domingo, 5 de julho de 2020

05 de Julho de 1911: Morre D. Maria Pia de Saboia, princesa italiana e rainha consorte de Portugal

D. Maria Pia de Saboia foi rainha de Portugal pelo seu casamento com o rei D. Luís I. 
Nasceu em Turim a 16 de Outubro de 1847, sendo filha de Victor Manuel, então príncipe do Piemonte, mas que mais tarde, em 1849, foi aclamado rei de Sardenha, e em 1867, rei da Itália.
A sua mãe era a arquiduquesa D. Maria Adelaide Francisca Reinero Elisabete Clotilde, que faleceu em 1854, deixando sua filha,  apenas com 7 anos de idade, entregue aos cuidados da condessa de Vila Marina, que  a educou. Em 1862 foi pedida em casamento, pelo rei D. Luís, indo a Turim com esse encargo, em especial missão, o visconde da Carreira. O ilustre diplomata ia também encarregado de ajustar o contrato matrimonial. Chegou a Turim a 3 de Agosto de 1862, sendo o contrato assinado no dia 9 do citado mês. O rei de Itália dava 500.000 francos de dote a sua filha, 100.000 para o enxoval, e jóias no valor de 250.000. O dote devia ser entregue ao tesouro português vencendo o juro de 5 % ao ano, pago em trimestres, ou empregado em bens de raiz, dando o rei de Portugal em hipoteca ao dote de sua esposa a parte dos rendimentos do Estado que fosse suficiente para isso. 
O casamento realizou-se em Turim por procuração, em 27 de Setembro do mesmo ano de 1862, sendo o rei D. Luís representado pelo príncipe Carignan de Sabóia, lançando a bênção nupcial o arcebispo de Génova. No dia 29 embarcou a jovem rainha de Portugal, em Génova, a bordo da corveta Bartolomeu Dias, partindo para Lisboa acompanhada pelas corvetas Estefânia Sagres, e pelas corvetas italianas Maria Adelaide, Duque de Génova, Itália, Garibaldi, e o vapor aviso Anthion. A esquadra chegou a Lisboa a 5 de Outubro, indo esperá-la fora da barra os vapores de guerra Lince e Argos, os vapores de comércio D. Antónia, D. Luís, Açoriano Torre de Belém. A corveta Bartolomeu  Dias fundeou em frente de Belém, indo logo a bordo o rei D. Luís, o rei D. Fernando, o conselho de Estado, ministério, etc. Para o desembarque da rainha, que se efectuou no dia 6, construiu-se um pavilhão no Terreiro do Paço, representando o templo do Hymineu.

No dia 6, pelo meio-dia, embarcou o rei D. Luís no bergantim real, indo a Belém buscar a rainha. Concluída a cerimónia no Terreiro do Paço,  dirigiu-se o  cortejo para a igreja de S. Domingos, onde se procedeu à cerimónia da ratificação do casamento. Em comemoração do real consórcio realizaram-se festas durante três dias, havendo brilhantes iluminações, tanto nos edifícios públicos, como em muitas casas particulares, produzindo grande efeito as do Terreiro do Paço e da praça de D. Pedro. Houve parada, fogos de artifício, récitas de gala no teatro de D. Maria, com o drama histórico em 5 actos, de Mendes Leal, Egas Moniz, e no de S. Carlos, cantando se opera Ernani, de Verdi. A rainha Senhora 

Foi a rainha D. Maria Pia quem fundou na Tapada da Ajuda a Creche Victor Manuel, que se inaugurou em 1 de Novembro de 1878, construindo-se um edifício próprio para aquele fim. 

O rei D. Luís I faleceu  em 19 de Outubro de 1889, em Cascais, o que lhe causou profundíssimo desgosto, e em 1 de Fevereiro de 1908 sofreu a perda do seu filho, o rei D. Carlos I, e do seu neto, o príncipe D. Luís Filipe, num atentado.Com a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910, D. Maria Pia seguiu  para o exílio, mas não junto aos restantes membros da família real; partiu para o seu Piemonte natal, onde viria a falecer no ano seguinte, a 5 de Julho de 1911.
Fontes: www.arqnet.pt
wikipedia (Imagens)
Arquivo: 33 - Rainha D. Maria Pia - O Anjo da Caridade.jpg

Ficheiro:Queen Maria Pia of Portugal.jpg
D. Maria Pia de Saboia

D. Maria Pia, em 1862, ano do seu casamento com D. Luís I

D. Maria Pia, em 1862, ano do seu casamento com D. Luís I
A Família Real Portuguesa em Queluz, por Joseph Layraud, 1876
A Família Real Portuguesa em Queluz, por Joseph Layraud, 1876


05 de Julho de 1717 : Nasce D. Pedro III, rei consorte de Portugal pelo seu casamento com D. Maria I, sua sobrinha

D. Pedro III  nasceu em Lisboa no dia  5 de Julho de 1717  e faleceu em Queluz no dia  25 de Maio de 1786, ficou conhecido como "o Edificador".
Quarto filho de D. João V e D. Maria Ana de Áustria, o seu casamento em 1760 com a sobrinha e herdeira da coroa D. Maria Francisca (futura D. Maria I) tornou possível a sua subida ao trono em 1777. A 6 de Junho de 1760, contraiu matrimónio com D. Maria, uma união promovida por D. José. Apesar da grande diferença de idades (D. Maria tinha apenas 26 anos e D. Pedro, 43), a amizade que nutriam um pelo outro contribuiu para que este fosse um casamento feliz.
Ainda solteiro mandou remodelar a Casa de Queluz, propriedade da Casa do Infantado, assumindo as proporções de um verdadeiro palácio de verão.
Era muito religioso, tal como D. Maria, cognominada "a piedosa", e chegou a ser apelidado de "sacristão" pelo historiador liberal do século XIX Oliveira MartinsLançou em 24 de Outubro de 1779, a primeira pedra da Basílica da Estrela, mandada construir pela rainha D. Maria I em cumprimento de uma promessa feita, caso lhe fosse concedida descendência varonil.
O casal real promoveria no seu palácio e jardins, durante os meses de verão, um clima de sofisticação e festa em que participavam a Corte e o corpo diplomático e onde a música e os jogos de água eram uma constante. Serenatas e óperas eram tocadas e célebres músicos viram aqui interpretadas as suas obras, das quais existem ainda bastantes libretos originais.

D. Pedro era possuidor de uma fortuna considerável e de gostos elegantes, apesar de nunca ter viajado para fora de Portugal. Através de nobres estrangeiros radicados em Portugal, de nobres portugueses estabelecidos no estrangeiro, de contactos com artistas de diversos ofícios, de tratados e livros de estampas de arquitetura e decoração franceses e, talvez, da troca de correspondência com a sua irmã Maria Bárbara de Bragança, rainha consorte de Espanha, foi conhecedor das correntes artísticas em vigor nas cortes europeias e dos palácios de veraneio construídos no século XVIII.
Inúmeras foram as fontes de divertimento em Queluz, sobretudo entre 1752 e 1786, ano da morte de D. Pedro III, que representou o fim do período áureo de festas e música no Palácio de Queluz.
wikipedia (imagens)
 

D. Pedro, enquanto Infante de Portugal, em retrato de 1745 (28 anos de idade)

05 de Julho de 1889: Nasce o escritor e cineasta francês Jean Cocteau, autor de "A Lâmpada de Aladino" e realizador de "A Bela e o Monstro".

Jean Maurice Eugène Cocteau foi um artista multitalentoso e multifacetado que alcançou êxito em todas as áreas em que actuou. Foi, especialmente, poeta mas também dramaturgo, director de teatro, pintor, actor, escultor e cineasta.

Além dessas actividades, Cocteau  enveredou também pela música e escreveu libretos para obras de Stravinski, Darius Milhaud, Eric Satie, além de cenários para balett e teatro.

Nascido numa família da alta burguesia francesa a 5 de Julho de 1889, era filho de Georges Cocteau, advogado e pintor amador, fez os seus primeiros estudos no Liceu Condorcet em Paris. Aos nove anos de idade ficou órfão de pai, que se suicidou.
Aos quinze anos saiu de casa, e aos 16 anos, começou a publicar poesias, actividade que exercia desde criança e que não abandonaria durante a vida toda.
Durante a Primeira Guerra Mundial serviu na Cruz Vermelha como motorista de ambulância.
Tornou-se amigo de Pablo Picasso, Modigliani e Apollinaire e aproximou-se do grupo surrealista, vindo a ser um expoente activo desse grupo. Mas suas relações de amizade e colaborações incluíam artistas de todas as áreas, como Eric Satie, Jean Anouilh, Jean Marais, Henri Bernstein e Édith Piaf.
Em 1919, publicou o seu primeiro livro, O Potomac, seguidos de Le Grand Écart (1923), Orfeu (1927), Os Filhos Terríveis (1929), A Voz Humana (1930),A Máquina Infernal (1934), Os Pais Terríveis (1938) e Baco (1951), entre romances, peças de teatro e poesia.

Em 1930 escreveu e realizou O Sangue de um Poeta (Le Sang d'un Poete) que revelou um talentoso cineasta, obra que se tornaria representante máxima da corrente poética e surrealista no cinema e que reflete, de forma enigmática e metafórica, sobre o mundo interior de um poeta, seus medos, obsessões, a preocupação com a morte e as dificuldades da criação artística.

A contribuição de Cocteau no cinema, que começou em 1925, inclui ainda Jean Cocteau fait du cinema (1925), La Belle et la Bête, (1946), L'Aigle à Deux Têtes, (1948), Les Parents Terribles, (1948), Les Enfants Terribles, (1950, não creditado), Coriolan (1950), Orphée (1950), La Villa Santo-Sospir, (1952), 8 x 8: A Chess Sonata in 8 Movements (1957) e Le Testament d'Orphée, ou ne me demandez pas pourquoi! (1960).
Em 1955 tornou-se membro da Academia Francesa. Faleceu em 1963, aos 74 anos, de problemas cardíacos.
Fontes:educacao.uol.com
wikipedia (Imagens)
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Jean Cocteau em 1923
Arquivo: Retrato de Jean Cocteau.jpg
Retrato de Jean Cocteau por Federico de Madrazo de Ochoa
File:Modigliani, Amedeo (1884-1920) - Ritratto di Jean Cocteau (1889-1963) - 1916.jpg
Retrato de Jean Cocteau por Amedeo Modigliani

05 de Julho de 1969: Morre o arquitecto alemão Walter Gropius

Arquitecto alemão nascido a 18 de Maio de 1883, em Berlim. Estudou arquitectura em Munique e Berlim. Antes da Primeira Guerra Mundial fez alguns projectos de edifícios e, a convite de entidades oficiais da cidade de Weimar, abriu a escola Bauhaus em 1919. Através desta escola veiculou as suas ideias sobre design. A teoria mais significativa era a de que qualquer projecto de design deveria ser estudado tendo em vista a funcionalidade do objecto (que tanto poderia ser um edifício como uma peça de roupa), as suas necessidades, e levando em consideração todas as técnicas modernas e todos os materiais de construção. Para obter esse resultado, o primeiro passo seria o de colocar de lado todas as formas pré-estabelecidas e estilos existentes. Convidou os melhores artistas e arquitectos da época para integrarem o corpo docente da escola. Entre eles encontravam-se Paul Klee, Lyonel Feininger, Wassily Kandinsky, László Moholy-Nagy, Marcel Breuer e Josef Albers. Gropius deixou a escola em 1928. Exilou-se em Inglaterra e depois nos Estados Unidos aquando da ascensão do regime nazi, que dissolvera a Bauhaus em 1933. Tornou-se professor da Universidade de Harvard, introduzindo o espírito Bauhaus no ensino da arquitectura, o que veio a marcar as novas gerações de arquitectos e designers americanos. A par do ensino, envolveu-se em projectos de parceria com Marcel Breuer e formou uma associação de arquitectos em 1946, continuando a trabalhar activamente até 1969, o ano da sua morte.
Walter Gropius. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Wikipedia

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Walter Gropius em 1920

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Fábrica Fagus  em Alfeld (Alemanha) -   projectada pelo arquitecto Eduard Werner, com fachadas desenhadas por Walter Gropius e Adolf Meyer

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O prédio da Bauhaus em Dessau projectado por Walter Gropius




sábado, 4 de julho de 2020

04 de Julho de 1934: Morre Marie Curie, Prémio Nobel de Física e Prémio Nobel da Química.

Física francesa, Marie Curie nasceu Maria Sklodowska, a 7 de novembro de 1867, em Varsóvia, e morreu a 4 de julho de 1934, perto de Sallanches, em França. Quando Marie nasceu a Polónia ainda fazia parte do Império Russo e Marie foi a quinta e mais nova filha de um casal de professores. A família tinha perdido as suas propriedades e fortuna devido ao envolvimento em sublevações patrióticas polacas que pretendiam a restauração da independência da Polónia, tal facto condenou-os a uma vida difícil.
Marie fez os estudos superiores na Universidade da Sorbonne, em Paris. Nesse contexto, Henri Becquerel propôs-lhe como tema de doutoramento, o estudo das radiações emitidas pelos sais de urânio. No decurso dos estudos, e em conjunto com o seu marido, Pierre Curie, descobriu o fenómeno da radioatividade, a partir de novos elementos que emitiam espontaneamente radiações. Em 1898, o casal conseguiu isolar um novo elemento que foi designado por polónio (nome dado em homenagem ao país de origem de Marie) e meses mais tarde o rádio (Ra).
Em 1903 Becquerel, Marie e Pierre receberam, em conjunto, o Prémio Nobel da Física, pelos seus estudos sobre a radioatividade.
Após a morte do marido, Marie Curie ocupou a cátedra deixada vaga por este, sendo a primeira mulher a ensinar na Sorbonne. Dando seguimento às suas pesquisas na tentativa de isolar o rádio metal, em 1910, obteve uma pequena quantidade de rádio puro no estado metálico. Esta circunstância incitou-a a fundar e dirigir o Instituto de Rádio, em Paris. Por todo o trabalho e investigação laboratoriais desenvolvidos, em 1911 foi-lhe atribuído a título pessoal o Prémio Nobel da Química, sendo o único cientista a receber este prémio por duas vezes. Depois da sua morte foi publicado o livro Radioactivité, em que trabalhou durante vários anos.
A sua filha mais velha, Irene Curie, seguiu o interesse dos pais pelas áreas da física e da química. Em 1935, recebeu o Prémio Nobel da Química, pela obtenção de novos elementos radioativos, juntamente com o seu marido, Frederic Joliot.
Fontes:Marie Curie. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
wikipédia (Imagens)

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Marie Curie

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Pierre e Marie Curie
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Pierre, Irène e Marie Curie

04 de Julho de 1811: Nasce D. Antónia Adelaide Ferreira," a Ferreirinha"

D. Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida por Ferreirinha, nasceu em Godim, Peso da Régua no dia 4 de Julho de 1811 e faleceu na mesma localidade em Março de 1896.
Ficou conhecida por se dedicar ao cultivo do Vinho do Porto e pelas notáveis inovações que introduziu. A sua família era abastada e possuía vinhas. O pai, José Bernardo Ferreira casou-a com um primo, mas este não se interessou pela cultura da família e esbanjou grande parte da fortuna.
D. Antónia teve dois filhos: uma menina, Maria de Assunção, mais tarde Condessa de Azambuja, e um rapaz, António Bernardo Ferreira. Ficou viúva com 33 anos e a viuvez despertou em si a vocação de empresária, levando-a a assumir a liderança da Casa Ferreira, fundada pelo seu avô, Bernardo Ferreira, por ordens do Marquês de Pombal. Fez grandes plantações de vinha, construiu armazéns, contratou colaboradores, comprou quintas importantes – Aciprestes, Porto e Mileu – e fundou outras – como Vale Meão –, tornando-se uma figura cimeira no sector do Vinho do PortoO Duque de Saldanha (um dos homens mais poderosos do seu tempo) pretendia casar o seu filho com Maria de Assunção, filha de D. Antónia.  D. Antónia recusou a proposta realizada pelo Duque e este, habituado a não ser contrariado, mandou os seus homens raptar a menina de apenas 12 anos. Ao saber da estratégia do Duque a família de D. Antónia fugiu para Espanha e depois para Inglaterra. Na sua ausência (viveu em Londres 3 anos) seria Joaquim Monteiro Maia, colaborador de D. Antónia, que tomaria conta do negócio. Sabe-se que a Ferreirinha, como era carinhosamente conhecida, se preocupava com as famílias dos trabalhadores das suas terras e adegas. Apoiada pelo administrador José da Silva Torres, mais tarde seu segundo marido, Antónia Adelaide Ferreira lutou contra a falta de apoios dos sucessivos governos. Debateu-se contra a doença da vinha, a filoxera e deslocou-se a Inglaterra para obter informação sobre os meios mais modernos e eficazes de combate a esta peste, bem como processos mais sofisticados de produção do vinho. Em 1880, ficou novamente viúva, intensificou o seu envolvimento em obras de benfeitoria, designadamente na construção dos hospitais de Vila Real, Régua, Moncorvo e Lamego.
Ferreirinha investiu em novas plantações de vinhas em zonas mais expostas à radiação solar, sem abandonar também as plantações de oliveiras, amendoeiras e cereais.
A Quinta do Vesúvio, uma das suas muitas propriedades, era por ela percorrida e vigiada de perto.
Quando faleceu, em 1896, deixou uma fortuna considerável e perto de trinta quintas. Do Douro para o mundo passou a lenda da sua tenacidade e bondade.
Em 2004 a RTP exibiu uma série, da autoria de Francisco Moita Flores, onde se retratava a sua vida.


Fontes: https://www.publico.pt/tema/jornal/uma-mulher--de-coragem-22331112

wikipedia




04 de Julho de 1807: Nasce Giuseppe Garibaldi “o Herói de dois Mundos”

Nacionalista revolucionário italiano nascido a 4 de julho de 1807, em Nice, a sul de França.
Passou a sua juventude como marinheiro nos navios mercantes do Mediterrâneo. Em 1833, integrou a Jovem Itália, movimento revolucionário italiano comandado por Guiseppe Mazzini e que tinha como finalidade a unificação do país que se encontrava sob domínio estrangeiro. Na época, esse movimento político e ideológico, que exaltava à unificação de Itália, ficou conhecido por Risorgimento (Renascimento).
Em 1834, o jovem foi condenado à morte por participar num motim, mas conseguiu fugir, exilando-se na América do Sul onde permaneceu durante 12 anos. Durante esse período, revelou grandes qualidades como chefe militar ao participar em diversas campanhas no Brasil (1836) e no Uruguai (1841). Aqui lutou contra o ditador argentino Rosas. Ainda nesse período, conheceu a heroína brasileira Ana Maria de Jesus Ribeiro com quem veio a casar e que ficou conhecida pelo nome de Anita Garibaldi.
Em 1848, regressou a Itália e juntou-se às tropas voluntárias que estavam ao serviço de Carlos Alberto, rei da Sardenha, que lutaram, sem sucesso, contra o exército austríaco na Lombardia. Um ano depois, liderou as tropas voluntárias até Roma, onde a República tinha sido declarada por Mazzini e outros nacionalistas. Garibaldi defendeu a cidade dos ataques franceses durante um mês, no entanto, viu-se obrigado a fazer um acordo com os Franceses. As tropas da retirada arriscaram passar pelo território controlado pelos Austríacos, o que provocou a morte, a captura e a dispersão de uma grande parte dos italianos. Anita Garibaldi, que tentava juntar-se ao marido, encontrou-se no meio deste confronto, vindo a falecer em agosto de 1849.
Guiseppe Garibaldi viu-se obrigado a novamente exilar-se, tendo partido para os Estados Unidos da América, para Staten Island (Nova Iorque), e onde adquiriu a cidadania norte-americana. Cinco anos depois, em 1854, regressou a Itália, estabelecendo-se na ilha de Caprera, a noroeste da Sardenha. Nessa altura, Garibaldi acreditava que a liberdade poderia ser alcançada numa aliança com o rei da Sardenha, Víctor Emanuel, e com o conde de Cavour, Camilo Benso, no entanto, estes opunham-se ao seu republicanismo. Garibaldi foi ganhando vários adeptos, o que o envolveu politica e militarmente nos anos subsequentes.
Em 1859, liderou com sucesso uma expedição contra os Austríacos, nos Alpes, e liderou, em 1860, a expedição dos Camisas Vermelhas ou dos Mil (expedição conhecida por ambos os nomes), uma força de mil homens com a qual conquistou a Sicília e Nápoles contribuindo assim para a unificação italiana sob a denominação da Casa de Saboia.
Em 1862, o rei Víctor Emanuel declarou estabelecido o reino de Itália, apesar de não estar nele incluída a cidade de Roma, nem algumas regiões do norte de Itália. Entre 1862 e 1866, Garibaldi lutou, sem êxito, com o propósito de conquistar Roma. Em 1866, liderando um grupo de voluntários, participou, com o apoio de Napoleão III, numa segunda tentativa de unificação do reino, lutando não contra os franceses, como também contra o estado pontificado, tentativa que se revelou fracassada. Em 1870, ofereceu os seus préstimos à França na luta contra a Áustria.
Depois de ter sido deputado no Parlamento italiano (1875), retirou-se definitivamente da vida política e militar, recolhendo-se na sua ilha de Caprera.
Guiseppe Garibaldi faleceu a 2 de junho de 1882, em Caprera, em consequência de uma bronquite. Tornou-se uma figura heroica imortalizada em várias obras literárias das quais se destaca Memórias de Garibaldi, biografia escrita por Alexandre Dumas. Em 2003, a Rede Globo realizou uma mini-série televisiva, A Casa das Sete Mulheres (baseada no romance homónimo de Leticia Wierzchowski), na qual Guiseppe Garibaldi e a sua esposa Anita foram representados pelos atores Thiago Lacerda e Giovana Antonelli, respetivamente.
Garibaldi. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.
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Giuseppe Garibaldi, em 1866
Garibaldi liderando a expedição a Laguna (Lucílio de Albuquerque)





 Estampas de Garibaldi com as divisas das campanhas de 18481859 e 1860