A operação do jovem Amenhotep foi um sucesso. Recorrendo a técnicas cirúrgicas milenares, o seu corpo é novamente um só. Os turistas, se os houvesse hoje no Egipto, e os egípcios, a quem pertence a História que Amenhotep preserva, podem voltar a admirar a múmia criança, roubada e posteriormente decapitada em Fevereiro de 2011. É uma das 29 peças constantes na exposição inaugurada segunda-feira no Museu das Antiguidades Egípcias, no Cairo, sob o título Destruição e Restauro.
A exposição é uma meia vitória. Durante os tumultos da chamada Sexta-feira da Ira, a 28 de Fevereiro de 2011, momento decisivo no movimento popular para a deposição do presidente Hosni Mubarak, o Museu que alberga a maior colecção mundial do período faraónico (cerca de 120 mil objectos em exposição) foi saqueado. Foram roubadas 54 peças das quais 29, recuperadas e restauradas, estão agora novamente disponíveis ao olhar dos visitantes na sala 44 do museu.
“Trabalhamos com a polícia e as forças de segurança para recuperar as restantes [peças]”, afirmou durante a inauguração o ministro egípcio das Antiguidades, Mohamed Ibrahim. Citado pelo El País, acentuou a sua convicção de que as peças em falta, sinalizadas pela Interpol, continuam em território egípcio. “É por isso que controlamos aeroportos, portos e estradas”, referiu.
Entre as peças recuperadas, a estrela, segundo Mohamed Ibrahim, é uma estátua de sete centímetros de Aquenatón. A representação do faraó que, no século XIV a.C., impulsionou o monoteísmo no Egipto (e que casou com a célebre Nefertiti), foi descoberta por um adolescente de 16 anos entre o lixo acumulado na Praça Tahrir, nas proximidades do museu. Entre as restantes peças expostas encontramos também o filho de Aquenatón, Tutankhamon, o faraó que deve a sua celebridade ao facto de, séculos depois de uma morte precoce, a sua câmara funerária no Vale dos Reis ter sido descoberta praticamente intacta.
De Tutankhamon estão expostos no Museu das Antiguidades Egípcias um leque e duas estátuas: numa vemo-lo sobre um leopardo, em demonstração de poder, noutra observamo-lo num barco, erguendo um arpão e equilibrando-se numa corda. As peças foram submetidas a trabalho de restauro durante seis meses, devido aos sérios danos sofridos durante a pilhagem, que aconteceu entre a debandada das forças de segurança de Mubarak e o momento em que os tanques do exército e a população se uniram em redor do museu para proteger o património.
Parte da segunda estátua de Tutankhamon foi encontrada no metropolitano do Cairo. O seu leque, esse, encontrava-se estilhaçado em doze fragmentos. A múmia de Amenhotep, por sua vez, fora decapitada para facilitar o seu transporte. Operada pelos técnicos egípcios, que recorreram aos materiais usados na sua mumificação original, voltou novamente intacta ao seu lugar. A exposição, situada na sala 44 do Museu inclui ainda, por exemplo, a representação de um exército de guerreiros núbios ou da deusa Bastet, representada por um gato.
Fonte: Público
Fonte: Público
O exército núbio após pilhagem ao Museu
A estátua de Aquenatón, um dos destaques da exposição
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.