No dia 5 de Janeiro de 1945, pilotos
japoneses receberam a primeira ordem para se tornarem kamikazes – Vento Divino, em japonês. A utilização
dos kamikazes revelava o desespero do Japão nos meses finais da Segunda Guerra
Mundial no Pacífico. A maior parte dos pilotos de ponta havia morrido, e
pilotos jovens precisavam de pouco treino para fazer explodir os seus aviões
carregados de explosivos contra navios aliados. Em Okinawa conseguiram afundar
30 navios em que morreram cerca de 5 mil marinheiros norte-americanos.
O termo kamikaze foi
utilizado originalmente pelos norte americanos para referir-se aos ataques
suicidas efectuados por pilotos de uma unidade especial da Armada Imperial
Japonesa contra embarcações da frota dos Aliados no final da Segunda Guerra
Mundial. Os ataques pretendiam deter o avanço dos aliados no Oceano Pacífico e
evitar que chegassem às costas japonesas. Aviões carregados com bombas de 250
quilos impactariam contra os objectivos com o fim de afundá-los ou avariá-los
severamente.
A origem do mito kamikaze data
do século XIII, quando uma frota procedente da Mongólia, sob o comando de
Kublai Kahn, se aproximou da costa japonesa com o fim de invadir o país.
Afortunadamente, um tufão arrasou a frota invasora. O dito tufão foi chamado de
Vento Divino, como sinal de que o Japão era o eleito pelos deuses a garantir
sua segurança e sobrevivência.
O Japão viveu um crescimento acelerado
durante a dinastia Meiji, passando de país agrário a uma potência
industrializada, focado no desenvolvimento da tecnologia. Criou um exército
forte e moderno, o que levou a uma forte militarização do país. Baseado no
modelo colonialista europeu, empreendeu uma quantidade de conflitos armados no
continente asiático como a Primeira Guerra Sino-Japonesa de 1894, a Guerra
Russo-Japonesa de 1904-1905 e a Segunda Guerra Sino-Japonesa de 1937.
Durante o Verão de 1941, Estados Unidos,
Reino Unido e Holanda exerceram embargo petrolífero como protesto contra a
ocupação japonesa da China. Fracassados os esforços diplomáticos, o Imperador
deu ordem para atacar Pearl Harbor a 7 de Dezembro. No dia seguinte os Estados
Unidos declararam guerra ao Japão.
Nos 6 meses seguintes, o Japão havia
conseguido quase todos os seus objectivos navais, tendo afundado ou danificado
seriamente importante quantidade de barcos inimigos.
Porém, em 5 de Junho de 1942,
bombardeiros norte americanos avistaram uma poderosa força japonesa e
afundaram 4 dos seus melhores porta-aviões, um couraçado e 275 aviões durante a
Batalha de Midway. Foi uma vitória decisiva e marcou o ponto de inflexão na
Guerra do Pacífico.
Depois de Midway, as forças dos Estados
Unidos iniciaram um avanço implacável. Rapidamente os aviões de combate
japoneses se viram superados tanto em número como em características técnicas
pelos novos aviões norte-americanos. Durante a Batalha do Mar das Filipinas, os
japoneses perderam mais de 400 aviões e pilotos.
Desde 1942, vozes dentro do exército
japonês defendiam o recurso a tácticas suicidas para tratar de reverter a
situação. Um dos principais opositores era o vice-almirante Yokoi. Finalmente,
em meados de 1944, o primeiro-ministro Hideki Tojo deu instruções para que os
Corpos de Ataque Aéreo organizassem uma unidade especial, que daria nascimento
aos kamikazes.
Os japoneses estavam profundamente
influenciados por sentimentos ultra-nacionalistas. Antes da saída do piloto eram levadas a
cabo cerimónias nas quais se lhe entregava a bandeira do sol nascente – insígnia
da frota naval – com inscrições espirituais, uma pistola e geralmente era
oferecida uma taça de sakê ou de chá antes de levantar voo.
Um grupo especial de ataque suicida
formado por caças Zero, carregados com bombas de 250 kg, realizou a primeira
missão oficial bem-sucedida, quando a Unidade Shikishima localizou a noroeste
da ilha de Suluan uma esquadra norte-americana. O primeiro avião impactou
contra um porta-aviões, o mesmo com o segundo, e o navio afundou. O terceiro
piloto atirou-se contra outro porta-aviões e incendiou-o. O quarto piloto
alvejou um cruzador e afundou-o.
Desde começos de 1945, os chefes
militares discutiam como deter o implacável avanço dos aliados. Após a queda de
Iwo Jima, a invasão do território nipónico era questão de tempo. As operações
suicidas então não só se incrementaram como se coordenou pela primeira vez
ataques conjuntos das forças navais e aéreas. Pelo menos 1450 kamikazes saíram
das bases japonesas, causando baixas de pelo 5 mil combatentes aliados. Depois
dos dramáticos bombardeios atómicos sobre Hiroshima (6 de Agosto) e Nagasaki (9
de Agosto) e a entrada da União Soviética na Guerra do Pacífico, o alto comando
começou a preparar a rendição incondicional do Japão.
Na madrugada de 15 de Agosto, o
vice-almirante Matome Ugaki convocou 11 bombardeiros para efectuar o último
ataque suicida contra a frota inimiga. Quatro desses aviões não conseguiram levantar
voo.
Não há um consenso quanto a cifras
definitivas de barcos afundados devido à acção dos kamikazes. Uma das listas mais completas e documentadas
são as do historiador norte-americano Bill Gordon, quem assegura que a cifra
mais exacta é de um total de 49 navios afundados.
Fonte: http://operamundi.uol.com.br
wikipedia (imagens)
Yokosuka MXY-7 Ohka:
a "bomba voadora Kamikaze"
desenvolvida pelo Japão
a "bomba voadora Kamikaze"
desenvolvida pelo Japão

Modelos Zero 52c prontos para tomar parte num ataque
Porta-aviões britânico HMS
Formidable após o ser atingido por três Kamikazes
Formidable após o ser atingido por três Kamikazes
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