Os investigadores que descobriram as ossadas de Ricardo III num parque de estacionamento em Leicester, Inglaterra, em fevereiro, divulgaram hoje um trabalho que prova que o rei inglês que morreu em 1485 tinha lombrigas no estômago na altura da morte, que poderão ter atingido mais de 30 centímetros de comprimento.
A equipa liderada por Piers Mitchell, da Universidade de Cambridge, retirou amostras do solo na zona do pélvis do ex-Rei inglês, onde estariam os intestinos, assim como amostras do solo junto ao crânio e na sepultura.
Depois de efetuados vários testes, os investigadores concluíram que Ricardo III tinha parasitas nos intestinos aquando da sua morte, segundo o trabalho publicado no jornal médico "The Lancet" .
"Encontrámos vários ovos de parasitas no solo, na zona onde estariam os intestinos. Não havia quaisquer parasitas na zona do crânio e apenas vestígios mínimos na restante sepultura. Isto mostra que o número significativo de ovos naquela zona tinha mesmo de ser dos intestinos de Ricardo III e não se tratou de uma contaminação posterior à sua morte", explicou Piers Mitchell, citado pela BBC.
Os parasitas que infestam o corpo humano usam-no para se manterem vivos e se alimentarem, 'roubando' a comida que vai sendo ingerida. Contudo, os parasitas não terão afetado de forma grave a vida do ex-Rei inglês, uma vez que Ricardo III tinha uma dieta bem nutrida, pelo que provavelmente só terá sentido uma forte tosse seca, sendo muito difícil para os médicos diagnosticarem a causa concreta do problema.
Na época medieval, os parasitas eram comuns, devido à falta de higiene de parte da população, mesmo da mais nobre, uma vez que a contaminação dos alimentos poderia surgir facilmente através de contacto com restos fecais, pela falta de limpeza das mãos, por exemplo.
Ricardo III de Inglaterra morreu a 22 de agosto de 1485, aos 32 anos, na Batalha de Bosworth, que colocou um ponto final na Guerra das Rosas, luta dinástica pelo trono de Inglaterra entre as casas de York e de Lancaster, que durou 30 anos (1455-1485). Depois de morto, o seu corpo terá sido exibido pelas ruas de Leicester, desconhecendo-se o local onde teria sido sepultado.
Mais de 500 anos depois da sua morte, em fevereiro deste ano, uma equipa de historiadores e arqueólogos conseguiu localizar o seu túmulo numa igreja destruída no reinado de Henrique VIII (1491-1547), no centro de Leicester, onde entretanto tinha sido construído um parque de estacionamento.
A equipa de investigadores conseguiu mesmo reconstruir o rosto de Ricardo III, através da sua caveira.
Reconstituição facial de Ricardo III a partir do seu crânio
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