A colecção do Google Art Project está maior e, a partir de hoje, mais
portuguesa. Deste enorme catálogo de arte digital que, desde o seu lançamento em
2011, tem vindo a quebrar barreiras geográficas, fazem agora parte os palácios
nacionais de Sintra e de Queluz. Estes são assim os primeiros palácios
portugueses a entrar nesta plataforma, disponibilizando gratuitamente e em alta
resolução imagens de 64 obras das suas colecções, algumas delas classificadas
como Bens de Interesse Nacional (a mais alta classificação no património
móvel).
Depois do Museu Colecção Berardo, em Lisboa, que tem disponíveis 23 obras, e
da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, em Águeda, representada
com 50 peças, estas são as próximas instituições nacionais a integrar o projecto
da Google, que conta já com mais de 250 museus e galerias de todo o mundo. Ainda
este ano deve entrar o Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado
(MNAC), cujo processo já foi formalizado. A inclusão do Palácio da Pena, também
em Sintra, está já a ser preparada.
"Achámos que esta era uma plataforma importante para divulgar estes dois
palácios numa dimensão absolutamente mundial", diz ao PÚBLICO a directora dos
palácios de Sintra e de Queluz, Inês Ferro, para quem o Google Art Project é
"uma montra privilegiada, sobretudo pela qualidade das imagens e das outras
instituições e colecções representadas".
Com esta entrada, o Palácio
de Sintra, com 28 obras, e o de
Queluz, com 36, juntam-se a instituições internacionais tão importantes como
o Museu Rainha Sofia, em Madrid, a Tate Britain e a National Gallery de Londres,
o Metropolitan de Nova Iorque, o Rijksmuseum de Amesterdão, e o Palácio de
Versalhes, em França.
"Toda a ideia de participar no projecto está em sintonia com os objectivos de
internacionalização dos monumentos da Parques Sintra e, neste caso específico,
com a promoção das colecções de arte de dois palácios reais", explica o
historiador Fernando Montesinos, que com Inês Ferro escolheu as obras agora
disponíveis e que variam entre o mobiliário, a azulejaria, os têxteis, a
escultura e a pintura. Destas destacam-se, por exemplo, a tapeçaria com as Armas
Reais Portuguesas, o Globo Celeste de Christoph Schissler e o Pagode
Chinês no Palácio de Sintra, e as esculturas de John Cheere ou o Pianoforte
de Clementi, no Palácio de Queluz.
O que foi escolhido para representar estas colecções, e assim chamar mais
visitantes aos dois monumentos, garante Fernando Montesinos, são "as peças de
referência". "O critério de fundo foi que todo o acervo de artes decorativas dos
palácios, do século XV ao XIX, devia estar representado, quer na sua diversidade
quer na sua multiculturalidade. Não há uma leitura cronológica ou por autores.
Isto é o que temos de melhor", assegura, acrescentando porém que nada substitui
o contacto directo com as obras de arte aqui mostradas. "O Google Art Project
não é o objectivo em si mas o meio", acrescenta.
Para a directora dos dois palácios, o que é importante também é que, através
das obras escolhidas, qualquer pessoa ficará a saber "um bocadinho da nossa
história". "Não nos podemos esquecer de que, apesar de muito diferentes, estes
dois palácios foram habitados pela família real e, por isso, ao falar de um
determinado objecto, estamos a dar acesso à história", diz Inês Ferro,
explicando que houve um cuidado muito grande na elaboração das legendas de cada
obra. "Dada a vocação deste projecto, e o seu público vasto, não quisemos entrar
em demasiado pormenor. Procurámos dar a informação de forma rápida e ao mesmo
tempo científica para que qualquer pessoa possa entender o objecto e ao que ele
alude no contexto das colecções."
Inês Ferro destaca ainda que, uma vez que o Google Art Project permite o
acesso pormenorizado das obras com imagens de alta resolução, os estudiosos e
investigadores também ficam a ganhar com esta entrada. "É uma ferramenta notável
à qual espero que se juntem outros projectos portugueses, estou convencida de
que este será o caminho", conclui a directora.
Também Montesinos espera que mais monumentos possam seguir o exemplo destes
dois palácios. "Não tenho dúvidas de que é importante promovermos desta forma o
nosso património e quantos mais estivermos presentes, mais força ganhamos",
acrescenta o historiador.
Além dos palácios portugueses, a plataforma celebra hoje também a entrada de
oito novos museus, incluindo pela primeira vez instituições do Luxemburgo e do
Equador. Da arte antiga à contemporânea, da pintura à cerâmica, da Índia e China
ao Irão e Portugal, o leque é cada mais amplo e conta já com 48 mil obras de
nove mil artistas.
Fonte: Público
Palácio Nacional de Sintra
Palácio Nacional de Sintra
Palácio Nacional de Queluz
Sem comentários:
Enviar um comentário