sábado, 7 de março de 2015

Jihadistas já chegaram às ruínas de Hatra com bulldozers e explosivos


Não se enganaram os arqueólogos que defenderam que Hatra seria o próximo alvo dos extremistas do autoproclamado Estado Islâmico (EI) que na quinta-feira saquearam e destruíram Nimrud, no norte do Iraque, uma das cidades mais importantes da antiga Mesopotâmia e ponto de referência na história da civilização.
Segundo a britânica BBC, os militantes do EI já começaram a avançar sobre Hatra, cidade histórica fundada há 2000 anos e que é património mundial desde 1985.
O ataque a este sítio arqueológico que fica a 110 quilómetros de Mossul foi confirmado ao canal público britânico por fontes curdas no norte do Iraque, que não precisaram ainda o que terá sido destruído. A extensão dos danos causados a Nimrud, cujo assalto com bulldozers aconteceu apenas uma semana depois dos jihadistas terem divulgado um vídeo que documenta o seu raide de destruição no Museu de Mossul, um dos mais importantes do Médio Oriente, também ainda não é conhecida.
Ao contrário de Nimrud, Hatra conserva ainda – ou conservava – vários objectos de pequeno formato, muitos deles em materiais preciosos. “A cidade de Hatra é muito grande e muitos artefactos antigos estavam protegidos dentro do próprio sítio arqueológico”, disse à BBC Said Mamuzini, um representante do Partido Democrático do Curdistão (KDP) em Mossul, acrescentando que os militantes levaram já todas as peças em ouro e prata.
À agência de notícias Reuters, o mesmo Mamuzini garantiu que o ataque foi feito com bulldozers e explosivos, já que as estruturas em pedra são de grandes dimensões. Em Nimrud também usaram bulldozers, num acto que a directora geral da UNESCO, Irina Bokova, classificou como uma "nova barbárie" e um "crime de guerra" a exigir uma "mobilização sem precedentes" da comunidade internacional.
O EI tem vindo a impor pesadas perdas ao património iraquiano, procurando eliminar os vestígios do passado pré-islâmico do país. Defendem que a destruição de esculturas, frisos, relevos e documentos milenares faz parte do seu combate contra a idolatria, proibida pelo Profeta.
Hatra e Nimrud ficam ambas a sul de Mossul, numa região com quase dois mil sítios arqueológicos registados (o Iraque tem 12 mil) e controlada pela organização terrorista desde Junho do ano passado.
Fonte: Público


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