segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Análise da obra: "O Cambista e a sua Mulher", de Quentin Matsys

O Cambista  e a sua mulher é uma obra de Quentin Matsys,  pintor flamengo e fundador da Escola de Antuérpia. Esteve activo durante mais de 20 anos, criando inúmeros trabalhos de cariz religioso e tendências satíricas. O seu nome é escrito de diversas formas, tanto o seu nome próprio Quentin ou Quinten, como o seu apelido que surge como Massys, Matsys, Matsijs, Metsys ou Metsijs
A obra O Cambista  e a sua mulher é habitualmente utilizada para representar a actividade económica. Para além da versão de Matsys, de 1514, existe uma outra de Marinus van Reymerswaele, de 1539. Trata-se de uma das primeiras representações de género na história da arte. Apresenta o local de trabalho de um cambista. O marido está a pesar moedas e a esposa olha para ele parecendo mais interessada no dinheiro do que no livro religioso que tem nas mãos.
Muitos historiadores de arte vêem nas pinturas de Matsys e Reymerswaele um simbolismo satírico e moralista. O casal seria a representação da ganância. Outros pensam que as pinturas mostram a actividade económica como algo respeitável. Naquela altura a Flandres era o centro de uma florescente actividade industrial e comercial, e era também um importante centro de comércio de obras de arte. Ambos os aspectos levaram à representação, em pinturas, da actividade de cambistas, ourives e banqueiros, de um modo que mostrava essas profissões como sendo respeitáveis. Na opinião da historiadora  Marjorie Grice-Hutchinson, a pintura de Matsys pode ser vista como uma ilustração da intenção dos escolásticos em tornar compatível a actividade comercial com a doutrina da Igreja, que condenava a usura. De acordo com a sua interpretação, a pintura de Matsys representa o usurário a trabalhar e, ao mesmo tempo, a discutir com a sua mulher a bondade de um determinado negócio comercial, ajudados pelo livro religioso que a mulher folheia. A referida historiadora viu neste quadro o início da aceitação da actividade comercial no contexto da doutrina cristã e em especial a inclusão inovadora da usura como pecado venial (médio) na doutrina da Igreja de Roma.
O Quarto Concílio de Latrão em 1215 tomou em mãos o estudo do comércio do dinheiro, e da compra e venda do tempo de Deus. Por isso tornou obrigatória a prática da confissão anual na Páscoa, para assim separar os impuros e manchados pela praga do pecado usurário dos puros que vão poder morrer no Paraíso. Mais importante ainda: criou a figura do Purgatório, aquele lugar onde era dada agora a oportunidade aos usurários de passar um tempo de expiação antes de entrar na vida final desde que ainda em vida fizessem uma doação adequada à Igreja do património resultante da sua actividade.
 Na obra do pintor Reymerswaele, já não se trata de um livro religioso mas sim um livro de registos contabilísticos que surge na pintura. Ainda assim os historiadores de arte defendem que há uma intenção satírica e moralizadora. Segundo eles, o simbolismo seria evidente para as pessoas da época, mas não para nós. Por exemplo: os dedos longos e curvados do casal de burgueses, alegadamente, representariam a avareza. Mas Reymerswaele, num outro quadro, pintou as mãos de São Jerónimo do mesmo modo, portanto a intenção deve ser estética e não simbólica.
Fontes: www.unizar.es/eueez/cahe/santosredondo.pdf


wikipedia (imagens)


 Quentin Massys 001.jpg
Pormenor do Livro religioso
Pormenor do espelho

O Cambista e a sua Mulher  de Marinus van Reymerswaele


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