quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Há setenta anos começava a Conferência de Ialta

Quando a vitória já parecia certa, os Aliados reuniram-se de 4 a 11 de Fevereiro de 1945 na Crimeia. A aceitação das imposições de Estaline selou as fronteiras da futura Cortina de Ferro.
Os três grandes líderes reuniram-se de 4 a 11 de Fevereiro de 1945 em Ialta, na Crimeia, após mais de cinco anos de guerra e milhões de mortos. Praticamente já ocupada, a Alemanha não estava em condições de resistir por muitas semanas. A Itália estava rendida, mas o Japão ainda resistia no Oceano Pacífico.
Embora a Segunda Guerra Mundial ainda não estivesse oficialmente encerrada, Franklin D. Roosevelt, José Estaline e Winston Churchill, considerando-se vencedores sobre os nazis e fascistas, iniciaram a discussão sobre a ordem internacional no pós-Guerra.
A Conferência de Ialta, às margens do Mar Negro, foi uma das três grandes conferências que determinaram o futuro da Europa e do mundo no pós-Guerra (além da de Teerão, em 1943, e a de Potsdam, em meados de 1945). Mesmo que a divisão do mundo não estivesse nos planos das lideranças aliadas neste momento, a Guerra Fria acabou por ser uma das consequências do encontro.
Para o historiador Jost Dülffer, da Universidade de Colónia, Ialta tinha boas probabilidades de estipular uma nova ordem de paz no pós-Guerra: "Foi aprovada uma declaração sobre a Europa libertada e discutiram-se várias questões, cuja solução era apenas parcial. Por fim, eles tiveram que se curvar perante os factos: os russos estavam às margens do rio Oder, no Leste, e os norte-americanos na fronteira oeste da Alemanha".
Em relação à Organização das Nações Unidas, que ainda não estava criada, decidiu-se a composição de um conselho de segurança com direito de veto. Quanto à Alemanha, as potências aliadas resolveram exigir a "capitulação incondicional" e decidiram dividir o país em três zonas de ocupação. Os detalhes seriam resolvidos por uma comissão constituída para este fim.
A Polónia foi o tema mais controverso da conferência na Crimeia, em Fevereiro de 1945. Temendo o avanço soviético na Europa Central, o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, e o presidente norte-americano, Franklin D. Roosevelt, planeavam para Varsóvia um governo com legitimação democrática, escolhido através de eleições livres. Enquanto Estaline ressaltava o poder democrático do governo por ele constituído na Polónia, os britânicos salientavam a legitimidade do governo polaco no exílio, estabelecido em Londres.

As duas frentes optaram por uma solução consensual: o governo constituído pelos soviéticos foi ampliado com alguns membros apontados pelos aliados. A partir de Junho de 1945, entretanto, o governo polaco passou a ser dominado por membros pró-soviéticos.
Estaline ainda conseguiu impor o deslocamento da fronteira soviética para o oeste. Afinal, os aliados ocidentais precisavam do apoio de Moscovo contra os japoneses no Oceano Pacífico. A fronteira leste da Alemanha ao longo dos rios Oder e Neisse foi sugestão do secretário-geral do partido comunista soviético. A nova linha divisória viria a delimitar o que mais tarde ficou conhecido como Cortina de Ferro, dividindo o mundo durante quase 50 anos de Guerra Fria.
Em 1946, o próprio Churchill reconheceria: "De Stettin, no Mar Báltico, até Trieste, no Mar Adriático, transcorre uma cortina de ferro pelo continente. Por trás desta linha estão todas as capitais da Europa Central e do Leste Europeu. Todas as cidades e as suas populações estão sob influência soviética. Os acertos feitos em Ialta foram vantajosos para os soviéticos.
Fontes: DW
wikipedia(imagens)
Churchill, Roosevelt e Estaline durante a Conferência
Uma das salas do Palácio Livadia, local da reunião 

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