segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Fim da Primavera de Praga


Acompanhado de unidades de outros países do Pacto de Varsóvia, o Exército Vermelho entrou, em 20 de Agosto, na Checoslováquia. O governo deste país liberalizara o regime comunista de forma sem precedentes no Leste Europeu.
Rádio Praga: "Na noite de ontem, por volta das 23h, tropas da União Soviética, da República Popular da Polónia, da República Democrática Alemã, da Hungria e da Bulgária ultrapassaram as fronteiras da Checoslováquia."
Em poucas horas, o sonho de um "socialismo com face humana", que ficou conhecido como a "Primavera de Praga", desmanchava-se sob as esteiras de 7 mil tanques de guerra do Pacto de Varsóvia.
Sob o comando do reformista Alexander Dubcek, 14 milhões de checos e eslovacos estavam a gozar de maior democracia, sobretudo através da liberdade de imprensa e de opinião. No entanto, a iniciativa isolada do "irmão socialista" deixara o Kremlin em estado de alerta. "É uma contra-revolução", sentenciou Moscovo.

Naquela noite, o líder do partido comunista Dubcek e os seus camaradas foram detidos e o presidente Ludvik Svoboda, colocado sob prisão. Soldados ocuparam pontos estratégicos nas ruas de Praga. As pessoas protegiam-se apenas com as mãos, atirando pedras ou tentando conversar com os militares. Em vão. Os tanques já atravessavam a histórica Ponte de Carlos e os soldados davam tiros – a princípio para o alto.

Mas, em pouco tempo, as armas começaram a ser disparadas na direcção da multidão. Pessoas caíam vítimas das rajadas de metralhadora. Para muitos, a presença de militares alemães entre os invasores reavivava a memória de 1939, quando as tropas de Hitler marcharam sobre a Checoslováquia.

Já nas primeiras horas da manhã, o governo alemão-oriental justificou o episódio através do rádio: "No interesse da sua segurança, no interesse dos povos e da paz mundial, os irmãos socialistas não poderiam permitir que a República da Checoslováquia rompesse com a comunidade dos Estados socialistas. Ao reagir imediatamente ao urgente pedido de ajuda dos patriotas checos, os governos dos nossos países deram um exemplo claro do internacionalismo socialista".

Dois dias depois da ocupação, o presidente Svoboda e o líder Dubcek foram levados a Moscovo. Levaria quatro dias até voltarem a Praga, derrotados.

O correspondente em Praga, Christian am Ende, relatou as primeiras frases desesperadas de Dubcek:

"Com lágrimas, voz contida e longas pausas, o secretário-geral do partido, Dubcek, declarou: 'É com muita dificuldade que encontro palavras para agradecer a elevada moral que este povo demonstrou. O que acertamos em Moscovo não dependeu da nossa vontade.” Dubcek prosseguiu com o seu triste comunicado, informando que as tropas agora iriam concentrar-se fora da cidade. Moscovo teria prometido retirar gradualmente as unidades do Pacto de Varsóvia do território da Checoslováquia.
Balanço da operação militar: 72 mortos, 200 feridos graves. A 28 de Agosto, Alexander Dubcek anunciou a capitulação final e tentou, em discurso à população, evitar que as esperanças se esvaíssem:
"A nossa vida política chegou a uma encruzilhada. Estamos numa situação em que temos de escolher um caminho. O movimento comunista na Checoslováquia tem a sua tradição. Pode ser que estejamos num ponto em que talvez caiamos em uma crise atrás da outra. Podemos decidir seguir adiante e tomar mais uma vez o caminho que o partido definiu, ou deixamos a dianteira para forças diversas, correntes diversas. Em todo caso, temos que ponderar, porém, os diversos problemas da situação actual."
A promessa de Moscovo de retirada das tropas e tanques foi cumprida somente 23 anos mais tarde. O último soldado russo deixou o país apenas em 23 de Maio de 1991.
Fontes:DW
Historia Info escola
wikipedia(imagem)
File:Radnice Liberec pamatnik 1968.jpg
Monumento em memória das vítimas da invasão localizado em Liberec

 

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