terça-feira, 1 de setembro de 2015

ONU confirma destruição do principal templo de Palmira

Imagens de satélite das Nações Unidas mostraram o que muitos temiam: os jihadistas do auto-proclamado Estado Islâmico (EI) destruíram a maior parte do Templo de Bel, o mais importante da cidade de Palmira, na Síria.
Palmira foi um dos primeiros locais a receber a distinção de Património da Humanidade da Unesco, em 1980, pelas ruínas que datam de há dois mil anos. Para os sírios, era não só um dos locais mais visitados por turistas como um ponto de cruzamento de culturas e tolerância, adorado por todos os grupos religiosos, uma espécie de foco para a uma unidade nacional frágil.
“Infelizmente, as imagens mostram que o principal edifício do templo foi destruído”, disse Einar Bjorgo, da Unosat, o serviço de satélite da ONU, à emissora britânica BBC. Um conjunto de colunas situadas perto também caiu.
Vêem-se algumas estruturas de pé, provavelmente o muro exterior que testemunhas no local disseram ter sobrevivido à forte explosão de segunda-feira. A entrada para o templo também se mantém.
Antes, activistas no local tinham relatado uma forte explosão mas não conseguiam dizer exactamente o que teria resistido. O director-geral das Antiguidades e dos Museus da Síria, Maamoun Abdelkarim, disse acreditar que a maior parte do templo ainda continuaria de pé.
Os jihadistas invadiram Palmira em Maio e usaram as ruínas para vídeos de propaganda, com uma execução em massa de soldados sírios no anfiteatro. Os extremistas garantiram, no entanto, que iriam preservar a maioria dos monumentos, com a excepção das estátuas “adoradas pelos infiéis”.
Mas começaram por destruir dois mausoléus e, na semana passada, puseram explosivos no tempo de Baal-Shamin, o segundo mais importante de Palmira. A chefe da Unesco Irina Bokova classificou então a destruição de Baal-Shamin como “mais um crime de guerra”, mas apesar disto, “o Daesh [outra denominação para o grupo jihadista] não vai silenciar a história e não vai conseguir apagar esta grande cultura da memória do mundo.”
Há duas semanas, os jihadistas decapitaram o arqueólogo Khaled al-Assad, de 81 anos, responsável pelas antiguidades e pelos museus da cidade entre 1963 e 2003, e que continuava a ter um papel fundamental na sua preservação como consultor.
A conquista de Palmira foi vista como um marco para os jihadistas do EI porque ali estão a salvo de bombardeamentos, e têm um foco de publicidade forte a cada explosão. Mas mais do que isso: a sua destruição implica o desaparecimento de um dos poucos pontos de unidade em torno do qual os sírios de todos os grupos e religiões se poderiam juntar num cenário de pós-guerra.
Fonte: Público
Imagens de satélite mostram o Templo de Bel antes e depois da explosão de segunda-feira


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