segunda-feira, 17 de agosto de 2015

17 de Agosto de 1987: Morre o escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade

Escritor brasileiro, Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, Minas Gerais, em 1902. Estudou em Belo Horizonte e diplomou-se em Farmácia, carreira que não exerceu, e fez a sua vida no Rio de Janeiro, entregando-se às letras. Aderiu ao Modernismo, no qual se distinguiu. Como poeta, estreia-se em 1930 com Alguma Poesia, obra à qual se seguem outras que estão reunidas em Poesia até Agora e Fazendeiro do Ar (1955). se encontram: Alguma Poesia, Brejo das Almas (1934), Sentimento do Mundo (1940), José (1942), A Rosa do Povo (1945), Novos Poemas (1948), Claro Enigma (1951) e Fazendeiro do Ar, apenas com exclusão da poesia circunstancial de Viola de Bolso (1952). Escreve ainda Ciclo (1957), Poesias (1959) e Lição de Loiras (1962), reunindo, então, toda a sua produção literária em Obras Completas (1965).
Na sua poesia, caldeiam-se o sarcasmo, a ironia, o humor, mas lirismo puro e profundo, a pesquisa do «sentimento do mundo», por vezes a revelação do seu mundo interior, do seu povo, da sua paisagem, atingindo a verdadeira serenidade e pureza clássicas em muitas composições. Foge do sentimental, do patético, mas afirma uma poesia séria, de sentimento límpido e acentuado sentido trágico, transmitidos com discrição e delicadeza. É, então, uma poesia séria, meditada, que se insere no Modernismo brasileiro. É evidente a sua preocupação formal e a abordagem dos temas numa atitude anti-lírica. Tem para ele um grande relevo o mistério da palavra que considera relevadora de poesia. É evidente a sua progressiva depuração quanto ao tema. Como ficcionista, escreve Contos de Aprendiz (1951); como cronista e crítico, é autor de Confissões de Mimas (1944), O Gerente (1945), Passeios na Ilha (1952), Fal, Amendoeira (1957). Na prosa humor e ceticismo, por vezes uma certa ironia e graça sem esconder a sua natural preocupação com o homem e com o autêntico. Carlos Drummond de Andrade faleceu em 1987 no Rio de Janeiro. No ano de 2002 comemorou-se o centenário do nascimento do poeta.
Carlos Drummond de Andrade. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
 

 

A Palavra Mágica
Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Discurso da Primavera'

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