quinta-feira, 28 de maio de 2015

28 de Maio de 1871: Acaba a Comuna de Paris, derrotada pelas forças de Versalhes, depois de dois meses e dez dias de luta

No dia 28 de Maio de 1871, ao longo da chamada “Semana Sangrenta”, a Comuna de Paris deixava de existir. Ao preço de várias dezenas de milhares de execuções e prisões, Adolphe Thiers podia-se vangloriar de ter libertado o país da “questão social”, tema que permaneceria ausente da cena política francesa até 1936.
Dez semanas antes, a 18 de Março, os parisienses viviam subjugados às tropas do governo, humilhados pela derrota do seu país diante dos prussianos e irritados por estarem subordinados a um estado de sítio. O chefe do Executivo, Adolphe Thiers, havia deixado Paris e tinha-se instalado em Versalhes. Um movimento improvisado assume o poder na capital, dando origem à Comuna de Paris.

No entanto, desde a assinatura em 10 de Maio do Tratado de Paz com a Alemanha, Thiers obtém da Prússia a libertação antecipada de 60 mil soldados. Com o contingente recuperado, lança imediatamente contra a capital cinco batalhões do Exército. Eram 130 mil homens, entre presos e camponeses, recrutados e treinados à pressa para enfrentar a “canalha vermelha”.

As tropas eram comandadas pelo marechal Mac-Mahon, o mesmo que havia sido derrotado em Sedan pelos prussianos. Diante delas, os Communards só puderam alinhar cerca de 20 mil combatentes. Os primeiros confrontos ocorreram em 2 e 3 de Abril. Em 10 de Maio, na capital, Charles Delescluze assume o comando das operações militares.

Após ter conquistado os fortes de Vanves e de Issy, Mac-Mahon lança um assalto decisivo no dia  21 de Maio, no bairro do Point du Jour, em Boulogne. Thiers determina um avanço lento e prudente nas ruas de Paris. Após violentas explosões, o bairro de Belleville, a leste, foi o último a cair. Os combates de rua deixam quatro mil mortos. Apenas 877 membros das tropas governamentais seriam mortos.

Mais além, houve ainda as vítimas da repressão: aqueles considerados suspeitos eram mortos metodicamente. Vinte comitivas militares ligadas às grandes unidades julgavam rapidamente homens e mulheres apanhados com armas nas mãos. Os réus eram fuzilados no próprio lugar.

O Muro dos Federados, no cemitério Père Lachaise, conserva a lembrança de 147 combatentes que foram fuzilados nas cercanias e dos milhares de cadáveres que foram sepultados numa vala vizinha. Das longas filas de prisioneiros que eram conduzidos às detenções de Versalhes, o general Marquês de Gallifet destacava os homens de cabelos grisalhos e mandava fuzilá-los. Isso pela simples suspeita de que já haviam participado da revolução de Junho de 1848.

Os Communards, inexperientes e apavorados com as masmorras de Versalhes, sequestram e liquidam cerca de 80 reféns. Também criariam focos de incêndio que, ao lado dos bombardeios, destruiriam importantes monumentos históricos, como o Palácio das Tulherias, o Palácio de Justiça gótico, o Hotel de Ville, o Palais-Royal e o Palácio d'Orsay. Das ruínas deste último foi construída a estação de comboios  que foi palco da Exposição Universal de 1900. Preciosas colecções de arte e arquivos de valor incalculável desapareceriam durante a Semana Sangrenta.


O balanço final da Semana Sangrenta foi de cerca de 20 mil vítimas e 38 mil prisões, sem contar as penas jurídicas: tribunais pronunciariam até 1877 um total de cerca de 50 mil julgamentos. Houve algumas condenações à morte e cerca de 10 mil deportações. As leis de amnistia só viriam dez anos mais tarde, em 1879 e 1880. Apenas a partir desse marco, os  prisioneiros seriam libertados e deportados, enquanto os exilados poderiam retornar ao país.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Barricadas erguidas pelos communards em frente à Igreja da Madalena
Os trajes dos Communards


As figuras da Comuna

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