sábado, 24 de janeiro de 2015

Helena de Troia

De acordo com a mitologia grega, Helena de Troia seria a mulher mais bela da Grécia. Filha de Zeus e Leda, segundo algumas versões, ou Némesis e Zeus, de acordo com outras, Helena teria sido esposa do rei de Esparta, Menelau. Outras tradições defendiam que Helena era filha de Oceano e Afrodite. O rapto de Helena, levado a cabo pelo herói Teseu, que pensava desposá-la, teria ocorrido durante a sua infância. De acordo com a lenda, os seus irmãos Castor e Pólux tê-la-iam resgatado de Afidnas, onde Helena havia sido entregue ao cuidados da mãe de Teseu. De regresso a Lacédomon, Tíndaro, pai terrestre de Helena, teria decidido ser tempo de casar a filha. Perante a multidão de pretendentes que se apresentaram, entre os quais se encontravam quase todos os príncipes da Grécia e os grandes heróis do seu tempo, Tíndaro viu-se confrontado com uma difícil decisão. Seguindo os conselhos de Ulisses, determinou que todos os pretendentes deveriam jurar aceitar a escolha de Helena e socorrer o eleito em caso de necessidade. Anos depois, a invocação deste juramento, por Menelau, uniu todos os chefes da Grécia na guerra contra Troia. Tíndaro teria ficado tão satisfeito com a solução oferecida por Ulisses que o último teria conseguido deste modo a mão de Penélope. Helena escolheu Menelau e do seu casamento nasceu, pouco depois, uma filha, Hermione. De acordo com certas tradições, teriam concebido também um filho, chamado Nicóstrato. Mais tarde a beleza fatal de Helena seria a causa direta da Guerra de Troia. A história do conflito de dez anos teria começado quando as deusas Hera, Atena e Afrodite perguntaram ao príncipe troiano Páris qual a mais bela das três. Após cada uma das deusas ter tentado influenciar a sua decisão, Páris atribuiu a maçã de ouro a Afrodite, que lhe havia prometido o amor de uma mulher de beleza estonteante. Seguindo as indicações da deusa, Páris teria navegado para a Grécia, onde fora recebido com grande hospitalidade por Menelau, rei de Esparta. Helena seria, segundo os desígnios divinos, a eleita como recompensa de Páris. Apesar de levar uma vida feliz com Menelau, sob a influência e feitiço de Afrodite, Helena ter-se-ia apaixonado pelo príncipe troiano, que a persuadiu a fugir com ele, levando-a para Troia. Mas Helena não partiu de mãos vazias, levando consigo tesouros e um séquito de escravas. Menelau teria então convocado todos os chefes gregos para que o ajudassem a resgatar a esposa, os quais, com raras exceções, responderam ao seu chamado. Durante nove anos de conflito, Helena foi vítima da desconfiança e das acusações do povo troiano, que a considerava a causa da guerra. Uma versão alternativa da Ilíada conta que Aquiles, ouvindo relatos sobre a sua beleza, manifestou o desejo de conhecer Helena. O seu desejo concretizou-se, com a ajuda e intervenção divinas de Tétis e Afrodite, e nesse encontro Aquiles ter-se-ia unido a Helena. Assim, Aquiles teria sido o quarto marido de Helena, depois de Teseu, Menalau e Páris. O quinto seria Deífobo, com quem teria casado depois da morte de Páris. Após este longo período e de acordo com uma das versões, Menelau e Páris acordaram num duelo e Helena teria sido convocada para assistir ao mesmo. Quando se aproximou da torre, onde se encontravam os chefes gregos, a sua beleza era de tal modo inigualável e a sua tristeza tão profunda que ninguém pode deixar de sentir compaixão pela sua sina. Perante a vitória dos gregos e a sede de vingança de Menelau, Afrodite ajudou Páris na sua fuga, envolvendo-o numa nuvem e conduzindo-o em segurança para os aposentos de Helena. Outras versões atestam que, com a ajuda de Helena que deveria entregar Troia, Ulisses teria conquistado a cidade e derrotado os troianos. Após a queda de Troia, Menelau uniu-se novamente a Helena, deixando a cidade em direção à Grécia natal. Mas a sua viagem de regresso teria sido repleta de tempestades que os levaram de costa a costa, no Mediterrâneo, parando no Chipre, Fenícia e Egito. Estes fenómenos naturais, de origem divina, seriam um castigo dos deuses, que não teriam ficado satisfeitos com o desfecho da história e o atrevimento de Menelau. Quando chegaram a Esparta, Helena e Menelau reassumiram o seu reino, vivendo o resto dos seus dias em esplendor real. A lenda que se desenvolveu em torno de Helena tornou-se muito complexa, tendo sofrido uma evolução considerável com a obra de Homero. Muitas destas lendas tendem a ilibar Helena das consequências das suas opções, apresentando-a como instrumento de um destino transcendente à sua vontade. A lenda da divinização de Helena, resultante de um diferente desfecho da sua história, seria atestada pelo grande número de santuários a si consagrados, nos quais se honrava também Menelau. Estas lendas, versões ou variantes, progressivamente sobrepuseram e esconderam a lenda primitiva, mas tornaram Helena de Troia numa das mais ricas personagens da mitologia grega.
wikipedia (imagens)

Helena de Troia, por Evelyn De Morgan


O rapto de Helena - Francesco Primaticcio 
Helena de Troia -  Guido Reni
Helena e Páris - Jacques-Louis David

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