segunda-feira, 24 de julho de 2017

24 de Julho de 1827: Início das "Archotadas", manifestações nocturnas à luz de archotes, em protesto pela instabilidade governativa, após a demissão do marechal Saldanha

Em 24 de Julho de 1826, Saldanha, depois de pretender demitir  o intendente-geral da polícia, Joaquim Rodrigues de Bastos, e o chanceler da Casa da Suplicação, o desembargador João de Matos e Vasconcelos e Barbosa de Magalhães, demitiu-se, ao mesmo tempo que sucessivas manifestações em Lisboa o aclamavam e se repetiram nos dias 25 e 27. Ficaram conhecidas como as archotadas, porque, realizando-se à noitinha, os magotes de manifestantes, então ditos os grotescos, utilizavam archotes. Entretanto, no dia 26 o conde da Ponte era nomeado ministro da guerra e interino dos estrangeiros. A esquerda radical chegou a gritar por Saldanha como primeiro cônsul da república. A pressão dos saldanhistas levou também vários oficiais do Porto a manifestações de apoio na noite de 28 para 29 de Julho. Vila Flor apoia então o conde da Ponte, futuro miguelista. Ponte reprime directamente manifestantes no Terreiro do Paço. Os exaltados atacam suspeitos nas ruas de Lisboa. Regimentos confraternizam com os populares. No Porto, o general Stubbs apoia o governo.
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Marechal Saldanha

24 de Julho de 1245: O papa Inocêncio IV através da Bula "Grandi non immerito", depõe oficialmente D. Sancho II

Cognominado "o Rei Capelo", foi o quarto rei de Portugal (1223-1245). Nasceu em Coimbra em 1209 e faleceu em Toledo em 4 de Janeiro de 1248. Filho de D. Afonso II e de D. Urraca, subiu ao trono em Março de 1223. Era indicado como herdeiro no testamento de D. Afonso II, muito embora a ordem de sucessão fosse então um facto. Casou, cerca de 1240, com D. Mécia Lopes, neta de Afonso IX de Leão e viúva de Álvaro Peres de Castro. Deste casamento não houve descendência.Tendo D. Sancho herdado o trono aos 13 anos, o governo do reino esteve primeiramente a cargo de ricos-homens que apressaram o pequeno rei a regularizar as relações com a Igreja. Foi elaborada uma concórdia com a igreja e, finalmente, resolvido o problema com as infantas, irmãs de D. Afonso II. Depois de resolvidas estas questões procurou D. Sancho II dedicar-se à administração do País, concedendo forais a diversas povoações. Iniciou, também, uma nova fase de expansão territorial, que durou todo o seu reinado e terminou apenas com D. Afonso III.Aproveitando-se das lutas que Afonso IX de Leão mantinha com os Mouros, o monarca iniciou uma campanha no Alentejo em 1226. Entre este ano e 1239 conquistou todo o Alentejo, tendo, para tal, muito contribuído a acção da Ordem de Sant'Iago. Esta Ordem militar recebeu como pagamento dos serviços prestados diversas povoações, tais como Aljustrel, Sesimbra, Aljafar de Pena, Mértola, Aiamonte e Tavira.Apesar desta excelente actuação militar, o rei, no que concerne à administração, revelou-se fraco e indeciso, de tal modo que aquela se tornou desleixada e descuidada. Os nobres abusavam pela sua prepotência de vencedores, os bispos aproveitavam os distúrbios causados por aqueles para se imiscuírem na vida pública e política. A luta entre homens da Igreja e ricos-homens tornou-se quase permanente. Também as ordens monásticas reclamaram dos abusos por parte dos nobres. O bispo do Porto, Martinho Rodrigues, queixou-se ao papa de que o rei usurpava o direito de jurisdição sobre a cidade, que dependia da Sé. O papa admoestou o rei, que pareceu submeter-se. Também o bispo de Lisboa se revoltou contra o rei, acusando-o de ofender as liberdades religiosas. Mais uma vez o papa recorreu a admoestações. Contudo, quando em 1238 outras queixas, do novo bispo do Porto, se levantaram contra o rei, o bispo de Salamanca lançou um interdito que o papa confirmou. Todas estas queixas mostram a desordem que grassava no reino devido às constantes brigas entre nobres e clero, brigas que o rei se mostrava incapaz de sanar.Todas estas queixas por parte do clero foram ainda agravadas por intrigas alimentadas pelo príncipe D. Afonso, que desde 1238 vivia em Bolonha. No concílio de Lião, prelados e nobres portugueses descreviam a desordem do reino em termos tais que deles se pode inferir a deposição do rei. A resposta por parte do papa foi uma bula onde dizia dever incumbir-se da restauração do reino alguém ativo e prudente, e que esse alguém poderia ser D. Afonso.  A 24 de julho de 1245, a Bula Grandi non immerito depõe oficialmente Sancho II do governo do reino, e Afonso torna-se regente. Numa assembleia de prelados e nobres portugueses, reunida em Paris, D. Afonso jurou que guardaria e faria guardar todos os privilégios, foros e costumes dos municípios, cavaleiros, peões, religiosos e clérigos seculares do reino. Em finais de 1245 ou nos princípios do ano seguinte, o conde de Bolonha desembarcou em Lisboa. Da luta entre partidários do rei e de D. Afonso saiu vitoriosa a fação de D. Afonso. D. Sancho II retirou-se para Toledo, onde viria a falecer pouco tempo depois.
D. Sancho II. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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D. Sancho II

Martim de Freitas, alcaide de Coimbra, faz abrir o túmulo de Sancho II para verificar a sua morte Caetano Moreira da Costa Lima

24 de Julho de 1911:Hiram Bingham, à frente de uma expedição da Universidade de Yale, "descobre" e apresenta ao mundo a cidade inca de Machu Picchu, no Peru

Machu Picchu "velha montanha", também designada "cidade perdida dos Incas  é uma cidade pré-colombiana bem conservada, localizada no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, no Peru. Foi construída no século XV. O local é, provavelmente, o símbolo mais típico do Império Inca, quer devido à sua original localização e características geológicas, quer devido à sua descoberta tardia em 1911. Apenas cerca de 30% da cidade é de construção original, o restante foi reconstruído. As áreas reconstruídas são facilmente reconhecidas, pelo encaixe entre as pedras. A construção original é formada por pedras maiores, e com encaixes com pouco espaço entre as rochas.
Consta de duas grandes áreas: a agrícola formada principalmente por terraços e recintos de armazenagem de alimentos; e a urbana, na qual se destaca o espaço sagrado com templos, praças e mausoléus reais.
Em 1910 o norte-americano Alberto A. Giesecke torna-se reitor da Universidade Nacional de Cuzco e passa a apoiar toda iniciativa referente à arqueologia. Em 1911 ele visita a fazenda "Echarati", na então região de Mandor, de propriedade de Don Braulio Polo y la Borda e ouve deste que na sua propriedade existiam diversas construções antigas cobertas de vegetação e que entre elas se destacava umas ruínas num local chamado  Machupicchu pelos moradores locais. De volta a Cuzco, Alberto Giesecke escreve a Hiram Bingham (antrópologo, historiador, explorador) sobre estas referências. Nesse ano Bingham chega ao Peru com o objectivo de fazer pesquisas em geologia e botânica e procurar Vilcabamba (capital dos descendentes dos Incas) que ouvira nas histórias locais. Em 23 de Julho de 1911 Bingham foi até Mandor com um sargento do exército peruano que foi designado para acompanha-lo por ordem do prefeito de Cuzco. No dia de 24 de Julho de 1911,  Bingham chega a Machu Picchu e logo em seguida a esse primeiro contacto,regressou aos EUA onde obteve apoio financeiro da Universidade de Yale e da National Geographic Society para realizar trabalhos de exploração em Machu Picchu. Quando regressa ao Peru em 1912, o governo peruano concede-lhe uma autorização para executar os seus projectos inclusive permitindo tirar livremente do país as peças obtidas durante suas explorações, desde que prontamente devolvidas quando solicitadas pelo Peru. Hoje, tem-se consciência que foi uma autorização que infringiu muitas normas e causou um dano irreparável à herança cultural do Peru. Em 07/07/2007, Machu Picchu foi eleita uma das sete novas maravilhas.
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Machu Picchu
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Vista de Machu Picchu em 1911
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Templo Principal
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Hiram Bingham, responsável pela redescoberta de Machu Picchu

24 de Julho de 1833: Guerra Civil. As tropas liberais do Duque da Terceira entram em Lisboa

No dia 24 de Julho de 1883, as tropas liberais de D. Pedro IV, comandadas pelo Duque da Terceira, entraram vitoriosamente em Lisboa, tendo desembarcado no Algarve e atravessado o Alentejo sem dispararem um único tiro.
Lisboa foi entregue ao comandante-chefe liberal, o Duque da Terceira, pelo Duque de Cadaval, antigo primeiro-ministro do rei D. Miguel, a 24 de Julho de 1833.
Na verdade, as tropas de D. Miguel tinham abandonado Lisboa de madrugada, tendo a capital sido libertada das tropas absolutistas. Durante a noite anterior, tomados de súbito pânico, Nuno Caetano Álvares Pereira de Melo,  6.º duque de Cadaval, que encabeçava o ministério miguelista, e os restantes ministros decidiram abandonar Lisboa sem opor resistência. Num dos episódios mais estranhos de toda a guerra, o duque de Cadaval, comandante do exército miguelista em Lisboa, organizou uma grande parada militar que se dirigiu para norte, sem ter sequer entrado em combate. As forças do duque da Terceira entraram na cidade a 24 de Julho, sendo entusiasticamente recebidas como libertadoras. Dois dias depois, chegava Charles Napier com a esquadra que vinha bloquear o Tejo, operação tornada desnecessária pela reviravolta entretanto ocorrida.
Um ano depois, em 1834, é a vez de todo o território ser libertado e D. Miguel exilado.
Em 1878, a Câmara Municipal de Lisboa decide chamar Rua 24 de Julho à parte do aterro ocidental que começa na Praça D. Luís I e termina no caneiro de Alcântara. A alteração de rua para avenida foi feita a 18 de Outubro de 1928.
Em 1860 teve início a construção da estátua (da autoria de José Simões de Almeida e de António Gaspar)  em homenagem a António José de Sousa Manuel Menezes Severim de Noronha, sétimo conde de Vila Flor e duque da Terceira (título que recebeu por ter encabeçado a resistência liberal na ilha Terceira). 
A inauguração (1877) coincidiu com a comemoração do 44.º aniversário do desembarque do duque da Terceira em Lisboa, à frente das tropas liberais.
Trata-se de uma estátua de bronze, com altura de 3,30m, onde a figura do duque é representada em traje militar, de rosto sóbrio e numa posição de chefia e comando. A estátua encontra-se na Praça Duque da Terceira, no Cais do Sodré.
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O Duque da Terceira
O Duque da Terceira em 1850
Estátua em homenagem ao Duque da Terceira

24 de Julho de 1802: Nasce o escritor francês Alexandre Dumas, autor de "Os Três Mosqueteiros" e "O Conde de Monte - Cristo"

Escritor prolífico francês, Alexandre Dumas nasceu a 24 de julho de 1802, na localidade de Villes-Cotterêts. Oriundo de uma família outrora proeminente, era neto de um aristocrata francês que, estabelecendo-se em Santo Domingo, tivera um filho de uma escrava crioula. Esta criança era o pai de Dumas que, após ter servido como general nas tropas napoleónicas, caíu em desfavor, deixando a família na ruína e entregue à sua sorte assim que ocorreu a sua morte. Nessa altura, Alexandre contava apenas quatro anos de idade.
Coube à mãe lutar contra as dificuldades, e Alexandre pôde assim beneficiar de uma relativa educação, começando a trabalhar desde muito cedo como funcionário notarial. Partiu em 1823 para Paris, onde conseguiu arranjar uma posição junto do Duque de Orleães, futuro rei de França, graças à sua caligrafia esmerada e elegante.
Nos seus tempos livres, dedicava-se ao teatro, que o fascinava, e que o introduziu na literatura. Passou a organizar a publicação de algumas revistas não tão relevantes. Em 1824, um ano após a sua chegada a Paris, teve um filho de ilegítimo de uma costureira, que veio a ser o famoso escritor também conhecido como Alexandre Dumas (filho).
Em 1835 estreou a sua primeira peça de teatro, a comédia La Chasse Et L'Amour, escrita em coautoria com Adolphe de Leuven e P.J. Rousseau. Garantiu o seu sucesso como dramaturgo em 1829, ao levar à cena Henri III Et Sa Cour, também uma comédia.
Em julho de 1830 participou na revolução contra Carlos X, tornando-se capitão na Guarda Nacional. Tendo contraído cólera, viu-se forçado a viajar até Itália em convalescença.
Em 1832 publicou La Tour De Nesle, obra escrita em coautoria com Frédéric Gaullardet. A peça baseava-se nos acontecimentos verídicos da vida da Rainha Margarida da Borgonha, que recebeu a visita dos seus dois filhos ilegítimos, cerca de vinte anos após os ter mandado matar, e foi considerada como a obra-prima do melodrama francês.
Orientando o seu fluxo prolífico para a produção de romances históricos, nomeou Auguste Maquet, um jovem professor de História, como um dos cerca de setenta assistentes que manteve ao longo da sua carreira. Encarregou-o de propor os temas e escrever o primeiro esboço de muitas das obras assinadas por si próprio, reservando-se o cuidado dos diálogos, os inconfundíveis e cativantes trejeitos da trama.
Dessa colaboração surgiram, entre muitas outras obras, os célebres romances Les Trois Mousquetaires (1844, Os Três Mosqueteiros), e Le Comte de Monte-Cristo (1844-45, O Conde de Monte-Cristo).
Em 1840 casou com uma amante, a atriz Ida Ferrier, mas assim que dissipou o seu dote, separou-se. Com os proventos da escrita, tratou de mandar edificar um sumptuoso palácio nos arredores de Paris, a que chamou o Castelo de Monte-Cristo.
Em 1851 teve que fugir dos credores para Bruxelas, e permaneceu cerca de dois anos, findos os quais regressou a Paris e fundou um diário com o nome Le Mousquetaire. Apodado como o "Rei de Paris", Dumas ganhava fortunas com a mesma rapidez com que as perdia, agraciando amigos e amantes, jogando e dando-se a todo o tipo de extravagâncias. Conta-se que terá deixado dezenas de filhos ilegítimos.
Em 1858 visitou a Rússia e em 1860 esteve em Itália, onde durante quatro anos foi conservador de um museu e apoiou a causa da união italiana de Garibaldi.
Entre a prolificidade da sua obra, pode-se destacar Georges (1843), La Tulipe Noire (1850), Le Meneur de Loups (1857) e Dix Ans Plus Tard ou Le Vicomte de Bragelonne (1848-1850), volume em que aparecia a famosa história do homem da máscara de ferro.
Dumas faleceu, vítima de uma apoplexia, a 5 de dezembro de 1870, em Puys, uma localidade nas cercanias de Dieppe.


Alexandre Dumas (pai). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
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Alexandre Dumas
 Arquivo:. Alexandre Dumas (1762-1806) JPG
General Thomas Alexandre Davy de la Pailleterie , pai  de Alexandre Dumas

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O Conde de Monte Cristo