A Sociedade das Nações surgiu em consequência dos horrores
da Primeira Guerra Mundial e foi a primeira tentativa de consolidar uma
organização universal para a paz. Acreditava-se que futuros conflitos só
poderiam ser impedidos se fosse criada uma instituição internacional
permanente, encarregue de negociar e garantir a paz. O principal precursor da
ideia fora o presidente norte-americano Woodrow Wilson.
Em Janeiro de 1918, Wilson
apresentou uma proposta de paz revolucionária, contida em 14 pontos: exigência
da eliminação da diplomacia secreta em favor de acordos públicos; liberdade nos
mares; abolição das barreiras económicas entre os países; redução dos armamentos
nacionais; redefinição da política colonialista, tendo em consideração o
interesse dos povos colonizados; e retirada dos exércitos de ocupação da
Rússia.
Pretendia também a restauração da
independência da Bélgica; restituição da Alsácia e Lorena à França;
reformulação das fronteiras italianas; reconhecimento do direito ao
desenvolvimento autónomo dos povos da Áustria-Hungria; restauração da Roménia,
da Sérvia e de Montenegro, assim como o direito de acesso ao mar para a Sérvia;
reconhecimento da autonomia da Turquia a abertura permanente dos estreitos
entre o Mar Negro e Mediterrâneo; independência da Polónia; e criação da
Sociedade das Nações (League of Nations).
Após complicadas negociações,
sobretudo com a França, que exigia da Alemanha reparações de guerra, foi
aprovada em Paris uma versão reformulada do programa de 14 pontos, em 28 de
Abril de 1919. O estatuto da Sociedade das Nações foi assinado a 28 de Junho do
mesmo ano, como parte do Tratado de Versalhes, firmado com a Alemanha. A primeira
conferência da nova organização, fundada pelos 32 países vencedores da Primeira
Guerra Mundial, foi realizada em 1920, em Genebra.
A Sociedade das Nações, porém,
fracassou por defeitos de origem. Não dispunha de um poder executivo forte, nem
contava com representantes da União Soviética e dos Estados Unidos – a nação do
seu idealizador. O governo de Moscovo não era aceite, e Washington não integrou
a organização por rejeitar o Tratado de Versalhes. Mesmo nos melhores tempos, o
número de membros não passou de 50. Já em 1923, tornou-se evidente a fraqueza
da Sociedade, quando os franceses invadiram a região alemã da Renânia, para
cobrar reparações de guerra.
Um dos poucos êxitos da organização
foi o pacto de segurança firmado entre Alemanha, França, Grã-Bretanha e
Bélgica, além da resolução diplomática de alguns conflitos internacionais.
Genebra, porém, nada pôde fazer para impedir a crise económica mundial, no
final da década de 20. A miséria geral impulsionou as forças nacionalistas que
se opunham ao Tratado de Versalhes.
A invasão da Manchúria pelo Japão,
em 1931, foi uma prova do fracasso da Sociedade das Nações. Condenado um ano e
meio depois pelo acto de agressão, o Japão abandonou a organização. A Alemanha
seguiu o mesmo caminho a 14 de Outubro de 1933. Adolf Hitler, interessado
apenas em armar o seu país, usou uma série de pretextos para abandonar a
conferência de desarmamento e ridicularizar a Sociedade das Nações.
As invasões da Abissínia pela
Itália, em 1935, e da Finlândia, pela União Soviética, em 1939, revelaram que a
Sociedade das Nações não passava de uma organização sem poder decisório. O seu
último acto foi expulsar a URSS, que havia sido admitida como membro em 1934. A
esta altura, porém, a Segunda Guerra Mundial já estava a pleno caminho, o que
frustrou de vez as intenções pacifistas dos idealizadores da S.D.N.
A
dissolução da Sociedade das Nações ocorreu formalmente no dia 18 de Abril
de 1946. Na prática, ela deixara de existir alguns anos antes. Além disso, a
Organização das Nações Unidas (ONU) já havia iniciado suas actividades a 24 de
Outubro de 1945, como organismo sucessor da S.D.N.
Fontes.http://www.dw.de
wikipedia (Imagens)
Placa comemorativa representando o presidente dos Estados Unidos Woodrow Wilson e a "Origem da Sociedade das Nações"
Palácio das Nações em Genebra, sede da Sociedade das Nações
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