segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Segunda Guerra Mundial, os Pilotos Kamikazes

No dia 5 de Janeiro de 1945, pilotos japoneses receberam a primeira ordem para se tornarem  kamikazes – Vento Divino, em japonês. A utilização dos kamikazes revelava o desespero do Japão nos meses finais da Segunda Guerra Mundial no Pacífico. A maior parte dos pilotos de ponta havia morrido, e pilotos jovens precisavam de pouco treino para fazer explodir os seus aviões carregados de explosivos contra navios aliados. Em Okinawa conseguiram afundar 30 navios em que morreram cerca de 5 mil marinheiros norte-americanos.
O termo kamikaze foi utilizado originalmente pelos norte americanos para referir-se aos ataques suicidas efectuados por pilotos de uma unidade especial da Armada Imperial Japonesa contra embarcações da frota dos Aliados no final da Segunda Guerra Mundial. Os ataques pretendiam deter o avanço dos aliados no Oceano Pacífico e evitar que chegassem às costas japonesas. Aviões carregados com bombas de 250 quilos impactariam contra os objectivos com o fim de afundá-los ou avariá-los severamente.
A origem do mito kamikaze data do século XIII, quando uma frota procedente da Mongólia, sob o comando de Kublai Kahn, se aproximou da costa japonesa com o fim de invadir o país. Afortunadamente, um tufão arrasou a frota invasora. O dito tufão foi chamado de Vento Divino, como sinal de que o Japão era o eleito pelos deuses a garantir sua segurança e sobrevivência.
O Japão viveu um crescimento acelerado durante a dinastia Meiji, passando de país agrário a uma potência industrializada, focado no desenvolvimento da tecnologia. Criou um exército forte e moderno, o que levou a uma forte militarização do país. Baseado no modelo colonialista europeu, empreendeu uma quantidade de conflitos armados no continente asiático como a Primeira Guerra Sino-Japonesa de 1894, a Guerra Russo-Japonesa de 1904-1905 e a Segunda Guerra Sino-Japonesa de 1937.
Durante o Verão de 1941, Estados Unidos, Reino Unido e Holanda exerceram embargo petrolífero como protesto contra a ocupação japonesa da China. Fracassados os esforços diplomáticos, o Imperador deu ordem para atacar Pearl Harbor a 7 de Dezembro. No dia seguinte os Estados Unidos declararam guerra ao Japão.
Nos 6 meses seguintes, o Japão havia conseguido quase todos os seus objectivos navais, tendo afundado ou danificado seriamente importante quantidade de barcos inimigos.
Porém, em 5 de Junho de 1942, bombardeiros norte americanos avistaram uma poderosa  força japonesa e afundaram 4 dos seus melhores porta-aviões, um couraçado e 275 aviões durante a Batalha de Midway. Foi uma vitória decisiva e marcou o ponto de inflexão na Guerra do Pacífico.
Depois de Midway, as forças dos Estados Unidos iniciaram um avanço implacável. Rapidamente os aviões de combate japoneses se viram superados tanto em número como em características técnicas pelos novos aviões norte-americanos. Durante a Batalha do Mar das Filipinas, os japoneses perderam mais de 400 aviões e pilotos.
Desde 1942, vozes dentro do exército japonês defendiam o recurso a tácticas suicidas para tratar de reverter a situação. Um dos principais opositores era o vice-almirante Yokoi. Finalmente, em meados de 1944, o primeiro-ministro Hideki Tojo deu instruções para que os Corpos de Ataque Aéreo organizassem uma unidade especial, que daria nascimento aos kamikazes.
Os japoneses estavam profundamente influenciados por sentimentos ultra-nacionalistas. Antes da saída do piloto eram levadas a cabo cerimónias nas quais se lhe entregava a bandeira do sol nascente – insígnia da frota naval – com inscrições espirituais, uma pistola e geralmente era oferecida uma taça de sakê ou de chá antes de levantar voo.
Um grupo especial de ataque suicida formado por caças Zero, carregados com bombas de 250 kg, realizou a primeira missão oficial bem-sucedida, quando a Unidade Shikishima localizou a noroeste da ilha de Suluan uma esquadra norte-americana. O primeiro avião impactou contra um porta-aviões, o mesmo com o segundo, e o navio afundou. O terceiro piloto atirou-se contra outro porta-aviões e incendiou-o. O quarto piloto alvejou um cruzador e afundou-o.
Desde começos de 1945, os chefes militares discutiam como deter o implacável avanço dos aliados. Após a queda de Iwo Jima, a invasão do território nipónico era questão de tempo. As operações suicidas então não só se incrementaram como se coordenou pela primeira vez ataques conjuntos das forças navais e aéreas. Pelo menos 1450 kamikazes saíram das bases japonesas, causando baixas de pelo 5 mil combatentes aliados. Depois dos dramáticos bombardeios atómicos sobre Hiroshima (6 de Agosto) e Nagasaki (9 de Agosto) e a entrada da União Soviética na Guerra do Pacífico, o alto comando começou a preparar a rendição incondicional do Japão.
Na madrugada de 15 de Agosto, o vice-almirante Matome Ugaki convocou 11 bombardeiros para efectuar o último ataque suicida contra a frota inimiga. Quatro desses aviões não conseguiram levantar voo.
Não há um consenso quanto a cifras definitivas de barcos afundados devido à acção dos kamikazes.  Uma das listas mais completas e documentadas são as do historiador norte-americano Bill Gordon, quem assegura que a cifra mais exacta é de um total de 49 navios afundados.

 wikipedia (imagens)
Ficheiro:MXY7 Ohka Cherry Blossom Baka Ohka-2bs.jpg
Yokosuka MXY-7 Ohka:
a "bomba voadora Kamikaze"
desenvolvida pelo Japão
File:A6M5 52c Kyushu.jpg
Modelos  Zero 52c  prontos para tomar parte num ataque
 
Porta-aviões britânico HMS
Formidable
após o ser atingido por três Kamikazes
Ficheiro:HMS Formidable (67) on fire 1945.jpg

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