A insegurança
e degradação há muito que eram visíveis na Pont des Arts (Ponte das Artes),
ponto de paragem obrigatória em Paris para os que estão apaixonados e selam o
seu amor com um cadeado. Este domingo, duas das barreiras laterais da ponte
sobre o Sena não aguentaram o peso de milhares de cadeados e caíram. A
estrutura foi encerrada e só reabriu na tarde desta segunda-feira.
Construída em 1804 durante o regime de
Napoleão, perto do agora Louvre, a ponte tem cerca de 700 mil cadeados
presos, com um peso estimado de 93 toneladas. A tradição desde 2008 de colocar
cadeados na estrutura e depois lançar a chave ao Sena tem tido adeptos de todo
o mundo, mas também fortes críticas de movimentos que condenam a iniciativa.
Este domingo, duas das barreiras laterais da ponte, com
2,4 metros de comprimento no total, cederam e caíram sobre o tabuleiro, devido
ao excesso de peso de milhares de cadeados. Não houve registo de feridos,
segundo a polícia parisiense.
A ponte foi evacuada e fechada por motivos de segurança.
A parte que cedeu foi entretanto substituída por um painel de madeira e a ponte
reaberta esta segunda-feira.
A Pont des Arts tem sido alvo de polémica. A tradição não
é bem recebida por alguns parisienses e mesmo por cidadãos estrageiros a viver
na capital francesa. As autoridades já pediram que se substitua os cadeados de
metal por “cadeados virtuais”, a que os apaixonados podem aceder sempre que
quiserem mas sem colocar em causa a segurança do monumento.
Lisa Anselmo e Lisa Taylor Huff, duas americanas a viver
em França, decretaram, por sua vez, guerra à tradição, que consideram
“vandalismo”, e lançaram um abaixo-assinado dirigido à Câmara Municipal de
Paris para acabar com os famosos cadeados em todas as pontes e monumentos da
cidade.
Na campanha eleitoral para as autárquicas em Paris, a
nova presidente camarária socialista Anne Hidalgo anunciou “alternativas
artísticas, solidárias e ecológicas” para os cadeados do amor. Depois da Pont
des Arts, as autoridades francesas já encontraram cadeados noutros monumentos
da cidade, incluindo outras pontes, como a Ponte do Arcebispo ou a de
Léopold-Sedar-Senghor, e na própria Torre Eiffel.
“Desde que Anne Hidalgo me pediu para me ocupar do
problema, fomos alvo de sarcasmos”, contou à AFP Bruno Julliard, vereador da
Cultura de Paris. “Este último acontecimento vem reforçar a nossa convicção de
que é verdadeiramente necessário encontrar uma alternativa”.
Fonte: Público
Estima-se que os cadeados representem um peso adicional à ponte de cerca de 93 toneladas
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