no moinho de vento de Brye, sem saber que, igualmente a partir de um moinho, Napoleão podia observar, com telescópio, o movimento das tropas inimigas. Às 15 horas do mesmo dia, os franceses começaram a atacar.
Prússia perde batalha de Ligny
O exército da Prússia dispunha de mais de 84 mil homens e 216 canhões, enquanto os franceses tinham 67.800 homens e 164 canhões. Mas os prussianos cometeram um erro grave. Eles confiaram na chegada do exército de Wellington, na parte da tarde, a fim de apoiá-los no combate contra os franceses. Por isso,   entrincheiraram-se no lugarejo de Ligny para aguardar a chegada dos ingleses. Os franceses atacaram o lugar com os seus canhões. A esperança que os prussianos depositaram em Wellington foi em vão. Os franceses ganharam a batalha. Na mesma noite, Blücher ordenou a retirada para o norte. Os prussianos foram vencidos, deixando 20 mil mortos para trás, mas ainda não haviam sido derrotados definitivamente.
Chuvas retardam batalha de Waterloo
Wellington e as suas tropas alcançaram o planalto de Mont Saint Jean, situado na estrada de Bruxelas para Charleroi, a 17 de junho de 1815.  Wellington aquartelou-se na cavalariça de Waterloo. As fortes chuvas, que haviam começado cair à tarde, transformaram rapidamente o solo num charco, dificultando o movimento e o posicionamento dos canhões. Os soldados procuraram refúgio da chuva torrencial.
Ao cair da tarde, os soldados franceses também alcançaram a fazenda Belle Alliance, na estrada de Bruxelas para Charleroi. Napoleão aquartelou-se na fazenda La Caillou e passou a observar como os ingleses se entrincheiravam no planalto. No dia seguinte (18 de junho de 1815), o imperador francês expôs o seu plano de batalha. Ele queria primeiro conquistar a posição ocupada pelos ingleses. Os canhões deveriam atacar o inimigo com fogo cerrado. Napoleão estava seguro da vitória e que derrotaria as tropas de Wellington antes da chegada dos prussianos.
Primeiras armas de destruição em massa
O ataque estava previsto para as nove da manhã, mas sofreu um atraso de duas horas e meia por causa do aguaceiro. Primeiro, os franceses tentaram conquistar o morgadio Hougoumont, mas os ingleses estavam bem posicionados e usaram uma arma nova poderosa contra as fileiras compactas das tropas atacantes. A arma eram as granadas, espécie de balas de chumbo dentro de um invólucro de aço, que podiam ser disparadas a longas distâncias. Os franceses tentaram várias vezes, em vão, tomar Hougoumont, até desistirem às 17 horas. Diante dos muros de Hougoumont ficaram mais de 3 mil mortos.
Enquanto isso, Napoleão dava a ordem de avançar sobre La Haie Sainte para poder atacar os ingleses entrincheirados no planalto. Neste momento, ele já sabia que os prussianos se aproximavam. E a partir daí, a saída para Waterloo era uma questão de tempo. A nova arma de destruição em massa causou baixas terríveis no ataque a La Haie Sainte, mas os franceses conseguiram conquistar a fazenda. O front de Wellington cambaleou. Os seus generais exigiram que ele enviasse as suas reservas, mas ele não as tinha mais.
O único consolo que Wellington poderia oferecer era a sua famosa frase:
"Eu gostaria que fosse madrugada ou que os prussianos chegassem."
Chegada das tropas prussianas
O comando avançado prussiano chegou, finalmente, ao campo de batalha depois das 19 horas. Para Napoleão, era evidente que tinha de tomar uma decisão e ordenou à sua combativa Guarda Imperial que atacasse. A nova arma de destruição em massa atingiu os franceses em cheio. Para piorar a situação das tropas napoleónicas, as prussianas chegaram pouco depois das 20 horas.
O exército francês ainda tentou fugir, mas a batalha de Waterloo estava decidida. Às 21 horas e 30 minutos, o prussiano Blücher abraçou o inglês Wellington na frente da fazenda Belle Alliance. E assim foi encerrado o capítulo de Napoleão na história europeia.
Fontes: www.dw-world.de
wikipedia (Imagem)
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Batalha de Waterloo - William Sadler
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A Batalha de Waterloo - Clément-Auguste Andrieux
Ficheiro:Dernier carre de la Garde - gen Hill.png
 O general Hill sugere a rendição do que restou da Guarda Imperial francesa -
Robert Alexander Hillingford
Ficheiro:Waterloo campaign map.png
Mapa táctico da Batalha de Waterloo

18 de Junho de 1464: Morre o pintor flamengo Rogier Van Der Weyden

Pintor flamengo, nasceu por volta do ano de 1400, em Tournai, tendo falecido em Bruxelas no dia 18 de junho de 1464. A sua obra foi conhecida nos grandes centros e mesmo célebre enquanto ainda vivia, e representou um avanço significativo para a História da Arte. De facto foi considerado, a par de Robert Campin e Jan van Eyck, um dos artistas fundamentais do Quattrocento na Flandres. Não existem dados que permitam a reconstituição de uma biografia incontestável, e mesmo as obras que se dizem da sua autoria foram-lhe atribuídas com base num estilo muito característico que todas elas possuem em comum. Crê-se que terá estudado na oficina de Rogelet de la Pâture (apesar de alguns estudiosos o identificarem com este mesmo pintor), entre 1427 e 1432, e que a partir de 1436 se estabeleceu em Bruxelas como pintor oficial da cidade. Ao serviço de Bruxelas terá pintado duas cenas de grande dimensão alusivas à Justiça, por volta do ano de 1439. No ano seguinte poderá ter ido a Roma, na sequência do Jubileu que se celebrava, visitando Milão e Florença e tendo-se estabelecido em Ferrara, onde trabalhou para Leonel d'Este. Pensa-se igualmente que terá dirigido uma oficina de grandes dimensões e importância. As inovações artísticas de que foi portador foram sobretudo no tratamento iconográfico e da imagem com grande espiritualidade, tendente para o dramatismo. Os temas das suas pinturas são em grande parte religiosos, como a Deposição (c. 1435) e São Lucas a retratar a Virgem, obras que a par do Tríptico Miraflores pertencem ao início da sua carreira e, como tal, mostrando clara influência de Robert Campin (provavelmente seu mestre) na característica escultórica das figuras. Pensa-se que o Juízo Universal ainda não patenteia os conhecimentos que poderia ter adquirido em Itália e que mais tarde se mostrariam em obras suas, vendo-se nesta obra, pelo contrário, a tendência ainda medieval preconizada por Jan van Eyck. Para a família Médicis pintou um Enterro e Madona com o Menino e Quatro Santos e na década de 1450 pintou obras como o Tríptico Bladelin, o Políptico dos Sete Sacramentos, um tríptico com a Crucifixão e a Anunciação, e no final da sua vida, além de retratos com tratamento de luz bastante elaborado, o Tríptico de São João e o de Santa Colomba.
Fontes: Rogier Van Der Weyden. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. 
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Retrato de Rogier van der Weyden, por Cornelis Cort, 1572

Retrato de uma Senhora - Rogier van der Weyden



18 de Junho de 1037: Morre Avicena, o "príncipe dos sábios"

Ibn Sina ou Avicena, médico, filósofo e cientista persa, morre em Hamadan no dia 18 de Junho de 1037. Escreveu cerca de 300 livros sobre diferentes temas, predominantemente de Medicina e Filosofia.

Os seus textos mais famosos são O Livro da Cura e O Cânone da Medicina, também conhecido como Cânone de Avicena. Os seus discípulos deram-lhe o cognome de Cheikh el-Rais – “príncipe dos sábios” – o terceiro grande mestre depois de Aristóteles e Al-Farabi. É considerado um dos principais médicos de todos os tempos.

Avicena nasceu em 7 de Agosto de 980 em Afshana, actualmente Uzbequistão. Consta ter sido precoce no seu interesse pelas Ciências naturais e a Medicina, tanto que aos 14 anos estudava sozinho. Foi enviado para estudar cálculo com um mercador. Tinha boa memória e recitava largos trechos do Corão.

Ainda jovem estudou os saberes da época como Física, Matemática, Filosofia, lógica e o Corão. Foi influenciado por um tratado de Al-Farabi que lhe permitiu superar as dificuldades em entender a Metafísica de Aristóteles. A precocidade nos estudos reflectiu-se na precocidade na carreira pois aos 16 anos já se aproximava de médicos famosos e aos 17 gozava de fama como médico por ter salvo a vida do Emir Nuh ibn Mansur.
Conseguiu permissão para aceder à biblioteca real, onde ampliou os seus conhecimentos de  Matemática, Música e Astronomía. Converteu-se em médico da corte e conselheiro científico até à queda do reino samani em 999.

Em Hamadan, o emir Shams al-Dawla  escolheu-o como ministro. Dedicou-se de dia à administração pública e de noite à ciência. Aos 20 anos, escreveu 10 volumes chamados O Tratado do Resultante e do Resultado e um estudo dos costumes da época, A Inocência e o Pecado. Com esta obra, a sua fama como escritor, médico, filósofo e astrónomo estendeu-se por toda a Pérsia.

Em 1021, a morte do príncipe al-Dawla e o começo do reinado do seu filho Samah cristalizaram as ambições e os rancores. Vítima de intrigas políticas, Avicena foi preso. Disfarçado, conseguiu fugir para Ispahán.

Com 32 anos deu início à sua obra-prima, o  Cânone de Medicina, que continha a colecção organizada dos conhecimentos médicos e farmacêuticos da sua época.

Durante uma expedição a Hamadan, actual Irão, o filósofo sofreu uma crise intestinal grave que contraiu, segundo disseram, por excesso de trabalho e de prazer. Tentou curar-se porém o remédio foi fatal. Morreu aos 57 anos.
A obra de Avicena é de importância capital. Foi traduzida para o latim no século XII, reforçando a doutrina aristotélica, fortemente influenciada pelo pensamento de Platão.

Avicena declarou ter lido em mais de 40 ocasiões a Metafísica sem chegar a entendê-la completamente. Mesclou a doutrina aristotélica com o pensamento neoplatónico, adaptando-os ao mundo muçulmano. Colocou a razão acima do ser e explicou que com isso se buscaria a perfeição.
Teve grande influência sobre pensadores do porte de Santo Tomás de Aquino, Boaventura de Fidanza e Duns Escoto. Desenvolveu muito antes de Descartes um pensamento similar: o conhecimento indubitável da própria existência.

Se bem que inclinado à mística, tratou o tema de modo objectivo. O ascetismo não lhe bastava, acreditava que se deveria buscar a iluminação como acto final do conhecimento. A iluminação obtinha-se por meio dos anjos que actuavam como união entre as esferas celestiais e as terrestres. Avicena abriu caminho para um novo ramo da filosofia islâmica, a sabedoria da iluminação, a chamada Metafísica da Luz, inaugurada pelo seu seguidor Suhrauardi.

A obra de Avicena é numerosa e variada. Escreveu principalmente no idioma culto do seu tempo, o árabe clássico, porém às vezes também no vernáculo, o persa.

Um dos seus textos mais famosos é o Al Qanun, cânone de medicina, também conhecido como Cânone de Avicena, enciclopédia médica de 14 volumes escrita por volta de 1020. Baseia-se numa combinação da sua própria experiencia pessoal, de medicina islâmica medieval, dos escritos de Galeno, Sushruta e Charaka, bem como na antiga medicina persa e árabe. O Cânone é considerado um dos livros mais famosos da história da medicina.

Outra grande obra, O Livro de Orientações e Advertências, trata de temas de Filosofia e Mística. Nesta obra aparece o seu famoso argumento do Homem Voador, predecessor do ‘cogito, ergo sum’ cartesiano, em que expunha que um homem suspenso no ar, sem contacto com nada nem sequer o seu próprio corpo, sem ver nem ouvir, afirmará sem dúvida que existe e intuirá o seu próprio ser.
Fontes: Opera Mundi
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Representação de Avicena de 1271

Primeira página de um manuscrito da autoria de Avicena