domingo, 23 de agosto de 2015

23 de Agosto de 1939: É assinado o pacto Molotov-Ribbentrop entre a URSS e a Alemanha

No dia 23 de Agosto de 1939 a União Soviética e a Alemanha assinam, em Moscovo, um pacto de não-agressão, válido por 10 anos. Contudo, ambos os chefes de Estado – Estaline e  Hitler –, a despeito das aparências, estavam a "jogar" conforme as suas necessidades políticas e estratégicas. 
Um protocolo secreto repartia as respectivas zonas de influência na Europa do leste. Hitler, que desta maneira obtinha a neutralidade da União Soviética, declararia guerra e invadiria a Polónia nove dias depois, em 1 de Setembro. Estaline aproveitaria então para avançar sobre a Finlândia, anexar os países bálticos e invadir a Roménia. O pacto seria rompido quando Hitler lançou um ataque contra a União Soviética em 22 de Junho de 1941. 

Após a invasão da Checoslováquia pela Alemanha, a Grã - Bretanha teria de tomar a crucial decisão de em que medida deveria intervir militarmente para conter a expansão germânica decidida por Hitler. O primeiro-ministro Neville Chamberlain, a princípio indiferente à ocupação por Hitler dos Sudetas, área de expressão alemã da Checoslováquia, de repente abriu os olhos quando a Polónia ficou tornou seriamente ameaçada. Era lógico que a Grã Bretanha se veria obrigada a socorrer a Polónia na eventualidade de uma invasão alemã. Mas ele queria, e necessitava, de um aliado. 
A única potência grande o suficiente para deter Hitler e com um avultado interesse em assim agir, era a União Soviética. No entanto, as relações de Estaline com o governo britânico estavam bastante frias depois do seu esforço para criar uma aliança com a Grã - Bretanha e a França contra a Alemanha nazi ter sido recusada um ano antes. Além do mais, os líderes polacos no exílio em Londres, quase todos ultra-conservadores, não queriam saber da perspectiva de terem a União Soviética como sua guardiã. Para eles, seria simplesmente uma ocupação por outro regime considerado opressor. 

Hitler acreditava que a Grã - Bretanha jamais iria atacá-lo sozinha, de modo que decidiu conter o seu temor e ódio ao comunismo e tentar granjear a amizade do chefe soviético, desse modo quebrando a iniciativa britânica. Ambos os lados mantinham-se extremamente desconfiados um do outro, tentando discernir os motivos por detrás da aproximação. Porém, Hitler tinha pressa. Os seus planos de invadir a Polónia já estavam decididos de maneira que deveria agir rapidamente antes que o Ocidente pudesse concordar com uma frente unificada – Inglaterra, França e União Soviética. Concordando basicamente em fatiar partes da Europa Oriental – deixando cada lado livre para agir – o ministro dos Negócios Estrangeiros de Hitler, Joachim von Ribbentrop, voou para Moscovo e assinou o Pacto de Não-Agressão com o seu homólogo da União Soviética, Viatsheslav Molotov (razão pela qual o pacto é historicamente conhecido como Pacto Molotov-Ribbentrop). 


Defensores do bolchevismo em todo o mundo tiveram a sua visão romântica do “internacionalismo socialista” abalada. Estavam ultrajados e não admitiam que Estaline pudesse estabelecer qualquer tipo de ligação com o ditador nazi. 

Exactamente três anos depois da assinatura do pacto, em Agosto de 1942, Estaline deu ao primeiro-ministro britânico, então numa missão em Moscovo, algumas das razões para sua decisão: “Tivemos a impressão que os governos inglês e francês não estavam resolvidos a ir à guerra se a Polónia fosse atacada, mas que esperavam que o alinhamento diplomático da Inglaterra, França e Rússia deteria Hitler. Estávamos certos de que tal não aconteceria.” 

“Quantas divisões”, Estaline perguntara, “enviará a França contra a Alemanha mobilizada?” A resposta seria: “perto de 100”. Então indagou: “Quantas enviará a Inglaterra?” A resposta foi “Duas, e duas mais tarde”. “Ah, duas, e duas mais tarde”, Estaline repetiu. “Sabe”, perguntou ele “quantas divisões teremos de colocar na frente russa se formos à guerra contra a Alemanha?” Houve uma pausa. “Mais de 400”. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Cerimónia de assinatura: Molotov a assinar, Ribbentrop atrás (com os olhos fechados), com Estaline à sua esquerda

À esquerda as fronteiras conforme o Pacto Molotov-Ribbentrop. À direita, as fronteiras reais em 1939

Caricatura no jornal semanal "Mucha", de Varsóvia, em 8 de Setembro de 1939, já com a invasão Nazi em andamento. Ribbentrop faz reverência a Estaline

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