A carta
de lei de abolição da pena de morte em Portugal, datada de 1867, e a Biblioteca
Geral da Universidade de Coimbra estão entre os 16 bens culturais – documentos
ou sítios – recomendados por um painel de peritos para receberem o Selo do
Património Europeu 2014.
Esta é uma iniciativa criada
em 2011 pela União Europeia (EU) com o objectivo de reconhecer bens que
“contribuíram para a história e cultura europeias e/ou constituição da União” e
cuja dimensão europeia continua a ser valorizada nos dias de hoje. Esta é apenas
a segunda edição da iniciativa, que arrancou em 2013, e à qual se submeteram 36
candidaturas de 13 Estados-membro da EU, incluindo Portugal.
A decisão final será tomada pela Comissão Europeia em
Março de 2015, mas como explicou ao PÚBLICO Silvestre Lacerda, director do
Arquivo Nacional da Torre do Tombo, onde se encontra a carta de lei de abolição
da pena de morte, “normalmente a Comissão Europeia não rejeita as
recomendações” do painel de peritos.
As candidaturas são pré-seleccionadas a nível nacional e
cada país pode apresentar o máximo de quatro. Portugal submeteu três
candidaturas e uma delas, o Convento de Jesus, em Setúbal, onde foi assinado o
Tratado de Tordesilhas em 1494, foi recusada pelo painel de peritos por não
corresponder aos critérios de relevância europeia consagrados no documento que
estabeleceu o Selo do Património Europeu (Decisão 1194/2011/EU).
O relatório de avaliação do painel de especialistas nota
que a pena de morte já tinha sido abolida antes, em San Marino e Turim (onde
voltou a ser reintroduzida, mais tarde), mas que a carta de lei abolindo a pena
de morte em Portugal, ratificada por D. Luís em 1867, constitui “um caso
atípico” porque o rei foi “guiado por princípios humanistas”. Nesse documento,
que aprova a reforma penal e das prisões, é decretada a abolição da pena de
morte e a sua substituição por pena de “prisão celular perpétua”. À época, o
escritor francês Vítor Hugo escreveu uma carta congratulando Portugal como um
país pioneiro na adopção dessa medida. A candidatura que foi apresentada
compromete a Torre do Tombo a levar a cabo uma série de actividades de
divulgação do documento, nomeadamente a sua tradução noutras línguas da EU,
exposições, digitalização e programas para escolas.
Quanto à Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra,
fundada há 500 anos, o relatório do painel de peritos reconhece o seu
pioneirismo: foi uma das primeiras bibliotecas na Europa a permitir o acesso
público ao seu acervo e a organizá-lo em catálogos por temas para consulta,
além de ter disponibilizado livros proibidos durante o Estado Novo.
Da lista de sítios patrimoniais recomendados para receber
o Selo do Património Europeu 2014 constam o centro histórico de Atenas, a
abadia de Cluny em França, ou o estaleiro naval de Gdansk, palco das
manifestações que levariam ao fim do regime comunista na Polónia no arranque da
década de 1980.
No ano passado, a Universidade de Coimbra, onde está
incluída a biblioteca joanina, parte da biblioteca geral, foi classificada como
Património da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação,
Ciência e Cultura (UNESCO).
Fonte: Público
Neste documento, que aprova a reforma penal e das prisões, é decretada a abolição da pena de morte e a sua substituição por pena de “prisão celular perpétua”
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