A decisão foi anunciada, na sexta-feira, pela
administração deste bem classificado Património Mundial da Humanidade (1985), e
que conserva um dos mais importantes acervos de pinturas rupestres da
Pré-História. Mas a reabertura vai ter um carácter experimental, e vai ser
condicionada por rigorosas medidas de segurança. O objectivo é avaliar o
impacto da presença humana na integridade das pinturas que remontam ao
Paleolítico Superior.
A partir do próximo mês de
Fevereiro e, em princípio, até Agosto, o Museu Nacional e Centro de
Investigação de Altamira vai organizar um ciclo de visitas, abertas a cinco
pessoas (mais um guia) de cada vez, uma vez por semana.
Ao todo, serão 192 os contemplados com esta
oportunidade rara de admirar ao vivo este património, que continua a ser a
principal atracção turística de Santillana del Mar, na Cantábria – mesmo se os
visitantes têm actualmente apenas ao seu dispor uma réplica do conjunto
rupestre na chamada Caverna Nova de Altamira.
“O que agora decidimos fazer é apenas uma experiência,
que é uma parte do programa de conservação”, disse ao jornal El País José
Antonio Lasheras, director do Museu Nacional e Centro de Investigação de
Altamira. E explicou que a administração da instituição decidiu alargar aos
visitantes anónimos aquilo que, em princípio, iria ser realizado apenas
com funcionários do centro. “Pareceu-nos que aquilo que poderíamos fazer
com pessoas do museu, poderia também ser feito com a colaboração de pessoas de
fora”, disse Lasheras.
A escolha dos felizes contemplados será feita de forma
aleatória. E as visitas, que não poderão durar muito mais que meia
hora, serão sujeitas a um rigoroso protocolo: os visitantes serão
obrigados a usar um impermeável, gorro, luvas, máscara e calçado, tudo
disponibilizado pelo museu. No final, em simultâneo com um registo
documental dos serviços do museu, os serão também convidados a preencher um
formulário.
O objectivo do museu é medir o impacto das visitas e
da presença humana na temperatura do ar e da rocha, a humidade, a contaminação
microbiológica e os níveis de CO2, entre outros indicadores.
No final deste ciclo experimental de visitas, os
responsáveis avaliarão o que fazer a seguir. E como resolver o conflito entre
quem, como o Conselho Superior de Investigação Científica, desaconselha
fortemente a reabertura das grutas ao público, e os responsáveis políticos e do
turismo da Cantábria, que vêm defendendo que as Grutas de Altamira são um
activo turístico, cultural e económico que a região não pode desperdiçar
mantendo-as fechadas a visitas.
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