quarta-feira, 16 de agosto de 2017

16 de Agosto de 1900: Morre o escritor e diplomata português José Maria Eça de Queiroz, autor de "Os Maias"

Escritor português, José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de novembro de 1845, na Póvoa de Varzim, filho de um magistrado, também ele escritor, e morreu a 16 de agosto de 1900, em Paris. É considerado um dos maiores romancistas de toda a literatura portuguesa, o primeiro e principal escritor realista português, renovador profundo e perspicaz da nossa prosa literária.
Entrou para o Curso de Direito em 1861, em Coimbra, onde conviveu com muitos dos futuros representantes da Geração de 70, já então aglutinados em torno da figura carismática de Antero de Quental, e onde acedeu às recentes ou redescobertas correntes ideológicas e literárias europeias: o Positivismo, o Socialismo, o Realismo-Naturalismo, sem, contudo, participar ativamente na que seria a primeira polémica dessa geração, a Questão Coimbrã (1865-1866).
Terminado o curso, iniciou a sua experiência jornalística como redator do jornal O Distrito de Évora (1866) e como colaborador na Gazeta de Portugal, onde publicou muitos dos textos - indiciadores de uma nova estilística imaginativa - postumamente reeditados no volume das Prosas Bárbaras. Em 1867 fundou o jornal O Distrito de Évora. No final desse ano, formou-se o "Cenáculo", de que viriam a fazer parte, nesta primeira fase, além de Eça, Jaime Batalha Reis, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e Salomão Saragga, entre outros. Após uma viagem pelo Oriente, para assistir à inauguração do canal de Suez como correspondente do Diário Nacional, regressou a Lisboa, onde participou, com Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, na criação do poeta satânico Carlos Fradique Mendes e escreveu, em 1870, em parceria com Ramalho Ortigão, o Mistério da Estrada de Sintra. No ano seguinte, proferiu a conferência "O Realismo como nova expressão da Arte", integrada nas Conferências do Casino Lisbonense e produto da evolução estética que o encaminha no sentido do Realismo-Naturalismo de Flaubert e Zola, com influência das doutrinas de Proudhon e Taine. No mesmo ano, iniciou, novamente com Ramalho, a publicação de As Farpas, crónicas satíricas de inquérito à vida portuguesa. Em 1872, iniciou também a sua carreira diplomática, ao longo da qual ocuparia o cargo de cônsul sucessivamente em Havana (1872), Newcastle (1874), Bristol (1878) e Paris (1888). O afastamento do meio português - aonde só ia muito espaçadamente - não o impediu de colaborar na nossa imprensa, com crónicas e contos, em jornais como A Atualidade, a Gazeta de Notícias, a Revista Moderna, o Diário de Portugal, e de fundar a Revista de Portugal (1889), dando-lhe um critério de observação mais objetivo e crítico da sociedade portuguesa, sobretudo das camadas mais altas. Aliás, foi em Inglaterra que Eça escreveu a parte mais significativa da sua obra, através da qual se revelou um dos mais notáveis artistas da língua portuguesa. Foi, pois, com o distanciamento crítico que a experiência de vida no estrangeiro lhe permitiu que concebeu a maior parte da sua obra romanesca, consagrada à crítica da vida social portuguesa, de onde se destacam O Primo Basílio (1878), O Crime do Padre Amaro (2.ª edição em livro, 1880), A Relíquia (1887) e Os Maias (1888), este último considerado a sua obra-prima. Parte da restante obra foi publicada já depois da sua morte, cuja comemoração do seu centenário teve lugar no ano 2000.
Na obra deste vulto máximo da literatura portuguesa, criador do romance moderno, distinguem-se usualmente três fases estéticas: a primeira, de influência romântica, que engloba os textos posteriormente incluídos nas Prosas Bárbaras e vai até ao Mistério da Estrada de Sintra; a segunda, de afirmação do Realismo, que se inicia com a participação nas Conferências do Casino Lisbonense e se manifesta plenamente nos romances O Primo Basílio e O Crime do Padre Amaro; e a terceira, de superação do Realismo-Naturalismo, espelhada nos romances Os Maias, A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras.
Bibliografia: Da imensa bibliografia de Eça de Queirós salientam-se O Mistério da Estrada de Sintra, 1870 (romance); O Primo Basílio, 1878 (romance); O Crime do Padre Amaro, 2.ª ed., 1880 (romance); O Mandarim, 1880 (conto); A Relíquia, 1887 (romance); Os Maias, 1888 (romance); Uma Campanha Alegre, 1890-1891 (crónicas); A Correspondência de Fradique Mendes, 1900 (romance, edição póstuma); A Ilustre Casa de Ramires, 1900 (romance, edição póstuma); Prosas Bárbaras, 1903 (crónicas, edição póstuma); Cartas de Inglaterra, 1905 (folhetins, edição póstuma); Ecos de Paris, 1905 (folhetins, edição póstuma); Notas Contemporâneas, 1909 (crónicas, edição póstuma); Últimas Páginas, 1912 (crónicas, edição póstuma); A Capital (romance, edição póstuma)
Eça de Queirós. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
wikipedia (Imagens)

Eça de Queirós, c.1882
Ficheiro:Os Maias Book Cover.jpg


Capa da primeira edição do volume I, em 1888



16 de Agosto de 1867:Nasce o poeta português António Nobre, autor de "Só" e "Despedidas".

Poeta português, nascido no dia 16 de agosto de 1867, no Porto, e falecido a 18 de março de 1900, na mesma cidade.
A infância e a adolescência de António Nobre foram passadas entre Leça da Palmeira, onde o pai, antigo emigrado no Brasil, possuía uma quinta, e a Foz do Douro. Tendo estudado em colégios do Porto, frequentou os principais centros da boémia portuense, convivendo com figuras literárias como Raul Brandão e Júlio Brandão e publicando criação poética. Frequentou posteriormente a Faculdade de Direito de Coimbra, onde, com Alberto de Oliveira, fundou a revista Boémia Nova, cuja polémica com a publicação de Insubmissos, de Eugénio de Castro, constituiu um marco na emergência do Simbolismo e do Decadentismo em Portugal. Foi em Coimbra que, habitando a fortificação medieval que ficaria conhecida como "Torre de Anto", se acentuou o culto por uma postura romântica e egocêntrica, e que elaborou grande número das composições que viriam a integrar a sua principal obra publicada em vida. Em Paris, desde 1890, forma-se em Direito na Sorbonne e, conquanto à margem da dinâmica literária francesa que, por essa altura, consagra o Simbolismo, publica, em 1892, obra onde a voz do lusíada exilado reinventa, entre nostálgico e auto-irónico, uma existência que, nutrida nas tradições de um Portugal puro e preservado, o votou à solidão e ao sofrimento. Não chegando a ocupar o lugar de cônsul para que concorrera em 1893, os últimos anos de vida de António Nobre serão marcados por deslocações frequentes entre os lugares da sua infância e juventude e lugares de repouso, como a Suíça e a Madeira. Uma leitura literal de um biografismo assumido com emotividade e a evocação de um "Portugal da minha infância", vislumbrado em paisagens rurais e em textos plasmados sobre formas populares, permitiu que a publicação de  surgisse como um modelo a um tempo de uma estética neorromântica e neogarrettista que, pelo menos desde o início dos anos 90, fora elaborando as suas propostas teóricas. Mas, na verdade, o mais original do volume passa por uma forma antideclamatória que, inserindo-se num dolorismo e confessionalismo lírico, frequentemente de inspiração autobiográfica, busca a impressão de extrema simplicidade, delindo na sua elaboração a cultura literária e o rigor construtivo que lhe subjazem. É neste sentido que António Nobre se insere numa poesia portuguesa pré-modernista, ao colocar em questão uma língua poética fortemente convencional e normativa. Segundo Gastão Cruz, "enquanto Cesário revoluciona fundamentalmente o nível linguístico, através da renovação vocabular, a revolução de Nobre, não deixando de situar-se igualmente num plano semântico, e por vezes com uma liberdade de associações e uma violência que encontram o que encontramos em Cesário [...], abala, pela primeira vez, os alicerces, e toda a construção, do edifício romântico-parnasiano." (CF. CRUZ, Gastão - A Poesia Portuguesa Hoje, 2.ª ed. aum., Lisboa, Relógio d'Água, Lisboa, 1999, pp. 20-21).

No ano de 2000 comemorou-se o centenário da sua morte, através de publicações que relembram a sua vida pessoal e poética, entre outros eventos.
Fontes: Infopédia
wikipedia (imagens)

António Nobre



A Poezia do Outomno



Noitinha. O sol, qual brigue em chammas, morre 
Nos longes d'agoa... Ó tardes de novena! 
Tardes de sonho em que a poezia escorre 
E os bardos, a sonhar, molham a penna! 

Ao longe, os rios de agoas prateadas 
Por entre os verdes cannaviaes, esguios, 
São como estradas liquidas, e as estradas 
Ao luar, parecem verdadeiros rios! 

Os choupos nus, tremendo, arripiadinhos, 
O chale pedem a quem vae passando... 
E nos seus leitos nupciaes, os ninhos, 
As lavandiscas noivam piando, piando! 

O orvalho cae do céu, como um unguento. 
Abrem as boccas, aparando-o, os goivos... 
E a larangeira, aos repellões do vento, 
Deixa cair por terra a flor dos noivos. 

E o orvalho cae... E, á falta d'agoa, rega 
O val sem fruto, a terra arida e nua! 
E o Padre-Oceano, lá de longe, prega 
O seu Sermão de Lagrymas, á Lua! 

Tardes de outomno! ó tardes de novena! 
Outubro! Mez de Maio, na lareira! 
Tardes... 
    Lá vem a Lua, gratiae plena
Do convento dos céus, a eterna freira! 

António Nobre, in 'Só' 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

15 de Agosto de 1769: Nasce Napoleão Bonaparte

Militar e político francês, nasceu na Córsega no dia 15 de agosto de 1769. Foi para o continente cumprir os seus estudos, terminando em 1785 a Academia Militar sem distinção alguma. A seguir à Revolução de 1789, as suas simpatias políticas inclinaram-se para a fação dos Jacobinos, os radicais que viriam a ser responsáveis pela instituição do Terror. Neste período agitado, a sua fortuna variou bastante: Napoleão foi promovido rapidamente, mas depois substituído das suas funções de comando e mesmo preso. Os revezes da sorte, aliás, marcariam todo o decurso da sua vida política e militar.
Nos anos do Diretório recuperou Napoleão a sua posição de destaque no exército e a sua influência junto do poder político. Sob este regime teria oportunidade, em 1796, de realizar feitos militares importantes contra os exércitos austríacos e italianos. As suas vitórias deram-lhe algum do prestígio de que carecia para prosseguir a sua ascensão. De seguida, em 1798, tomou, de acordo com as suas aspirações expansionistas, Malta e o Egito, mas viria a ser derrotado pelos ingleses e voltaria a França, onde, em finais de 1799, dirigiu um golpe de Estado que fez dele cônsul, partilhando o poder com dois seus iguais. Dentro em pouco, porém, faria o regime derivar para uma ditadura de cariz militar, enquanto esvaziava de poder efetivo as funções desempenhadas pelos outros cônsules da República.Uma vez consolidado o seu poder no plano interno, as novas campanhas de Napoleão fizeram-lhe aumentar ainda mais a popularidade, de tal modo que, em 1802, um referendo nacional o declarou cônsul vitalício e lhe outorgou o direito de escolher o seu sucessor. A 2 de dezembro de 1804 proclamar-se-ia mesmo imperador. Na cerimónia da coroação, teria o arrojo de retirar das mãos do Papa Pio VII a coroa para se coroar a si próprio e depois coroou a esposa, Josefina..
Entretanto, dava continuidade à sua política expansionista, contando com a Inglaterra como país rival e principal adversário. As forças napoleónicas obtiveram grandes vitórias, como a de Austerlitz, em 1805, mas sofreram também pesadas derrotas: na Batalha de Trafalgar, em que a armada francesa seria derrotada pela frota do almirante Nelson, em 1805; nas incursões na Península Ibérica (Portugal, designadamente, foi alvo de três invasões entre 1807 e 1813, todas elas de resultado infeliz para Napoleão); e, sobretudo, na calamitosa campanha russa de 1812, em que um exército de quatrocentos e cinquenta mil homens foi desbaratado e o prestígio do imperador ficou severamente abalado.A partir desse momento, o poderio de Napoleão entrou em declínio acentuado. Em 1814 acabaria por ter que se render às forças aliadas da Inglaterra, Áustria, Rússia e Prússia, e retirou-se para a Ilha de Elba, preservando embora o título de imperador. Menos de uma ano depois, no entanto, voltaria a França para tomar o poder, mas seria derrotado por Wellington em Waterloo. Seguiu-se o exílio em Santa Helena, uma ilha longínqua do Atlântico. Passando os seus últimos anos de vida praticamente só, viria a morrer em 1821. O seu corpo encontra-se sepultado no cemitério de Les Invalides, em Paris.Napoleão foi um homem incontornável na vida política da França - e da Europa - do seu tempo. Constituiu um império que deu um contributo decisivo para a formação de países como a Grécia, a Itália e a Alemanha, seja por ter unificado os territórios que se encontravam politicamente fragmentados, seja por ter pretextado o surgimento de sentimentos nacionalistas.
Napoleão Bonaparte. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
Wikipedia (Imagens)


Napoleão Bonaparte aos 23 anos
Arquivo: Jacques-Louis David, A Coroação de Napoleão edit.jpg

A Coroação de Napoleão - Jacques-Louis David

Análise da obra Napoleão cruzando os Alpes - Jacques-Louis David


15 de Agosto de 1534: Inácio de Loyola funda a Companhia de Jesus

A 15 de agosto de 1534, acompanhado de seis discípulos, Inácio de Loyola, espanhol, figura de grande dimensão espiritual e humana, pronuncia em Montmartre (Paris) votos de pobreza e castidade, formando um novo instituto religioso, a Companhia de Jesus. Mais tarde, em Roma, submetem-se ao serviço da Santa Sé. O papa Paulo III aprova a nova Ordem em 1540, mediante a apresentação por Inácio do esboço de uma regra, designada Formula Instituti
O lema da nova congregação é "defender e proteger a fé", visando-se o progresso espiritual dos fiéis. Para isso acentua-se o apostolado sacerdotal, caracterizado por uma grande mobilidade e capacidade de adaptação dos seus membros às contingências do mundo exterior. Para além dos três votos solenes (pobreza, castidade e obediência), alguns jesuítas pronunciam um quarto, o de obediência especial ao papa como chefe da Igreja e vigário de Cristo. Com uma hierarquia centralizadora, a Ordem é governada por um prepósito geral (cargo máximo dos jesuítas), eleito pela Congregação Geral, única e plena autoridade legislativa. A estrutura da Companhia é composta por noviços, coadjutores espirituais e professos. 
A defesa da reforma católica por teólogos jesuítas no Concílio de Trento (1545-1563) demonstra bem o contexto da época em que nasceu a Companhia de Jesus: a Contrarreforma católica em oposição à Reforma Protestante encetada por Lutero em 1527. Combater a Reforma e formar teólogos e padres capazes de combater as novas adversidades do século XVI são alguns objetivos que norteiam a aprovação papal das propostas de Sto. Inácio. Canisius e Acquaviva são alguns dos grandes nomes jesuítas desses tempos conturbados. A Companhia consegue também delinear uma espiritualidade própria, com a contemplação no mesmo plano que a meditação, a par do exame de consciência. Criam-se, ao mesmo tempo, por toda a Europa e Índia, estabelecimentos pedagógicos da Ordem, gratuitos no início, direcionados quer para a formação do clero quer para a educação e apostolado dos jovens. Em 1600, contavam-se já 245 colégios; 444 em 1626. 
A tarefa missionária dos Jesuítas é deveras importante, tal como o combate à Reforma Protestante e a reforma e instrução do clero. Várias missões são empreendidas pela Companhia em toda a América, especialmente nas colónias espanholas, no Brasil, e no Canadá francês (onde sucede o martírio de S. João Brébeuf em 1649). Na América Latina, face à brutalidade dos colonos sobre os Índios e à constante mobilidade das populações, os Jesuítas concebem as chamadasreduções, áreas onde os nativos eram agrupados sem qualquer sujeição à apropriação por parte dos colonos. Os Jesuítas davam-lhes formação religiosa e instalavam-nos em aldeias geridas por um sistema comunitário no qual os Índios participavam. A maior delas, a República dos Guaranis, fundada em 1609 no Paraguai, durou 150 anos até ser destruída pelos colonos. Também na China os missionários M. Ruggieri (1543-1607) e Matteo Ricci (1522-1560) enraizaram um Cristianismo adaptado às tradições e cultura locais, experiência lúcida que contudo originou algumas discussões na Companhia de Jesus, acerca, por exemplo, da cristianização do culto chinês dos antepassados. 
Também em Portugal, e nomeadamente na missionação, os Jesuítas desempenharam um papel de relevo desde a sua instalação em Lisboa em 1540. Tendo sido Portugal a sua primeira província e um dos balões de ensaio para a experiência apostólica da Companhia, rapidamente se radicaram e cresceram entre nós os Jesuítas, quer no continente quer no ultramar. Em 1600 eram mais de 600, com uma universidade, colégios, hospitais, seminários e asilos por todo o País, com os seus membros rodeando as mais altas figuras da Nação, sobre os quais exerciam enorme influência. O seu projeto e métodos de educação e ensino dominavam quase todo o ensino normal em Portugal. Combatiam também as heresias e os cristãos-novos, aliando-se a princípio à Inquisição e ao clero secular. Atingiram grande poderio e riqueza. 
Na Índia e no Brasil empreenderam um esforço de missionação notável, assumindo-se como grandes difusores da cultura portuguesa e da nossa língua, para além da obra apostólica e artística. S. Francisco Xavier, José de Anchieta, Pe. António Vieira, Manuel da Nóbrega, para além de muitos outros, missionários e exploradores, são algumas das figuras cimeiras dos Jesuítas em Portugal. 


O século XVII é marcado, na história da Companhia, por tentativas de reforma tendentes sobretudo a suprimir o carácter hierárquico da estrutura e o governo vitalício. Intrigas e cabalas são tentadas, com o papa a resolver as contendas. Tudo isto demonstra a vitalidade e o poder atingidos pela Ordem ao fim de um século de vida. Passada esta fase agitada, a Ordem conhece um desenvolvimento e expansão vigorosos. 


Porém, o advento do Iluminismo, com as suas exigências racionalistas e a implantação de uma noção de Estado, origina mudanças de fundo na Companhia de Jesus. O seu sucesso e elevado número de colégios constitui, aos olhos dos seus velhos inimigos, um grande obstáculo à difusão dos ideais iluministas e das "luzes" da Razão. Simultaneamente, fortes tensões desencadeiam-se no seio da Ordem, com a sua divisão em várias sensibilidades, o que dificulta a sua defesa das ofensivas do exterior, a cair já num plano político, com difamações e ataques violentos. A forte ligação dos Jesuítas ao papa constitui um dos alvos preferenciais dos enciclopedistas e filósofos nos ataques à Companhia. 
Neste clima agressivo, a Companhia mantém a sua atividade cultural e educacional, a par do apostolado. O grande monumento de erudição hagiográfica - as Ata Sanctorum - é publicado em 1643 por Jean Bolland. Contudo, o século XVIII constitui o cenário de uma maior amplitude e gravidade no conflito entre os Jesuítas e o mundo intelectual da época. Começam, então, as expulsões da Companhia em vários países, cada vez mais influenciados por governantes "esclarecidos" (homens das "Luzes"). A primeira de todas ocorre em Portugal, em 1759, culminando uma perseguição por parte do Marquês de Pombal. Luís XV, em França, em 1764, condena a Ordem como "contrária ao direito natural". Em 1767, são expulsos de Espanha por Aranda, ministro de Carlos III. O golpe final será dado pelo papa Clemente XIV, que suprime a Companhia, em 1773, da Igreja Católica. 
Porém, alguns conseguem refugiar-se na Rússia, apoiados por Catarina II, mantendo viva a chama do projeto de Sto. Inácio de Loyola. Daí se espalham novamente pelo mundo a partir de 1814, quando o papa Pio VII restaura a Companhia. De 600 membros nessa data, o seu número nunca mais para de crescer, tornando-a na maior Ordem religiosa católica (36 000 em 1974), mau grado outras perseguições de que é alvo, como em França (1905), no México, na Alemanha (nas Guerras Mundiais) e na Espanha (na Guerra Civil). 

Em 1833 as missões são reiniciadas, graças ao vigor do prepósito geral Roothaan, partindo da Europa para as regiões missionárias tradicionais, adaptando-se, vigilantemente, às condições locais. A América foi uma das regiões privilegiadas, uma vez mais, como também a Índia e o Extremo Oriente, regiões donde provêm, atualmente, muitos dos efetivos da Companhia, que conta atualmente cerca de 24 000 em mais de 120 países. 
Portugal é um desses países, o mais antigo mesmo, pois foi entre nós que se fundou a primeira província (1546) da Companhia e um dos seus primeiros colégios (Colégio de Sto. Antão, em Lisboa), para além de um dos companheiros mais chegados de Sto. Inácio ser português, o Pe. Simão Rodrigues. Aqui se escreveram também muitas das páginas mais importantes da história dos Jesuítas, para além da contribuição, entre outras, por eles dada para a arquitetura portuguesa (como noutros países do sul da Europa), nomeadamente no que concerne ao denominado "estilo jesuítico", expressão própria do barroco, que eles ajudaram a difundir. A Companhia foi restaurada em Portugal no século XIX pelo Pe. Carlos J. Rademaker, no Colégio de Campolide.


Fontes: Infopédia
wikipedia (imagens)

Inácio de Loyola

Jesuítas na China

15 de Agosto de 1498: Fundação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, pela rainha D. Leonor, viúva de D. João II

A 15 de Agosto de 1498 em Lisboa, no ano em que os navegadores portugueses atingiam a Índia, surgia a primeira misericórdia portuguesa em resultado da especial intervenção da Rainha D. Leonor, e com o total apoio do Rei D. Manuel I.
O desenvolvimento da expansão marítima, da atividade portuária e comercial favorecia o afluxo de gente aos grandes centros urbanos, como era o caso de Lisboa. Gente que vinha à procura de trabalho ou de enriquecimento, numa busca muitas vezes sem frutos. As condições de vida degradavam-se. As ruas transformavam-se em antros de promiscuidade e doença, aglomerando-se pedintes e enjeitados. Também os naufrágios e as batalhas originavam grande número de viúvas e órfãos, e a situação dos encarcerados nas prisões do Reino era aflitiva.
Neste contexto difícil, D. Leonor, rainha viúva de D. João II, resolve instituir uma Irmandade de Invocação a Nossa Senhora da Misericórdia, na Sé de Lisboa (Capela de Nossa Senhora da Piedade ou da Terra Solta), onde passou a ter sede. Ao fim de quase um século de navegações oceânicas, surgia, desta forma, uma nova confraria orientada por princípios estabelecidos no Compromisso (estatuto ou regulamento) da Misericórdia.

O Compromisso originário da Misericórdia de Lisboa foi aprovado pelo Rei D. Manuel I e confirmado pelo Papa Alexandre VI.O documento provavelmente perdeu-se com o terramoto de 1755. Dele foram tiradas diversas cópias e fez-se uma edição impressa, em 1516, que veio permitir a divulgação mais rápida do texto, facilitando a criação de outras misericórdias por todo o Reino e nos territórios de Além-Mar. 

Inicialmente constituída por cem irmãos, a Irmandade atuava junto dos pobres presos, doentes. E apoiava os chamados "envergonhados", pessoas decaídas na pobreza, por desgraça. Socorria todos os necessitados, dando pousada, roupas, alimentos, medicamentos ou mezinhas. Promovia também uma importante intervenção a nível religioso, ao estar presente nas orações e na celebração de missas e procissões, nas cerimónias dos enterros, no acompanhamento de condenados à morte ou na promoção da penitência. Os Irmãos anunciavam, assim, o Evangelho com palavras, mas também com obras concretas, testemunhadas através de atitudes cristãs. 
O rápido crescimento do prestígio da Misericórdia de Lisboa trouxe-lhe um maior número de responsabilidades, nomeadamente o apoio às órfãs e a administração do Hospital Real de Todos-os-Santos, com a incumbência da proteção das crianças enjeitadas.
A eficaz ação da Misericórdia de Lisboa ficou a dever-se não apenas ao empenhamento e participação generosa dos membros da Irmandade, mas também ao apoio e proteção da Coroa, bem como a benemerências de diversos particulares. É neste quadro que se compreende a concessão de múltiplos privilégios, bem como a dotação de imponentes instalações, como a nova sede da Misericórdia de Lisboa, mandada edificar por D. Manuel I e concluída em 1534.
Fontes: SCML
Wikipedia (imagens)
A rainha, trajando de viúva, rezando no seu magnífico Livro de Horas, por sobre a pintura flamenga Panorama de Jerusalém, oferecida por seu primo o imperador Maximiliano I
A rainha, trajando de viúva, rezando no seu magnífico Livro de Horas, por sobre a pintura flamenga Panorama de Jerusalém, oferecida por seu primo o imperador Maximiliano I
Manuel I de Portugal

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

14 de Agosto de 1956 : Morre Bertolt Brecht, dramaturgo, poeta e encenador alemão

Bertolt Brecht nasceu na Alemanha a 10 de fevereiro de 1898. Estudou Medicina e cumpriu o serviço militar num hospital, durante a I Guerra Mundial. É deste período que data a sua primeira peça. No após-guerra, desenvolveu uma atitude de oposição aos valores e à sociedade burguesa, exprimindo um profundo desapontamento em relação à sua geração, incluindo aqueles que se encontravam ligados a certas correntes do Modernismo. Com o compositor Kurt Weill, escreveu a célebre Die Dreigroschenoper ( A Ópera dos Três Vinténs , 1928). Com a ascensão ao poder do nacional-socialismo em 1933, Brecht partiu para o exílio, primeiro na Dinamarca e depois nos Estados Unidos da América, onde fez alguns filmes em Hollywood. Entretanto, na Alemanha era-lhe retirada a cidadania e os seus livros eram lançados à fogueira, no zelo persecutório que percorria as autoridades do país. Porém, seria justamente entre 1937 e 1941 que Brecht escreveria algumas das suas grandes peças - nomeadamente Mutter Courage und ihre Kinder ( Mãe Coragem e os seus Filhos , 1941) -, alguns dos melhores ensaios teóricos, diálogos e poemas. Em 1948, Brecht regressou a Berlim, na então República Democrática Alemã, onde se tornou diretor do Berliner Ensemble e onde viria a morrer a 14 de agosto de 1956. Outras peças dignas de especial referência são Leben des Galilei ( Vida de Galileu , 1943) e Der kaukasische Kreidekreis ( O Círculo de Giz Caucasiano , 1949). Brecht foi um dos grandes reformadores do teatro no século XX, desenvolvendo uma forma de drama capaz de realizar um certo tipo de intervenção social, ideologicamente marcada por um posicionamento político assumidamente de esquerda.

Bertolt Brecht. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
wikipedia(imagens)
File:Bertolt-Brecht.jpg
Bertolt Brecht
File:Bundesarchiv Bild 183-24300-0049, Bertolt Brecht und Helene Weigel am 1. Mai.jpg
Brecht  e  Helene Weigel no telhado da Berliner Ensemble durante a manifestação do Dia do Trabalhador, 1 de Maio de 1954 

14 de Agosto de 1433: Morre D. João I, “O de Boa Memória”

Monarca português, filho bastardo de D. Pedro I e de Teresa Lourenço, dama galega, nasceu  a 11 de Abril de 1357, em Lisboa, onde faleceu a 14 de Agosto de 1433. Décimo rei de Portugal (1385-1433), foi o fundador da dinastia de Avis ou Joanina, sendo conhecido pelo cognome "de Boa Memória".Educado por um mestre da Ordem de Cristo, foi nomeado, com apenas seis anos, Mestre da Ordem de Avis por D. Pedro I e armado cavaleiro. Durante o reinado de D. Fernando, seu meio-irmão, começa a desempenhar papéis de certo relevo, como o da negociação do casamento de D. Beatriz com o rei de Castela. A rainha D. Leonor Teles no Mestre de Avis um obstáculo e um adversário na sua influência sobre D. Fernando, sendo D. João considerado o chefe dos que se opõem à  acção de Leonor Teles e do Conde Andeiro. Após a morte de D. Fernando, em 1383, entra-se num período de agitação e de crise na sucessão da Coroa, dado não haver herdeiro varão e D. Beatriz estar casada com o rei de Castela. Estava ainda em causa a independência nacional.Formam-se dois partidos, um a favor e outro contra D. Beatriz como rainha de Portugal, e D. João aceita a chefia do movimento popular que luta contra a hipótese de Portugal vir a ter um rei estrangeiro. Este movimento tem o apoio da burguesia. Assim, participa no assassínio do Conde Andeiro e é proclamado "regedor e defensor do Reino". Prevendo a invasão do país por Castela, que queria impor os direitos de D. Beatriz, começa a preparar a defesa, onde se vai destacar Nuno Álvares Pereira. Segue-se um período de lutas em que se salienta a Batalha de Atoleiros e o Cerco de Lisboa, por terra e mar, em 1384, durante vários meses. Em  Abril de 1385 reúnem-se as Cortes em Coimbra, onde, pela  acção e grande poder oratório do Dr. João das Regras, D. João é eleito rei. A luta contra Castela e seus partidários vai continuar, e, em 14 de  Agosto de 1385, obtém-se uma grandiosa vitória na Batalha de Aljubarrota, a que se segue a vitória em Valverde. Pela vitória em Aljubarrota e em cumprimento de uma promessa, D. João I manda construir o Mosteiro da Batalha, um belo exemplar da arte gótica. A luta com Castela e seus partidários vai continuar, mas mais esporadicamente, até que em 1411 se estabelece em definitivo a paz. Entretanto, em 1387, D. João I casa com D. Filipa de Lencastre, na sequência do Tratado de Windsor, celebrado com a Inglaterra. Desta união nascerá a "Ínclita Geração" - D. Duarte, Infante D. Pedro, Infante D. Henrique, D. Isabel e Infante D. Fernando, o Infante Santo.D. João I, que subiu ao trono com o grande apoio que teve das massas populares e da burguesia, quando as lutas com Castela estabilizaram, começou uma política centralizadora do poder, reduzindo a influência do clero e da nobreza, apropriando-se dos bens dos que eram apoiantes de Castela, espaçando a reunião das Cortes, e procurando reaver algumas das terras doadas.É no reinado de D. João I que têm início as conquistas no Norte de África e que começa a gesta dos Descobrimentos, pela  acção do Infante D. Henrique. Assim, em 1415 dá-se a expedição a Ceuta, que é conquistada em 21 de  Agosto. Após a sua conquista são armados cavaleiros, na mesquita daquela praça-forte, os príncipes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique. Entretanto, na véspera da partida de Lisboa, falecera a rainha D. Filipa de Lencastre.Após o regresso de Ceuta, o infante D. Henrique vai dar início à epopeia dos Descobrimentos. No reinado de D. João I são descobertas as ilhas de Porto Santo (1418), da Madeira (1419) e dos Açores (1427), além de se fazerem expedições às Canárias. Tem início, igualmente, a colonização dos Açores e da Madeira.D. João I era um rei culto, dada a sua formação na Ordem de Avis, e, por isso, mandou redigir a Crónica Breve do Arquivo Nacional, mandou traduzir o Novo Testamento e vidas de santos, e escreveu o Livro da Montaria.
Em 1412 associou ao governo do reino o seu filho D. Duarte, que lhe sucederia. D. João I faleceu em 1433 e encontra-se sepultado no Mosteiro da Batalha.
D. João I. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
wikipedia (Imagens)



 Ficheiro:Anoniem - Koning Johan I van Portugal (1450-1500) - Lissabon Museu Nacional de Arte Antiga 19-10-2010 16-12-61.jpg
D. João I- Museu Nacional de Arte Antiga

Ficheiro:Morte do Conde Andeiro.jpg
A morte do Conde Andeiro - Museu Nacional de Soares dos Reis
Ficheiro:Casamento João I e Filipa Lencastre.JPG

Casamento de D. João I com Filipa de Lencastre