segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Palácio Nacional da Ajuda


A derrocada do Paço da Ribeira, em Lisboa, ocorrida durante o terramoto de 1755, obrigou D. José I a construir nova residência para a família real. O alto da Tapada da Ajuda foi o local eleito, embora o palácio inicial não passasse de uma "Real Barraca" em madeira, com vista a melhor resistir a novas réplicas do sismo. Decorada com os mais belos móveis, pinturas e tapeçarias, a família real residiu aqui até 1794, altura em que um incêndio destruiu por completo este improvisado palácio e o seu soberbo recheio.
Um ano depois, Manuel Caetano de Sousa iniciou as obras do Palácio da Ajuda, de acordo com um esquema barroco e pouco consentâneo com o gosto do tempo. Em 1802, Fabri e Costa e Silva reformularam completamente o projeto e adotaram o formulário da arquitetura neoclássica. A sua fachada nobre, com o poderoso frontão triangular, a colunata e os torreões terminais acentuam a opção por um esquema de gosto clássico. Duas compridas alas retangulares, ritmadas por pilastras e janelas retangulares, com o piso inferior rusticado, desenham a planta do palácio que se fecha sobre um pátio central. O átrio, os tetos e a fachada apresentam obras de artistas tão famosos como os escultores Machado de Castro e João José de Aguiar ou os pintores Domingos António Sequeira, Foschini ou Cirilo Volkmar Machado, conferindo esplendor e imponência a este palácio real.
Problemas de ordem financeira e convulsões políticas fizeram arrastar a grandiosa obra da Ajuda, nomeadamente a partida da família real para o Brasil em 1807, durante as Invasões Francesas, e as guerras entre liberais e absolutistas. O plano inicial era de grandes dimensões, mas só chegou ser executado um terço, ficando incompleto como comprova a fachada posterior do palácio. Em 1844, este ainda era objeto de melhorias e restauros pontuais. Nas salas da Ajuda os reis portugueses procediam a cerimónias oficiais, mas a sua escolha para residência oficial só aconteceu com a subida ao trono de D. Luís, em 1861. Para isso remodelaram-se alas inteiras do palácio para o tornar mais confortável e requintado. Grandes encomendas de mobiliário, pintura, porcelanas, pratas, tapeçarias, etc., decoravam as diversas dependências deste palácio régio, conferindo-lhe uma exótica ambiência, própria da mentalidade burguesa oitocentista.
A Galeria de Pintura de D. Luís, na ala norte da Ajuda, apresentava uma notável coleção de pintura da Coroa portuguesa, antes do incêndio que a consumiu em 1974. Na planta baixa do palácio situa-se um dos mais notáveis fundos bibliográficos portugueses: a Real Biblioteca da Ajuda, que seria tanto mais notável se alguns dos seus preciosos espécimes não tivessem sido levados para o Rio de Janeiro com D. João VI, ou saqueados por ordem de Junot, aquando das Invasões Francesas.
Mais tarde, o Palácio da Ajuda passou a albergar o Ministério da Cultura, estando uma parte dele reservado para espaço protocolar da Presidência da República. Noutra ala do palácio foi aberto um museu que possui uma das mais notáveis coleções nacionais de artes decorativas, abrangendo um período entre o século XV e o século XX, com destaque para o acervo de joias e pratas da Coroa portuguesa, revelando-se ainda um sumptuoso mostruário do cerimonial e da vida privada da famíla real.
Fontes: Infopédia
wikipedia (imagens)

Paço da Ajuda
Palácio da Ajuda em meados do século XIX
Sala Verde do Palácio
Sala Azul do Palácio

Sem comentários:

Enviar um comentário