domingo, 24 de março de 2019

24 de Março de 1603: Morre a rainha Isabel I de Inglaterra

Em 24 de Março de 1603, morre aos 69 anos de idade a  rainha Isabel I de Inglaterra. Após um reinado de mais de quatro décadas, ela seria sucedida no trono por Jaime VI da Escócia, que unifica o país com a Escócia sob uma única monarquia.
Isabel chegou ao trono em 1559 com a morte da sua meia-irmã, a rainha Maria Tudor, alcunhada de “A Sanguinária”. As duas meias-irmãs, ambas filhas de Henrique VIII, mantiveram um tempestuoso relacionamento durante os cinco anos de reinado de Maria.
Maria havia sido educada como católica, e promulgou leis em prol da restauração da supremacia papal na Inglaterra. Essa postura real fez eclodir uma rebelião protestante, que a levou a decretar a prisão de Isabel, uma protestante, sob a suspeita de cumplicidade com as manifestações.
Após a morte de Maria, Isabel sobreviveu a diversas conspirações católicas e tem a sua ascensão saudada por grande parte dos lordes ingleses, na sua maioria reformistas que aguardavam um clima de maior tolerância religiosa.
Sob orientação inicial do secretário de Estado, Sir William Cecil, Isabel revogou a legislação pró-católica de Maria e estabeleceu uma Igreja Protestante de rito anglicano. Tornou-se chefe exclusiva da Igreja da Inglaterra e encorajou reformas calvinistas na Escócia.
Nas relações exteriores, Isabel praticou uma política de estreitamento dos laços com aliados protestantes da Inglaterra, tentando dividir os seus inimigos.
Tinha a oposição do papa, que se recusava a reconhecer a sua legitimidade, e da Espanha, uma nação católica que vivia o auge de seu poderio à época. Em 1588, a rivalidade entre os dois levou a uma fracassada invasão da Espanha sobre a Inglaterra, na qual a “Invencível Armada” espanhola, a maior força naval do mundo à época, foi destruída pelas tormentas e pela marinha inglesa.
Com o crescente domínio inglês dos mares, Isabel encorajou viagens de descobertas, como a circunavegação de Francis Drake ao redor do mundo e as expedições de Walter Raleigh à costa da América do Norte. Erigiu o poderio comercial do país, tendo Londres ultrapassado as rivais Amsterdão e Antuérpia pelo seu dinamismo mercantil.
O longo reinado de Isabel, que se tornou conhecida como a “Rainha Virgem”, celibatária que era, coincidiu com o florescimento da Renascença Inglesa, associado ao surgimento de renomados mestres como William Shakespeare.
Por ocasião da sua morte, no começo do século XVII, a Inglaterra já se havia tornado a potência hegemónica mundial em muitos aspectos.
Fontes: Opera Mundi
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Isabel I, The Armada Portrait, retrato comemorativo da derrota da Armada espanhola  - George GowerFile:Elizabeth I (Armada Portrait).jpg
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O cortejo fúnebre de Isabel I

24 de Março de 1905: Morre o romancista Júlio Verne, autor de "20 Mil Léguas Submarinas" e "Volta ao Mundo em 80 Dias".

Escritor francês, criador do romance de antecipação científica, Jules Verne nasceu a 8 de Fevereiro de 1828, na cidade portuária de Nantes. Filho de um advogado proeminente, acompanhou o pai na sua mudança para Paris em busca de uma melhor clientela.
estudou, dividindo o seu tempo entre o curso de Direito e tertúlias literárias, às quais fora apresentado pelo seu tio. Conheceu personalidades importantes da literatura francesa sua contemporânea, como Victor Hugo e Alexandre Dumas Filho, e não tardou ele próprio a escrever sob a sua orientação.
Estreou a sua primeira peça de teatro em Paris, aos vinte e dois anos de idade e, um ano depois, em 1851, o seu primeiro conto de ficção científica, Un Voyage En Ballon. Ainda incapaz de viver exclusivamente da escrita, Verne fez-se valer do seu diploma em Direito, encontrando o seu sustento como operador financeiro. A situação mudou no entanto em 1862, quando o escritor conheceu Jules Hetzel, editor e também autor de livros infanto-juvenis que demonstrou interesse em publicar a sua série "Voyages Extraordinaires". O episódio Cinq Semaines En Ballon (1863) garantiu a Júlio Verne a popularidade necessária ao seu estabelecimento como escritor a tempo inteiro e inspirou mais tarde, em 1872, a sua famosa obra La Tour du monde en quatre-vingt jours (A Volta ao Mundo em 80 dias).
Procedendo a uma investigação metódica e rigorosa, Verne começou a escrever romances, geralmente de ficção científica, bastante convincentes e realistas. Em Le Voyage Au Centre De La Terre (1864, Viagem ao Centro da Terra), descrevia uma expedição científica ao núcleo terrestre, antecipando um sonho de muitos investigadores. O mesmo aconteceu com De La Terre À La Lune (1865, Da Terra à Lua), romance que encontraria uma continuação em Autour De La Lune (1870, À Volta da Lua) e em que Verne prefigurava em mais de cem anos a primeira expedição lunar.
O carácter visionário da obra de Júlio Verne pode também ser notado em obras como L'Île Mystérieuse (1874, A Ilha Misteriosa) e Vingt Mille Lieus Sous Les Mers (1869-70, Vinte Mil Léguas Submarinas), romance em que o carismático Capitão Nemo profetizava a pirataria submarina alemã da Segunda Guerra Mundial. Outra das suas previsões foi a invenção da televisão.
Em 1867 visitou os Estados Unidos da América, viajando depois pelo Mediterrâneo. Em 1871 instalou-se em Amiens onde, em 1886 sobreviveu a uma tentativa de assassinato pela mão do seu sobrinho. Atingido numa perna, ficou coxo para o resto da sua vida. Faleceu a 24 de Março de 1905.
As obras de Júlio Verne foram mais tarde adaptadas por Walt Disney.
Júlio Verne. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Jules Verne fotografado por Felix Nadar
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Capa das edições Hetzel para a obra Aventures du Capitaine Hatteras au pôle nord


24 de Março de 1882: Robert Koch descobre o bacilo da tuberculose

No dia 24 de Março de 1882, o médico e microbiologista alemão Robert Koch anuncia ao Instituto de Fisiologia de Berlim uma descoberta que, anos depois, mudaria os rumos da história da ciência: o bacilo da tuberculose. Tratava-se de uma experiência científica capaz de demonstrar o carácter contagioso daquilo que então se considerava o “mal do século”.

“Em função das minhas inúmeras observações, considero provado que em todos os casos de tuberculose, em pessoas e animais, são encontrados o que chamei de bacilo da tuberculose. Um microorganismo que, por meio das suas características peculiares, diferencia-se de todas as outras bactérias conhecidas”, anunciava Koch, durante uma palestra no Instituo de Fisiologia de Berlim.


Por meio do telégrafo, a notícia percorreu o mundo.  A imprensa anunciava que a causa da tuberculose fora descoberta por um médico chamado Robert Koch. Foi necessário, porém, esperar até 18 de Julho de 1921 – 39 anos após o anúncio de Koch – para ver a tuberculose recuar verdadeiramente com o fabrico da vacina BCG – vacina do Bacilo de Calmette e Guérin.

Foi Koch, na época com 38 anos, que baptizou o causador da tuberculose como “bacilo da tuberculose”. Na época, além do facto de ser maligna e infecciosa, não se sabia muito mais sobre a doença, também conhecida como tísica pulmonar, capaz de matar um paciente em poucas semanas. Outros sofriam durante anos antes de falecer.

Trabalhando com técnicas de coloração, Koch procurava tornar visível o que ninguém havia conseguido até então. Inicialmente encontrou bacilos finos em forma de bastão com sinuosidades e, finalmente, descobriu que aquela cultura, criada fora dos hospedeiros, era a responsável pela tuberculose.

Em viagem ao Egipto e à Índia, nos anos seguintes, o médico descobriu também o Vibrio cholerae, agente da cólera. Em 1885, fundou a cátedra de higiene na Universidade de Berlim e, entre 1891 e 1904, foi director do Instituto Real Prussiano para Doenças Infecciosas, designado actualmente de Robert Koch Institut. Na década de 1890, organizou uma expedição a vários países para estudar a transmissão da malária. Pesquisou várias outras doenças que acometem o homem e os animais, entre elas a hanseníase, a peste bovina, a peste bubónica e a doença do sono.

Cinco anos após ter recebido o Prémio Nobel de Medicina, morre em Baden-Baden, no dia 27 de Maio de 1910.
Fontes: Opera Mundi
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Robert Koch (terceiro, da direita para a esquerda) na expedição médica alemã ao Egipto, para estudar a epidemia de cólera (1884)



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Robert Koch em 1900
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24 de Março de 1874: Nasce Harry Houdini, "O Grande Houdini", um dos ilusionistas mais famosos de todos os tempos

Mágico e ilusionista norte-americano, Harry Houdini nasceu a 24 de março de 1874, em Budapeste, na Hungria, e faleceu a 31 de outubro de 1926, em Detroit. 

Aos quatro anos, mudou-se com a família para os Estados Unidos da América. O seu nome de batismo era Erick Weisz, que em 1913 mudou legalmente para Harry Houdini.
Pertencendo a uma família pobre, Houdini, que vivia em Appleton, no Wisconsin, viu-se forçado a trabalhar desde criança, tendo sido perfurador de poços, fotógrafo, contorcionista, trapezista e ferreiro. Foi enquanto ferreiro, já a viver em Nova Iorque, que descobriu a sua vocação para o ilusionismo. O seu chefe pediu-lhe para abrir umas algemas de um polícia que perdera as chaves e Houdini usou um truque para o fazer que viria, posteriormente, a usar nos seus números. Decidiu então dedicar-se à carreira de mágico apostando em números onde se libertava de algemas, correntes, cadeados, escapava de caixas e de tanques fechados, às vezes colocados dentro de água.


Aos 17 anos, tornou-se mágico profissional e adotou o nome Houdini em homenagem ao ilusionista francês Jean Eugène Robert-Houdini. Dois anos mais tarde, conheceu Wilhelmina Rahner, com quem casou quase de imediato. A mulher de Houdini passou a ser a sua assistente em palco, situação que se manteve ao longo de toda a sua carreira.

Depois de inicialmente se ter dedicado a truques com cartas e a fazer desaparecer objetos e seres vivos, apostou em espetáculos onde, com as mãos atadas, escapava de caixas fechadas. Esta tornou-se a sua especialidade e, em 1900, fez a sua primeira digressão na Europa, onde acabou por ficar quatro anos. Regressou então à América, onde continuou a sua carreira de grande sucesso.
O seu número mais famoso foi criado em 1913 e tinha o nome de Câmara Chinesa de Tortura com Água. Houdini era colocado de cabeça para baixo, com as mãos atadas, numa caixa de vidro e aço que era cheia com água, conseguindo libertar-se sozinho. 
O ilusionista participou também como ator em filmes de Hollywood, alguns dos quais com argumento escrito por ele. Dedicou-se ainda, em colaboração com as autoridades, a desmascarar médiuns e espíritas graças aos seus conhecimentos de ilusionismo. 
Seis dias antes de morrer, Houdini foi socado no abdómen por um estudante que assistia a um dos seus espetáculos em Montreal, no Canadá. Após ter feito uma demonstração de resistência dentro de água sem respirar, um estudante invadiu o palco e deu-lhe dois socos, sem que Houdini tivesse preparado os músculos. O mágico ficou ferido no apêndice e acabou por falecer mais tarde num hospital de Detroit.
Fontes: Infopédia
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Houdini  cerca de 1900
The Houdini Serial, 1919 movie poster





sábado, 23 de março de 2019

23 de Março de 1869: Nasce, Calouste Gulbenkian, mecenas e coleccionador de arte

Calouste Gulbenkian nasceu em Scutari, Istambul, a 23 de Março de 1869, filho de Sarkis e Dirouhie Gulbenkian, membros de uma ilustre família arménia cujas origens remontam ao século IV. 
Calouste Gulbenkian começou os seus estudos em Kadikoy (Calcedónia), primeiro na escola Aramyan-Uncuyan, depois na escola francesa de St. Joseph. Esteve em Marselha, a aprofundar os conhecimentos de francês. Foi no King's College de Londres, que se diplomou, com distinção, em engenharia (1887). 
Aos 22 anos, Calouste Gulbenkian viajou pela Transcaucásia e visitou os campos petrolíferos de Baku. Corria o ano de 1891. A jornada inspirou a escrita de um livro - «La Transcaucasie et la Péninsule d'Apchéron - Souvenirs de Voyage» - do qual alguns capítulos foram reproduzidos na «Revue des Deux Mondes» com o título «Le pétrole, source d' énergie». Detentor de uma fortuna colossal, o bem sucedido homem de negócios tornara-se num dos mais notáveis coleccionadores de arte do século XX.
A paixão de Calouste Gulbenkian pela arte revela-se cedo. É acima de tudo a beleza dos objectos que lhe interessa. Junta ao longo da vida, ao sabor das viagens e conduzido pelo seu gosto pessoal, por vezes após longas e laboriosas negociações com os melhores peritos e comerciantes especializados, uma colecção muito eclética, única no mundo. São hoje mais de 6000 peças, desde a Antiguidade até ao princípio do sec. XX. O seu apego às obras que vai adquirindo é tal que as considera suas filhas. 
 Em busca de tranquilidade, chegou a Lisboa em Abril de 1942, tendo passado os últimos treze anos da sua vida no Hotel Aviz, onde viria a morrer a 20 de Julho de 1955. 
Reconhecido pela boa hospitalidade “que nunca havia sentido em mais lado nenhum”, presenteou, entre 1949 e 1952, o Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa com um importante núcleo de azulejos oriundos do Médio Oriente, uma escultura egípcia do período ptolomaico, um torso grego do século V a.C., bem como um notável conjunto de arte europeia com obras de Lucas Cranach, o Velho, Van Dyck, Largillière, Hubert Robert, Reynolds, Hoppner, Dupré, Courbet e Rodin.
Fontes:www.gulbenkian.pt/
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23 de Março de 1919: Benito Mussolini funda, em Milão, o Movimento Fascista Italiano de Combate, que dará lugar ao Partido Fascista, em Novembro de 1921.

No dia 23 de Março de 1919, na praça do Santo Sepulcro, em Milão, Benito Mussolini cria os primeiros esquadrões fascistas, os ‘Fasci Italiani di Combattimento’. Esses grupos paramilitares iriam formar o embrião do futuro Partido Nacional Fascista.


O termo ‘fascista’ destinado a ter uma difusão planetária, iria designar a partir do final dos anos 1920 e, em especial, da Guerra Civil espanhola, todos os movimentos totalitários de extrema-direita, antidemocráticos, violentos, racistas e ultranacionalistas.

Antes da Primeira Guerra Mundial, quando era militante socialista e revolucionário, o futuro Duce tinha frequentado na Suíça os exilados bolcheviques. Tomou então conhecimento da teoria de Lenine, segundo a qual a ascensão ao poder deveria  apoiar-se sobre uma organização bem estruturada, constituída na sua direcção por revolucionários profissionais.

Construiu o seu movimento levando em conta o exemplo do líder russo, introduzindo, porém, a característica paramilitar dos seus grupos de apoio. Valendo-se dos seus talentos como orador, traz para seu seio os ‘arditi’ - Reparti d'assalto (Unidades de assalto) da I Guerra, tropas de elite do Exército. Em italiano, a expressão ‘ardito’ significa algo como bravo, corajoso, audacioso. Organizadas no Verão de 1917 pelo coronel Bassi, a essas forças especiais era designado o papel táctico de romper as defesas inimigas e atacá-las em profundidade, de modo a preparar um avanço maciço das tropas de infantaria – que tinham dificuldade de se converter à vida civil. A esses jovens  juntaram-se sindicalistas e trabalhadores vítimas das crises económicas e proletariado em geral.

A todos, Mussolini propunha um programa político vagamente socialista e fortemente nacionalista. Passa a reivindicar os territórios prometidos pelo Tratado de Londres, declara guerra aos bolcheviques e aos socialistas, denuncia o capitalismo, exige a abolição do Senado e a eleição de uma assembleia constituinte, prega a abolição do serviço militar obrigatório e pronuncia-se a favor de uma república laica. Esse programa iria evoluir muito ao sabor das circunstâncias.

No final de 1919, o movimento fascista era ainda bastante marginal. Contava com apenas 17 mil membros e não conseguiu eleger sequer um representante nas eleições legislativas de Novembro. O próprio Mussolini obtivera em Milão apenas 4.800 votos contra 170 mil do candidato socialista.

Na esfera de influência nacionalista, Mussolini  via-se eclipsado pelo prestígio do poeta Gabriele d'Annunzio. A sua decepcção era tal que pensou emigrar para os Estados Unidos.

Tudo mudou no ano seguinte. O ex-líder socialista continuou a utilizar uma terminologia revolucionária, anticapitalista e anti burguesa. Todavia, durante o Verão de 1920, enquanto se multiplicavam as manifestações populares e as greves nas grandes cidades industriais do norte e nos campos do sul, toma o partido da contra-revolução. Cria uma milícia, os ‘squadre’ (esquadrões) cujos membros, os ‘squadristi’, eram reconhecidos por trajarem uma ‘Camisa Negra’ . Daí o seu epíteto.

Em total ilegalidade, esses milicianos armados, motorizados e formados por ex-oficiais percorrem cidades e campos, intimidando de todas as maneiras possíveis os militantes comunistas e socialistas, os sindicalistas e os grevistas.

A polícia, os magistrados e o próprio governo fecham os olhos.Os patrões, por sua vez,  não hesitaram em financiar generosamente o Partido Fascista. Chegando a mais de 700 mil membros em 1922, o Partido Nacional Fascista ainda assim não conseguia seduzir o eleitorado.

Foi apenas com recurso à força e às ameaças que Benito Mussolini finalmente chegaria ao poder no mês de Outubro naquele ano.
Fontes: Opera Mundi
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Mussolini  e os "Camisas Negras" em 1922

23 de Março de 1842: Morre, em Paris, o escritor Henri Beyle, Stendhal, autor de "Vermelho e o Negro", "A Cartuxa de Parma", precursor do realismo e inspirador do "nouveau roman" do século XX.

Henri Beyle, mais conhecido pelo seu pseudónimo Stendhal, escritor francês do século XIX, morre em Paris no dia 23 de Março de 1842. Consagrado pela sua aguda análise da psicologia dos seus personagens e a concisão do seu estilo, é considerado como um dos primeiros e mais importantes literatos do realismo.
Beyle utilizou diferentes pseudónimos, sendo Stendhal o mais conhecido. A hipótese mais verossímil sobre a sua origem é que o "tomou emprestado" da cidade alemã de Stendal, lugar de nascimento de Johann Winckelmann, fundador da arqueologia moderna, a quem admirava.
Nascido em Grenoble, em 23 de Janeiro de 1783, numa família burguesa, o seu pai Cherubin Beyle era advogado. Ficou órfão de mãe aos 7 anos. O pai foi preso em 1794 durante o Terror, pela sua defesa da monarquia. Estudou a partir de 1796 na Escola Central de Grenoble, conseguindo elevadas qualificações em matemática.


Em 1799 foi para Paris com ideia de estudar na Escola Politécnica, porém ficou doente e não pôde ingressar. Obteve trabalho no Ministério da Defesa e, no ano seguinte, viajou para a Itália como sub-tenente. acompanhando a retaguarda do exército de Napoleão. Ali conheceu a música de Domenico Cimarosa e Gioacchino Rossini, de quem viria a escrever uma célebre biografia.


Em 1802 deixa o exército, passando a trabalhar como funcionário da administração imperial na Alemanha, Áustria e Rússia. Nesse mesmo ano torna-se amante da Madame Rebuffel, primeira das muitas amantes que teve.



Foi viver para Milão em 1815 e, dois anos depois, publicou "Roma, Nápoles e Florença", uma declaração do seu amor pela Itália. Nessa obra descreve uma espécie de êxtase ao contemplar a basílica de Santa Croce de Florença e o seu entorno de arte e beleza.



Depois de viajar nos anos 1820 pela Europa, de regresso à Itália é acusado de espionagem e expulso, retornando a Paris. Começa a trabalhar num periódico onde pôde exercer o seu estilo romântico, caracterizado pelo reconhecimento da história como parte essencial da literatura.


De 1832 a 1836 foi designado vice-cônsul da França em Civitavecchia, porto dos Estados Pontifícios, perto de Roma. Em 1836 obtém permissão para residir em Paris. Em 1841 sofre um primeiro ataque de apoplexia.


Em 22 de Março de 1842, Stendhal sofre um novo ataque em plena rua. Levado a casa, morre na madrugada de 23 sem ter recuperado a consciência. É enterrado no dia seguinte no cemitério de Montmartre.

Na sua lápide funerária fez escrever o seguinte epitáfio: “Arrigo Beyle, milanese. Scrisse, amò, visse Ann. LIX  M. II.  Mori il XXIII marzo MDCCCXLII”  (Henri Beyle, milanês. Escreveu, amou, viveu 59 anos, 2 meses. Morreu em 23 de Março de 1842).



O seu êxito extraordinário deve-se fundamentalmente aos quatro famosos romances: "Armancia" (1826), "O Vermelho e o Negro" (1830), "A Cartuxa de Parma" (1839) e "Lucien Leuwen" (incompleta e póstuma, 1894).


As principais marcas da sua produção literária foram a elevada sensibilidade romântica e um poderoso sentido crítico que deram vida à filosofia de ‘ busca da felicidade’.


A análise das paixões, dos comportamentos sociais, o amor pela arte e pela música, além da busca pelo prazer,  expressavam-se através de um modo de escrever personalíssimo em que o realismo da observação objectiva e o carácter individual da sua expressão se fundiam de modo harmónico.

Por todas estas razões, Stendhal teve de sofrer o desprezo, se não o desconhecimento, dos seus contemporâneos, com excepção de Balzac, alcançando, posteriormente, um enorme prestígio. Mesclando com mestria a ambientação histórica e a análise psicológica, os seus romances descrevem o clima moral e intelectual da França.
Stendhal é considerado o criador do romance moderno, que deu passo à grande narrativa do século XIX. Diz-se que é o escritor do século XIX que menos envelheceu. Sem se deixar contaminar por modas, mostra ainda hoje ao leitor uma linguagem bastante moderna.
Fontes: Opera Mundi
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Stendhal, por Olof Johan Södermark