quarta-feira, 29 de abril de 2015

O portão novo de Dachau é tão cínico como o velho

O aniversário da libertação do campo de concentração de Dachau foi celebrado com um portão novo. Expliquemos: no início de Novembro do ano passado, a porta de homem da entrada de Dachau, uma estrutura de ferro de 1,95m de altura por 95cm de largura com o célebre slogan “Arbeit macht frei” (O trabalho liberta), foi roubada. Incapazes de identificarem os autores do furto e de a recuperar, as autoridades alemãs mandaram construir uma réplica exacta, que foi instalada esta quarta-feira.
Foi precisamente há 70 anos que os soldados americanos chegaram a Dachau, 20 quilómetros a norte da cidade alemã de Munique, e começaram a desmantelar aquele que foi o primeiro campo de concentração criado pelos nazis. Foi em Dachau que, entre 1933 e 1945, estiveram confinadas mais de 200 mil pessoas, entre opositores ao III Reich, primeiro, e homossexuais, ciganos, deficientes e judeus, já no decorrer da Segunda Guerra. 40 mil das quais acabariam por morrer.  
Michael Poitner, o ferreiro alemão que fez a réplica, disse à Reuters que tentou ser absolutamente fiel à porta original, instalada em 1936: “Está o mais perto possível, com uma diferença de milímetros aqui e ali.” Poitner, que nasceu na cidade de Dachau, sempre teve muito presente o campo construído na antiga fábrica de munições. Para executar a cópia desta porta em ferro fundido que pesa mais de 100kg o ferreiro reuniu uma série de fotografias e estudou vários documentos. “Foi uma encomenda cheia de história e andará por aqui mais tempo do que eu”, acrescentou à agência de notícias, lembrando que o campo, hoje um memorial, recebe anualmente 800 mil visitantes. “Foi preciso muito pensamento para chegar a este slogan nazi”, disse ainda, “consegue-se sentir todo esse cinismo neste portão”.
Quando os soldados americanos entraram em Dachau, a 29 de Abril de 1945, descobriram pilhas de cadáveres ao ar livre, muitos já em decomposição, e mais de 30 mil detidos, muitos deles prestes a morrer de fome. As imagens que então foram transmitidas estão entre as primeiras que deram testemunho, no fim da guerra, da poderosa máquina de matar do regime nazi.

 Fonte: Público


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