sábado, 18 de novembro de 2017

18 de Novembro de 1724 : Data provável da morte de Bartolomeu de Gusmão, o "Padre voador"

Bartolomeu Lourenço de Gusmão, cognominado “O Padre Voador” morreu em Toledo, Espanha, no dia 18 de Novembro de 1724, aos 38 anos. Sacerdote secular, cientista e inventor português, nascido na capitania de São Vicente, no Brasil, tornou-se famoso por ter inventado o primeiro aeróstato operacional, a que chamou  “passarola” – mais conhecido na sua versão moderna, como balão de ar quente.
Cursou as primeiras letras no Colégio São Miguel em São Vicente. Prosseguiu os estudos na Capitania da Baía de Todos os Santos. Ingressou no Seminário de Belém, em Cachoeira, onde teve início a profícua carreira de inventor. Em1699, concluído a formação, Bartolomeu transferiu-se para Salvador, capital do Brasil à época e ingressou na Companhia de Jesus, de onde saiu antes de ser ordenado, em 1701.
Viaja para Portugal, hospedando-se em Lisboa na casa do Marquês de Fontes, que se impressionara com os dotes intelectuais do jovem de 16 anos.
Em 1702, Bartolomeu retorna ao Brasil e dá início ao processo de ordenação sacerdotal. 
Em 1708, o já padre Bartolomeu embarca para Portugal, matriculando-se na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra. Abandona a faculdade a meio e  instala-se em Lisboa. Na capital pede patente para um “instrumento para se andar pelo ar” – que se revelaria mais tarde como sendo o aeróstato ou balão – concedida em 19 de Abril de 1709. O invento, divulgado por meia Europa em estampas fantasiosas, causou celeuma. Era retratado como uma barca com formato de pássaro, ficando conhecido como “passarola”.


As primeiras ilustrações da Passarola tinham sido elaboradas por um filho do Marquês de Fontes, Joaquim Francisco, com a conivência de Bartolomeu. Aluno de matemática do padre,  era a única pessoa que tinha livre acesso ao recinto em que o engenho voador era guardado.


Leva a cabo então o exótico desenho da Passarola, em que tudo era propositadamente falseado. E para preservar o verdadeiro princípio da invenção – o Princípio de Arquimedes - atribuiu a ascensão da engenhoca ao magnetismo, resposta naquela altura a quase todos os mistérios científicos. A Passarola, inspirada ao que parece em fábula da fauna brasileira, espalhou-se pela Europa em várias versões.
Em Agosto de 1709, finalmente, Bartolomeu fez perante a corte portuguesa cinco experiências com balões de pequenas dimensões: na primeira, realizada na Casa do Forte, o protótipo incendiou-se antes de subir; na segunda, noutra dependência do palácio, a Casa Real, o aeróstato, provido no fundo de uma tigela com álcool em combustão,  elevou-se a 4 metros, quando começou a arder; na terceira, feita novamente na Casa do Forte, o balão, contendo no interior uma vela acesa, logrou fazer um voo curto, mas incendiou-se ao descer; na quarta, feita no Terreiro do Paço, o balonete elevou-se a grande altura, pousando lentamente minutos depois; na quinta, feita na Sala das Audiências, no interior do Palácio Real, o globo subiu até ao tecto do aposento, aí permanecendo, quando enfim desceu com suavidade.


Em 3 de Outubro de 1709, na ponte da Casa da Índia, o padre fez nova demonstração do invento. O aparelho utilizado era maior que os anteriores, mas ainda incapaz de transportar um homem. A experiência teve êxito absoluto: o balão subiu bastante alto, flutuou por um tempo não medido e pousou sem problemas.
Cinco testemunhas registaram estas experiências: o cardeal italiano Michelangelo Conti, eleito papa em 1721 sob o nome de Inocêncio XIII, os escritores Francisco Leitão e José Soares, membros da Academia Real de História Portuguesa, o diplomata José Brochado e o cronista Salvador Ferreira.
Estas experiências, embora com a assistência de personalidades da época, não foram suficientes para popularizar o invento. Os pequenos balões exibidos, além de não terem sido encarados como inovação importante ou útil, por serem desprovidos de qualquer tipo de controlo - eram levados pelo vento. Foram considerados perigosos, pois podiam provocar incêndios. Estes factores não permitiram a construção de um modelo grande, tripulável.
 
Entre 1713 e 1716, viajou pela Europa. Registou na Holanda o invento de uma “máquina para drenagem da água alagadora das embarcações de alto mar”.  Viveu em Paris, trabalhou como ervanário para sustentar-se.
O padre Bartolomeu de Gusmão voltou a Portugal, quando foi vítima de insidiosa campanha de difamação. Acusado pela Inquisição de simpatizar com cristãos-novos, viu-se forçado a fugir para a Espanha, no final de Setembro de 1724.
Segundo o testemunho que, mais tarde, João Álvares, um irmão mais novo, daria à Inquisição espanhola, Bartolomeu teria feito a conversão ao judaísmo, em 1722, depois de atravessar uma crise religiosa. O relato de João Álvares ao Santo Ofício, ainda que deva ser visto com cautela, mostra aspectos místicos, messiânicos e megalómanos do "padre voador".
Em Toledo, Bartolomeu adoece gravemente, recolhendo-se ao Hospital da Misericórdia, onde veio a falecer em 18 de Novembro de 1724. Antes de morrer, confessou-se e recebeu a comunhão, conforme o rito católico, e assim foi sepultado na Igreja de São Romão, em Toledo. Foram feitas, ao longo de décadas, várias tentativas para localizar a sua sepultura , o que só ocorreu em 1856. Parte dos restos mortais foi transportada para o Brasil e  encontra-se, desde 2004, na Catedral Metropolitana de São Paulo.
 
Bartolomeu de Gusmão figura como uma das personagens centrais de Memorial do Convento, romance de José Saramago.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Bartolomeu Lourenço de Gusmão, por Benedito Calixto, em quadro de 1902

Ilustração fantasiosa da Passarola de 1709



Bartolomeu de Gusmão apresenta os seus protótipos à corte de D. João V

18 de Novembro de 1922: Morre o escritor francês Marcel Proust, autor de "Em Busca do Tempo Perdido"

Romancista e crítico francês, nasceu a 10 de julho de 1871, em Auteuil, perto de Paris, e morreu a 18 de novembro de 1922, na capital francesa. Era uma criança débil e asmática mas também com uma inteligência e uma sensibilidade precoces. Até aos 35 anos movimentou-se nos círculos da sociedade parisiense. Depois da morte dos pais isolou-se no seu apartamento de Paris, onde se entregou profundamente à composição da obra-prima, A la recherche du temps perdu (Em Busca do Tempo Perdido, 1914-27). Este imenso romance autobiográfico consta de sete volumes em que expressa as suas memórias através dos caminhos do subconsciente, e é também uma preciosa reflexão da vida em França nos finais do século XIX. A obra é como a sua vida: o reencontro de duas épocas, a tradição clássica e a modernidade. Proust é considerado o precursor do romance contemporâneo.
Marcel Proust licenciou-se em Direito (1893) e Literatura (1895). Durante os anos de estudo foi influenciado pelos filósofos Henri Bergson, seu tio, e Paul Desjardins e pelo historiador Albert Sorel. Em 1896 publicou Les plaisirs et les jours (Os Prazeres e os Dias) uma coleção de versos e contos de grande valor e profundidade, muitos dos quais saíram nas revistas Le Banquet e La Revue Blanche. A revista Le Banquet (1892) foi fundada pelo próprio Marcel Proust em conjunto com amigos. É nesta altura que publica os seus primeiros trabalhos literários e biografias de pintores. Faz traduções de Ruskin, ensaia o relato romanesco da sua trajetória espiritual compondo Jean Santeuil, obra que fará silenciar por lhe parecer apressada e demasiado próxima do seu diário.
A morte do pai (1903), da mãe (1905) e de um grande amigo, empurraram-no para a solidão, mas permanece financeiramente independente e livre para escrever. Através da reflexão que desenvolve obra Contre Sainte-Beuve, composta em 1907, aproxima-se já do grande livro A la recherche du temps perdu (Em Busca do Tempo Perdido). Em 1909 priva-se de toda a vida social e quase de toda a espécie de comunicação. Em 1912 foram publicados no jornal "Le Figaro" os primeiros extratos da obra. Proust cria um trabalho grandioso, escrito na primeira pessoa. Exceção na narrativa, Un Amour de Swann (Um Amor de Swann) é a história de uma época. O mundo exterior e o mundo interior são originalmente identificados. Viajando no tempo, problematiza a modernidade e a existência maquinal a que ela nos condenou. É um trabalho realizado no reencontro de uma vida perdida e que se prolonga, por outro lado, numa metafísica sugerida, como é o caso do episódio da chávena de chá em que Proust nos quer transmitir que a realidade autêntica vive no nosso inconsciente e só uma viagem involuntária pela memória nos leva ao contacto com ela. A la recherche du temps perdu é uma história alegórica da sua vida, de onde são retirados os acontecimentos e os lugares. O autor projeta a sua própria homossexualidade nas personagens considerando-a, bem como a vaidade, o snobismo e a crueldade, o maior símbolo do pecado original.
Proust é considerado precursor da nova crítica e fundador da crítica temática. Publicou ainda em 1919 Pastiches et mélanges.
Marcel Proust. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
Wikipedia(Imagem)
Marcel Proust em 1900
Retrato de Marcel Proust  em 1892- Jacques-Emile Blanche 

 Arquivo: Marcel Proust 1887.jpg
Marcel Proust com 15 anos

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

17 de Novembro de 1869: Inauguração do Canal do Suez

No litoral sul do Mar Mediterrâneo, na entrada do Canal de Suez, havia uma estátua gigantesca até 1956. Era do francês Ferdinand de Lesseps. Com a cabeça orgulhosamente levantada e a mão direita aberta e estendida, o homem de bronze saudava o vaivém de navios. Milhares de passageiros olhavam deslumbrados para o colosso e pensavam: "Este é o pai do Canal de Suez."
"Eles não sabem que este ídolo não passa de um monumento a uma grande falsificação da história", escreveu em 1940 Nikolaus Negrelli. "Eles não têm ideia de que a planta de construção, segura pela mão esquerda no alto, nasceu de outro cérebro."
Negrelli tinha motivos para se irritar, afinal os planos de construção do Canal de Suez não foram desenhados por Lesseps, mas pelo avô do denunciante, o italiano Alois Negrelli, cavaleiro de Moldelbe, a quem os egípcios não dedicaram nenhum monumento.
Alois Negrelli e Lesseps trabalharam juntos em meados do século XIX  na Comissão Internacional do Suez. Ambos sabiam que na época dos faraós já houvera uma ligação artificial entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho, mas que acabara soterrada pela areia do deserto. Negrelli estava convencido de que um novo canal poderia ser escavado.
Segundo Negrelli, "a ligação dos dois mares através de um canal marítimo era uma necessidade inquestionável não só para o desdobramento do comércio mundial, com o encurtamento do caminho entre a Europa e os países ricos do Oriente no Oceano Índico, mas também para a revitalização do tráfego marítimo na costa do Egipto".
Negrelli morreu antes de poder concretizar os seus planos. Lesseps usou-os. Ele comprou à viúva todas as plantas e apresentou-as como se fossem da sua autoria. No entanto, o engenheiro Lesseps pouco entendia do assunto. As suas virtudes estavam na política, a qual praticava como vice-cônsul da França no Egipto. O astucioso diplomata providenciara a autorização para a obra do canal já em 1854.
O diplomata fundou uma sociedade anónima mas os investidores mostraram-se hesitantes e apenas 75% das 400 mil ações postas à venda foram subscritas. Mesmo assim Lesseps pôde em Abril de 1859 dar início ao empreendimento. A construção foi criticada sobretudo pelos britânicos. 
 Em 1869, o canal estava pronto. A construção demorou o dobro do tempo previsto e custou três vezes mais que o planeado. Na véspera da inauguração, em 16 de Novembro de 1869, realizou-se em Port Said uma grande festa. Nobres de toda a Europa participaram. Nos dias seguintes, eles fizeram oficialmente a viagem inaugural pelo canal. O príncipe herdeiro da Prússia, Frederico Guilherme, estava entre os presentes.
Na inauguração, ninguém falou de Negrelli. O idealizador do canal ficara esquecido. Somente mais tarde a filha do engenheiro foi encontrar papéis importantes, que provavam ter sido o  seu pai, e não Lesseps, quem desenhou os planos para o canal. Ela levou a questão à Justiça. Sentença: Alois Negrelli, cavaleiro de Moldelbe, é o criador do canal. A decisão, porém, não trouxe benefícios para a família do engenheiro italiano. 
Fontes:DW
wikipedia (Imagens)Ficheiro:SuezCanalElGuisr.jpg
Litografia retratando a construção do Canal
Desenho de 1881 do Canal do Suez
File:SuezCanalKantara.jpg
Uma das primeiras travessias, no século XIX
Ficheiro:Ferdinand de Lesseps.jpg
Ferdinand de Lesseps

17 de Novembro de 1717: É colocada a primeira pedra do Convento de Mafra

Obra central do reinado de D. João V, o Palácio-Convento de Mafra é um projeto colossal do Barroco português setecentista. Os seus números são impressionantes, como o testemunha a sua imensa área de aproximadamente 40 000 m2, a sua fachada nobre com 232 metros, os seus 29 pátios e 880 salas e quartos, as suas 4500 portas e janelas ou ainda as 217 toneladas que pesam os 110 sinos do seu famoso carrilhão.
A fundação deste mosteiro de frades arrábidos deveu-se a uma promessa feita por D. João V, caso a rainha fosse bem sucedida na conceção de um filho que tardava. Este promessa cumpriu-se em 1711, ano em que nasceu a princesa Maria Bárbara, a primogénita da descendência do Magnânimo. O projeto inicial estava dimensionado para acolher treze frades arrábidos, mas no final da construção albergou mais de 300. Com efeito, o número de frades e a dimensão do empreendimento sofreram um grande incremento.
No entanto, o projeto de Mafra se iniciou a 17 de novembro de 1717, realizando-se a sua sagração em 1730. As obras prosseguiram até 1737, altura em que o convento mafrense se encontrava praticamente concluído. Acrescentos posteriores vieram enriquecê-lo com obras de arte e a criação de outras dependências, como foi o caso da notável biblioteca conventual. Os planos de Mafra são entregues a João Frederico Ludovice, arquiteto-ourives alemão e que se formou no atelier romano de Carlo Fontana.Mafra ordena-se em torno de dois retângulos articulados: o principal integra-se na vila e compreende a igreja, o palácio, dois claustros, o refeitório e outras dependências. O secundário está virado para a Tapada e articula as celas conventuais, as oficinas e a Casa da Livraria.
A frontaria é marcada pela dicotomia entre palácio e igreja, convergindo as duas alas na axial Sala das Bênçãos. A igreja ergue-se no centro da fachada, delimitada por duas altas e esbeltas torres sineiras de cobertura bolbosa e linhas sinuosas. O seu acesso é feito por imponente escadaria e por diversas rampas. A fachada do templo dispõe-se em dois majestosos andares, coroados por poderoso frontão triangular. O andar térreo afirma uma galilé de três portais, enquanto o piso superior é marcado por diversas janelas de frontão curvo e triangular. Estas aberturas são ladeadas por estátuas inseridas em nichos, ritmadas por altas colunas jónicas em mármore branco. A estatuária da entrada foi realizada por artistas italianos setecentistas, dos quais se podem destacar Monaldi, Baratta e Battista Maini.
Para cada um dos lados da igreja estendem-se os corpos retangulares e tripartidos do palácio, terminando nos ângulos por dois torreões de cobertura bolbosa, inspirados na antiga Casa da Índia do Terreiro do Paço lisboeta, destruída no terramoto de 1755.O interior da igreja é grandioso e equilibrado, dividido em três naves e seis capelas laterais comunicantes, com transepto bem saliente. Harmoniosamente decorada, nela se pode observar um jogo colorido de mármores italianos e portugueses, em articulação com a pedra do monumento.
As pinturas dos altares deterioraram-se em meados do século XVIII, sendo substituídas por composições marmóreas relevadas, obra de escultores italianos dirigidos por Alessandro Giusti. Este escultor romano introduziu a gramática decorativa rocaille e deixou uma operosa escola de discípulos portugueses, entre os quais se destacam os escultores Joaquim Machado de Castro e José de Almeida.A igreja é bem iluminada, sendo magistral a cúpula que se ergue no cruzeiro do transepto. Elevado pelo alto tambor, o zimbório forma uma cúpula perfeita rasgada por amplas janelas. Também a capela-mor e as colaterais são profusamente iluminadas, realçando o encanto dos seus mármores policromos. De grandes dimensões, o altar-mor apresenta uma enorme tela pintada, encimada por um Cristo crucificado.
No topo da entrada situa-se a galeria real, local onde a família real assistia ao ofício divino e onde se situam as três janelas da Sala da Bênção.
O cenóbio possui diversas dependências que integram o museu do Palácio Nacional de Mafra, enquanto outras foram reconvertidas para acolherem a Escola Prática de Infantaria. Nestas áreas destacam-se algumas dependências pela sua qualidade artística.
Na ala sul, a Casa do Capítulo, verdadeira joia da arquitetura barroca, é uma sala elíptica, de cantaria branca, azul e vermelha, e teto apainelado. Curiosa e surpreendente é toda a área conventual, memória da vivência monástica da comunidade dos ascetas frades arrábidos.
Entre as inúmeras dependências, o realce vai para a Casa da Livraria, obra de excecional qualidade executada por Manuel Caetano de Sousa entre 1771 e 1794. Equilíbrio, monumentalidade e clareza são alguns dos atributos desta imensa biblioteca rocaille, reunindo nos seus dois andares de estantes alguns dos mais notáveis livros impressos - fundo bibliográfico que conta com cerca de 40 000 exemplares
Fontes:
Palácio-Convento de Mafra. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
Wikipedia (Imagens)
A Caminho do deserto




Visita virtual ao Convento Aqui

Ficheiro:Palácio Nacional de Mafra (1853).jpg
Palácio Nacional de Mafra - Litografia de 1853

 

 

Só o lançamento da primeira pedra, em 1717, custou cerca de quarenta mil libras. Na construção chegaram a trabalhar, simultaneamente, quarenta e cinco mil operários, guardados por sete mil soldados, para não fugirem. Os relógios, o carrilhão e os sinos,  vieram de Liège. Até a madeira de pinho para os andaimes e barracas dos trabalhadores veio do norte da Europa. A maior parte das estátuas e a pintura foram obra de artistas italianos; paramentos, alfaias de culto, tocheiros foram encomendados em Roma, Veneza, Milão, Génova e, também, em França e Holanda. Só mesmo o mármore é genuinamente português.
File:Palácio Nacional de Mafra (1).jpg
Fachada principal do Palácio Nacional de Mafra

Ficheiro:John V of Portugal Pompeo Batoni.jpg

17 de Novembro de 1796: Morre Catarina, " a Grande", Imperatriz da Rússia

Catarina II, a Grande (nascida Sofia Augusta Frederica de Anhalt-Zerbst, a 2 de Maio de 1729 e falecida a 17 de Novembro de 1796) foi uma imperatriz russa. Catarina subiu ao poder após uma conspiração que depôs o seu marido, o czar Pedro III (1728 – 1762),  o seu reinado foi um dos pontos altos da Nobreza Russa
A família da mãe de Catarina (ainda conhecida pelo seu nome de nascimento, Sofia) estava intimamente ligada à família imperial russa. O seu tio materno, Carlos Augusto de Holnstein, tinha sido um dos pretendentes a casar-se com a Imperatriz Isabel I, mas morreu de sarampo antes do casamento acontecer. Durante a sua procura de noivas para o seu sobrinho Pedro, Isabel interessou-se por Sofia e convocou-a a São Petersburgo.
A família deixou Zerbst no dia 10 de Janeiro de 1744. Alguns dias mais tarde, Sofia despediu-se do seu pai em Schwedt, nas margens do rio Oder, e continuou a viagem com a sua mãe. Realizada a meio do Inverno, a viagem foi longa e extenuante. Quando atravessaram a fronteira russa, mãe e filha encontraram trenós, enviados pela Imperatriz Isabel. O resto da viagem foi luxuosa, no entanto, ao chegar triunfantemente a São Petersburgo, foram informadas de que a Corte se encontrava em Moscovo na altura. Por isso, após um breve período de descanso, elas voltaram a fazer-se à estrada, uma vez que queriam chegar à segunda cidade mais importante do Império a tempo do aniversário do Grão-duque Pedro que se realizaria a 10 de Fevereiro. Segundo relatos da época, a Imperatriz gostou imediatamente de Sofia. O Grão-duque ficou contente por vê-las, já que a mãe de Sofia era prima directa do seu pai. A futura noiva notou imediatamente uma certa fragilidade em Pedro, uma analise acertada, visto que ele sofria de todo o tipo de doenças. 
Sofia começou a aprender russo e a estudar a Religião Ortodoxa, o que agradou à Imperatriz Isabel. No dia 28 de Junho, Sofia converteu-se numa grande cerimónia. No dia seguinte aconteceu o noivado e a Princesa Sofia de Anhalt-Zerbst tornou-se na Grã-duquesa Catarina Alexeyevna da Rússia e passou a ser a segunda mulher mais importante do país.
Pouco tempo depois, Pedro contraiu sarampo e depois começou a mostrar sintomas de varicela. Foi a própria Imperatriz que cuidou dele durante a doença, que o deixou com o rosto desfigurado e com muito pouco cabelo. Ele sabia como a doença o tinha deixado ainda menos atraente, o que destruiu a pouca confiança que lhe restava. Catarina achava-o uma criatura penosa e olhava para o casamento com muito pouco entusiasmo. Na altura Pedro tinha começado a beber em excesso e o seu comportamento tornou-se cruel. A corte regressou a São Petersburgo e, após vários adiamentos, o casamento aconteceu no dia 21 de Agosto de 1745 na Catedral de Kasan.
O jovem casal habituou-se um ao outro, mas o casamento foi um erro. A mãe de Catarina acabou por regressar a casa e a futura Imperatriz ocupou-se lendo tudo o que lhe viesse parar às mãos. Acabou por descobrir satisfação quando avançou dos trabalhos de Platão para os de Voltaire. O seu interesse pelo intelectual causou uma separação ainda maior entre ela e o marido, que a começou a evitar. Os anos foram passando e não havia nenhum herdeiro à vista, irritando profundamente a Imperatriz que culpava Catarina por não se conseguir tornar atraente aos olhos do marido. O facto de ela ter arranjado um amante, é pouco surpreendente no meio de toda a pressão a que estava sujeita. Em 1754 ela finalmente deu à luz um filho, Paulo. Alexei foi o filho nascido da relação de Catarina com o Conde Gregório Orlov, nascido a 11 de Abril de 1762. O seu apelido foi escolhido como uma derivação do nome da casa onde a sua família vivia, Brobrinskoe. Isabel foi a filha de Catarina com o Príncipe Potemkin-Tauria. Nasceu em segredo, em Moscovo, durante as comemorações do final da Guerra Russo-Turca, a 13 de Julho de 1775. 
Após a morte da imperatriz Isabel a 5 de Janeiro de 1762, Pedro, o grão-duque de Holstein-Gottorp, sucedeu ao trono como Pedro III da Rússia. Catarina, que antes detinha o título de grã-duquesa, tornou-se imperatriz-consorte da Rússia. O casal imperial mudou-se para o novo Palácio de Inverno em São Petersburgo.Em Julho de 1762, pouco depois de estar seis meses no trono, o czar Pedro cometeu o erro político de se retirar com os seus cortesãos de Holstein para Oranienbaum, na Finlândia, deixando a sua esposa sozinha em São Petersburgo. Nos dias 13 e 14 de Julho, a guarda imperial revoltou-se, depôs Pedro e proclamou Catarina como governante da Rússia. O golpe sem sangue teve sucesso.Três dias depois, a 17 de Julho de 1762, Pedro III morreu em Ripsha, às mãos do irmão mais novo de Gregório Orlov, o amante de Catarina. 
Catarina ansiava por ser reconhecida como uma soberana iluminista. Foi ela a pioneira naquele que seria mais tarde o papel da Grã-Bretanha ao longo do século XIX, o de mediadora internacional de disputas que poderiam levar à guerra. Catarina tinha a reputação de ser uma mecenas das artes, literatura e educação. O Museu Hermitage, começou a partir da colecção privada da imperatriz. Escreveu ainda comédias, ficção e uma autobiografia enquanto se correspondia com Voltaire, Diderot e d’Alembert, todos eles autores da primeira Enciclopédia que, mais tarde, cimentaram a sua reputação através da escrita. Os principais economistas da época, Arthur Young eJacques Necker, tornaram-se membros estrangeiros da Sociedade Económica Livre seguindo a sugestão dela de se instalarem em São Petersburgo em 1765. 
Catarina faleceu no dia 17 de Novembro de 1796 após ter sofrido um ataque cardiaco .
             wikipedia

Catarina, a Grande,por Vigilius Eriksen, 1762 
Catarina com o marido, o czar Pedro III e o filho, PauloFicheiro:Anna Rosina de Gasc, Le grand-duc Pierre Fiodorovitch, la grande-duchesse Catherine Alexeïevna et un page (1756).jpg


Alegoria de Catarina após a vitória russa na Guerra Russo-Turca de 1768-1774

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

16 de Novembro de 1949: Morre o poeta popular António Aleixo


António Fernandes Aleixo (Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 — Loulé, 16 de Novembro de 1949) foi um poeta popular português. Poeta e autor dramático, exerceu as profissões de cauteleiro, guardador de rebanhos, cantor popular. António Aleixo constitui um caso singular da poesia portuguesa: embora semianalfabeto, compunha de forma espontânea ("a arte é força imanente, / não se ensina, não se aprende, / não se compra, não se vende, / nasce e morre com a gente"), por vezes de improviso, em quadras ou sextilhas, onde exprimia numa forma concisa uma filosofia da vida aprendida pela observação e pela experiência própria ("Se umas quadras são conselhos / que vos dou de boa fé; / outras são finos espelhos / onde o leitor quem é."). De temas variados, "o que caracteriza a poesia de António Aleixo é o tom dorido, irónico, um pouco puritano e moralista, com que aprecia os acontecimentos e as ações dos homens" (MAGALHÃES, Joaquim - "Explicação Indispensável" in Este Livro que Vos Deixo, 3.a ed., 1975). Difundida oralmente e coligida em 1969 pelo professor Joaquim Magalhães, a sua obra poética foi acolhida com êxito por um público que viu nas suas quadras um repositório de sabedoria popular e um protesto por um mundo mais justo.
Fontes:
António Aleixo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.

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O mundo só pode ser
melhor do que até aqui,
quando consigas fazer
mais p'los outros que por ti!

Embora os meus olhos sejam,
os mais pequenos do Mundo
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.

Talvez paz no mundo houvesse
Embora tal não pareça,
Se o coração não estivesse
Tão distante da cabeça.

Para não fazeres ofensas
e teres dias felizes,
não digas tudo o que pensas,
mas pensa tudo o que dizes.

Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir,
- Por ver que eles próprios são
Incapazes de os seguir.

Eu não sei porque razão
Certos homens, a meu ver,
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer.


Contigo em contradição
Pode estar um grande amigo
Duvida mais dos que estão
Sempre de acordo contigo

Os meus versos o que são?
Devem ser, se os não confundo,
Pedaços do coração
Que deixo cá, neste mundo.

Este livro que vos deixo
E que a minha alma ditou,
Vos dirá como o Aleixo
Viveu, sentiu e pensou.



16 de Novembro de 1922: Nasce José Saramago

Escritor português, José Saramago nasceu a 16 de novembro de 1922, em Azinhaga, no concelho da Golegã e faleceu a 18 de junho de 2010, na ilha espanhola de Lanzarote. Ficcionista, cronista, poeta e autor dramático, coube-lhe a honra de ser o primeiro autor português distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, em 1998, consagrando, no seu nome, o prestígio das letras portuguesas contemporâneas além-fronteiras. Atribuição tanto mais meritória quanto a sua existência encontrou sempre condições adversas à satisfação da sua sede de cultura, ao longo de um percurso biográfico pejado de obstáculos.
Oriundo de uma família humilde, José Saramago não pôde, por dificuldades económicas, prolongar os estudos liceais; depois de obter o curso de serralheiro mecânico, desempenhou simples funções burocráticas e conheceu, em 1975, o desemprego - que não o impediria, porém, nem de manter uma postura cívica exemplar, marcada pelo empenhamento político ativo, antes e após o regime salazarista, nem de, graças a um trabalho de autodidata, adquirir um saber literário, cultural, filosófico e histórico incomparável, nem de se tornar um dos raros escritores profissionais portugueses.
Figura de primeiro plano da literatura contemporânea nacional e internacional, a sua obra encontra-se traduzida em diversas línguas, sendo objeto de vários estudos académicos. Revelou-se como poeta com a coletânea Os Poemas Possíveis (1966), a que se seguiria Provavelmente Alegria (1970), desenvolvendo, simultaneamente, uma longa experiência como cronista, coligida nos volumes Deste Mundo e do Outro (1971), A Bagagem do Viajante (1973), As Opiniões Que o D. L. Teve (1974) e Os Apontamentos (1976). Destes dois registos fez o campo de ensaio, para, com 44 anos, encetar uma amadurecida carreira de romancista, que deixaria para trás experiências ficcionais ainda não suficientemente reveladoras, como Terra de Pecado, de 1947.
Manual de Pintura e de Caligrafia e Levantado do Chão são os dois primeiros títulos de uma atividade romanesca que, concebida como registo privilegiado para uma interrogação sobre a relação entre o homem e a História, entre o individual e o coletivo, entre o escritor e a sociedade, nos anos 80, conhece um sucesso fulgurante, junto do grande público e da crítica especializada. É durante esta década que publica os títulos que o celebrizaram, como Memorial do Convento (1982), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) ou A Jangada de Pedra (1986), e onde problematiza, de forma imaginativa e humorada, numa dinâmica narrativa livre (sem constrições, seja ao nível da expressão linguística, marcada, do ponto de vista formal, por uma estratégia de integração, sem marcas gráficas, do discurso dialogal das personagens e do narrador no fluxo contínuo do texto; seja ao nível da efabulação de personagens ou do tempo), as modalidades de ficcionalização do tempo histórico, quer remetido para um passado revisto a partir da atenção conferida às histórias reais ou sonhadas dos seres anónimos que construíram a História (Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis), quer concebida como crónica de um futuro virtual que, sob a sua forma alegórica, não deixa de refletir uma inquietação sobre o presente (A Jangada de Pedra).
Posteriormente publicou outras obras, de entre as quais merecem menção História do Cerco de Lisboa (1989), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1992), Ensaio sobre a Cegueira (1996), Todos os Nomes (1997), A Caverna (1999), Ensaio sobre a Lucidez (2004), As Intermitências da Morte (2005), As Pequenas Memórias (2006) e A Viagem do Elefante (2008) . A bibliografia de José Saramago abrange ainda textos teatrais (Que Farei Com este Livro, A Segunda Vida de São Francisco, In Nomine Dei, Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido), o registo diarístico encetado com a edição de Cadernos de Lanzarote e ainda uma breve incursão à literatura infanto-juvenil com A Maior Flor do Mundo, de 2001, livro escrito em parceria com o ilustrador João Caetano, que acabou por receber o Prémio Nacional de Ilustração atribuído nesse ano. Em 2008, Saramago viu o seu best-seller Ensaio sobre a Cegueira ser adaptado para o cinema, pela mão do realizador brasileiro Fernando Meirelles.
José Saramago, comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada desde 1985 e cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras Francesas desde 1991, tem recebido ao longo da sua carreira numerosas distinções. Para além do prémio Nobel, foi galardoado, entre outros, com: o Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa, em 1991; o Grande Prémio Vida Literária, atribuído pela APE, em 1993; o Prémio Camões, em 1995; e o Prémio de Consagração de Carreira, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 1995. Em 1999 foi doutorado Honoris Causa pela Universidade de Nottingham, em Inglaterra; em 2000 pela Universidade de Santiago, no Chile; e, em 2004, pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e pela Universidade de Charles de Gaulle-Lille III, em França.
José Saramago. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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José Saramago por Carlos Botelho