terça-feira, 19 de janeiro de 2021

19 de janeiro de 1982: Morre a cantora brasileira Elis Regina

 Cantora brasileira, Elis Regina Carvalho Costa nasceu a 17 de março de 1945, em Porto Alegre, e morreu a 19 de janeiro de 1982, em São Paulo, vítima de overdose, supostamente na sequência de uma combinação excessiva de bebidas alcoólicas e cocaína. Oriunda de uma família relativamente pobre, Elis sempre demonstrou ter um talento natural para a música, reproduzindo desde cedo canções, tanto em espanhol como em português, que ouvia no rádio. Ainda criança, aprendeu a tocar piano e, para conseguir comprar este instrumento, começou a cantar tinha apenas 11 anos de idade. Acabaria por se tornar uma pequena celebridade graças à sua participação num concurso infantil promovido por uma rádio local. 

Assinou o seu primeiro contrato profissional aos 13 anos e, um ano depois, já ganhava mais dinheiro do que o próprio pai. Gravou o seu primeiro LP, Viva a Brotolândia, em 1961, no Rio de Janeiro, para onde acabaria por se mudar definitivamente em março de 1964.
"Pimentinha", apelido que lhe foi aposto, depressa se tornou uma das mais importantes intérpretes de música brasileira, sobretudo quando, em 1965, obteve o seu primeiro sucesso com Arrastão, uma controversa canção de Vinicius de Moraes e de Edu Lobo, com que se sagrou vencedora do I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior. Estava conquistado o estatuto de "rainha da música popular brasileira".
Casou, pela primeira vez aos 22 anos de idade, com Ronaldo Boscoli, 16 anos mais velho que ela e considerado por muitos como o D. Juan do Rio. Deste casamento, teve um filho, João Marcelo. Mais tarde, Elis viria a casar-se com César Camargo Mariano, com quem acabaria por ter dois filhos, Pedro e Rita.
Possuidora de uma voz marcante, Elis interpretou canções de grande qualidade lírica e musical, compostas por músicos como Renato Teixeira, Chico Buarque, Edu Lobo, Baden Powell, João Bosco, Vinicius de Moraes, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Ivan Lins, entre outros; participou em vários festivais e movimentos de carácter político; e desenvolveu a sua carreira no estrangeiro, sendo responsável por espetáculos nas principais capitais europeias e latino-americanas.
Destacam-se da sua discografia álbuns como Poema de Amor (1962); Dois na Bossa (1965); Elis e Tom (1974); Falso Brilhante (1976); Elis (1980); e Elis Regina - Montreux Jazz Festival (editado postumamente em 1982), entre muitos outros sucessos.
Fontes: Infopédia
wikipédia (imagens)

Elis Regina - Em pleno verao.jpg

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19 de Janeiro de 1809: Nasce o escritor norte-americano Edgar Allan Poe, autor de "O Corvo" e "Os Crimes da Rua da Morgue", precursor da moderna literatura policial.

 Escritor norte-americano nascido a 19 de Janeiro de 1809, em Boston, e falecido a 7 de Outubro de 1849. Filho de dois actores de Baltimore, David Poe Junior e Elizabeth Arnold Poe, ficou órfão com apenas dois anos de idade e desde cedo aprendeu a sobreviver sozinho. Foi adoptado por uma família de comerciantes ricos de Richmond, de quem recebeu o apelido Allan.

Entre 1815 e 1820, a família Allan viveu em Inglaterra e na Escócia, onde Poe recebeu uma educação tradicional, regressando depois a Richmond. Poe foi para a Universidade da Virgínia em 1826, onde estudou grego, latim, francês, espanhol e italiano, mas desistiu do curso onze meses depois por causa do seu vício do jogo e do álcool. Resolveu então ir para Boston, onde publicou em 1827 um fascículo de poemas da juventude de inspiração byroniana, Tamerlane and Other Poems.
Em 1829 publicou o seu primeiro volume de poemas, com o título Al Aaraaf, Tamerlane and Minor Poems, onde se denota a influência de John Milton e Thomas Moore. Foi então para Nova Iorque, onde publicou outro volume, contendo alguns dos seus melhores poemas e onde se evidencia a influência de Keats, Shelley e Coleridge.Em 1835 estreou-se como director do jornal Southern Literary Messenger, em Richmond, onde se tornaria conhecido como crítico literário, mas veio a ser despedido do seu cargo alegadamente por causa do seu problema da bebida. O álcool viria aliás a ser o estigma que marcaria toda a sua vida até à morte. Casou-se nesse mesmo ano com a sua prima de apenas treze anos, Virgínia Clemm, e o casal resolveu então instalar-se em Nova Iorque, onde não chegou a permanecer muito tempo. Foi em Filadélfia que Poe alcançou fama através de vários volumes de poemas e histórias de mistério e de terror. Em 1838 escreveu The Narrative of Arthur Gordon Pym (A Narrativa de Arthur Gordon Pym), obra de prosa em que combinou factos reais com as suas fantasias mais insanes. Em 1839 tornou-se co director do Burton's Gentleman's Magazine em Filadélfia, e nesse mesmo ano escreveu várias obras que o tornaram famoso pelo seu estilo de literatura ligado ao macabro e ao sobrenatural. São elas William Wilson e The Fall of the House of Usher (A Queda da Casa de Usher).
A primeira história policial surgiu apenas em 1841, na revista Graham's Lady's and Gentleman's Magazine, sob o nome The Murders of the Rue Morgue (Os Crimes da Rue Morgue), e em 1843 Poe recebeu o seu primeiro prémio literário com a obra The Gold Bug. Em 1844 regressou a Nova Iorque e tornou-se sub director do New York Mirror. Na edição de 29 de janeiro de 1845 deste jornal surgiu o poema "The Raven" ("O Corvo"), com o qual Poe atingiu o auge da sua fama nacional.
Dois anos mais tarde morre a sua mulher Virgínia, mas Poe volta a casar, com Elmira Royster, em 1849. Porém, antes disso, Poe publica Eureka, uma obra que deu azo a muita contestação por parte de alguns críticos da época e que é considerada uma dissertação transcendental sobre o universo, muito louvada por uns e detestada por outros.
É de regresso à terra natal do seu pai que Poe começa a apresentar indícios de que o problema do alcoolismo era de certo modo irreversível. De facto, ele esteve na origem da morte do poeta
A obra de Poe é o espelho da sua vida conturbada e dos seus hábitos e atitudes anti - sociais, que o levavam a ter uma escrita que ia para além dos padrões convencionais. Se por um lado foi vítima de certas circunstâncias que estavam para além do seu controle, como foi o facto de ter ficado órfão aos dois anos de idade, por outro fez-se escravo de um problema - o álcool - que agravaria a sua personalidade de si inconstante, imprevisível e incontrolável.


Fontes:
Edgar Allan Poe. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)
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Edgar Allen Poe -1848

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Ilustração do "Corvo" por Gustave Doré, 1884

19 de Janeiro de 1839: Nasce o pintor francês Paul Cézanne, nome determinante para as novas correntes do século XX.

 Paul Cézanne, pintor pós-impressionista francês, cuja obra forneceu as bases para a transição das artes plásticas do século XIX para o século XX, pode ser considerado como a ponte entre o impressionismo e o cubismo, nasceu no dia 19 de Janeiro de 1839 em Aix-en-Provence. A frase atribuída a Matisse e Picasso de que Cézanne é “o paí de todos nós”, consagrou-o como um dos mais importantes e influentes mestres da pintura.

Paul Cézanne nasceu no seio de uma família burguesa da província. O seu pai, era proprietário em Aix-en-Provence de uma próspera fábrica de chapéu. Paul, filho ilegítimo com uma das trabalhadoras da fábrica, nasceu em 19 de Janeiro de 1839 e teve o seu registo legalizado somente 5 anos depois. Fez todos os seus estudos em Aix, adquirindo uma sólida cultura clássica, tornando-se amigo de Émile Zola, seu confidente mais íntimo.
A vocação artística já estava definida quando decide estudar pintura em Paris. Frequenta a Academia Suíça na Pimavera e Verão de 1861, onde conhece Pissarro e Guillaumin. Fracassa, porém, no concurso para ingresso na Escola de Belas Artes.
Nos anos seguintes, alterna estadias em Paris, retornos a Aix e viagens pela Provence. Trabalha com modelos na Academia Suíça, frequenta o Louvre e obtém autorização para copiar numerosos quadros dos grandes mestres.  Continua a encontrar-se com Zola, que o apoia intelectual, moral e até financeiramente e conhece Bazille, Renoir, Monet, Sisley e Manet.
As primeiras telas de Cézanne não tinham muito a ver com as dos seus amigos impressionistas. Ele não partilhava do desejo de novidade nem da revolta contra as normas académicas. A violência dramática dos seus temas é marcada por cores sombrias como em "L'enlèvement" (O Rapto- 1867). Pinta também numerosas paisagens e retratos num estilo realista inspirado em Courbet.
A partir de 1863, Cézanne envia regularmente os seus quadros ao júri do Salão Oficial de Paris. As obras seriam invariavelmente recusadas, com excepção de um retrato em 1882, embora já denotassem uma grande diversidade temática: retratos, cenas históricas ou religiosas, naturezas mortas, paisagens.
Em 1869, o artista conhece Hortense Fiquet, uma modelo, que seria sua companheira. O casal passa a guerra de 1870-1871 na Provence. Dessa união, nasce um filho em 1872. Pai de família e não recebendo mais a ajuda do pai, ele instala-se em Paris em 1872, às instâncias de Pissarro.
Cézanne só havia trabalhado em atelier e resolve seguir o exemplo de Pissarro e dedicar-se às paisagens como motivo. É fortemente influenciado pelo estilo impressionista do amigo de uma composição espacial mais elaborada. As obras de Cézanne na primeira participação na colectiva dos impressionistas em 1874 foram mal recebidas pela crítica. Recusa-se a enviar as suas telas à segunda exposição em 1876. Volta atrás na terceira exposição em 1877, quando os seus quadros são de novo mal acolhidos pelo público, que os julga pesados e grosseiramente acabados. A crítica, por sua vez, volta-se com uma virulência particular contra as suas telas. 
Desgostoso e mortificado, Cézanne cessaria qualquer participação nas exposições impressionistas e tomaria distância dos amigos.  No final dos anos 1870, ele  encontraria o seu estilo pessoal. Não queria  fixar-se somente na impressão. “Eu quero fazer do impressionismo algo sólido e duradouro como a arte dos museus”, dizia. "A Ponte de Maincy" (1882) encontra-se entre as primeiras obras-primas desse estilo pessoal. O tratamento das cores das árvores, um verde profundo aplicado ligeiramente, sem separação nítida entre as pequenas partículas de cores vizinhas, é parte da visão do conjunto. A organização pictórica do quadro resulta bem marcada.
Ao lado dos retratos, das naturezas mortas, Cézanne vai interessar-se pelo nu . Os anos 1880 marcariam uma viragem na sua vida pessoal. Rompe com Zola em 1886, aquando da aprsentação de “A Obra” em que se viu reconhecido no personagem do pintor fracassado Claude Lantier. A morte do pai no mesmo ano deixa-o numa situação financeira folgada.
As suas pinturas seriam raramente mostradas ao público: em 1889 na Exposição Universal; em 1890 com o grupo dos 20 em Bruxelas. Em 1895, uma retrospectiva onde 150 das suas obras são expostas assinala uma viragem para Cézanne, até então recusado nos Salões e pouco apreciado nas exposições impressionistas. Havia sido descoberto, pelos seus antigos amigos que desconheciam a sua evolução, mas também pelos jovens artistas para quem Cézanne era uma referência imediata.


Fontes: Opera Mundi
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Les Joueurs de Cartes
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19 de Janeiro de 1919: A Monarquia é proclamada no Porto, por Paiva Couceiro (Monarquia do Norte), que organiza uma Junta Governativa.

 Após o assassinato de Sidónio Pais, a 14 de Dezembro de 1918, os monárquicos portugueses aproveitaram a situação de instabilidade vivida no País para redobrar as suas acções no sentido de restaurar o regime derrubado a 5 de Outubro de 1910Assim, a 19 de Janeiro de 1919, a Junta do Norte proclamou, no Porto, a restauração da Monarquia, anunciando a constituição de uma Junta Governativa. Esta era constituída por Henrique de Paiva Couceiro, que, além de presidente, tinha a seu cargo a pasta da Fazenda e Subsistências; António Adalberto Sollari Allegro, com a pasta do Reino; o visconde do Banho, encarregado dos Negócios Eclesiásticos, da Justiça e da Instrução; na Guerra e Comunicações, João de Almeida; nos Negócios Estrangeiros, Luís de Magalhães; nas Obras Públicas, Correios e Telégrafos, Artur da Silva Ramos; e na Agricultura, Comércio e Indústria e Trabalho, o conde de Azevedo.A proclamação da Junta do Norte gerou focos de resistência ao poder republicano em vários pontos do País.

No Norte, os republicanos foram perseguidos e presos, sendo utilizado o Eden-Teatro do Porto como local onde decorriam os interrogatórios.
A 23 de Janeiro, seguindo os passos dos monárquicos do Norte, os monárquicos de Lisboa concentraram-se em Monsanto, acabando, porém, por ser vencidos em pouco tempo. Os monárquicos do Norte, porém, mantiveram posições durante perto de um mês, dominando a quase totalidade do Minho e Trás-os-Montes, e ainda parte das Beiras. A revolta caiu a 13 de Fevereiro, com a entrada no Porto das tropas fiéis à República.
Monarquia do Norte. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Paiva Couceiro

19 de Janeiro de 1923: Nasce o poeta Eugénio de Andrade

 Poeta português, Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de Janeiro de 1923 no Fundão, e faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto. Em 1947 ingressou na função pública, como funcionário dos Serviços Médico-Sociais, e em 1950 fixou residência no Porto. Manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários com que a sua obra coexistiu ao longo de mais de cinquenta anos de actividade poética. Revelando-se em 1948, com As Mãos e os Frutos, a que se seguiria, em 1950, Os Amantes sem Dinheiro, o seu nome não se encontra vinculado a nenhuma das publicações que marcaram, enquanto lugar de reflexão sobre opções e tradições estéticas, a poesia contemporânea, embora tenha editado um dos seus volumes, As Palavras Interditas, na colecção "Cancioneiro Geral" e tenha colaborado em publicações como Árvore, Cadernos do Meio-Dia ou Cadernos de Poesia. É, aliás, nesta última publicação, editada nos anos quarenta, que se firmam algumas das vozes independentes, como Ruy Cinatti, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Jorge de Sena, que inaugurariam, no século XX, essa linhagem de lirismo depurado, exigente, atento ao poder da palavra no conhecimento ou na fundação de um real dificilmente dizível ou inteligível, em que Eugénio de Andrade se inscreve. Foi um dos poetas portugueses mais lidos e traduzidos, mantendo ao longo de uma longa e fecunda carreira uma certa unidade de temas e de recursos formais.

A escolha dos inofensivos substantivos "pureza" e "leveza" para referir a sua obra derivará talvez da noção do impulso de purificação que a sua poética confere às palavras através da exploração de um léxico essencial até à exaltação. Quando Maria Alzira Seixo fala do caminho que esta poesia percorre "na senda do rigor da lápide" ("Every poem is an epitaph", dizia Eliot) levanta o véu de um dos pontos fulcrais desta poesia que, nas palavras do próprio Eugénio de Andrade (Rosto Precário), se afirma como o "lugar onde o desejo ousa fitar a morte nos olhos". Falar desta obra como morada da "leveza" e da "pureza" é encobrir o que nela de ofício de paciência e de desesperada busca. Talvez seja preferível falar da força básica de um léxico de tal maneira investido da radicação do corpo do objecto amado no mundo e na sua paisagem que é capaz de impor o desejo da luz no coração das trevas da mortalidade. Eugénio de Andrade surgirá, assim, como o poeta da "correlação do corpo com a palavra" (Carlos Mendes de Sousa), da sexualidade trabalhada verbalmente até atingir uma "zona gramatical cega" (Joaquim Manuel Magalhães) onde o referido sexual não tem género gramatical referente porque o discurso em que vive pertence a uma dimensão cuja musicalidade representa a recuperação de uma voz materna intemporal.
Eugénio de Andrade foi elemento da Academia Mallarmé (Paris) e membro fundador da Academia Internacional "Mihail Eminescu" (Roménia). Para além de tradutor de vários autores, cujas obras recriou poeticamente (García Lorca, Safo, Borges), e organizador de várias antologias poéticas, é autor de obras como Os Afluentes do Silêncio (1968), Rosto Precário (1979), À Sombra da Memória (1993) (em prosa), As Mãos e os Frutos (1948), As Palavras Interditas (1951), Ostinato Rigore (1964), Limiar dos Pássaros (1976), Rente ao Dizer (1992), Ofício da Paciência (1994), O Sal da Língua (1995) e Os Lugares do Lume (1998).
Recebeu ao longo da sua vida vários prémios: Pen Clube (1986), Associação Internacional dos Críticos Literários (1986), Dom Dinis (1988), Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores (1989), Jean Malrieu (França, 1989), APCA (Brasil,1991), Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz (República da Sérvia, 1996), Prémio Vida Literária atribuído pela APE (2000) e, em maio de 2001, o primeiro prémio de poesia "Celso Emilio Ferreiro" atribuído em Orense, na Galiza. Em 2001, a 10 de maio, Eugénio de Andrade foi homenageado na Universidade de Bordéus por altura da realização do "Carrefour des Littératures", tendo sido considerado um dos mais importantes escritores do século XX. Estiveram presentes várias ilustres personalidades, entre elas o Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio. A 10 de Julho foi distinguido com o Prémio Camões e, ainda no mesmo ano, foi lançado um CD com poemas recitados pelo próprio autor. Em 2002, foram atribuídos os prémios PEN 2001 e Eugénio de Andrade recebeu o prémio da área da poesia pela sua obra Os Sulcos da Sede. No dia em que comemorou o seu octogésimo aniversário foi homenageado na Biblioteca Almeida Garrett do Porto.
Em 1991, foi criada na cidade do Porto a Fundação Eugénio de Andrade. Para além de ter servido de residência ao poeta, esta instituição tem como principais objectivos o estudo e a divulgação da obra do autor assim como a organização de diversos eventos como, por exemplo, lançamentos de livros, recitais e encontros de poesia.
A 22 de Março de 2005 foi distinguido, juntamente com a escritora Agustina Bessa-Luís, com o doutoramento "Honoris Causa", atribuído pela Universidade do Porto durante a cerimónia do 94.º aniversário da sua fundação
Eugénio de Andrade. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 



Poema à Mãe

No mais fundo de ti, 
eu sei que traí, mãe 

Tudo porque já não sou 
o retrato adormecido 
no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais. 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo 
são duras, mãe, 
e o nosso amor é infeliz. 

Tudo porque perdi as rosas brancas 
que apertava junto ao coração 
no retrato da moldura. 

Se soubesses como ainda amo as rosas, 
talvez não enchesses as horas de pesadelos. 

Mas tu esqueceste muita coisa; 
esqueceste que as minhas pernas cresceram, 
que todo o meu corpo cresceu, 
e até o meu coração 
ficou enorme, mãe! 

Olha — queres ouvir-me? — 
às vezes ainda sou o menino 
que adormeceu nos teus olhos; 

ainda aperto contra o coração 
rosas tão brancas 
como as que tens na moldura; 

ainda oiço a tua voz: 
          Era uma vez uma princesa 
          no meio de um laranjal...
 

Mas — tu sabes — a noite é enorme, 
e todo o meu corpo cresceu. 
Eu saí da moldura, 
dei às aves os meus olhos a beber, 

Não me esqueci de nada, mãe. 
Guardo a tua voz dentro de mim. 
E deixo-te as rosas. 

Boa noite. Eu vou com as aves. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

18 de Janeiro de 1930: Nasce Maria de Lourdes Pintasilgo, engenheira química, primeira-ministra no V Governo Constitucional

 Política portuguesa, Maria de Lourdes Ruivo da Silva Pintasilgo nasceu a 18 de janeiro de 1930, em Abrantes, e faleceu a 10 de julho de 2004, em Lisboa. 


Tendo-se mudado para Lisboa, aos 12 anos era já, no Liceu Filipa de Vilhena, responsável por todo o núcleo do Movimento Feminino Português. Em 1947 ingressou no Instituto Superior Técnico para tirar o curso de Engenharia Química. Em 1961, na Holanda, dedicou-se por inteiro ao movimento religioso Chamamento do Graal.
Regressou a Portugal em 1969 e dois anos depois foi convidada a representar Portugal na Organização das Nações Unidas, o que aceitou. Em 1974, recebeu a Revolução de abril com entusiasmo, tendo sido secretária de Estado da Segurança Social do Primeiro Governo Provisório. Devido à crise política instalada, foi convidada pelo presidente da República António Ramalho Eanes para o cargo de primeiro-ministro, que exerceu durante cem dias, em 1979.

Em 1983, fundou o Movimento para o Aprofundamento da Democracia (MAD). Dois anos mais tarde e após vários contactos, entre os quais com Ramalho Eanes, Maria de Lourdes Pintasilgo foi candidata à Presidência da República, vindo a ser derrotada na primeira volta das eleições.

Após a derrota, de uma maneira geral, dedicou-se à reflexão política (sem filiação em qualquer partido) e à intervenção em movimentos católicos. Presidiu à Comissão Internacional para a População e Qualidade de Vida e ao "Comité des Sages" da Comissão Europeia.

Publicou várias obras, como Sulcos do Nosso Querer Comum (1980), Imaginar a Igreja (1980) e Os Novos Feminismos: Interrogação para Cristãos (1981).
Fontes: Infopédia
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18 de Janeiro de 1701: Nasce o Reino da Prússia no seio do Sacro Império Romano Germânico

 Frederico I, então príncipe-eleitor da Prússia, faz-se coroar em 18 de Janeiro de 1701 em Königsberg e estabelece a sua capital em Berlim. É o nascimento do Reino da Prússia no seio do Sacro Império Romano Germânico. Quando o Império tombou sob as investidas de Napoleão Bonaparte, foi o Reino da Prússia que cresceu para atingir o seu apogeu no fim do século XIX e proceder à unidade alemã. 

Em 1701, Brandeburgo-Prússia tornou-se o Reino da Prússia, com a permissão do Sacro Imperador Romano Leopoldo I da Germânia e do Eleitor da Saxónia, Augusto o Forte, rei da Polónia. Mais tarde, com Frederico II, o Grande, a Prússia tomou da Áustria a província da Silésia, derrotando-a na Guerra dos Sete Anos, concluída em 1763. A Prússia emergiu do conflito como a potência dominante no leste da Alemanha, acrescentando territórios em outras áreas germânicas por meio de casamentos e herança, inclusive a Pomerânia e a costa do Mar Báltico. 
Durante este período estabeleceu-se a grande máquina militar prussiana e uma eficiente burocracia estatal, instituições que viriam a formar as bases do Estado alemão até 1945. A Prússia expandiu-se em direcção ao leste durante o colapso da monarquia polaca, entre 1772 e 1795. Frederico Guilherme II levou a Prússia à guerra contra a França revolucionária em 1792, mas derrotado em Valmy viu-se forçado a ceder os seus territórios ocidentais aos franceses. Frederico Guilherme III reiniciou o conflito, mas o desastre sofrido em Jena fez com que se retirasse da guerra, após ceder ainda mais territórios. 
Derrotado Napoleão definitivamente, o Congresso de Viena de 1815 devolveu-lhe os territórios perdidos e entregou-lhe toda a Renânia e a Vestefália, além de outras áreas. Estas regiões ocidentais viriam a ser de importância vital, pois incluíam o vale do Ruhr, polo da industrialização alemã, em especial as indústrias de armamento. Os ganhos territoriais duplicaram a população governada pela Prússia, que saiu das guerras napoleónicas como potência hegemónica, sobrepujando a rival, a Áustria, que havia desistido da coroa imperial em 1806. 
A primeira metade do século XIX assistiu a um embate entre as forças liberais que queriam uma Alemanha federal unida sob uma constituição democrática, e as forças do conservadorismo, que desejavam mantê-la como um conjunto de fracos Estados independentes. Em 1848, Frederico Guilherme IV concordou em convocar uma Assembleia Nacional e outorgar uma constituição. Mas quando o Parlamento de Frankfurt lhe ofereceu a coroa de uma Alemanha unificada, Frederico Guilherme  recusou-a, sob o argumento de que assembleias revolucionárias não estariam habilitadas a conceder títulos de realeza. A Prússia aprovou uma constituição semi-democrática, mas o poder das classes proprietárias de terras, os Junkers, permaneceu incólume. 

Em 1862, o kaiser Guilherme I nomeou Otto von Bismark, um junker, primeiro ministro da Prússia. Bismarck estava decidido a derrotar tanto os liberais como os conservadores, por meio da criação de uma Alemanha unida e forte, mas sob o controlo da classe dominante e da burocracia prussianas. Logrou os seus objectivos com três guerras sucessivas, com a Dinamarca em 1864 (Guerra dos Ducados), que deu à Prússia o Schleswig-Holstein, com a Áustria em 1866 (Guerra Austro-Prussiana), que lhe trouxe Hanover e a maioria dos territórios setentrionais alemães, e com a França em 1870 (Guerra Franco-Prussiana), que forçou Mecklemburg, Bavária, Baden, Württemberg e Saxónia a aceitar a incorporação a um Império alemão unificado. 
A Prússia continuou a existir como a mais poderosa província do Império alemão. Derrotada na Primeira Guerra Mundial, a República de Weimar foi obrigada a  renunciar a territórios prussianos a leste, de maneira a permitir a reconstituição da Polónia. A Prússia Oriental permaneceu sob controlo alemão, mais uma vez separada do restante do país pelo Corredor Polaco. Em 1934, o governo nazi cancelou a autonomia dos estados alemães. 
Com a ocupação soviética, todos os territórios alemães a leste da Linha Oder-Neisse, inclusive a Silésia, a Pomerânia, Brandenburgo Oriental e a Prússia Oriental, foram entregues à Polónia. Cerca de dez milhões de alemães fugiram daqueles territórios. Este êxodo e a nacionalização da terra pelo governo da Alemanha Oriental destruíram os Junkers como classe social e poder político. A Prússia foi formalmente abolida em 1947 por uma proclamação das quatro potências de ocupação. 
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Frederico I, Rei da Prússia


Frederico Guilherme I, o "Rei Soldado"
Frederico Guilherme II, "O Rei Soldado"


Frederico II, "o Grande"
Frederico II, "O Grande"