quarta-feira, 20 de junho de 2018

D. Sebastião Desapareceu em Alcácer do Sal




Divirta-se e aprenda História com o livro «D. Sebastião desapareceu em Alcácer do Sal...». Inclui as respostas mais disparatadas nos testes de História. E a respetiva versão correta, claro  Um livro para miúdos e graúdos.

SINOPSE
Questão: em que área se destacou Lenine? 
Resposta: Lenine é um importante músico brasileiro. 
Questão: Refira a importância da Batalha de Waterloo para a História da Europa. 
Resposta: Waterloo foi muito importante para a Europa, com este tema os ABBA venceram o Festival Eurovisão da Canção. 

Conhecem estas estórias da História? Calculo que não! 
Mas elas existem, pelo menos assim creem alguns dos alunos, que os mencionam em fichas de trabalho, testes de avaliação, nas aulas e até mesmo em exames. 
Ainda que não se acredite, é real e, quando se lê, a reação é uma gargalhada se bem que, em alguns casos, à autora, enquanto professora, lhe apeteça chorar… 


Neste livro encontra mais de 100 erros da História de Portugal e da História Universal. 
Mas não nos ficamos pelo erro. 
Para que este não se repita, contamos a história tal como ela é


20 de Junho de 1819: Nasce o compositor francês de origem alemã Jacques Offenbach, autor de "Os Contos de Hoffmann"

Jacques Offenbach (Colónia, 20 de junho de 1819 — Paris, 5 de outubro de 1880), compositor e violoncelista francês de origem alemã da Era Romântica, foi um paladino da opereta e um precursor do teatro musical moderno.
Considerado pela crítica como o "Liszt do violoncelo", ele não só se dedicou a compor várias obras para esse instrumento, bem como participou de uma série de concertos nas principais capitais europeias. Na corte britânica, apresentou-se à Rainha Vitória e ao príncipe Alberto.
Compôs cerca de cem operetas, um tipo de ópera criado por este autor onde é predominante o burlesco. Este género tornou-se um dos produtos artísticos marcantes na época. É particularmente conhecida a sua ópera Les contes d Hoffmann (Os contos de Hoffmann, 1881), inspirada em textos de E.T.A. Hoffmann. Entre outros trabalhos, Offenbach é autor de Orphée aux enfers (Orfeu nos Infernos, 1858)e La Belle Hélène (A Bela Helena,1864).
wikipedia (Imagens)

Ficheiro:Jacques Offenbach by Félix Nadar (restored).jpg

A Vida é Bela - Barcarola (Os Contos de Hoffmann)

Barcarola - Os Contos de Hoffmann
Orfeu nos Infernos - Can Can

20 de Junho de 1791: Luís XVI e a família real tentam abandonar a França. São detidos em Varennes.

A Fuga de Varennes foi a tentativa de fuga de Luís XVI e da sua família. A fuga ocorreu nos dias 20 e 21 de Junho de 1791 tratando-se de um episódio determinante dentro do curso da Revolução Francesa.
Nos dias 5 e 6 de Outubro de 1789, a população de Paris dirigiu-se a Versalhes para pedir pão ao rei Luís XVI. Como a Guarda Nacional se atrasou, o rei ficou, num primeiro momento, frente a frente com os manifestantes. Encarregado da segurança do palácio, o Marquês de La Fayette foi incapaz de impedir a invasão do palácio. Vários habitantes do palácio foram  assassinados. O Marquês conseguiu salvar a vida da família real que foi para Paris, passando a viver no palácio das Tulherias.
Após esse episódio, os conselheiros do rei começaram a delinear os planos para a fuga. Os detalhes da fuga foram preparados de forma quase ingénua. Por exemplo: o plano tinha previsto disfarçar o rei em intendente, sem que ninguém notasse que um verdadeiro empregado jamais se sentaria numa berlinda (carruagem elegante, munida de 6 cavalos, dignas de um rei). A escolha da libré (uniforme) dos três cavaleiros que escoltavam a carruagem não foi das mais acertadas, já que a cor escolhida era as dos príncipes de Condé, que partiram para o estrangeiro no início da Revolução, e só podendo gerar suspeitas. Acrescente-se a tudo isto o facto de que a partida na noite de 20 para 21 de junho não fora realizada dentro do mais completo segredo. Só podia resultar em fracasso.
Apesar das falhas de organização que cercaram esta empreitada, a detenção do rei marcou verdadeiramente uma alteração no curso da Revolução. A confiança entre o soberano e o  seu povo foi definitivamente quebrada. O rei foi acusado de traição e essa foi a principal causa do processo de acusação aberto pela Convenção em Dezembro de 1792 e que culminaria com a morte de Luís XVI na guilhotina. Precisamente quinze meses após estes acontecimentos, o rei foi destituído do seu título real com a proclamação da República, depois disso, foi julgado frente à Convenção Nacional, condenado à morte e guilhotinado, em 21 de Janeiro de 1793, tendo acontecido posteriormente o mesmo à rainha, Maria Antonieta. Quanto ao delfim (príncipe herdeiro do trono), "Luís XVII", morreria de uma doença nos pulmões, em condições particularmente atrozes, dentro da Prisão do Templo, a 8 de Junho de 1795.
wikipedia (Imagens)


Detenção de Luís XVI e sua família em Varennes
Ficheiro:Arrest of Louis XVI and his Family, Varennes, 1791.jpg

A Fuga de Varennes - Autor desconhecido

Ficheiro:FlighttoVarennesKingLouisXVI.jpg
Ficheiro:Duplessi-Bertaux - Arrivee de Louis Seize a Paris.png


Chegada de Louis XVI a Paris, 25 de Junho de 1791, após a fuga de Varennes (Duplessi-Bertaux a partir de um desenho de J-L Prieur).


20 de Junho de 451: Os Hunos comandados por Átila são derrotados por Roma e seus aliados

Os hunos são derrotados em 20 de Junho de 451, perto de Troyes, num lugar chamado de “Campos Cataláunicos”. Átila, rei dos Hunos, mantinha toda a Europa atemorizada e sonhava em acabar com o já decadente Império Romano do Ocidente. Chegavam à Europa Ocidental notícias do Oriente de quão impiedosas eram as hordas hunas lideradas por Átila, que não tinham qualquer clemência com os inimigos.

Os povos europeus tinham duas opções: ou buscavam a protecção de Roma ou se uniam à sangrenta expansão de Átila, enviando homens e recursos.

Átila decidiu, com a desculpa de expulsar os Visigodos da Gália, ocupá-la. Roma, que não era nem a sombra do grande império que havia sido séculos atrás, teve de pedir ao general Flávio Aécio para manter a ordem e a disciplina naquela Roma ingovernável.

Aécio recebeu o apodo de “O Último Romano” na expectativa de trazer a Roma os seus derradeiros momentos de glória. A batalha pela Gália ocorreria perto de Châlons entre os hunos, Roma e os respectivos aliados, passando à História como A Batalha dos Campos Cataláunicos.

Os hunos, esses misteriosos nómadas, tinham chegado, um século antes, da longínqua Ásia Central e instalando-se na região do Danúbio. Um deles, o príncipe Átila, foi elevado à corte do imperador romano do Oriente, em Constantinopla. Ao reencontrar os seus compatriotas, reúne-os sob o seu comando.

A exemplo de outras nações bárbaras, combate as tropas de Constantinopla, depois decide atacar a Gália. Na investida, cruza o rio Reno e destrói a cidade de Metz.

Em Paris, que então ainda se chamava Lutécia, Santa Genoveva recomenda aos seus concidadãos jejuar durante três dias para atrair a benevolência de Deus. Para os habitantes de Lutécia, as suas preces resultaram num milagre, pois Átila renunciou à tomada da cidade.

Às margens do rio Reno, os hunos são atacados pelas forças do general Aécio, que havia sido camarada de armas de Átila na juventude.

Ainda que batido nos “Campos Cataláunicos“, Átila prossegue na sua rota e dirige-se a Roma. Às portas da cidade, o papa Leão I, o Grande, convence-o a dar meia volta. Átila instala-se então com os seus homens às margens do rio Danúbio, onde morre pouco depois de uma crise de apoplexia ou assassinado pela esposa (existe mais do que uma versão sobre a sua morte). Os hunos saíam da História tão repentinamente como haviam entrado.
Átila, personagem mal conhecida, presta-se a todas as interpretações. Permanece ainda como um herói bastante popular na Hungria, onde o seu nome baptiza um número considerável de homens, posto que os húngaros reivindicam ser descendentes dos magiares, povo nómada pertencente a um grupo linguístico histórico de povos da Europa que hoje falam os idiomas fínicos (finlandeses e estónios) e os úgricos (húngaros).
No Ocidente, em contrapartida, o último Rei dos Hunos guarda a imagem de um bárbaro em todos os sentidos. Essa ideia advém do facto dos cronistas cristãos da Idade Média o terem alcunhado de  “Fléau de Dieu”  “O Flagelo de Deus”. No entanto, “fléau” é também um instrumento com que se malham cereais para debulhá-los e que consiste num pau comprido que serve de cabo comprido, ligado por uma correia a um outro, curto, que percute as hastes de trigo, cevada, as espigas de milho para retirar-lhes os grãos. Da mesma maneira, segundo os clérigos da sua época, teria sido enviado por Deus para punir os homens pelos seus pecados e reconduzi-los a Ele.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Os Hunos, liderados por Átila, invadem a Itália,  pintura do século XIX de Ulpiano Checa 

 
A Festa de Átila do pintor húngaro Mór Than

20 de Junho de 1492: Surge o primeiro globo terrestre, apelidado "Maçã do Mundo"

Em Nuremberga, no dia 20 de Junho de 1492, ou seja, algumas semanas antes da descoberta do "Novo Mundo", o cartógrafo e navegador Martin Behaim conclui a construção do primeiro globo terrestre. Em colaboração com o pintor Georg Glockenthon, Behaim  construiu-o entre 1491 e 1493 aquando da sua permanência em Nuremberga, denominando-o  “Erdapfel”, ou seja, “maçã do mundo”. O original está hoje em exibição no Germanisches Nationalmuseum de Nuremberga e é uma das obras de arte mais descritas da Europa.

O Globo de Behaim, também conhecido como Globo de Nuremberga, seguiu a ideia de um globo construído por volta de 1475 para o papa Sisto IV, porém melhorando a representação e incluindo meridianos e a linha do Equador. Este globo, de cerca de 50 centímetros de diâmetro, encontra-se conservado na sua cidade natal.
A rotundidade da Terra, posta em evidência dois mil anos antes, não era já dúvida para ninguém. Entretanto, houve necessidade de mais meio século para compreender, a partir de Copérnico, que a Terra é que gira em torno do Sol e é só um planeta no meio de outros.
É certo que os Sumérios, devotados à astronomia e que viviam na Mesopotâmia 3 mil anos antes de Cristo, representavam a Terra como um disco chato pousado sobre um oceano sem limites.
Foi somente no século V a.C., no tempo de Péricles, que filósofos gregos como Pitágoras e Parménides começaram a representar a Terra sob a forma de uma esfera, cuja representação lhes parecia coerente com a curvatura do horizonte.
Por volta de 230 a.C., o astrónomo e matemático Eratóstenes confirma brilhantemente a rotundidade da Terra e, ademais, mede a sua circunferência com incrível precisão. Num primeiro momento, atenta no solstício de verão o momento em que o Sol está no seu zénite e se reflectia nas águas de um poço muito fundo na cidade de Syene, hoje Assuão, Egipto, que ficava exactamente no limite da zona tropical e no mesmo meridiano de Alexandria. Num segundo tempo, no mesmo dia do ano e no mesmo momento mede em Alexandria, a mil quilómetros a norte, a sombra projectada por uma vara na vertical.
Conhecendo a distância entre as duas cidades e desprezando a diferença de inclinação dos raios solares, deduz que nosso planeta tem uma circunferência de 250 mil estádios, ou seja, praticamente 40 mil quilómetros, medida muito próxima da actualmente admitida.
Geografia de Cláudio Ptolomeu, um grego de Alexandria, retoma as conclusões dos sábios que lhe antecederam. Graças a essa obra bem conhecida dos eruditos da Idade Média, a rotundidade da Terra iria ser ensinada nas universidades ocidentais a partir do século XIII e somente religiosos sectários ou ignorantes a negariam ou ignorariam.
Em 1410, o teólogo francês Pierre d'Ailly publica uma obra de cosmografia de grande difusão: Imago Mundi. Continuamente reeditada e enriquecida durante todo o século XV, sintetiza a visão medieval do mundo.
Segundo a Imago Mundi, as terras emergentes, todas reagrupadas na metade norte do globo terrestre, estão cercadas por um imenso rio, o “Mar Oceano”, salpicado de ilhas cada qual com uma singularidade, com habitantes como pigmeus, ciclopes, cinocéfalos — homens com cabeça de cão — antropófagos, etc. O equador marca o limite que é impossível ao homem ultrapassar.
À época de Cristóvão Colombo, os eruditos, navegantes e geógrafos conheciam tão bem o Imago Mundi quanto a geografia de Ptolomeu. Indagavam-se somente sobre a extensão do “Mar Oceano” que supostamente separava a Europa da Ásia.
Ora, Ptolomeu, na sua célebre Geografia, estabeleceu para a circunferência da Terra um valor claramente inferior ao de Eratóstenes, da ordem de 180 mil estádios ou 33 mil quilómetros.
Com base nisso, o astrónomo florentino Paolo Toscanelli produziu em 1468, para atender o rei de Portugal, uma carta que mostrava a Europa separada do Extremo Oriente por um oceano de somente 10 mil quilómetros de extensão. Esse mapa induziria Colombo a erro, subestimando drasticamente a distância que separava, a oeste, a Europa do Extremo Oriente. De todo modo, o navegador genovês ousaria empreender a viagem que o levaria a descobrir um Novo Mundo.
Fontes:Opera Mundi
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O Globo de Nuremberga

terça-feira, 19 de junho de 2018

19 de Junho de 1911: Adopção da nova Bandeira Nacional

Após a instauração da República, um decreto da Assembleia Nacional constituinte datado de 19 de Junho de 1911, aprovou uma nova a Bandeira Nacional que substituiu a anterior.
A Bandeira Nacional é dividida verticalmente em duas cores - verde escuro e vermelho - ficando o verde do lado da tralha ou do mastro. Ao centro, sobreposto à união das cores, tem o escudo das armas nacionais, orlado de branco, sobre a esfera armilar, em amarelo e avivada de negro.
O comprimento da bandeira é de vez e meia a altura da tralha. A divisória entre as duas cores fundamentais é feita com dois quintos do comprimento total ocupados pelo verde e os três quintos restantes pelo vermelho. O emblema ocupa metade da altura, ficando equidistante das orlas superior e inferior.
Assim, no entender da Comissão responsável pela Bandeira Nacional, o branco representa «uma bela cor fraternal, em que todas as outras se fundem, cor de singeleza, de harmonia e de paz» e sob ela, «salpicada pelas quinas (...) se ferem as primeiras rijas batalhas pela lusa nacionalidade (...). Depois é a mesma cor branca que, avivada de entusiasmo e de fé pela cruz vermelha de Cristo, assinala o ciclo épico das nossas descobertas marítimas».
O vermelho «nela deve figurar como uma das cores fundamentais por ser a cor combativa, quente, viril, por excelência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre (...). Lembra o sangue e incita à vitória».
Para o verde - que não tinha tradição histórica em Portugal -, foi dada como explicação que na preparação da Revolta de 31 de janeiro de 1891, o verde terá surgido no «momento decisivo em que, sob a inflamada reverberação da bandeira revolucionária, o povo português fez chispar o relâmpago redentor da alvorada».
Relativamente à esfera armilar, que já fora adoptada como emblema pessoal de D. Manuel I, estando desde então sempre presente na emblemática nacional, consagra «a epopeia marítima portuguesa (...) feito culminante, essencial da nossa vida colectiva».
Por sua vez, sobre a esfera armilar entendeu a Comissão fazer assentar o escudo branco com as quinas, consagrando «o milagre humano da positiva bravura, tenacidade, diplomacia e audácia que conseguiu atar os primeiros elos da afirmação social e política da lusa nacionalidade».
Finalmente, a Comissão entendeu «dever rodear o escudo branco das quinas por uma larga faixa carmesim, com sete castelos», considerando que estes são um dos símbolos «mais enérgicos da integridade e independência nacional».
wikipédia (imagens)

Bandeira de Portugal

19 de Junho de 1911: Sessão inaugural da Assembleia Nacional Constituinte. A Assembleia Constituinte estabelece a República e sanciona a abolição da Monarquia, decreta a nova Bandeira Nacional e adopta "A Portuguesa" para Hino

"Desde as oito da manhã de Segunda-feira, 19 de Junho de 1911, que a multidão começa a circular nas ruas que conduzem ao antigo mosteiro de S. Bento, destinado desde 1834 para Palácio das Cortes da monarquia liberal. O comércio fechou. Apenas raros recalcitrantes, que depressa os populares convertem, ousam abrir os estabelecimentos. As fábricas não trabalham. As repartições públicas não funcionam. As bandeiras vermelhas e verdes da República flutuam, numerosíssimas, ao vento. A antiga Avenida D. Carlos, hoje Avenida das Cortes, por onde subiam com os seus sumptuosos coches de gala os cortejos reais das sessões solenes da abertura do Parlamento, está decorada com modestos arcos de triunfo. Os navios de guerra que ficaram no Tejo empavezavam em arco, festivamente, com os pavilhões republicanos nos topes. As tropas começavam a desfilar através da cidade, vestindo todos os regimentos o uniforme de serviço. Os improvisados batalhões voluntários passam, ao som de cornetas e tambores. () O povo ocupa agora o primeiro plano da cena histórica que vai representar-se. () A multidão ocupa as imediações do velho convento cisterciense () Uma animação impressionante agita agora os vinte mil espectadores que se comprimem na vasta área circunvizinha do Congresso. As músicas tocam ininterruptamente a Portuguesa, e à medida que vão chegando a S. Bento, os ministros e os caudilhos populares da República são freneticamente vitoriados pelo povo. Salvas de palmas soam, de momento a momento com estridência. Foguetes estoiram nos ares de um azul turqueza. O ministro da Justiça, vindo do Monte Estoril, onde está convalescendo, é saudado em todo o percurso numa crise contagiosa e delirante de entusiasmo. Pálido, emagrecido pela doença, com o pescoço abafado por uma cache-col de seda branca, o Dr. Afonso Costa agradece e sorri. É evidente que o detentor das simpatias populares da Lisboa jacobina é ele agora. () São onze horas. O presidente do município de Lisboa, o antigo par do reino Anselmo Braamcamp Freire, que, na reunião preparatória do Congresso os deputados nomearam para presidir à sessão legislativa das Constituintes, ocupa, sob a maquette ainda húmida do busto monumental da República, a presidência." (DIAS, Carlos Malheiro, "Ciclorama crítico de um tempo") "Onze em ponto. Um contínuo vai colocar na tribuna da presidência, à direita, uma bandeira nacional de seda. Entretanto vão chegando outros deputados, trocam-se afectuosas saudações em cada rosto é patente o júbilo que a todos inunda. (...) Às onze e vinte, Anselmo Braamcamp Freire, presidente da Junta Preparatória, sobe à presidência com os dois secretários, Miranda do Vale e Carlos Calisto, e agita a companhia, convocando os deputados a reunir na sala, que é invadida, de súbito. Dez minutos depois, entra o ministro da Justiça pelo braço do ministro dos Estrangeiros. (...) Na bancada ministerial acha-se todo o Governo provisório, à excepção do presidente e do ministro do Interior. Os ministros da Justiça, Finanças e Estrangeiros trajam casaca; os da Guerra, Marinha e Fomento vestem as suas fardas oficiais. (...) Com a máxima clareza, quase martelando as palavras, Anselmo Braamcamp Freire mal dissimula a comoção ao ler o seguinte: A Assembleia Nacional Constituinte, confirmando o acto de emancipação realizado pelo povo e pelas forças militares de terra e mar, e reunida para definir militares de terra e mar, e reunida para definir e exercer a consciente soberania, tendo em vista manter a integridade de Portugal, consolidar a paz e a confiança e o bem-estar e progresso do povo português  proclama e decreta: 1.º  Fica para sempre abolida a monarquia e banida a dinastia de Bragança; 2.º  A forma de governo em Portugal é a República democrática; 3.º  São declarados beneméritos da Pátria todos aqueles que para depor a monarquia heroicamente combateram até conquistar a vitória, consagrando para todo o sempre, com piedoso reconhecimento a memória dos que morreram na mesma gloriosa empresa. (...) As palmas estrugem, os vivas soltam-se de todas as bocas, mas o presidente pede, com um gesto que se restabeleça o silêncio e convida a Assembleia a manifestar-se sobre o decreto: "Os senhores deputados que aprovam queiram conservar-se de pé." Ninguém se senta e Braamcamp Freire declara solenemente: "Está aprovado por unanimidade". (RÊGO, Raúl, "História da República") Nesta histórica sessão decreta-se sobre a bandeira (depois de vivas discussões nos meses anteriores sobre os diferentes projectos) e sobre o hino nacional (A Portuguesa, nascido, letra e música no contexto do Ultimatum de 1890).

Sessão inaugural da Assembleia Nacional Constituinte, 19 de Junho de 1911