quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Análise da obra:"Napoleão Cruzando os Alpes", de Jacques -Louis David

A obra Napoleão cruzando os Alpes, é o título dado às cinco versões de um óleo sobre tela pintado por Jacques - Louis David. Retrato equestre de Napoleão Bonaparte, pintado pelo artista entre 1811 e 1815 foi inicialmente, encomendado pelo rei de Espanha. A composição mostra uma visão fortemente idealizada da verdadeira passagem de Napoleão e do seu exército feito através dos Alpes em 1800. Tendo tomado o poder em França Napoleão decidiu voltar para a Itália para reforçar as tropas francesas no país e controlar o território tomado pelos austríacos nos anos anteriores. Na primavera de 1800 ele levou o Exército de Reserva nos Alpes através  do Grande São Bernardo, feito esse que conduz posteriormente à realização desta obra. O facto de Napoleão se tornar primeiro cônsul e a vitória francesa em Itália, permitiram uma aproximação a Carlos IV de Espanha. Enquanto as negociações estavam em curso para restabelecer as relações diplomáticas, a tradicional troca de presentes aconteceu. Carlos IV recebeu 2 pistolas fabricadas em Versalhes, vestidos dos melhores costureiros de Paris, jóias para a sua rainha. A Napoleão foram oferecidos dezasseis cavalos espanhóis das cavalariças reais, retratos do rei e da rainha, pintados por por Goya, e o retrato que estava a ser encomendado a Jacques - Louis David. O embaixador francês em Espanha, Charles-Jean-Marie Alquier, solicitou a pintura original a Jacques - Louis David em nome de Carlos IV.O retrato era para ser colocado no Palácio Real de Madrid, como um símbolo da nova relação entre os dois países. O pintor, que tinha sido um fervoroso apoiante da revolução francesa, ficou bastante sensibilizado com o convite. Ficou ainda mais sensibilizado ao saber do pedido de Napoleão para produzir mais três versões: uma para o Castelo de Saint-Cloud, uma para a biblioteca de Les Invalides, e um terceiro para o palácio da República Cisalpina em Milão. A quinta versão foi produzida por David e permaneceu consigo, até à sua morte. A pintura original permaneceu em Madrid até 1812, quando foi adquirida por José Bonaparte depois da sua abdicação como Rei de Espanha. Mais tarde levou o quadro com ele, quando foi para o exílio nos Estados Unidos. No fim da sua vida, a sua sobrinha-neta Eugenie Bonaparte, legou a obra ao Museu do Castelo de Malmaison onde permanece até hoje .

A versão produzida para o Castelo de Saint-Cloud de 1801 foi removida do local em 1814. Actualmente, está patente ao público no Palácio de Charlottenburg em Berlim .
O exemplar de 1802 para Les Invalides foi retirado de lá, permaneceu guardado nas caves do palácio até que em 1837 foi levado para o Palácio de Versalhes, onde permanece.
A versão 1803 que foi entregue ao Palácio Cisalpina em Milão, foi confiscado em 1816 pelos austríacos. No entanto, o povo do Milão recusou-se a entregá-lo e o quadro permaneceu na cidade até 1825. Finalmente, foi instalado no Palácio Belvedere , em Viena , em 1834. Continua lá até hoje, fazendo parte da colecção da Österreichische Galerie Belvedere .

A versão mantida por Jacques - Louis David até à sua morte em 1825 foi exibida no Bazar Bonne-Nouvelle , em 1846. Em 1850, foi oferecido ao futuro Napoleão III pela filha de David, Pauline Jeanin, e instalado no Palácio das Tulherias. Em 1979, foi oferecido ao museu do Palácio de Versalhes.

Aquando da realização desta obra foi pedido a Jaques -Louis David que retratasse Napoleão de pé com o traje de Primeiro Cônsul, provavelmente, no espírito dos retratos que mais tarde foram produzidos por Antoine-Jean Gros, Robert Lefèvre (Coroação de Napoleão) e Jean Auguste Dominique Ingres ( Napoleão I no seu Trono Imperial).Contudo o pintor fez questão de retratar Napoleão num cenário equestre. Consta que o embaixador espanhol, Ignacio Muzquiz, informou Napoleão da intenção de Jacques - Louis David e perguntou se ele gostaria de ser representado desse modo. Napoleão terá ficado indeciso entre ser representado passando revista às tropas ou num cenário equestre, optando por este último. 

Esta obra acabou por servir de propaganda aos feitos Napoleónicos tendo o próprio Bonaparte pedido a David que o retratasse "calmamente montado num cavalo de fogo" (Calme fougueux sur un cheval). Poucos projectos e estudos preparatórios foram feitos, para a realização desta obra. Jacques - Louis David, produziu um pequeno esboço a óleo de um cavalo a ser refreado, que era um estudo provável para a montagem de Napoleão em cima do cavalo. A falta de estudos iniciais pode em parte ser explicada pela recusa de Bonaparte para sentar-se para o retrato. Dois dos cavalos de Napoleão foram utilizados como modelos para o cavalo de fogo: a égua " La Belle ", que aparece na versão realizada em Charlottenburg, e o famoso " Marengo" que aparece na versão realizada para Versalhes e Viena. Gravuras da obra"Voyage pittoresque de la Suisse" serviram como modelos para a paisagem. O primeiro dos cinco retratos foi pintado em quatro meses, a partir de Outubro 1800 a Janeiro de 1801. Após a conclusão da versão inicial, Jacques - Louis David começou imediatamente a trabalhar na segunda versão, que foi concluída em 25 de Maio, data da inspecção de Bonaparte dos retratos na oficina de Jacques - Louis David no Palácio do Louvre. Dois dos alunos do pintor ajudaram na produção de diferentes versões: Jerome Martin Langlois, que trabalhou principalmente nos dois primeiros retratos, e George Rouget que produziu a cópia para o palácio de Les Invalides. O quadro original encontra-se no Museu Nacional de Malmaison em  Paris.
wikipedia(imagens)
File:Napoleon4.jpg
Versão de Malmaison
File:Jacques-Louis David 007.jpg
Versão do Palacio de Charlottenburg, Berlim
File:Jacques-Louis David 008.jpg
Versão de Belvedere

 File:Napoleon-david.jpg
Versão de Versalhes
File:Napoléon4détail1 .JPG
Detalhe da obra, versão de Malmaison
Detalhe das inscrições nas rochas

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