segunda-feira, 22 de maio de 2017

22 de Maio de 1998: Inauguração da Expo 98

A Exposição Mundial de Lisboa de 1998 decorreu na zona oriental da cidade, junto ao rio Tejo, entre 22 de maio de 1998 e 30 de setembro de 1998.
A última exposição do século XX, como foi publicitada, assinalou o 500.º aniversário da descoberta do Caminho Marítimo para a Índia e, através disso, pretendeu debater as perspetivas do futuro da Humanidade, integrando os vários aspetos éticos e tecnológicos. «Os Oceanos, Um Património para o Futuro», foi o tema, ao mesmo tempo português, universal e urgente. Símbolo da comunicação entre os povos e da interdependência destes com o meio natural, o Oceano é visto como um património físico e cultural a valorizar, ao mesmo tempo que está estreitamente ligado à reflexão sobre o equilíbrio do planeta que vamos legar às gerações futuras. As problemáticas propostas - o Conhecimento dos Mares e dos Recursos dos Oceanos, o Equilíbrio do Planeta, os Oceanos como fonte de inspiração e de lazer - foram interpretadas pelos vários pavilhões temáticos.

O Pavilhão dos Oceanos (Oceanário), concebido pelo arquiteto americano Peter Chermayeff, foi provavelmente o pavilhão mais ambicioso, em que a coabitação de diferentes sistemas ecológicos marinhos foi possível graças às tecnologias mais avançadas.
O Pavilhão de Portugal, projeto da autoria do arquiteto Siza Vieira, pretendeu realçar a ligação do homem com o mar em todas as épocas, a partir de personagens e referências portuguesas, alternando-as com as de outros povos e culturas.
O Pavilhão do Conhecimento dos Mares, organizado como um navio, foi concebido pelo arquiteto Carrilho da Graça e o projeto de interiores foi dos arquitetos Nuno Mateus e José Mateus. Este Pavilhão pretendeu analisar a evolução da relação do Homem com o Oceano, combinando várias técnicas expositivas: o didatismo, o humor e o espetáculo.

O Pavilhão da Realidade Virtual propôs uma visita às ruínas de uma fantástica cidade subaquática habitada, milhares de anos, por criaturas de uma civilização desconhecida, Oceânia, através de uma completa imersão num mundo virtual. Este pavilhão patrocinado pela Portugal/Telecom é um projeto que pretende ficar integrado nas diversões da zona do Oceanário.

O Pavilhão da Utopia recriou o mar como espaço da imaginação e da fantasia, região de mitos e de lendas. O espetáculo Oceanos & Utopias utilizou efeitos teatrais de tipo clássico e moderno em ligação com as tecnologias multimédia atuais. Através de 10 quadros os visitantes puderam assistir à eclosão do Big Bang, à formação do Oceano, às grandes conquistas, à Atlântida. Este Pavilhão foi projetado para, depois da EXPO'98, se tornar um centro onde decorrerão grandes espetáculos culturais, recreativos e desportivos, com capacidade máxima para 15 000 espectadores.

Finalmente, o Pavilhão do Futuro, ao pretender modificar a perceção e o comportamento do visitante perante o Oceano, demonstrando que a sua conservação é da nossa responsabilidade comum, encerra o discurso temático da EXPO'98.
O projeto do edifício do pavilhão esteve a cargo de Paula Santos, Rui Ramos e Miguel Guedes e o projeto da exposição foi concebido por Baixa, Atelier de Arquitetura, da responsabilidade de Pedro Ravara, e por Nuno Vidigal.

Estiveram presentes na Exposição cerca de 150 países, distribuídos por duas zonas internacionais. Na Área Internacional Norte ficaram instalados cerca de 60 países, nomeadamente os da União Europeia. Esta área constituirá a nova Feira Internacional de Lisboa, após a Exposição. Na Área Internacional Sul ficaram instalados os restantes países.

Fazendo a contagem decrescente até ao dia 21 de maio, o Festival dos Cem Dias, tendo por sede o Centro Cultural de Belém, concentrou-se na produção artística e cultural do século, através de espetáculos de música, de dança, de teatro e de cinema.

Paralelamente, a atividade editorial da EXPO'98 concentrou-se nas publicações diretamente relacionadas com a Exposição, como os catálogos dos Pavilhões Temáticos, o Guia Oficial e o Guia Juvenil. Promoveu igualmente a edição de outras obras, das quais se salientam a coleção «98 Mares», que constou de 98 livros de autores de vários lugares e épocas, entre os quais alguns inéditos de Sophia de Mello Breyner, José Cardoso Pires, Mia Couto, Mário Cláudio e a coleção «Exposições Universais».
Esta exposição determinou ainda a criação de infraestruturas como a Ponte Vasco da Gama, que liga Loures ao Montijo, e a Estação do Oriente, que passa a funcionar como local de convergência de terminais ferroviários e rodoviários e do metropolitano. O projeto da estação foi da autoria do arquiteto e engenheiro espanhol Santiago Calatrava.
EXPO'98. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
wikipedia(Imagens)
Mascote da Expo 98 -Gil
Ficheiro:Parque das Nações - Lisboa (Portugal).jpg


Pormenor da zona norte da EXPO'98, em especial a Torre e a Ponte Vasco da GamaFicheiro:Lisbonne Expo98 02.jpg






22 de Maio de 1911: Criação do Escudo, unidade monetária da República Portuguesa

O escudo foi criado em 22 de maio de 1911, cinco meses após a Proclamação da República, por decreto do Governo Provisório. O ministro das Finanças era, então, José Relvas. A nova moeda renovou o sistema monetário português, colocou a unidade monetária portuguesa ao nível das dos outros países e evitou as desvantagens práticas do real (moeda da monarquia), cujo valor era muito pequeno, o que obrigava ao emprego de grande número de algarismos para representar na escrita uma quantia. Assim, a taxa de conversão foi fixada em mil réis (reais).
A nova moeda foi buscar o nome ao início da II Dinastia. O Rei D. Duarte, quando decidiu retomar a cunhagem em ouro, mandou bater os primeiros escudos, dado que era esta a figura que aparecia representada na moeda. Ao longo da história da monarquia, outros reis mandaram cunhar moedas de ouro com esta denominação. O escudo era, assim, uma moeda nobre por ser fabricada naquele metal precioso. Deverá ter sido esta uma das razões que levou os responsáveis do regime republicano a designarem a nova unidade monetária desta forma.

Segundo o preâmbulo do decreto de 22/05/1911, encontravam-se, na altura, em circulação cerca de 34 400 contos de moedas de prata e 3 900 contos de moedas de cupro-níquel e de bronze. O mesmo diploma mandou substituir estes valores por 35 500 contos de moedas de prata de 1$00, $50, $20 e $10 e por 3 750 contos de bronze-níquel de $04, $02, $01 e $005, mas este plano nunca foi integralmente cumprido. As primeiras moedas foram cunhadas em 1912 e até 1917 apenas foram emitidos cerca de 13 000 contos de novas moedas em prata.
Quanto ao papel-moeda, encontravam-se em circulação, no momento da Proclamação da República, notas de 500, 1 000, 2 500, 5 000, 10 000, 20 000, 50 000 e 100 000 réis que o Banco de Portugal alterou, apondo-lhes sobre a coroa a sobrecarga República, tendo desta forma continuado em circulação até 1929. Contudo, a primeira nota emitida em escudos data de 1913 e resultou da alteração da chapa gravada destinada à nota de 5 000 réis, que passou assim a apresentar o valor facial de 5 escudos/ouro chapa I. Nela figurava Alexandre Herculano. A primeira nota efetivamente concebida para escudos foi a de 20 escudos/ouro chapa I, com uma primeira emissão datada de 14 de outubro de 1916. No centro desta nota aparecia Almeida Garrett e dos lados as figuras alegóricas da Justiça e da Glória.
A mudança do sistema monetário estendeu-se às colónias portuguesas de África, por decreto do Governo Provisório de 22 de maio de 1911, complementado pelo decreto 141, de 18 de setembro de 1913 que determinou ainda que a contabilidade pública das colónias portuguesas de Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique deveria ser feita de acordo com o novo sistema monetário a partir de 1 de janeiro do ano seguinte. Foi também em 1913 que a contabilidade do Estado português passou a ser feita em escudos.

Desde 1911, data do I Governo Constitucional, vivia-se em Portugal um forte clima de instabilidade política, agravado, em 1914, pela Primeira Guerra Mundial e pela participação de Portugal neste conflito a partir de 1916. As consequências internas foram gravosas. O período de 1917 a 1924 caracterizou-se pela escassez de moeda, coexistindo as de bronze, com as de ferro e cupro-níquel. Para as substituir, registou-se uma avalanche de cédulas e outro numerário de papel. A subida dos preços que acompanhou a Primeira Guerra Mundial e se prolongou até 1924 fez com que o escudo neste ano passasse a valer menos 25 vezes do que aquando da sua criação e o valor intrínseco da moeda metálica ultrapassou o respetivo valor nominal, provocando o seu entesouramento, nomeadamente através de depósitos no estrangeiro. Ao mesmo tempo, surgiram cédulas emitidas à margem da lei para as substituir. Como medida para ultrapassar esta situação, o Banco de Portugal e a Casa da Moeda emitiram cédulas, tendo aquele procedido ainda à impressão de notas de valores muito baixos - 50 centavos e 1 escudo. Na mesma época, circularam igualmente notas de 2, 5, 10, 20, 50, 100, 500 e 1 000 escudos, em mais de uma chapa, nelas figurando personalidades de relevo da História portuguesa.
Em 1924, o ministério de Álvaro de Castro tomou uma série de medidas para travar a queda do escudo, nomeadamente a venda de reservas de prata do Banco de Portugal. Neste ano, o executivo reformou também a moeda metálica, aumentando o teor da liga e reduzindo o seu valor real. As cédulas foram sendo recolhidas e retiradas de circulação, sendo substituídas por moedas de 1 escudo e de 50 centavos em bronze e alumínio, de 20, 10 e 0,5 centavos em cobre. Em 1927, foi decretada a substituição das moedas de bronze e alumínio por moeda de igual valor em alpaca. Quanto às notas, o Banco de Portugal lançou novas notas e reforçou as anteriores. De recordar que o escudo em 1924 valia 25 vezes menos do que em 1911, em grande parte devido aos esforço financeiro português na Primeira Guerra Mundial. Em 1925 deu-se o maior escândalo financeiro da história do escudo: a grande burla-falsificação de Alves dos Reis, ou caso Angola e Metrópole, com mais reflexos negativos em termos políticos do que financeiros ou económicos. Alves dos Reis inundou o País com 200 000 notas de 500 escudos duplicadas, com a efígie de Vasco da Gama.


Em 1930, o ministro das Finanças António de Oliveira Salazar, acabou com a dupla circulação monetária em Portugal, retirando a divisa monárquica. A partir de 1931, assistiu-se a um novo período na história da moeda portuguesa, marcado pela transformação oficial do escudo de ouro em simples padrão teórico. O escudo conheceu entre 1920 e 1940, apesar dos percalços da economia portuguesa, um período de "relativa estabilidade", com "apenas" 20 desvalorizações. Até ao fim da Segunda Guerra Mundial, 1945, o escudo não evitou algumas derrapagens e oscilações, devido ao conflito, mas depois recuperou a estabilidade, que se manteve até à década de 60. Outra faceta curiosa marcou a evolução do escudo no Estado Novo: o uso de notas e moedas como complemento popularizante dos manuais de história e da propaganda oficial do regime. Registou-se na Ditadura também uma normalização de emissões de notas e moedas, "patrióticas" e de glorificação dos heróis nacionais e dos Descobrimentos.
Na década de 60 o império começou a ruir. O escudo coabitava nas colónias com moedas locais; a guerra estalava e ameaçava perdurar, como veio a suceder. Na economia portuguesa, a inflação, pela primeira vez na história da Ditadura, conheceu um crescimento desmesurado, com o poder de compra em queda e as convulsões sociais a ameaçarem crises políticas. Em 1971, na Europa comunitária, entretanto, começava a construir-se a moeda única europeia. Em Portugal, depois do 25 de abril de 1974, acabou a chamada "zona do escudo", processo que se concluiria nas ex-colónias em 1977, com a implementação das novas moedas nacionais. Crises económicas e inflação permanente em níveis elevados assolaram o País desde a Revolução, principalmente entre 1977 e 1986, conhecendo-se depois, graças à adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia um período de crescimento económico. Novas moedas de 1, 5 e 10 escudos de latão-níquel e de 20, 25, 50, 100 e 200 em cupro-níquel, para além de edições especiais. Alguns destes valores em moeda seriam extintos na década de 90. Em relação ao papel-moeda, mantiveram-se em circulação notas nos valores anteriores e iniciou-se a emissão de valores novos: 2 000 escudos (1991), 5 000 (1980) e 10 000 (1996). As últimas notas em escudos fabricadas pelo Banco de Portugal (1 000, 2 000, 5 000 e 10 000) entraram em circulação em fevereiro e outubro de 1996.

Entretanto, desde julho de 1990 que existia a União Económica e Monetária, que visava a coordenação das políticas monetárias europeias e a criação a médio prazo de uma moeda única na União Europeia (UE, nova designação da CEE desde 1992). Desde 1994 os estados-membros da UE adotaram políticas de combate ao défice e de convergência económica. Em 1995, cria-se a designação de "euro" para a nova moeda única, em substituição do ECU. Entretanto, o escudo preparava-se para desaparecer: em 1999, valia menos 2 500 vezes do que quando foi criado. Portugal foi um dos países que conseguiu entrar no clube Euro dos países que adotariam a nova moeda única, graças ao facto de ter conseguido cumprir os critérios de convergência para a nova divisa. O euro começou a fazer parte em 1 de janeiro de 2002 nas carteiras dos portugueses, coabitando com o escudo até 28 de fevereiro desse ano, quando a velha moeda republicana portuguesa, com 91 anos, desapareceu para sempre.
História do escudo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
wikipedia (Imagens)
50 centavos 1926
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