segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Descobertas duas estátuas em bronze de Miguel Ângelo únicas no mundo

Dois homens, cavalgam duas panteras de braço no ar em sinal de triunfo. Serão as duas únicas esculturas em bronze da autoria do mestre italiano Miguel Ângelo existentes no mundo e vão ser apresentadas esta segunda-feira por uma equipa multidisciplinar que envolve peritos da Universidade de Cambridge e do Rijksmuseum que depois de mais de 130 anos de dúvidas confirmaram a sua autoria.
Parte de colecções privadas desde 1878, os dois bronzes de cerca de um metro de altura cada foram várias vezes associados a Miguel Ângelo, mas só agora a equipa multidisciplinar que inclui Paul Joannides, professor emérito de História de Arte da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, atribuiu a sua autoria ao pintor, escultor e arquitecto italiano.
A sua datação coloca-os no início do século XVI, mais precisamente entre 1506 e 1510, e parte da identificação por Joannides de uma folha de esboços de 1508 feita por um aluno de Miguel Ângelo e que se encontra no Musée Fabre, em Montpellier, com uma composição com grandes semelhanças com estas peças e o seu tema, pouco usual. A folha consistia numa cópia de esboços do seu mestre e que se tinham perdido, detalha a BBC, e a pantera e um jovem musculado que a cavalga estavam num canto. As peças terão sido feitas, diz o comunicado de imprensa do Museu Fitzwillian, em Cambridge, que lidera a investigação juntamente com a Universidade de Cambridge, logo a seguir a Miguel Ângelo ter acabado o seu famoso David e quando começava o seu trabalho para o tecto da Capela Sistina. Não são exactamente um par perfeito, continua o comunicado, uma vez que um dos homens é mais velho (e é representado com barba), embora com uma aparência ágil, enquanto o outro é mais jovem e atlético.
Sabe-se que além das suas conhecidas e magistrais peças em mármore, Miguel Ângelo trabalhou em bronze, mas não restaram quaisquer esculturas em metal da sua autoria – fez um David de bronze para um castelo francês, que se perdeu durante a Revolução Francesa, e uma estátua do Papa Júlio II, que foi derretida em Bolonha durante conflitos para o metal ser usado para a artilharia. Agora, a equipa de historiadores de arte, cientistas e peritos em anatomia assegura que estas duas peças cujo paradeiro foi incerto durante séculos até surgirem, em 1878, na colecção de Adolphe de Rothschild – são conhecidos como os Bronzes Rothschild, assinala o diário britânico Guardian – são mesmo as únicas peças de bronze de Miguel Ângelo do planeta.
A partir de terça-feira, estarão expostas no Museu Fitzwilliam, em Cambridge, até 9 de Agosto, depois de um percurso que começa em 1878 com sugestões de que poderiam ser de Miguel Ângelo, mas também de Jacopo Sansovino ou Tiziano Aspetti, como conta o jornal especializado Art Newspaper. A BBC acrescenta que também o holandês Willem Danielsz Van Tetrode foi considerado seu potencial autor, e o Guardian fala ainda de outro escultor famoso, Benvenuto Cellini, a quem terão sido associadas as peças.
Em 1957, saem da posse da família Rothschild para as mãos de um coleccionador privado francês e só voltam a ser vistas em público em 2002, num leilão da Sotheby’s em Londres. Descritas como sendo da “escola florentina, meados do século XVI”, foram vendidas por 1,5 milhões de euros e chegaram a ser expostas em 2012 na Royal Academy, no âmbito da exposição Bronzes, onde já se arriscava que pertenciam ao “Círculo de Miguel Ângelo”. Actualmente, escreve o Guardian, pertencem a um coleccionador particular britânico, que se quer manter anónimo.
Foram usadas técnicas de termoluminescência para datar as esculturas e os núcleos das peças foram sujeitos a exames de imagiologia para concluir que os métodos de feitura coincidem com as práticas florentinas. Foram também feitos exames raio-x e comparadas formas anatómicas e traços das suas representações por Miguel Ângelo, concluindo-se que estas tinham a precisão e correcção que era uma marca do mestre italiano.
A equipa, que só apresentará as suas conclusões finais em Julho, é formada por Joannides, de Cambridge, Victoria Avery, conservadora de artes aplicadas no museu Fitzwilliam, Robert van Langh e Arie Pappot , peritos de conservação do Rijksmuseum, e Peter Abrahams, professor de anatomia clínica na Faculdade de Medicina da Warwick University. Participaram também na investigação o historiador de arte Charles Avery, o negociante de arte Andrew Butterfield e o crítico Martin Gayford.
Fonte: Público
Os dois bronzes de cerca de um metro de altura cada
Pormenor da folha com cópias de esboços de Miguel Ângelo, onde se vê a pantera e um jovem musculado que a cavalga estavam num canto
 



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