sábado, 28 de fevereiro de 2015

28 de Fevereiro de 1933: Bertolt Brecht foge da Alemanha

No dia em que o escritor Bertolt Brecht deixou a Alemanha, em 28 de Fevereiro de 1933, a notícia nem sequer saiu no jornal. Ele não anunciara que iria deixar o país, e o tema das manchetes do dia era outro: o incêndio do Reichstag, na véspera.
A polícia responsabilizou a esquerda e logo apresentou o suposto autor do incêndio. Os nazis aproveitaram para prender um grande número de sindicalistas, socialistas e comunistas, que foram enviados aos primeiros campos de concentração, improvisados para esse fim.
 
Como nenhum outro intelectual, Brecht previra a catástrofe iminente, o que aconteceria se os nazis assumissem o poder na Alemanha. A sua Lied vom SA-Mann (Canção do homem da SA) deixa transparecer toda a sua clarividência.
Nela, ele descreve como a depressão no final da década de 1920, as batalhas de rua e as eternas crises de governo culminariam nas barbáries do Terceiro Reich.
 
Não demorou muito e começou o êxodo dos intelectuais alemães. Nem todos, porém, quiseram ou puderam fugir a tempo, como o detentor do Prémio Nobel da Paz Carl von Ossietzky, que foi levado para um campo de concentração e morreu em consequência das torturas.
Outros, como o escritor Erich Kästner, retiraram-se da vida pública e assim sobreviveram ao "reino de mil anos" que Hitler pretendia instituir. A história, contudo, lembra-se mais dos que quiseram e conseguiram escapar: Albert Einstein, os escritores Lion Feuchtwanger, Thomas Mann, Erich Maria Remarque, os músicos Kleiber, Busch, Klemperer e muitos outros.
Brecht foi um dos primeiros a deixar o país, por saber o que o aguardava quando o partido de Hitler começasse a colocar em prática as suas ameaças. Num poema, ele expôs as razões da sua perseguição: "Quando me forçaram ao exílio, os jornais publicaram que foi por um poema que fiz, ridicularizando o soldado da Primeira Guerra Mundial. Agora, quando eles preparam uma nova guerra mundial, decididos a superar as monstruosidades da última, é quando se persegue ou se mata gente como eu, por delatar os seus atentados".
 
A poesia a que Brecht se refere, que teria inspirado o ódio dos nazis, é Legende vom toten Soldaten (Lenda do soldado morto), um poema pacifista que se refere à Primeira Guerra Mundial.
Como faltassem soldados ao exército do Império Alemão, decidiu-se desenterrar um soldado que morrera, vesti-lo com um novo uniforme e arranjá-lo para que passasse pelo exame médico e fosse mandado de volta à frente de combate. Sob os aplausos do clero e dos representantes do grande capital, o defunto foi enviado ao campo de batalha para morrer como herói.
Os nazis não odiavam apenas o poeta Bertolt Brecht, odiavam também o seu pacifismo e o facto de ele ser comunista.
 
Brecht decidiu fugir assim que soube do incêndio do prédio do Reichstag. Um dia depois, na manhã de 28 de Fevereiro de 1933, deixava Berlim em direcção a Praga. Da capital da então Checoslováquia foi a Viena, de lá até à Suíça e a seguir para a Dinamarca, onde se radicou durante alguns anos. Viveu ainda na Finlândia e nos Estados Unidos da América.
Fontes: DW
wikipedia (imagem)

File:Bundesarchiv Bild 183-W0409-300, Bertolt Brecht.jpg
 
Bertolt Brecht em 1954

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