terça-feira, 28 de abril de 2015

Cerca de 400 peças devolvidas ao Egipto

A operação conhecida como A Maldição da Múmia, lançada pelas autoridades norte-americanas em 2010, apreendeu ao longo dos últimos anos e repatriou na semana passada 135 peças roubadas do Egipto. Segundo o site da embaixada egípcia em Washington, as peças estariam a entrar na América pela mão de uma rede internacional suspeita do contrabando de cerca de sete mil itens de património móvel de todo o mundo e que era a principal visada pela operação.
Segundo o jornal El País, ainda que algumas das peças agora devolvidas ao Cairo tenham deixado o Egipto antes da revolução de 2011, a maioria saiu do país depois desse ano. Em geral, terão sido roubadas por máfias especializadas no contrabando de antiguidades e que aproveitaram a instabilidade do país no período que se seguiu à queda do presidente Hosni Mubarak, dizem os serviços de fronteiras e imigração norte-americanos.
Entre as obras resgatadas estão várias estatuetas, relevos, máscaras, restos humanos, moedas e um valioso sarcófago com cerca de 2300 anos e que terá sido passado primeiro para o Dubai, antes de ser apreendido em 2009 numa garagem do bairro nova-iorquino de Brooklyn. Apresentará marcas feitas pelos ladrões, que o cortaram em pedaços para poder fazê-lo transportar por um serviço de entrega postal urgente.
 “O sarcófago, que tem uma inscrição hieroglífica a dizer ‘A dona da casa’, data do período greco-romano e será exposto no novo Grande Museu Egípcio, a abrir em 2018”, explicou Aly Ahmed, responsável pela divisão de objectos repatriados do Ministério de Antiguidades egípcio.
Além desta peça, entre os objectos recuperados – a maioria pertencentes ao último período do antigo Egipto, cerca de 600 a.C. – destacam-se ainda duas barcas funerárias em madeira feitas entre 2000 e 1.700 a.C., vários relevos esculpidos num templo de pedra datados de cerca de 1070 a.C. a 664 a.C., a máscara de uma múmia, restos humanos mumificados e 65 moedas.
As obras foram entregues às autoridades egípcias na última quarta-feira na National Geographic Society de Washington. “Estamos a coordenar-nos com as organizações internacionais encarregues da preservação do património histórico para combater o roubo e a destruição de objectos históricos”, disse Olfat Farah, responsável de Relações Culturais no Ministério de Assuntos Exteriores egípcio, citada pelo El País.
Entretanto, às 135 peças apreendidas nos Estados Unidos juntaram-se outras 240 chegadas de França, segundo informou o Ministério de Antiguidades egípcio. Os objectos foram interceptados pelo serviço de fronteiras do aeroporto internacional Charles de Gaulle de Paris ao longo dos últimos anos e são relativos a vários períodos do antigo Egipto. Entre eles está uma colecção de 50 amuletos em forma de coração, feitos em ónix e mármore, estelas em pedra, estatuetas e anéis.
O repatriamento destas obras, recorda o El País, surge na sequência de anos de esforços das autoridades egípcias, que assinaram acordos de colaboração com a maioria dos países ocidentais com o objectivo de impor um maior controle ao comércio ilegal de antiguidades. Em Novembro passado, recorda o diário espanhol, foi assinado um memorando que obriga as instituições americanas, universidades incluídas, a impor novas restrições ao comércio de antiguidades egípcias.   
Desde 2011, apesar da instabilidade nacional e de se saber que muitos grupos estão a operar no terreno, é habitual apenas um agente estar encarregue da segurança nocturna de vários hectares de sitios arqueológicos em zonas remotas do Egipto. Uma tarefa “impossível”.    
Segundo o Governo deste país do Médio Oriente, desde a queda de Mubarak, mais de quatro mil peças foram tiradas clandestinamente para o estrangeiro. Só uma quarta parte deste espólio terá, até hoje, sido recuperada. Sabendo que, apesar de tudo, as peças roubadas de museus como o Museu de Mallawy, saqueado no verão de 2013, ou o Museu Egípcio do Cairo, assaltado durante a revolução de 2011, são mais fáceis de recuperar: a partir do momento em que são interceptadas o Estado pode facilmente provar a sua propriedade. Já as que estão ainda por identificar e catalogar e dão entrada em colecções privadas são quase impossíveis de recuperar. 
Fonte: Público
 
O sarcófago
 

Barca funerária
Barca funerária
 


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