domingo, 27 de Fevereiro de 2011

A política de não - alinhamento

 

A descolonização fez nascer o Terceiro Mundo - analogia com a expressão “Terceiro Estado” generalizada durante a Revolução Francesa e epíteto com conotação geopolítica: o Terceiro Mundo assumia-se como independente dos dois blocos formados após a guerra, iniciando uma terceira via designada por política de não-alinhamento.
Assim, em 1955, a Conferência de Bandung, na Indonésia, reúne 29 países afro-asiáticos e
adopta os seguintes princípios:
 - condenação do colonialismo e neocolonialismo e consequente proclamação da igualdade e liberdade de todos os povos;
 - neutralismo relativamente a qualquer dos blocos geoestratégicos saídos da 2ª Guerra Mundial, constituindo-se como uma terceira via relativamente aos blocos capitalista e comunista cuja lógica repudiaram;
 - condenação do ambiente de permanente tensão internacional e consequente defesa da resolução pela via diplomática dos diferendos internacionais, denunciando sem reservas a escalada armamentista das superpotências.
Esta conferência teve um efeito notável no processo descolonizador e desembocou na criação oficial do Movimento dos Não-alinhados, na Conferência de Belgrado, em 1961, onde Nasser (Egipto), Nehru (Índia) e Tito(Jugoslávia) foram os seus grandes promotores.
O não-alinhamento atrai cada vez mais países, 25 em 1961, 113 em 1995. Não sendo    sinónimo de neutralismo, não conseguiu, no entanto, unir os países do Terceiro Mundo no caminho do desenvolvimento e da paz e a independência face aos dois blocos também se foi esfumando – novas formas de sujeição económica, tecnológica, científica e militar foram
impostas pelas nações mais desenvolvidas e o colonialismo foi substituído por um  imperialismo económico dominador.
Nos anos 70, a problemática do subdesenvolvimento passou também a ser preocupação do Movimento dos Não-Alinhados. Aos princípios saídos das primeiras conferências, juntam também a denúncia da injustiça verificada na ordem económica internacional, cujo funcionamento privilegia os países ricos em detrimento dos países pobres. Em meados da década, em consequência da desordem verificada no sistema monetário internacional, os países do Terceiro Mundo não produtores de petróleo vêem a sua situação financeira agravar-se e passam a reivindicar a criação de uma Nova Ordem Económica Internacional (NOEI) baseada no tratamento preferencial, de forma a superarem o seu atraso e criarem as reais condições para uma independência efectiva.
Alguns dos países presentes na Conferência de Bandung evidenciavam claros sinais de "alinhamento" com os EUA ou com a URSS, em consequência de apoios recebidos nos processos de independência e de reorganização económica e política; outros, se não estavam "alinhados" ao tempo da primeira conferência, facilmente tiveram de aceitar a influência das superpotências, dada a fragilidade económica em que se encontravam após a independência. Após o processo de independência, a maioria dos países, autênticos mosaicos étnicos, viu-se envolvida em processos de luta pelo poder, levados a cabo por facções ideologicamente alinhadas, que foram aproveitados pelas superpotências para intervirem política e militarmente com soluções neocolonialistas.




A Conferência de Bandung


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