sábado, 9 de maio de 2015

A Condessa d'Edla

De origem Suiça-alemã, Elise Hensler era filha de Friederich Conrad Hensler e da sua mulher, Louise Hensler, e nasceu em La Chaux-de-Fonds, na Suiça, a 26 de Maio de 1836.
Aos doze anos, emigrou com a família para Boston, nos Estados Unidos, onde recebeu uma cuidada educação. Amante das Artes e das Letras, Elise terminou os seus estudos em Paris. Falava fluentemente sete idiomas.

No dia 2 de Fevereiro de 1860, Elise chegou a Portugal como membro da Companhia de Ópera de Laneuville, para cantar no Teatro Nacional São João, no Porto. Actuou em seguida no S. Carlos no dia 15 de Abril de 1860. Interpretava o pajem da ópera “Um Baile de Máscaras”, de Verdi. D. Fernando II, no meio da plateia, apaixonou-se pela bela cantora, então com vinte e quatro anos. Além de cantora e actriz, Hensler era escultora, pintora, arquitecta, e floricultora.
A 10 de Junho de 1869, em Benfica, Elise casou-se com D. Fernando II. O título de condessa foi-lhe concedido dias antes da cerimónia por Ernesto II de Saxe-Coburgo-Gota, primo do rei.
A imprensa e a nobreza portuguesa dividiram-se na apreciação do casamento entre o rei e a ex-cantora de ópera. Talvez seja por isso que ela tenha sido quase esquecida pela História de Portugal.


O casal gostava de se refugiar em Sintra, onde D. Fernando tinha comprado o abandonado Mosteiro da Nossa Senhora da Pena. Deve-se o actual património florestal da serra de Sintra a D. Fernando, que sempre foi apaixonado pela botânica, e à cumplicidade da condessa d'Edla. As plantações do Parque de Pena intensificaram-se por volta de 1869.
No meio do parque, a condessa iniciou a construção do seu Chalet, que ela mesma projectou, e que habitava alternadamente com a sua quinta no Areeiro em Lisboa  onde passou largas temporadas com D. Fernando.


Mulher culta dedicou-se com o marido ao patrocínio de vários artistas, entre eles o mestre Columbano Bordalo Pinheiro e o pianista Viana da Mota.
Em 1885, D. Fernando morre, e no seu testamento deixou à sua segunda viúva todo os seus bens, incluindo o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena, ambos em Sintra. Foi D. Carlos I que, pagando uma indemnização à condessa, conseguiu recuperar os dois castelos.
Elise Hensler, depois disso, abandonou Sintra e passou a viver com a sua sobrinha Alice, (só mais tarde se veio a saber ser sua filha e provavelmente de D. Fernando), em Cascais.
Faleceu em Lisboa em 1929 aos noventa e três anos e está sepultada no Cemitério dos Prazeres em jazigo próprio da autoria de Raul Lino, em forma de arca de pedra com uma Cruz reproduzida da Cruz Alta de Sintra que tanto gostava. Apresenta o simples epitáfio: «Aqui jaz Elisa Hensler, viúva de sua Majestade El-Rei D. Fernando II de Portugal, nascida em 1836 e falecida em 1929».
A condessa d’ Edla recebeu na morte o tratamento e as honras de uma figura de Estado; a rainha D. Amélia e o deposto rei D. Manuel II mandaram o visconde de Asseca como seu representante ao funeral.
Fontes: DN
wikipedia (imagens)
Ficheiro:Condessa d'Edla.jpg

Elise Hensler
Ficheiro:Fernando Elise.jpg
D. Fernando II e Elise Hensler
Ficheiro:Chalé da Condessa de Edla.JPG
O Chalet da  Condessa d'Edla, Sintra

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