quinta-feira, 17 de outubro de 2019

17 de Outubro de 1849: Morre Frédéric Chopin, compositor e pianista polaco

No Verão de 1849, o pianista Frédéric Chopin já  não conseguia leccionar pois uma tuberculose pulmonar evoluía rapidamente. A sua irmã mais velha, Ludwika, viajou desde Varsóvia para cuidar do compositor. No dia 17 de Outubro, o génio do piano morre no seu apartamento parisiense da Place Vendôme.

Se os amigos e admiradores pudessem prever que a Marcha Fúnebre da sua Sonata em si bemol menor opus 35, III Movimento, acompanharia no século e meio seguinte as exéquias de algumas das maiores personalidades mundiais, por certo a fariam executar no funeral que conduziu o corpo do genial compositor ao cemitério de Père- Lachaise em Paris.

Frédéric (Fryderyk Franciszek) Chopin nasceu em 1 de Março de 1810 na cidade de Zelazowa Wola, ducado de Varsóvia. O seu pai, Mikolaj (Nicolas) Chopin, polaco de origem francesa, era professor de Língua e Literatura Francesa no Liceu de Varsóvia. A sua mãe, Justyna Krzyzanowska, era dona de casa e talentosa pianista, que lhe ensinou as primeiras notas.

Muito cedo, com 7 anos, Frédéric compôs duas ‘polonaises’. Este prodígio foi ressaltado em jornais da cidade e o pequeno tornou-se atracção nos salões aristocráticos da capital.

Dos 13 aos 16 anos, Chopin estudou no liceu, onde o pai leccionava. Colegas de classe provinham das diversas regiões do país o que lhe possibilitou passar as férias nessas localidades. A música tradicional da Polónia,a  sua tonalidade distinta, a riqueza dos seus ritmos e o vigor das danças acompanhariam Chopin para sempre.

No Outono de 1826, Chopin ingressa na Escola Superior de Música, cujo director era o consagrado compositor Josef Elsner. O severo director permitiu que o Chopin se concentrasse no piano, devido  à sua facilidade de improvisação, inclinação a efeitos brilhantes, precisão de composição e compreensão do significado e da lógica de cada nota. Ao concluir os estudos em 1929, Elsner registou num relatório: “Chopin, Fryderyk, estudante de 3º ano, talento excepcional, génio musical”.

Chopin planeia, então, uma longa viagem pelo estrangeiro a fim de ganhar familiaridade com a vida musical na Europa e conquistar certa reputação. É aplaudido calorosamente nos seus concertos. Em Viena, o editor, Tobias Halinger, imprime a  sua primeira obra editada fora da Polónia, Variações sobre um tema de Mozart.

De volta a Varsóvia, dedica-se à composição e escreve os seus dois concertos para piano e orquestra. Dessa época são os seus primeiros nocturnos, estudos, valsas, mazurkas e ‘lied’
Depois de permanecer meses em Viena, Chopin resolve viajar para Paris. Durante a viagem toma conhecimento da queda de Varsóvia nas mãos dos russos. Chega à ‘cidade luz’ no Outono de 1831. Lá encontra muitos de seus compatriotas exilados, recebidos amistosamente.

Em Paris, a reputação de Chopin cresce vertiginosamente. Torna-se amigo de Liszt, Mendelsohn e Berlioz. O grande pianista Friedrich Kalkbrenner – cognominado o “rei do piano” – sabendo da estadia do jovem músico, organiza-lhe um concerto na sala Pleyel em Fevereiro de 1832. O sucesso foi estrondoso. Chopin assina contrato com a mais importante casa editorial da época, a Schlesinger.

O pianista instala-se definitivamente em Paris na condição de emigrado. Algum tempo depois, conhece a escritora francesa Aurore Dudevant, que escrevia sob o pseudónimo masculino de George Sand. A autora de romances audaciosos, seis anos mais velha, divorciada e com dois filhos, oferecia ao artista solitário uma ternura extraordinária bem como cuidados materiais e maternais.

Os amantes passam o Inverno de 1838/1839 na ilha espanhola de Maiorca. Devido às condições climáticas desfavoráveis, Chopin rapidamente adoece e dá os primeiros sinais de tuberculose. Debilitado, ainda assim compõe ali algumas de suas obras-primas: os 24 prelúdios, Polonaise em dó menor, Balada em fá maior, Scherzo em dó bemol menor.

Volta à França na Primavera de 1839, instala-se na mansão de Sand em Nohant, região central do país. Lá permanece até 1846. Foi o período mais feliz e produtivo. A maioria de suas obras mais marcantes foi ali composta.

O amor e a amizade profunda entre Chopin e Sand aos poucos cederam lugar a conflitos cada vez mais sérios, devido principalmente à atitude hostil do filho de George Sand. A separação final ocorreu em Julho de 1847.

Estas dolorosas experiências pessoais foram devastadoras para a criatividade do compositor e para sua saúde física e mental. Abandona quase que completamente a composição e até ao fim da vida escreveria apenas umas tantas miniaturas. Frágil e acossado por uma febre insidiosa, Chopin dá seu último concerto em 16 de Novembro de 1848.
O pianista foi enterrado no cemitério Père-Lachaise. Em respeito à sua vontade,o  seu coração foi retirado e está colocado numa urna na igreja Santa Cruz em Varsóvia.

Opera Mundi
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Arquivo: Frédéric Chopin por Bisson, 1849.png

Frédéric Chopin c. de 1849



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Retrato de  Frédéric Chopin - Maria Wodzińska
Arquivo: Chopinradziwill.jpg


Chopin ao piano - Henryk Siemiradzki

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

16 de Outubro de 1854: Nasce o escritor inglês de origem irlandesa Oscar Wilde, autor de "O Retrato de Dorian Gray"


Poeta, dramaturgo e ensaísta irlandês, de nome completo Oscar O'Flahertie Fingal Wills Wilde, nasceu a 16 de Outubro de 1854, em Dublin, e faleceu a 30 de Novembro de 1900, em Paris, França.

Filho de um cirurgião e de uma escritora, herdou da mãe o interesse pela literatura. A sua obra, nomeadamente a poesia, apresenta características que permitem incluí-lo na corrente finissecular do Esteticismo. As comédias Lady Windermere's Fan (O Leque de Lady Windermere, 1892) e The Importance of Being Earnest (A Importância de se chamar Ernesto, 1895) são consideradas obras-primas. É autor também da famosa obra The Picture of Dorian Gray (1890, O Retrato de Dorian Gray).

Pela sua homossexualidade, foi alvo de um célebre processo-crime, que o levaria a cumprir dois anos de prisão com trabalhos forçados. Em Maio de 1895, após três julgamentos, foi condenado a dois anos de prisão, com trabalhos forçados, por "cometer atos imorais com diversos rapazes". Wilde escreveu uma denúncia contra um jovem chamado Bosie, publicada no livro De Profundis, acusando-o de tê-lo arruinado. Bosie era o apelido de Lorde Alfred Douglas, um dos homens de que se suspeitava que Wilde fosse amante. Foi o pai de Bosie, o Marquês de Queensberry, que levou Oscar Wilde ao tribunal. No terrível período da prisão, Wilde redigiu uma longa carta a Douglas, a que chamou de De Profundis.
Após a condenação a vida mudou radicalmente e o talentoso escritor viu, no cárcere, serem consumidas a saúde e a reputação. 
Depois de ser libertado, adoptou o nome Sebastian Melmouth e foi viver para França. Passou os últimos três anos da sua vida em Paris, onde publicou The Ballad of Reading Gaol (A Balada da Prisão de Reading, 1898), revelando as condições inumanas da vida na prisão.
Fontes:Oscar Wilde. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
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File:Oscar Wilde (1854-1900), by Hills & Saunders, Rugby & Oxford 3 april 1876.jpg
Oscar Wilde em Oxford
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16 de Outubro de 1982: Morre Adriano Correia de Oliveira

Adriano Correia de Oliveira nasceu no dia 9 de Abril de 1942  no Porto e faleceu a 16 de Outubro de 1982 em Avintes. Tirou o curso do liceu no Porto. Em Avintes iniciou-se no teatro amador e foi co-fundador da União Académica de Avintes. Em 1959 rumou a Coimbra, onde estudou Direito, tendo sido repúblico na Real Repúbica Ras-Teparta. Fez parte do Grupo Universitário de Danças e Cantares e do Círculo de Iniciação Teatral da Académica de Coimbra. Tocou guitarra no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica.
Em 1963 saiu o primeiro disco de vinil "Fados de Coimbra" que continha Trova do vento que passa, essa balada fundamental da sua carreira, com poema de Manuel Alegre, em consequência da sua resistência ao regime Salazarista. Tornou-se militante do PCP no início da década de 60. Em 1962, participou nas greves académicas e concorreu às eleições da Associação Académica, através da lista do Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Em 1970 troca Coimbra por Lisboa, exercendo funções no Gabinete de Imprensa da FIL - Feira Industrial de Lisboa, até 1974. Ainda em 1969 vê editado o álbum O Canto e as Armas, revelando, de novo, vários poemas de Manuel Alegre. Pela sua obra recebe, no mesmo ano, o Prémio Pozal Domingues.Lança Cantaremos, em 1970, e Gente d' aqui e de agora, em 1971, este último com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José Niza. Em 1973 funda a Editora Edicta, com Carlos Vargas, para se tornar produtor na Orfeu, em 1974Em 1975 lançou "Que Nunca Mais", com direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca. Este vinil levou a revista inglesa Music Week a elegê-lo como "Artista do Ano".
 Fundou a Cooperativa Cantabril e publicou o seu último álbum, "Cantigas Portuguesas", em 1980. No ano seguinte, numa altura em que a sua saúde já se encontrava deteriorada rompeu com a direcção da Cantabril e ingressou na Cooperativa Era Nova. Em 1982, com quarenta anos, num sábado, dia 16 de Outubro, morreu em Avintes, vitimado por uma hemorragia esofágica.



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16 de Outubro de 1793: Maria Antonieta, rainha de França, é guilhotinada

Um dos dezasseis filhos de Maria Teresa, rainha da Hungria e da Boémia e de Francisco I, imperador da Áustria, foi Maria Antónia Josefa Joana , nascida a 2 de Novembro de 1755 e que depois de casada optou por usar o nome de Antonieta.
A arquiduquesa Antónia cresceu no ambiente muito moralista da corte da mãe. Maria Teresa era uma mulher com princípios fortes, amada pelo seu povo. O casamento com Luís XVI (então delfim) foi preparado pela mãe, para cimentar a aliança entre a Áustria e a França.
Em 1770, com a idade de 14 anos, Maria Antonieta deixava a sua terra natal e viajava para o palácio de Versalhes, a fim de contrair matrimónio com o infante Luís, de quinze anos.
A primeira impressão que teve dele foi de um rapaz tímido, gordo e algo estúpido.
Luís negligenciava os seus deveres reais a favor da caça e do tempo passado na sua oficina de serralharia. Sofria ainda de uma doença que o impediu de gerar filhos nos primeiros sete anos de casamento. O povo, não sabendo desta situação, culpava Maria Antonieta pela falta de herdeiros.
A corte de Versalhes era ainda mais rígida do que a de Maria Teresa, e Maria Antonieta não escondia o seu aborrecimento durante as cerimónias que decorriam.
À medida que o tempo passava, ela tornava-se cada vez mais rebelde. Insistia em sair sozinha ou com pouca companhia, em vez de viajar rodeada de criados e de cortesãos. Escolhia os seus próprios amigos e mesmo as roupas que usava, recusando-se a usar espartilhos e cintas.
Em 1774 o velho rei morreu e o seu marido tornou-se Luís XVI. Três anos mais tarde, uma pequena cirurgia voltava a dar-lhe esperança de ser pai. O primeiro filho do casal foi Maria Teresa Carlota, que nasceu em 1775. Com a maternidade, Antonieta assentou e tornou-se uma mãe e esposa devotada.
Apesar disso, foi sempre uma rainha impopular. Muitos franceses odiavam a rainha por esta ser austríaca e pelas suas maneiras frívolas. Havia rumores de que teria inúmeros amantes. Alcunhada de "Madame Déficit", sobre ela recaiam as culpas de ser a culpada da crise que o país atravessava.
E foi sobre ela que caiu a fúria da milícia parisiense aquando da Revolução. A 5 de Outubro de 1789, uma marcha de mulheres (e alguns homens disfarçados) irrompeu por Versalhes a exigir o sangue de Maria Antonieta, que se manteve sempre calma. Salvou-a da morte a intervenção de Lafayette, um herói da revolução americana que se opôs à acção da multidão.
O casal real e os seus filhos foram aprisionados no palácio das Tulherias, onde se mantiveram vários anos. Em 1791, alguns nobres conseguiram arranjar um plano de fuga para a família real, mas o casal teria de viajar separado das crianças, o que Maria Antonieta recusou. Isto veio a selar o seu destino, porque foram reconhecidos na vila de Varennes e capturados.
De novo em cativeiro, perante a apatia de Luís XVI, coube a Maria Antonieta negociar com os revolucionários e secretamente com a Áustria, para interceder em França, mas quando teve início a guerra entre os dois países, o casal real foi julgado por traição.
Em 1792 a monarquia foi abolida e a família real foi levada para a prisão, apesar de serem relativamente bem tratados e lhes ter sido permitido viver juntos.
A 21 de Janeiro de 1793, após julgamento, Luís XVI foi decapitado.
Os pequenos príncipes acompanharam os pais para a prisão, mas estavam frequentemente doentes, e Maria Antonieta velava por eles. Mas os carcereiros decidiram separar o pequeno Carlos Luís da mãe e colocaram-no numa cela no piso inferior, onde ela podia ouvi-lo a chorar, e onde veio a morrer em 1795, de tuberculose.
Semanas mais tarde, separaram-na também de Maria Carlota. Nunca mais os tornaria a ver.
Uma noite, Maria Antonieta foi acordada e levada para a prisão de Conciergerie, onde se encontravam todos os nobres que aguardavam a morte.
Em Outubro, a rainha, agora alcunhada de "viúva Capeto", foi julgada e condenada, por traição, a ser guilhotinada.
No dia 16 de Outubro de 1793, fizeram-na desfilar pelas ruas de Paris num carro aberto, sujeita a todos os piropos da população, embora mantivesse sempre a dignidade.
Maria Antonieta, que havia sido proibida de vestir-se de preto, trajava um vestido branco (a cor do luto para as antigas rainhas de França). Em seguida, o carrasco Henri Sanson, após cortar-lhe o cabelo até a altura da nuca, amarrou as  suas mãos às costas. A ex-rainha foi levada para fora da prisão e colocada no carro dos condenados à morte. O esboço de Jacques-Louis David e os relatos de cronistas da época retratam Maria Antonieta durante o trajecto para a guilhotina: sentada, as mãos amarradas atrás das costas, os cabelos cortados grosseiramente, os olhos fixos e vermelhos.
No cadafalso, tropeçou nos pés do executor e pediu-lhe desculpa.
Depois de ter sido executada, o carrasco pegou sua cabeça ensanguentada e apresentou-a ao povo  de Paris.
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Infopédia



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A arquiduquesa aos 14 anos de idade, no retrato oficial enviado a Versalhes
Pastel de Joseph Ducreux (1769).


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Maria Antonieta na Antonieta na prisão da  Conciergerie
Ficheiro:Jacques-Louis David - Marie Antoinette on the Way to the Guillotine.jpg

Maria Antonieta conduzida ao patíbulo. Esboço de Jacques-Louis David

File:Exécution de Marie Antoinette le 16 octobre 1793.jpg
A execução de Maria Antonieta

terça-feira, 15 de outubro de 2019

15 de Outubro de 1917: Mata Hari é executada em Paris, por espionagem

Dançarina profissional, de seu nome verdadeiro Margarette Geertruide Zelle, nasceu a 7 de agosto de 1876, na Holanda, na cidade de Leeuwarden. Era filha de um pobre chapeleiro, antes rico mas caído na ruína, tendo contraído matrimónio com um oficial da marinha holandesa em 1895, pelo que acrescentou o apelido do marido, MacLeod. Entre 1897 e 1902, devido a comissão de serviço do marido, foi viver para Java e para Sumatra, na Indonésia, então uma colónia holandesa. Porém, com o regresso à Europa, MacLeod separou-se de Margarette, levando a filha do casal.Ruma depois para Paris, onde em 1905 se torna dançarina profissional, sendo conhecida como Lady MacLeod. Mas não demorou muito a alterar o nome por que era conhecida na noite parisiense, vindo a adotar aquele que a tornou célebre, Mata Hari, e que terá sido o elemento biográfico mais perene da sua curta vida. Mata Hari era uma expressão que remontava à sua passagem pela Indonésia, dizendo a dançarina que significava, em malaio (língua de onde deriva o atual idioma oficial da Indonésia, o bahasa), Sol ou, num sentido literal, "olho do dia". Ali aprendera também os mimetismos principais das danças orientais que lhe vieram a servir de repertório para as suas atuações futuras nos cabarets europeus.
De porte atlético, talhado num corpo esbelto e de elevada estatura, potencializava ao máximo todos os seus atributos físicos no seu estilo de dançar, oriental e bastante sensual, não descurando nunca a nudez. O seu estilo oriental era realçado pelo seu fino e decotadíssimo sari indiano e pelos véus ondulantes que lhe caíam sobre os ombros despidos. Apresentava-se como bailarina oriental, dizendo ser filha de uma bailarina malaia, que morrera no parto, declamando hinos a Shiva, deus hindu da destruição. O final dos seus shows era sempre reservado à narração da sua própria vida pela dançarina, com pormenores irreais, arrebatando ainda mais as plateias.
Esta forma de atuar nos cabarets parisienses e de outras cidades incendiou as plateias masculinas, onde pontificavam com bastante frequência personalidades importantes dos meios políticos e económicos da Europa. Muitos foram os seus amantes, em boa parte altas patentes militares ou oficiais. Estes contactos de alcova permitiram-lhe aceder a fontes de informações militares e estratégicas de grande importância no xadrez político da Europa de meados do século XX, ainda que os factos relativos às suas atividades de espionagem estejam ainda envoltos em mistério e alimentem lendas e enigmas.
Perante as acusações que os franceses lhe fizeram de espionagem na Primeira Guerra Mundial, por denúncia dos britânicos, Mata Hari defendeu-se inicialmente alegando ter desempenhado essas atividades a favor do governo de Paris enquanto esteve na Bélgica, então sob ocupação alemã. Mas as suspeitas francesas incidiam sobre uma eventual duplicidade. Provavelmente, Mata Hari terá sido um joguete nas mãos dos alemães, que a terão recrutado em 1916, depois de conhecerem as suas potencialidades ao serviço da espionagem através da sua longa lista de amantes, principalmente altas patentes do exército francês. Por isso, foi presa em Paris e julgada em tribunal marcial em julho de 1917, acusada de ser responsável moral por mais de 50 000 mortes em combate, tendo sido condenada à morte, pena esta que se cumpriu por fuzilamento em 15 de outubro desse ano em Vincennes, nos arredores de Paris. A sua morte foi também mais uma grande encenação: toda vestida de negro, de botas altas e um chapéu da abas largas, Margarette ergueu um dos seus esguios braços em jeito de despedida em grande estilo ao pelotão de carrascos, a sua última plateia. A mais exótica das bailarinas do século XX terminava assim uma nebulosa existência, vivida entre o romance e a traição, encarnando a figura maléfica e provocadora de Shiva.Atualmente procedem-se a pesquisas sobre as verdadeiras causas da sua condenação à morte. Os arquivos ingleses abriram-se à investigação, ainda que até agora não tenham ainda surgido novos dados que alterem a biografia por fazer da mais fantasiosa e enigmática das figuras femininas do nosso tempo.

Mata Hari. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
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Arquivo: Mata-Hari 1910.jpg
Mata Hari (1910)
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Mata Hari no dia em que foi presa, 13 de Fevereiro de 1917

15 de Outubro de 1923: Nasce o escritor italiano Italo Calvino, autor de "O Barão Trepador", "O Visconde Cortado ao Meio", "Cidades Invisíveis"


Jornalista, contista e romancista italiano, Italo Calvino nasceu a 15 de outubro de 1923 em Santiago de Las Vegas, na ilha de Cuba. Ainda criança acompanhou os pais na sua mudança para São Remo, em Itália. 
Em 1940, e em consequência da deflagração da Segunda Guerra Mundial, Calvino foi recrutado para a Mocidade Fascista, mas desertou pouco tempo depois, refugiando-se nas montanhas da Ligúria, onde se juntou à Resistência Comunista. 
Pôde, no entanto, ingressar no curso de Literatura da Universidade Turim em 1941 mas, e com uma passagem pela Real Universidade de Florença, só conseguiu licenciar-se após a guerra, em 1947. Nesse mesmo ano publicou o seu primeiro romance, com o título Il sentiero dei nidi di ragno (1947). A obra remetia para as suas experiências enquanto ativo da resistência italiana e foi bem acolhida pela crítica, sobretudo devido aos trejeitos que Calvino dava à narrativa.
Em 1949 publicou uma coletânea de contos, também dedicados à problemática de guerra, que haviam já aparecido em publicações periódicas. A colaboração de Calvino com a imprensa havia começado em meados de 1945, no jornal comunista L'Unittá, prosseguindo em títulos como Il Garibaldino, voce della Democracia e La Republica
Após a publicação de Il visconte dimezzato (1954), o autor abandonou o tema da guerra recente, preferindo o absurdo e o fantástico ao neorrealismo com que havia pautado o seu trabalho. A obra, que inaugurava uma trilogia também composta pelos volumes Il barone rampante (1957) e Il cavaliere inesistente (1959), e que causou fortes polémicas no seio do Partido Comunista Italiano, contava a história de um homem mutilado por uma bala de canhão durante a tomada de Constantinopla. 
Calvino procurava assim demonstrar o seu desagrado perante o partido, que abandonou após os acontecimentos da primavera de Praga. Sentiu que o seu esforço literário era mais necessário na imprensa, pelo que se passou a concentrar mais na carreira como jornalista do que como romancista. 
Em 1959 viajou pelos Estados Unidos da América, formulando um contraste com a sua visita à União Soviética em 1952. De regresso, começou a editar a revista Il Menabó Di Letteratura, em colaboração com Elio Vittorini. Mantendo sempre um olhar crítico sobre a sociedade, entrelaçada na consciência individual e na inércia dos eventos históricos, publicou Marcovalco (1963), uma coletânea de fábulas em que criticava o modo de vida das cidades, destrutivo e vazio. Marcovalco era apresentado como um homem de família sonhador que, permanecendo na sua cidade durante o mês de agosto, quando todos os outros habitantes partiram para férias, vê o seu descanso ser interrrompido por uma equipa de televisão que o quer entrevistar, precisamente por ter sido o único a renunciar às estâncias balneares. 
Em 1972 publicou Le Cittá Invisibli, romance em que o lendário explorador Marco Polo se dedicava a contar histórias de cidades fictícias para o divertimento de Kublai Khan, e que valeu ao autor o conceituado Prémio Felrinelli. A sua obra mais conhecida, Se una notte d'inverno un viaggiatore (Se numa Noite de Inverno um Viajante) apareceu em 1979. Palomar (1983), descrevia as contemplações filosóficas de um homem aparentemente simples. 
Italo Calvino faleceu a 19 de setembro de 1985, em Siena, vítima de uma hemorragia cerebral.
Fontes: Infopédia
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15 de Outubro de 1844: Nasce o filósofo alemão Friedrich Nietzsche

Um dos filósofos emblemáticos dos finais século XIX, nasceu a 15 de outubro de 1844, em Röcken, e morreu a 25 de agosto de 1900, atacado pela demência, em Weimar. As suas reflexões caracterizam-se por uma violenta crítica aos valores da cultura ocidental.
Com efeito, para Nietzsche, a decadência do Ocidente começou quando o discurso filosófico, depois de Sócrates, veio afastar a síntese que se realizara na tragédia grega, substituindo a harmonia apolíneo/dionisíaco (representando a ambivalência da essência humana, dividida entre a desmesura passional e a medida racional) por um discurso das aparências, enganador e ilusório, que transforma a realidade autêntica em metáforas ocas. Esse processo de desvitalização encontrará o apogeu com a afirmação da moral judaico-cristã, «moral de escravos», reflexo de uma maquinação hipócrita de indivíduos débeis, ignóbeis e vis numa tentativa de enfraquecer e dominar pela astúcia os valorosos.
A crítica nietzschiana acaba mesmo por abranger os fundamentos da razão, considerando que o erro e o devaneio estão na base dos processos cognitivos e que a na ciência, como qualquer em verdades absolutas, não passa de uma quimera.
Não se limitando, porém, à denúncia de um estado de espírito dominado pela submissão a valores ancestrais, impotentes para criar algo de novo e propagando a obediência e a servidão como princípios supremos, ao proclamar a «morte de Deus» e a abolição de qualquer tutela, Nietzsche passa ao anúncio de uma nova era centrada na exaltação da vontade de poder, apanágio do homem verdadeiramente livre, o super-homem, que não conhece outros ditames além dos que ele próprio fixa. No entanto, o super-homem não é unicamente dominado pelo egoísmo, cabendo-lhe dirigir a «massa», anónima e ignorante, para um estádio superior em que os valores vitais, a alegria e a espontaneidade permitam a reafirmação do instinto criador da humanidade.
Pensador paradoxal, associa ao super-homem a consciência do eterno retorno, procurando, talvez, exprimir o aspeto cíclico dos movimentos históricos ou a impossibilidade de, alguma vez, ser atingido um grau supremo de perfeição no devir do Homem.
Expressando-se de forma aforística e mantendo todas as suas afirmações no limiar da inteligibilidade imediata, Nietzsche foi um filósofo ímpar, tão inovador como polémico: ao exaltar, em detrimento da razão, a faculdade da vontade como núcleo da essência humana e verdadeiro motor do devir e colocando-se numa posição de profundo ceticismo face aos fundamentos da ética e da moral, abalou profundamente os pilares do racionalismo, sendo por isso considerado como um dos «filósofos da suspeita» (ao lado de Marx e Freud), na esteira da «crise da razão» que marcou profundamente a filosofia no século XX.
Entre as suas obras são de destacar:
A Origem da Tragédia (1872), Humano, Demasiado Humano (1878), Aurora (1881), A Gaia Ciência (1882), Assim Falou Zaratustra (1883-85), Para além do Bem e do Mal (1886), A Vontade de Poder (1886, editado em 1906), A Genealogia da Moral (1887), Ecce Homo (1888), O Anticristo (1888).
Fontes:Friedrich Nietzsche. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Friedrich Nietzsche em 1882

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Friedrich Nietzsche em 1861