domingo, 26 de fevereiro de 2017

26 de Fevereiro de 1932: Nasce o cantor e compositor norte-americano Johnny Cash

Cantor, compositor e ator norte-americano, Johnny Cash nasceu a 26 de fevereiro de 1932, em Kinsland, Arkansas, nos Estados Unidos da América, e faleceu aos 71 anos, no dia 12 de setembro de 2003. 

Formou os "Johnny Cash And The Tennessee Two" em 1955, com Marshall Granton, no baixo, e Luther Perkins, na guitarra. Em 1960 passaram a chamar-se "Johnny Cash And The Tennessee Three" com a entrada de W. S. Holland para a bateria. Em 1969, Bob Wootton substituiu Luther Perkins.
Êxitos como "Cry, Cry, Cry" (1955), o seu primeiro single, "Folsom Prison Blues" (1956), "I Walk The Line" (1956), "Guess Things Happen That Way" (1958), entre outros, depressa o tornaram numa das figuras mais relevantes da músicacountry/pop norte-americana da década de 60. Chegou a ser o artista mais vendido em todo o mundo em finais da década de 60, ultrapassando mesmo os Beatles.
O seu álbum de estreia, Johnny Cash With His Hot & Blue Guitar, foi lançado em 1957. Da extensa lista de álbuns de sucesso que gravou, destacam-se Ride This Train (1960), Ring Of Fire (1963), Johnny Cash Live At Folsom Prison (1968),Rockabilly Blues (1980), Johnny Cash Is Coming To Town (1987) e American Recordings (1994), entre outros. American Recordings contou com canções escritas por artistas tão distintos como Tom Waits, Leonard Cohen ou Kris Kristofferson. O primeiro single "Delia's Gone", acompanhado por um vídeo promocional em que surge a manequim internacional Kate Moss, introduziu o cantor na geração da MTV. Este trabalho proporcionou-lhe um prémio grammypara Melhor Álbum Contemporâneo de Folk.

Em 1996 editou Unchained, que incluiu versões de artistas como os Soundgarden ou Beck e teve como convidados Tom Petty And The Heartbreakers e Mick Fleetwood. Com este trabalho ganhou o prémio grammypara Melhor Álbum Country.
A carreira de Johnny Cash envolveu também colaborações frutuosas com outros nomes e até estilos musicais distintos da música country. Fez dueto com Bob Dylan em "Girl From The North Country" (1969). Em 1986 juntou-se a Jerry Lee Lewis, Carl Perkins e Roy Orbison para a gravação do álbum Class of 55' (Memphis Rock & Roll Homecoming). Participou no projeto "The Traveling Wilburys", em 1988, ao lado de Bob Dylan, George Harrison e Roy Orbison, entre outros. Em 1993 colaborou no álbum "Zooropa" dos U2 através do tema "The Wanderer".
Como ator participou em filmes como A Gunfight (1970), Pride of Jessee Hallam(1981), e Stagecoach (1986), e em séries televisivas como North and South(1985). Apresentou o "The Johnny Cash Show," entre 1969 e 1971. Produziu, co-escreveu e narrou o filme-documentário sobre a vida de Cristo, "The Gospel Road" (1973). Compôs bandas sonoras para filmes, tais como The True West , Little Fauss and Big Halsy, e Pride of Jesse Hallam, entre outros.
Em 1975, escreveu Man In Black, uma autobiografia, e, em 1986, Man In White, um romance sobre o apóstolo São Paulo. Em 1997 lançou CASH: The Autobiography.Em 1997, é-lhe diagnosticada a doença de Parkinson. Regressa aos álbuns de estúdio três anos mais tarde com American III: Solitary Man, dando continuidade ao seu aperfeiçoamento pelos temas do amor, da devoção e da solidão. O disco conta com a participação de Tom Petty, amigo de longa data de Cash, e de Sheryl Crow. Destaque ainda para as versões de "One" (U2) e "Solitary Man" (Neil Diamond). Seguiram-se algumas reedições de discos antigos e algumas coleções de êxitos. Além desses, merece uma referência a edição de At The Madison Square Garden (2002), registando um concerto de Cash em dezembro de 1969.
Em 2002, deu sequência à mesma forma do seu álbum anterior. O discoAmerican IV: The Man Comes Around conta com uma produção minimalista de Rick Rubin, para as versões improváveis de Nine Inch Nails, Depeche Mode, The Beatles, Simon & Garfunkel e Sting. O disco só foi lançado na Europa no ano seguinte. 
A esposa do cantor faleceu a 15 de maio de 2003 e, quatro meses mais tarde, aos 71 anos, morreu Johhny Cash.
Fontes: Infopédia




26 de Fevereiro de 1885: Termina a Conferência de Berlim, cujo objectivo era a partilha das colónias africanas.

Convocada para 15 de Novembro de 1884, por iniciativa do chanceler prussiano Otto Von Bismarck, a Conferência de Berlim termina os seus trabalhos em 26 de Fevereiro de 1885. Os 14 países europeus presentes e os Estados Unidos põem fim aos conflitos coloniais que assolaram o continente africano. O rei dos belgas, Leopoldo II, obtém o Congo a título pessoal. A Grã Bretanha renuncia às suas pretensões sobre todo o território e assume a sua hegemonia sobre uma faixa que ia do Cabo da Boa Esperança até  ao Cairo e  Alexandria. A França vê-se contemplada com todas as terras ao sul do Saara e a Alemanha, a África do oeste. A Conferência de Berlim decide também sobre a livre navegação de navios cargueiros pelos rios Congo e Níger.

A Conferência de Berlim constituiu-se na ruína da África de muitas maneiras e não só apenas uma. As potências coloniais impuseram os seus domínios sobre o continente africano. À época da independência dos países africanos na década de 1950, os reinos e domínios receberam um legado de fragmentação política que poderia nem ser eliminada nem ser operada satisfatoriamente.
Em 1884, a pedido de Portugal, o chanceler alemão Bismark convocou uma reunião das maiores potências ocidentais para negociar questões controversas e dar fim à confusão sobre o controlo da África. Bismark aproveitou a oportunidade para expandir a esfera de influência da Alemanha, com um desejo mal dissimulado de forçar as potências rivais de lutarem entre si por territórios.

Por ocasião da conferência, 80% da África permaneciam sob controlo tradicional das metrópoles e de tribos locais, resultando, finalmente, do encontro uma miscelânea de fronteiras estabelecidas geometricamente que dividiu o continente em 50 países irregulares. Este novo mapa da África foi imposto sobre mais de mil culturas e regiões autóctones. A nova delimitação de países, porém, dividia grupos coerentes de pessoas e mesclava grupos dispares que na verdade não poderiam coexistir.
Catorze países estavam representados por vários  embaixadores quando a conferência se abriu: Austria-Hungria, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grã Bretanha, Itália, Holanda, Portugal, Rússia, Espanha, Suécia-Noruega (unificadas de 1814 a 1905), Turquia e Estados Unidos. Dessas 14 nações, França, Alemanha, Grã Bretanha e Portugal eram as protagonistas, controlando a maior parte da África colonial à época.

A tarefa inicial da reunião era estabelecer um acordo sobre as bacias e a foz dos rios Congo e Níger para que fossem considerados neutros e abertos à navegação comercial. A despeito da sua neutralidade, parte da bacia do Congo tornou-se domínio pessoal do rei Leopoldo II da Bélgica. Sob o seu governo, mais da metade da população local morreu.

À época da conferência apenas as áreas litorais eram colonizadas pelas potências europeias. Em Berlim deram-se "cotoveladas" para ganhar o controlo das regiões do interior. A conferência estendeu-se até 26 de Fevereiro, período de três meses em que os países europeus se degladiaram em torno de fronteiras geométricas, fazendo pouco das fronteiras linguísticas e culturais já estabelecidas pela população africana autóctone.

O toma-lá-dá-cá continuou. Em 1914, os cinco participantes de uma nova conferência dividiram entre si a África. A Grã Bretanha ficou com o Egipto, Sudão Anglo-egípcio, Uganda, Quênia, África do Sul, Zâmbia, Zimbábue (ex-Rodésia), Botsuana, Nigéria e Gana; À França coube muito da África ocidental, da Mauritânia ao Chade, mais Gabão e a hoje República do Congo.

A Bélgica e o rei Leopoldo controlaram a hoje República Democrática do Congo (Congo Belga). Portugal, por sua vez tomou Moçambique a leste e Angola a oeste. A Itália passou a dominar a Somália e uma porção da Etiópia, enquanto a Alemanha ficou com a Namíbia e a Tanzânia. À Espanha coube o menor território, a Guiné Equatorial, modificando toda a geografia da África, que a partir da década de 1950 teve grande maioria dos países livre do jugo colonial.
Fontes:Opera Mundi
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A Conferência de Berlim em gravura da época
O Congresso de Berlim, em gravura da época
Mapa de África Colonial em 1913.
  Bélgica
  França
  Alemanha
  Grã-Bretanha
  Itália
  Portugal
  Espanha
  Estados independentes

26 de Fevereiro de 1901: Thomas Mann lança "Os Buddenbrooks"

No dia 26 de Fevereiro de 1901, a editora Fischer-Verlag lançou o primeiro volume de "Os Buddenbrooks", em que Thomas Mann narra de forma perspicaz a ascensão e queda de uma família burguesa alemã.
O romance Os Buddenbrooks conta a história de uma família de comerciantes de Lubeque, no norte da Alemanha. Trata-se do primeiro romance de Thomas Mann, escrito aos 23 anos de idade e baseado na saga da própria família. O filho de aristocratas contrariou o desejo do pai, que queria fazer dele um comerciante. 
O romance de Thomas Mann ficou tão volumoso, que a editora lhe pediu para encurtar o manuscrito. O autor convenceu o editor de que o romance não admitia qualquer corte. No dia 26 Fevereiro de 1901, a obra foi publicada, e o leitor que não se assustou com o número de páginas pôde ler, em dois volumes, como a teimosia, a incapacidade e a desventura provocam a lenta decadência de uma dinastia de comerciantes.
Todas as personagens do romance têm os seus correspondentes na realidade. O próprio Thomas Mann não se poupa. Ele é Hanno, o benjamin da família. O severo senador, seu pai, é o chefe do clã.
 O livro mal acabara de ser publicado e já circulavam em Lubeque listas, relacionando as personagens com a vida real. As descrições de carácter são brilhantes, mas não necessariamente lisonjeiras.
Segundo Thomas Mann, "essa expressão literária da essência de Lubeque era prosa psicológica, um romance naturalista. Em vez de recorrer à beleza de um idealismo religioso, ele contava de forma sombria e, em parte, cómica, situações da vida que misturavam metafísica pessimista com características satíricas e transmitiam o contrário de amor, simpatia e união. 
Esta expressão (Nestbeschmutzer) foi usada pelo tio de Thomas Mann, Friedrich, num artigo de jornal em que disparou sua indignação sobre a obra do sobrinho. Horrorizado, ele  reconhecera-se no romance, na figura do desajeitado Christian Buddenbrook. Apesar da irritação das pessoas retratadas, o livro é desde o início um sucesso de vendas e, ao ser lançado numa edição mais barata de um só volume pelo editor Samuel Fischer, em 1902, transformou-se definitivamente num best-seller.
Uma das explicações para este sucesso – segundo o autor – é o apego do público alemão a tudo que diz respeito à própria pátria. O próprio Thomas Mann foi adepto dos ideais políticos do nacionalismo alemão, aos quais somente renunciou após os primeiros sintomas da falência moral que se seguiu ao desastre da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Embora passasse a apoiar teses esquerdistas e optasse pelo exílio nos Estados Unidos e, por fim, na Suíça, durante o nazismo, Mann continuou a ser, em certo sentido, o conservador que fora até 1918.
Thomas Mann nasceu em Lubeque, a 6 de Julho de 1875, e faleceu a 12 de Agosto de 1955, em Zurique. Frequentou os círculos intelectuais da Universidade de Munique, seguindo depois para Roma. Mas logo regressou a Munique e aí permaneceu, como um dos editores do jornal satírico-humorísticoSimplicissimus. Após algumas novelas menores, sacudiu o meio literário europeu com Os Buddenbrooks, que antecipou a problemática de toda a sua obra futura: de um lado, o conflito entre a existência burguesa e a vida atribulada do artista; de outro, a génese artística como produto da decadência biológica.
Entre os livros mais conhecidos do autor estão: Morte em Veneza (1913), A Montanha Mágica (1921), a tetralogia bíblica José e seus irmãos (1933-1943) e Doutor Fausto (1947).
Lubeque – cidade Património Cultural da Humanidade – não guarda rancor das indiscrições familiares de Thomas Mann. Em 1955, concedeu ao escritor o título de cidadão honorário. Mas, a esta altura, Mann já havia obtido sua maior condecoração: com o romance Os Buddenbrocks, conquistara o Prémio Nobel de Literatura, em 1929.
Fontes: DW
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Thomas Mann em 1937
Thomas Mann (sentado) e o irmão Heinrich
1901 Thomas Mann Buddenbrooks.jpg


Primeira edição de Os Buddenbrooks

26 de Fevereiro de 1802: Nasce o escritor francês Victor Hugo, autor de "Os Miseráveis".




Victor Hugo nasceu em 26 de Fevereiro de 1802 em Besançon, sendo o mais novo de três irmãos. O seu pai era general do Império Napoleónico. Mas foi a sua mãe, em particular, que o educou. O autor de Os MiseráveisO Corcunda de Notre-DameHernâni, Contemplações e tantas outras obras-primas brilhou em vários géneros, passando da poesia ao romance histórico e às peças de teatro. 

Ainda no liceu, Hugo parecia já ter uma ideia bem precisa do seu futuro. Aos 14 anos escreveu: “Quero ser como Chateaubriand ou nada.” A sua inspiração, François-René de Chateaubriand foi um escritor que se imortalizou pela magnífica obra literária pré-romântica. É notado pelo rei Luis XVIII que lhe manda pagar uma pensão. Em 12 de Outubro de 1822 casa-se com Adele Foucher, uma amiga de infância, com quem teve cinco filhos.
 

Hugo junta-se a alguns escritores e formam o grupo Cenáculo. Este círculo de jovens autores seria o foco do romantismo. Em 1827, publica a peça Cromwell. O prefácio anuncia claramente a sua vontade de romper com as regras clássicas – unidade de tempo, de lugar e de acção. Aos 27 anos, Hugo apresenta uma nova peça, Hernâni, na Comédie-Française. 

Os partidários do classicismo mostram-se ofendidos uma vez que a regra das três unidades não fora respeitada. O confronto entre os românticos e os clássicos é violento. Travariam a mesma batalha a cada representação deHernâni. Hugo torna-se o cão de fila da escola romântica, em companhia de Gérard de Nerval e Théophile Gautier. 

Em 1828, surgem os Orientais e o Último Dia de um Condenado. Em 1831, publica o seu primeiro romance histórico, O Corcunda de Notre Dame, que celebrizou as personagens Quasimodo e a cigana Esmeralda. Desde o lançamento, a obra conheceu um extraordinário sucesso. O público romântico apreciou sobremaneira o universo da Idade Média recriado magistralmente por Hugo. 
Em Fevereiro de 1833, é levada ao palco a primeira representação da sua Lucrécia Bórgia. Entre os actores  encontrava-se Julie Drouet, por quem Hugo se apaixona. Essa história de amor duraria cinquenta anos. 

Em 1841, é eleito para a Academia Francesa de Letras. A sua filha primogénita, Léopoldine, morre jovem em 1843. Esta tragédia afecta-o profundamente e muitos creem que foi o acontecimento que o levou para a política. 
É eleito pelo Partido Republicano, deputado à Assembleia Constituinte de 1848. Condena asperamente o Golpe de Estado de 2 de Dezembro de 1851 do príncipe Luís Napoleão, sobrinho de Napoleão Bonaparte, a quem cognominava  ‘Napoleão, o Pequeno’ em contraposição a Bonaparte que chamava  ‘Napoleão, o Grande’. 

Forçado ao exílio na Bélgica, Hugo aproveita para compor poemas que reúne em Les Châtiments (1853) e Contemplações (1856). Em 1862, conclui Os Miseráveis, que obtém estrondoso sucesso de público e crítica e que torna imortais personagens como o trabalhador Jean Valjean e o chefe de polícia Javert. 

Com a proclamação da República em 1870, Hugo regressa a Paris. Encarna aos olhos do povo a resistência republicana ao Segundo Império. Em 8 de Fevereiro de 1871, é eleito para deputado e, em 1876, senador. Uma de suas primeiras intervenções é a defesa em favor da amnistia aos ‘communards’ da Comuna de Paris. Quando completou 80 anos, uma multidão estimada em 600 mil pessoas desfilou diante das suas janelas na Place Vendome. 
Victor Hugo sobressaiu-se também no campo político e social. Lutou contra a pena de morte, pela paz, pela condição feminina, denunciou o clero. Reconhecido em vida pelos seus pares e pelo povo como o grande escritor de seu tempo, a obra imortal de Victor Hugo é um património da cultura universal. 


Fontes: Opera Mundi
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Victor Hugo em 1875, por Comte Stanisław
Cricatura de Victor Hugo no ponto máximo da sua carreira política, por Honoré Daumier, (1849)
Victor Hugo em 1853 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

25 de Fevereiro de 1869: É decretada a extinção da escravatura em todos os domínios portugueses

A escravatura era uma tradição dos povos germânicos que se fixaram na Península Ibérica no século V, embora fosse praticada entre as civilizações clássicas. Para os romanos, por exemplo, o escravo era o cativo de guerra, ficando à mercê do vencedor, que decidia então o seu destino. Era, por assim dizer, uma propriedade ou um objecto do seu senhor.

Os visigodos continuaram a usar o nome romano servi, mas a sua definição de escravo era distinta da dos romanos. Para este povo, eram escravos os filhos de mães escravas e também os filhos resultantes de uniões entre escravos e homens livres. Eram tidos como pessoas civis; contudo, podiam perfeitamente ser doados ou vendidos.
No período da Reconquista Cristã, o nascimento é a origem da escravatura, mas ela pode surgir também pelo cumprimento de penas judiciais. Para além disso, surgem muitos escravos de origem mourisca. Nos séculos IX e X, o servo ascendeu a uma nova categoria, a de colono adscrito, e o liberto passa a ser um homem livre. No século seguinte, o servo não tem possibilidade de abandonar a gleba e, passado um século, o adscrito passa à categoria de colono livre. Numa época em que era preciso gente para se proceder ao repovoamento do território, somente os escravos mouros continuaram a perpetuar a condição servil.
Em 1341, no reinado de D. Afonso IV, atingiram-se as Canárias, um arquipélago disputado entre Portugal e Espanha, onde se fizeram cativos entre os nativos, os guanches. A colonização da Madeira e a produção de açúcar levaram ao aparecimento de escravos oriundos das Canárias, os quais tiveram um papel importante nestas ilhas; todavia, fora delas não tiveram grande desempenho, pois os espanhóis ocuparam o arquipélago canário após luta feroz com os portugueses.
Em 1441, chegaram a Portugal continental os primeiros escravos negros que aqui desempenharam trabalhos agrícolas e domésticos. nas ilhas Atlântica, e depois no Brasil, foram empregados nas plantações de açúcar.
Embora não tenham sido os inventores da escravatura, os portugueses usaram-na com muita frequência no período dos Descobrimentos, altura em que desenvolveram amplamente este tipo de tráfico. Todos os países colonialistas recorreram à mão de obra escrava para trabalhar nos seus impérios, pois era simultaneamente barata e muito lucrativa.
Com a descoberta do Brasil, a costa ocidental africana foi parcialmente despovoada, porque a sua população era encaminhada para as Américas. Portugal, Espanha e outras potências marítimas envolveram-se assim neste tráfico vital para as suas economias.
A escravatura veio a terminar no decurso do século XIX, com o triunfo da ideologia da Revolução Francesa aliado ao avanço do capitalismo e à  acção de alguns ideólogos muito interventivos.
Durante o governo de Pombal, os índios do Brasil tinham sido considerados livres. Certas leis decretaram, entretanto, a restrição crescente da escravatura no império português e deram aos africanos direitos iguais aos dos portugueses. As razões não eram filantrópicas, mas práticas: era necessário prender os escravos negros no Brasil, incentivá-los a ficar.
Aquando da assinatura do Tratado de Viena em 1815, Portugal e Inglaterra acordaram regulamentar este tráfico. Contudo, a intervenção mais importante foi a do visconde de da Bandeira, que, por decreto de 10 de  Dezembro de 1836, proibiu  transacção de escravos nas colónias portuguesas a sul do Equador.
O Barão de Ribeira Sabrosa continuou as negociações com a Inglaterra e, em 1842, o duque de Palmela e Lorde Howard de Walden, embaixador britânico em Lisboa, acordaram abolir o tráfico de escravos nas possessões dos dois países, apesar dos prejuízos que tal medida iria acarretar sobre a economia ultramarina.
Contudo, a 25 de Fevereiro de 1869 seria decretada a extinção da escravatura em todo o território português.
A 23 de Agosto, comemora-se o Dia Internacional de Recordação do Tráfico de Escravos e da sua Abolição.
Abolição do Tráfico de Escravos. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
Abolição da escravatura (1869). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Público (imagem)



"Fica abolido o estado de escravidão em todos os territórios da monarquia portuguesa desde o dia da publicação do presente Decreto. Todos os indivíduos dos dois sexos, sem exceção alguma, que no mencionado dia se acharem na condição de escravos passarão à de libertos e gozarão de todos os direitos e ficarão sujeitos a todos os deveres concedidos e impostos aos libertos pelo Decreto de 19 de dezembro de 1854."


D. Luís, Diário do Governo em 27 de fevereiro de 1869 (adaptação)



Navio negreiro - Johann Moritz Rugendas
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25 de Fevereiro de 1855: Nasce, em Lisboa, o poeta Cesário Verde, inconformista, crítico, autor de "O Sentimento de Um Ocidental".

Cesário Verde nasceu em Lisboa no dia 25 de Fevereiro de 1855 e faleceu na mesma cidade a 19 de Julho de 1886.
A poesia de Cesário Verde, prefiguradora de uma modernidade estética inteiramente reconhecida após a sua morte, dificilmente cabe nas classificações da história literária. Se a representação pictórica dos ambientes e a descrição plástica da realidade o aproximam do Realismo e do Parnasianismo, se o interesse pelos fracos e humildes ecoa influências românticas e baudelairianas, não é menos verdade que a imaginação do poeta o conduz, muitas vezes, a uma recriação impressionista ou fantasista da realidade devedora da estética simbolista. Filho de um comerciante com loja de ferragens em Lisboa e uma exploração agrícola em Linda-a-Pastora, passa a infância entre os ambientes citadino e rural, binómio que será marcante na sua obra. Em 1873, matricula-se no Curso Superior de Letras, que não chegará a concluir, mas onde trava conhecimento com figuras da vida literária, como Silva Pinto, que se tornará seu grande amigo. Durante a juventude, viaja pelos grandes centros cosmopolitas europeus (Paris e Londres) e deixa vários poemas dispersos por jornais como o Diário de Notícias, Diário da Tarde, Tribuna, A Ilustração, acolhidos com críticas quase sempre desfavoráveis. Em 1874, aparece anunciada a edição breve de um livro de Cesário Verde, que não acontecerá. A partir de 1879, desiludido com a incompreensão do mundo intelectual, Cesário dedica-se cada vez mais a assistir o pai na loja de ferragens e na exploração da quinta. Em 1882, morre-lhe um irmão de tuberculose, tal como a irmã, que havia morrido dez anos antes. Aos 31 anos, ele próprio morre vítima da mesma doença. Em 1887, Silva Pinto publica a primeira edição de O Livro de Cesário Verde.
Cesário Verde. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.
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Ironias do Desgosto


Onde é que te nasceu" - dizia-me ela às vezes -
"O horror calado e triste às coisas sepulcrais?
"Por que é que não possuis a verve dos franceses
"E aspiras, em silêncio, os frascos dos meus sais?

"Por que é que tens no olhar, moroso e persistente,
"As sombras dum jazigo e as fundas abstrações,
"E abrigas tanto fel no peito, que não sente
"O abalo feminil das minhas expansões?

"Há quem te julgue um velho. O teu sorriso é falso;
"Mas quando tentas rir parece então, meu bem,
"Que estão edificando um negro cadafalso
"E ou vai alguém morrer ou vão matar alguém!

"Eu vim - não sabes tu? - para gozar em maio,
"No campo, a quietação banhada de prazer!
"Não vês, ó descorado, as vestes com que saio,
"E os júbilos, que abril acaba de trazer?

"Não vês como a campina é toda embalsamada
"E como nos alegra em cada nova flor?
"Então por que é que tens na fronte consternada"
"Um não-sei-quê tocante e enternecedor?"

Eu só lhe respondia: — "Escuta-me. Conforme
"Tu vibras os cristais da boca musical,
"Vai-nos minando o tempo, o tempo - o cancro enorme
"Que te há-de corromper o corpo de vestal.

"E eu calmamente sei, na dor que me amortalha,
"Que a tua cabecinha ornada à Rabagas,
"A pouco e pouco há-de ir tornando-se grisalha
"E em breve ao quente sol e ao gás alvejará!

"E eu que daria um rei por cada teu suspiro,
"Eu que amo a mocidade e as modas fúteis, vãs,
"Eu morro de pesar, talvez, porque prefiro
"O teu cabelo escuro às veneráveis cãs!"

Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde'


  





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25 de Fevereiro de 1841: Nasce o pintor francês Pierre Auguste - Renoir

Pintor francês, Renoir nasceu a 25 de Fevereiro de 1841, em Limoges, e morreu a 3 de Dezembro de1919, em Cagnes.
Desde o princípio a  sua obra foi influenciada pelo sensualismo e pela elegância do rococó, embora não faltasse um pouco da delicadeza do seu ofício anterior como decorador de porcelana. O seu principal objectivo, como ele próprio afirmava, era conseguir realizar uma obra agradável aos olhos. Apesar da sua técnica ser essencialmente impressionista, Renoir nunca deixou de dar importância à forma - de facto, teve um período de rebeldia diante das obras dos seus amigos, no qual se voltou para uma pintura mais figurativa, evidente na longa série Banhistas. Mais tarde retomaria a plenitude da cor e recuperaria a sua pincelada enérgica e ligeira, com motivos que lembram o mestre Ingres, pela sua beleza e sensualidade.
Em 1862 Renoir conseguiu entrar na Escola de Belas-Artes de Paris, desenvolvendo a admiração por Boucher, Fragonard e Watteau. Talvez por isso o público sempre tenha considerado o seu estilo mais "aceitável" do que o dos restantes companheiros impressionistas. Em 1867, o trabalho Lise resulta da análise da luz e da cor, realizada inteiramente ao ar livre, segundo as conceções impressionistas. Tanto se debruçava sobre paisagens campestres como sobre temas citadinos. O Balouçoe Le Moulin de la Galette foram pintados em 1876. Na Normandia continuou os estudos de luz e de água e durante uma viagem pela Itália interessou-se por Rafael e pelos frescos romanos de Pompeia. A procura da espontaneidade impressionista não o satisfazia e para Les Grandes Baigneuses(1884-87) procura um contorno mais penetrante, inspirando-se num relevo setecentista. Esta obra reconciliou-o com o público e passou a expor frequentemente. Os tons eram quentes, o estilo ganhara vigor. O corpo da mulher tornou-se o centro do seu universo pictural. A partir de 1900 instalou-se no Sul de França.   
Pierre-Auguste Renoir. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.      
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Auto retrato - 1875
Pierre Auguste Renoir c. 1910
File:Renoir, Pierre-Auguste, by Dornac, BNF Gallica.jpg
Análise da obra: O Baile no Moulin de La Galette - Pierre Auguste Renoir

File:Pierre-Auguste Renoir, Le Moulin de la Galette.jpg


Arquivo: Auguste Renoir - Almoço do partido Boating 1880-1881.jpg
Análise da obra O Almoço dos Remadores de Pierre-Auguste Renoir

Análise da obra: As Meninas Cahen d'Anvers - Rosa e Azul - Pierre -Auguste Renoir