Em 1974, na sequência da Revolução do 25 de abril, o governo português alterou o
estatuto de Macau para "território chinês sob administração portuguesa". Lisboa
sugeriu mesmo a Pequim a devolução do território, mas o governo chinês adiou a
resolução da questão, justificando com a prioridade de resolver primeiramente o
problema de Hong Kong, que era uma colónia, ao contrário de Macau. O estatuto de
Território Especial de Macau foi definido em 1976, com larga independência
económica e administrativa para a cidade do delta do Rio da Pérola. Só em 1987
se firmou o acordo de devolução de Macau à China, o qual se cumpriu a 20 de
dezembro de 1999. Foi então fundada a Região Administrativa Especial (RAE) de
Macau, com um sistema de governo com grande autonomia e possibilidade de manter
a economia de mercado no território. A transição foi aprazada para um período de
50 anos a partir de 1999. Apenas a defesa e as relações externas do território
passaram a ser asseguradas por Pequim.
O processo de transição iniciou-se
dois anos depois do de Hong Kong (1 de julho de 1997). Os habitantes do
território puderam assim verificar que na antiga colónia britânica tudo estava
tranquilo, a transição estava a ser efetuada em bom sentido. Macau tinha
problemas de segurança maiores, no entanto, além de um governo menos
"democrático" durante a administração portuguesa. Destino turístico (jogo,
principalmente), a "Las Vegas" do Oriente viu, com a chegada do Exército do Povo
(China), os índices de segurança subirem exponencialmente. Os maiores problemas
da transição prendem-se com os "filhos da terra", designação dada aos macaenses,
os mestiços ou descendentes de portugueses do território, bilingues e
biculturais, com dificuldades de integração no novo sistema chinês, cuja língua
não dominam na sua forma escrita.
O presidente escolhido para a Região
Administrativa de Macau em 1999, foi Edmund Ho, que ficou à frente de um
conselho executivo. O órgão legislativo do território é a Assembleia
Legislativa. Judicialmente, o sistema legal de Macau tem uma grande influência
da Lei portuguesa, apesar de existir no território um sistema judicial
próprio.
Hong Kong passou a integrar a República Popular da China a 1 de
julho de 1997, na sequência da instalação no território de uma Região
Administrativa Especial, em tudo idêntica à de Macau, presidida até 16 de junho
de 2005 por Tung Chee-Hwa, a quem sucedeu Donald Tsang. Colónia da coroa
britânica desde 1843, Hong incorporou no seu território, a 1 de julho de 1898,
por um prazo de 99 anos, várias ilhas adjacentes, os Novos Territórios. Este
acordo, prestes a caducar em finais do século XX, com a pressão da doutrina de
"Um País, Dois Sistemas" e a vontade política de ambas as partes (principalmente
chinesa) de resolver a questão do território, desencadeou a elaboração, em 1984,
da Declaração Conjunta Sino-Britânica, firmada por Deng Xiaoping e Margaret
Thatcher, a 19 de dezembro desse ano. Definiu-se que todo o território sob
administração colonial britânica passaria a designar-se Região Administrativa
Especial de Hong Kong a partir de 1 de julho de 1997. A passagem do poder
decorreu, nessa data, de forma pacífica, como mais tarde em Macau. Em Hong Kong
não existiam precedentes de criminalidade (por não haver tríades ligadas ao
jogo) como na vizinha Macau.
A Declaração Conjunta previu que Hong Kong não
integrasse, no período de transição (até 2047), o sistema de economia socialista
de Pequim, dada a vigência do sistema "Um País, Dois Sistemas". Como em Macau,
autonomia em tudo menos em matérias de defesa e relações internacionais. Ambas
as RAE's pertencem, como entidades económicas distintas de Pequim, à Organização
Mundial de Comércio, bem como a outras estruturas económicas "capitalistas"
internacionais, ao contrário da RPChina. Mas se em Macau a transição tem corrido
bem, principalmente em termos económicos, em Hong Kong a governação de Tung
Chee-Hwa não foi a melhor, com os valores dos preços do solo a diminuírem e a
afluência turística a baixar drasticamente. Algumas liberdades (imprensa) foram
também postas em causa e instalou-se em certa media a corrupção, o que fez com
que, desde 2003, o modelo de gestão do território fosse posto em causa por
Pequim. O carácter tranquilo da transição de Hong Kong não foi abalado, no
entanto, pois, com toda a "naturalidade" chinesa, Donald Tsang foi chamado pelo
governo de Pequim a dirigir a RAE da antiga colónia britânica. Mas o princípio
"Um País, Dois Sistemas" e a integração de Macau e Hong Kong como aplicação
dessa doutrina têm sido implementados com sucesso e garantias de futuro, sem
grandes problemas e com indicadores de desenvolvimento que fazem o governo de
Pequim apontar aqueles dois territórios como exemplo para um projeto de
reunificação há muito almejado pelos chineses mas com processos e soluções bem
mais complicados e sem fim à vista: Taiwan. Onde mais de 80% dos habitantes
deste território nacionalista se manifestam contra integração na China
comunista.
Integração de Hong Kong e Macau na China. In
Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011
wikipedia (Imagens)
Vista da Ilha de Hong Kong a partir de Kowloon em 1840


Ruínas de São Paulo (Macau), George Chinnery(1774–1852). A catedral foi construída em1602 e destruída por um incêndio em 1835. Somente a fachada sul chegou aos dias de hoje.
Localização de Macau no Delta do Rio das Pérolas (Pearl River) e em relação a Hong Kong e a Cantão (que se situa na prefeitura de Guangzhou e na província de Guangdong).
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