domingo, 26 de março de 2017

26 de Março de 1898: A Art Nouveau conquista Viena

No dia 26 de Março de 1898, foi inaugurada na capital austríaca a primeira mostra da Secessão de Viena, um grupo formado por novos artistas que se opunham à dominação da Casa do Artista.
No final do século XIX, reinava um clima de inovação nas artes e um novo estilo começou a impor-se na Europa. Ele floresceu de 1890 até à Primeira Guerra Mundial e teve designações diferentes. Em França, foi chamado Art Nouveau; na Alemanha, Jugendstil; na Áustria, Secessão; na Itália, Liberty e, na Inglaterra, Modern Style.
Um dos principais centros de propagação da nova arte foi Viena. Na capital austríaca, 19 artistas  formaram o chamado grupo Secessão de Viena, independente do meio artístico reconhecido pelo Estado.
No dia 26 de Março de 1898, a nova associação de artistas, liderada por Gustav Klimt, Kolo Moser, Joseph Hoffmann e Alfred Roller, lançou a pedra fundamental da sua própria galeria. O edifício branco com um hemisfério em folhas douradas na cúpula lembra um planetário. As exposições da Secessão – como foi baptizada a galeria – tiveram forte repercussão pública e aumentaram rapidamente a fama do grupo.
Nessa época, ainda dominava em Viena o historicismo neobarroco, marcado por quadros pomposos e detalhistas do pintor Hans Markart. Provocativo, o novo estilo Secessão (Art Nouveau) valorizava o decorativo e o ornamental, determinando formas tridimensionais delicadas, sinuosas, onduladas e sempre assimétricas. Foi uma reacção individualista de conteúdo romântico frente às tendências ecléticas e ao classicismo académico.
A pintura do austríaco Gustav Klimt (O Beijo), as ilustrações eróticas do inglês Aubrey Beardsley, as obras dos franceses Émile Gallé e René Lalique, os projectos arquitectónicos do belga Victor Horta, do francês Hector Guimard (que desenhou as saídas do metro de Paris) e a arquitectura do catalão Antonio Gaudí são os exemplos mais típicos desse estilo.
A Art Nouveau – também chamada "estilo 1900" – valorizava a linha curva, inspirada no mundo vegetal (Bélgica, França) ou na geometria (Escócia, Áustria). O propósito comum era acabar com a imitação de estilos do passado, substituindo-os por uma arquitectura florida, que explorava o artesanato, os materiais coloridos e revestimentos exóticos. Foi também uma tentativa de integrar a arte na vida social.
O novo estilo estendeu-se a todos os campos da arte. A música extrapolou lentamente os limites da tonalidade.  Os costureiros libertaram o guarda-roupa feminino do clássico espartilho. Arquitectos desta corrente construíram nas metrópoles europeias estações de metro tão elegantes quanto casas de ópera. O novo estilo invadiu também as fábricas de tecidos, cristais e joias. Em poucos anos, o Jugendstil tornou-se omnipresente, a ponto de ser criticado pela revista Jugend – principal porta-voz do movimento.
Uma das características marcantes da Art Nouveau foi o facto de ter sido um "estilo de artistas", que procurou a unidade e igualdade das artes. Vinculado intrinsecamente à literatura, pintura, escultura, música, às artes decorativas e gráficas, o movimento propagou ideais estéticos inexplorados e, na sua fase final, tentou conciliar a arte com a indústria. A Primeira Guerra Mundial (1914–1918) pôs fim à Art Nouveau, que foi sucedida pela Art Déco, o estilo Bauhaus e o Expressionismo.
Fontes: DW
wikipedia (imagens)
O edifício da Secessão de Viena

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O Beijo - Gustav Klimt
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Alphonse Mucha - Biscuits Lefèvre-Utile

26 de Março de 1827: Morre o compositor alemão Ludwig van Beethoven, em Viena.

Ludwig van Beethoven morreu no dia 26 de Março de 1827, aos 56 anos, em Viena. Universalmente reconhecido como um dos maiores compositores de todos os tempos, a obra de Beethoven coroou o período clássico e iniciou efectivamente a era romântica na música. É dos pouquíssimos artistas que pode ser genuinamente considerado um revolucionário.

O génio musical inspirou momentos históricos em outros campos que não os da sua arte, sensibilizando estadistas, cientistas e artistas. Beethoven era um humanista que acreditava na força do carácter humano. Abraçou o Iluminismo e tornou-se defensor da Revolução Francesa, cujos ideais podem ser musicalmente notados na sua obra.

Nascido em Bona, Beethoven mostrou desde tenra idade notável talento. O pai, músico da corte,  submetia-o a um brutal regime, na expectativa, mal-sucedida, de explorá-lo como um menino prodígio. Estimulado pelos seus professores, o jovem Beethoven visitou Viena, à época o grande centro mundial da música, pela primeira vez em 1787, aos 16 anos. Apresentou-se a Mozart, que ficou bastante impressionado. Em 1792, Haydn  convidou-o para ser seu aluno. Beethoven retornou então a Viena, que passou a ser a sua residência permanente. Contudo, as suas ideias pouco ortodoxas ofenderam o velho mestre, as aulas terminaram e o génio de Beethoven  levou-o a construir o seu próprio caminho.


Tanto o impressionante virtuosismo pianístico quanto as suas notáveis composições conquistaram a simpatia da aristocracia vienense e ele pôde  valer-se de generosos apoios. Mecenas e aristocratas toleravam os seus modos notoriamente grosseiros, a sua aparência desleixada e acessos de fúria. A partir do final dos anos 1790, Beethoven já não  dependia de patrocínios devido à ampla aceitação da sua música.

O ano de 1800 marcou o início de sua trágica aflição, a surdez, que se tornou total em 1817 e foi revelada no seu famoso Testamento de Heiligenstadt: “Vocês, homens, que me têm como hostil, obstinado e insociável, como são injustos! Não conhecem as causas secretas que me fazem agir deste modo. (...) fui cruelmente repelido pela dolorosa experiência de ter a audição defeituosa! (...) – falem mais alto, gritem, porque estou surdo! Como poderia divulgar a todos a falta de um sentido que eu deveria possuir em grau ainda mais elevado do que qualquer outra pessoa. (...) Estas circunstâncias levaram-me à beira do desespero e pensei, mais de uma vez, em pôr fim aos meus dias. Somente a música me deteve!”

Não poder ouvir, impediria qualquer ser humano de trabalhar com sons, e em vez de condenar Beethoven ao silêncio fez dos seus 27 anos restantes de vida os mais revolucionários da história da música. Os seus últimos trabalhos, as sinfonias, os quartetos de cordas, as sonatas para piano, foram escritos por um homem que jamais os ouviu.


A obra de Beethoven pode ser dividida em três períodos bem distintos. As obras do 1º período incluem a Primeira (1800) e a Segunda Sinfonia (1802); os primeiros três concertos para piano (1795–1800); o primeiro grupo de quartetos de cordas (1800); e várias sonatas para piano, entre elas a Patética (1798) e a Serenata ao Luar (1801). Embora as composições do primeiro período já registassem a indiscutível amplitude de recursos sonoros e a vitalidade de Beethoven, eram ainda dominadas pela tradição de Mozart e Haydn.

No começo de 1802, a obra de Beethoven assume novas dimensões. A estreia em 1805 da Terceira Sinfonia, conhecida como A Eroica, tornou-se um marco na história da arte e da cultura. Assinala uma definitiva ruptura com o passado e o nascimento de uma nova era. A extensão, estrutura, harmonias e orquestração da Eroica rompiam as convenções formais da música clássica. Sem precedentes, incorpora o sentimento do potencial humano e da liberdade, inspirado na Revolução Francesa. A sinfonia foi dedicada originalmente a Napoleão em quem via o símbolo da libertação da humanidade. Contudo, quando Napoleão se auto-proclamou imperador, desiludido o compositor  renomeou-a como “Sinfonia heróica para celebrar a memória de um grande homem”.
Os trabalhos do período intermedio, o mais produtivo, incluem os Concertos para piano No. 4 (1806) e No. 5 (Imperador, 1809); os Quartetos Razumovsky (1806); a Sonata Kreutzer (1803); e o seu único concerto para violino (1806); da 4ª a 8ª Sinfonia (1806–12); diversas sonatas para piano, entre elas a Waldstein e a Apassionata, a  única ópera, Fidelio, e as Aberturas Leonore, Coriolano e Egmont.

O terceiro período tem início em 1816 e é caracterizado por obras de grande profundidade e complexidade. Inclui a monumental 9ª Sinfonia (1817–23) que termina com o coral baseado na Ode à Alegria de Schiller, e a Missa Solemnis (1818–23). Os últimos 5 Quartetos de Cordas e a Grande Fuga, compostos nos seus derradeiros anos, são considerados por críticos como as supremas criações de Beethoven e por muitos como a mais sublime música jamais composta.

O tema da marcha fúnebre (trauermarch) do segundo movimento da Eroica foi executado nas exéquias de Franklin Delano Roosevelt em 1945, nas de Arturo Toscanini, o maestro dos maestros, em 1957, nas honras fúnebres a Mendelsohn em 1847 e nos funerais que se seguiram ao massacre de Munique durante os Jogos Olímpicos de 1972. Toscanini regeu a 5ª Sinfonia em 8 de Maio em Nova Iorque em homenagem ao Dia da Vitória. A transmissão da rendição das tropas nazis na batalha de Estalinegrado, em Fevereiro de 1943, pelo comando militar em Berlim, teve como pano de fundo o Segundo Movimento da 5ª Sinfonia.    

Fontes: Opera Mundi
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Retrato feito por Joseph Karl Stieler, em 1820

Retrato feito por Joseph Willibrord Mähler 

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Testamento de  Heilingenstadt







26 de Março de 1211: Morre D. Sancho I, "O Povoador"

Segundo rei de Portugal (1185-1211), filho de D. Afonso Henriques e de D. Mafalda, foi cognominado "o Povoador". Nasceu em 11 de  Novembro de 1154, em Coimbra, e morreu em 26 de  Março de 1211 na mesma cidade. Casou em 1174 com D. Dulce de Aragão, filha de Raimundo Béranger IV. Subiu ao trono em  Dezembro de 1185 por morte de D. Afonso Henriques. Foi iniciado na vida militar aos 12 anos, tendo chefiado uma expedição a Cidade Rodrigo contra Fernando II que se saldou por um fracasso. Foi armado cavaleiro em 15 de  Agosto de 1170, na cidade de Coimbra, logo após o acidente de D. Afonso Henriques em Badajoz. Participou desde então no exercício do poder político, talvez devido à incapacidade física do rei. O povoamento das terras abandonadas foi uma das suas principais preocupações.

Para alcançar este objectivo desenvolveu as instituições municipais e concedeu diversos forais, principalmente na Beira e em Trás-os-Montes: Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187), etc. Entre os anos de 1192 e 1195 receberam também forais Penacova, Marmelar, Pontével, Povos e S. Vicente da Beira. Os concelhos fronteiriços receberam privilégios particulares, tais como isenção de trabalhar na construção de castelos e muros, isenção do pagamento dos impostos de portagem e de colheita. A criação dos concelhos, para além do contributo que deu para o melhoramento económico e social, trouxe também vantagens de ordem militar e financeira, pois promoveu o aumento do número de combatentes que não recebiam soldo.

Fixaram-se também em Portugal neste período numerosos colonos estrangeiros. As ordens religiosas, nomeadamente as militares, receberam de D. Sancho inúmeras concessões de terras e castelos. O monarca aproveitou a passagem pelo porto de Lisboa dos cruzados da terceira cruzada, na primavera de 1189, para atacar o Algarve. Tomou o castelo de Alvor e atacou Silves (que era na época uma das mais populosas e cultas cidades do ocidente peninsular). Foi acordado que a cidade seria para os portugueses e o saque para os cruzados. Após uma rápida conquista dos subúrbios, portugueses e cruzados depararam-se com uma encarniçada resistência que durou 43 dias. D. Sancho I passou então a intitular-se rei de Portugal e dos Algarves. Durou pouco tempo esta conquista, já que em 1190 Iacub Almançor cercou a cidade de Silves com um exército e com outro atacou Torres Novas, que apenas conseguiu resistir durante 10 dias. Torres Novas foi, pouco depois, restituída pelos muçulmanos, mas estes, entusiasmados com a reconquista de Silves, reconquistaram também Alcácer, Palmela e Almada. D. Sancho envolveu-se também nos conflitos entre Leão e Castela, entrando em guerra com Leão em 1196 e 1199. Durante o seu reinado, deterioraram-se as boas relações com a Santa Sé, primeiro por tentar furtar-se ao pagamento do censo anual de dois marcos-ouro, depois por ter entrado em litígio com o bispo do Porto aquando do casamento do herdeiro do trono com D. Urraca, filha de Afonso VIII. O papa Inocêncio III incumbiu o bispo de Samora de anunciar a pena de excomunhão a D. Sancho e àqueles que tinham retido o bispo. O monarca português entrou também em conflito com o bispo de Coimbra, tendo sido por isso admoestado pelo papa. Ao sentir aproximar-se a sua morte, reconciliou-se com os prelados e aceitou as exigências do papa. Segundo o estudioso Jaime Batalha Reis, iniciou-se no reinado de D. Sancho I a amoedação do ouro, que para outros autores terá surgido anteriormente. O trabalho administrativo continuou a fazer-se na Câmara Régia que funcionava no Paço, tal como no reinado anterior, estando todo o trabalho a cargo de um só homem, o chanceler. Neste reinado sabe-se que alguns portugueses frequentaram universidades estrangeiras e que um grupo de juristas conhecia o Direito que se ministrava na escola de Bolonha. Também o rei foi poeta e em 1192 concedeu ao mosteiro de Santa Cruz 400 morabitinos para que se mantivessem em França os monges que lá quisessem estudar.
Nos últimos tempos de vida D.Sancho, alterou profundamente a sua postura no que ao relacionamento com outra pessoas dizia respeito.
Provavelmente o temor da morte provocou essa mudança, muito embora ao que parece tenha padecido de doença durante muito tempo, o pressentimento do seu fim deverá ter conduzido à alteração referida. Alguns cronistas da época atestaram que D.Sancho I morrera de "melancolia", que contrariamente a conceitos mais modernos, no século XIII, subordinado à teoria dos humores de Hipócrates, definia-se melancólico como alguém que sofria de excesso de bílis negra, identificada como característico das pessoas com grandes picos variáveis entre a euforia e a depressão, o que hoje se consideraria um bipolar. 
Fontes: D. Sancho I. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
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D. Sancho I
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D. Dulce, rainha consorte de D. Sancho I

sábado, 25 de março de 2017

25 de Março de 1957: A França, a Alemanha Federal, a Itália, a Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo assinam o Tratado de Roma, documento fundador da Comunidade Económica Europeia.

Em 25 de  Março de 1957 é assinado, pela Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Itália e Alemanha, o Tratado de Roma, que instituía a Comunidade Económica Europeia (CEE)e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (EURATOM), a primeira visando integrar a economia dos países membros com o estabelecimento da união aduaneira e de um mercado comum, e a segunda com  objectivo de fomentar a cooperação no desenvolvimento e utilização da energia nuclear e elevação do nível de vida dos países membros.A assinatura deste tratado é o culminar de um processo que surge após a Segunda Guerra Mundial, que deixou a Europa destruída económica e politicamente submetida às duas  super potências: Estados Unidos e União Soviética. Surge então a ideia de os países europeus conseguirem uma integração económica e política. Após várias tentativas e fracassos, é assinado em 1951, em Paris, o tratado que cria a CECA - Comunidade Económica Europeia de Carvão e de Aço e que tinha por  objectivo a integração das indústrias do carvão e do aço dos países europeus ocidentais. Os seus inspiradores são Robert Schuman, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, e Jean Monnet, também o seu primeiro presidente. Este é o primeiro passo concreto com vista à integração europeia, pois, pela primeira vez, havia transferência dos direitos de soberania de alguns estados para uma instituição europeia. Após mais algumas tentativas de alargamento da sua  acção, surge, em 1957, o Tratado de Roma. Com ele visava-se uma união económica de facto, pois aspirava-se a uma política comum para os produtos agrícolas, para os transportes e para todos os  sectores económicos importantes, regras comuns quanto à concorrência, com a coordenação da política económica dos estados membros. Pretendia-se, enfim, "uma união cada vez mais estreita entre os povos europeus (...) mediante uma  acção comum, o progresso económico e social dos seus países, eliminando as barreiras que dividem a Europa" (Preâmbulo do Tratado de Roma).Os anos seguintes à assinatura do Tratado são de sucesso, com enormes progressos económicos e expectativas numa maior cooperação noutros  sectores. Mas o processo vai ter também as suas dificuldades. Apesar de tudo, os êxitos são maiores e atraem a Dinamarca, Reino Unido e Irlanda, que fazem a sua adesão em 1973; forma-se a Comunidade dos Nove. E em 1981 mais um membro, a Grécia. Em 1986 entram Portugal e Espanha. Finalmente, em 1995, aderem Finlândia, Suécia e Áustria. E fala-se em mais alargamentos, inclusive a Leste.A livre circulação dos produtos industriais, dos produtos agrícolas e de pessoas foi evoluindo nos seus processos e nas suas políticas, de acordo com as crises da economia mundial e das implicações das novas adesões. A Comunidade Europeia é o maior mercado do Mundo. Caminha-se agora para a criação da moeda única, o euro.
O Tratado de Roma de 1957 foi complementado  actualizado com outros tratados como o Ato Único Europeu, de 1986, e o Tratado de Maastricht, de 1991.
O Ato Único Europeu, que é a primeira revisão do Tratado de Roma, altera as regras de relacionamento dos Estados membros e alarga os  objectivos e campos de  actuação da Comunidade, visando a União Europeia. Entrou em vigor em 1987 e com ele pretende-se  adopção de políticas comuns, a criação de mercado comum com livre circulação de mercadorias, pessoas, serviços e capitais, além do reforço da coesão económica e social entre todos os estados membros e a redução das diferenças económicas e sociais existentes. Pretende-se também a cooperação na área da investigação e tecnologia, a criação de um Sistema Monetário Europeu e uma política comum do Ambiente.
O Tratado de Maastricht ou Tratado da União Europeia representa um avanço no processo de integração no âmbito político e social, com a implementação de uma cidadania europeia, o alargamento das competências da CE, com uma política externa e de segurança comuns, e cooperação no âmbito da justiça e dos assuntos internos.
Tratado de Roma. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
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Cerimónia de assinatura do Tratado de Roma (1957)

25 de Março de 1223: Morre D. Afonso II, "o Gordo"

Terceiro rei de Portugal (1211-1223), filho de D. Sancho I e da rainha D. Dulce, nasceu em Coimbra a 23 de Abril de 1185 e faleceu a 25 de Março de 1223. Casou com D. Urraca, infanta de Castela, e subiu ao trono em finais de Março de 1211. Recebeu o cognome de "o Gordo". Não tinha vocação militar, por isso abandonou a política de expansão territorial, preocupação dominante até então, para procurar dotar o país de uma conceção moderna da função do Estado, do rei e da unidade nacional. Com tais objectivos, logo que subiu ao trono, em 1211, convocou Cortes para Coimbra. Destas saiu a primeira colectânea de leis gerais do país, que mostram desde logo a ação centralizadora do rei na oposição aos abusos das classes privilegiadas. Foram tomadas também uma série de medidas gerais que se destinaram a garantir o direito de propriedade, regular a justiça civil, defender os interesses materiais da coroa e evitar certos abusos dos privilegiados. As confirmações, raras até este período, e que se generalizaram entre 1216 e 1221 como medida de administração pública, mostram, também, o desejo de firmar a soberania da coroa. Uma outra medida tomada para reprimir os abusos das classes privilegiadas foram as inquirições.
Esta nova política levou também a conflitos com o clero e com as infantas suas irmãs. D. Sancho I tinha deixado, por testamento, às infantas D. Teresa, D. Sancha e D. Mafalda numerosas mercês em terras e dinheiro sobre as quais D. Afonso II pretendia o pagamento de direitos régios. As infantas apelaram para o papa, que, após alguns avanços e recuos, veio a confirmar a posição de D. Afonso II. O rei  procurou minar o poder clerical dentro do país e aplicar parte das receitas das igrejas em propósitos de utilidade nacional. Esta atitude deu origem a um conflito diplomático entre o Papado e Portugal. Depois de ter sido excomungado pelo Papa Honório III, Afonso II prometeu rectificar os seus erros contra a Igreja, mas morreu em 1223 excomungado, sem fazer nenhum esforço sério para mudar a sua política.
Só após a resolução do conflito com a Igreja, logo nos primeiros meses de reinado do seu sucessor Sancho II, pôde finalmente Afonso II descansar em paz no Mosteiro de Alcobaça (foi o primeiro monarca a fazer da abadia cisterciense o panteão real).
Apesar de, como já dissemos, não ter tido preocupações militares, enviou tropas portuguesas que, ao lado de castelhanas, aragonesas e francesas, combateram bravamente na célebre batalha de Navas de Tolosa na defesa da Península contra os muçulmanos. Alcácer do Sal foi a principal conquista do seu reinado.
Os problemas de saúde de D. Afonso II
Dom Afonso II foi um homem doente. Tinha apenas catorze anos quando sofreu uma crise tão grave que as pessoas até consideraram milagre o facto de não morrer, milagre este atribuído a Santa Senhorinha de Basto. As crises repetiram-se durante toda a vida e conhecem-se os sintomas:
deformações da pele e da carne, inchaços, feridas repugnantes, e na época julgaram tratar-se de lepra e por isso mesmo lhe chamaram o Gafo, que significa leproso.
O cognome que acabou por vingar – o Gordo – deve-se pois a doença que o deformava.
Morreu em Santarém em 1223, com 38 anos, ainda excomungado.
D. Afonso II. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
http://donafonsosegundo.blogspot.pt/
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 D. Afonso II
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Urraca de Castela,
consorte de D. Afonso II

25 de Março de 1918: Morre o compositor francês Claude Debussy, mestre do impressionismo.

Compositor francês, Claude Debussy teve uma enorme influência na música do século XX. Nasceu a 22 de Agosto de 1862, em Saint-Germain-en-Lay, em França, e morreu a 25  de Março de 1918, em Paris, vítima de cancro. Ficou conhecido por ter quebrado a tradição do romantismo alemão, desenvolvendo um sistema original de harmonia e de estrutura musicais que expressa, em muitos  aspectos, os ideais aspirados pelos pintores impressionistas e pelos poetas simbolistas do seu tempo. As suas composições mais conhecidas são: Claire de Lune (1890-1905), Prélude à l'aprés-midi d'un faune (1894), a ópera Pelléas et Mélisande (1902) e la Mer (1905).
Aos nove anos, Debussy revelou as suas qualidades de pianista e, depois de ter sido acompanhado por Madame Mauté de Fleurville, ingressou no Conservatório de Paris. Entretanto, viveu momentos de grande turbulência. Enquanto viveu com os seus pais, nos subúrbios de Paris, numa situação de extrema pobreza, nunca esperou ficar sob  protecção de Nadezhda Filaretovna, uma milionária russa, tocando duetos com ela e com os seus filhos. Nessa altura, viajou por toda a Europa, o que o inspirou a compor uma das suas peças mais conhecidas, Claire de Lune. O título refere-se a uma música tradicional que acompanhava as cenas do amor de Pierrot na pantomina francesa. Mais tarde esse tema influenciou-o na composição do trabalho orquestral de Images (1912) e em Sonata for Cello and Piano (1915).
As maiores influências musicais no seu trabalho vieram de Richard Wagner, de Aleksandr Borodin e de Modest Mussorgski. Os seus primeiros trabalhos revelam uma certa afinidade com os pintores pré-rafaelistas ingleses, nomeadamente em La Demoiselle Élue (1888). Posteriormente, seguindo  concepção artística da época, de libertação das respostas emocionais e da exteriorização dos sonhos escondidos, Debussy escreveu o poema sinfónico Prélude à l'aprés-midi d'un faune (1894). Em 1902 compôs a sua única ópera, Pelléas et Mélisande, que demonstrou como a técnica de Wagner pôde ser adaptada para retratar sujeitos como as figuras do pesadelo que, nessa ópera, foram condenadas à auto-destruição. Três anos mais tarde, inspirado no pintor inglês William Turner e no pintor francês Claude Monet, compôs La Mer. Nesse trabalho, Debussy revelou uma enorme ansiedade em reunir todas as regiões exploradas pela sua mente imaginativa. Em 1908 compôs Children's Corner, revelando uma natureza sensitiva, capaz de penetrar na mente das crianças.
Nos seus últimos trabalhos, as peças para piano En blanc et noir (1915) e Douze Études, Debussy expandiu o estilo tradicional de composição que, posteriormente, foi desenvolvido por Stravinsky e por Béla Bartók. O grande papel de Debussy na história da música é o de ter revolucionado a harmonia através da criação de novos acordes.
Claude Debussy. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 

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Arquivo: Claude Debussy ca 1908, foto av Félix Nadar.jpg
Claude Debussy ca 1908, por Felix Nadar
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Claude Debussy ao piano