sábado, 10 de outubro de 2015

Análise da obra: "A Arte da Pintura" ou " A Alegoria da Pintura", de Johannes Vermeer

A obra: A Arte da Pintura ou A Alegoria da Pintura, de  Johannes Vermeer é considerada uma obra de importância maior para o seu autor uma vez que o pintor nunca a quis vender, mesmo quando estava a atravessar uma situação económica desfavorável. 
A obra esteve na posse da família Vermeer no século XVII, não se sabendo a quem pertenceu a pintura no século XVIII. Finalmente foi adquirida pelo médico holandês Gerard van Swieten. Posteriormente foi herdada por Gerard, filho de Gottfried van Swieten, e mais tarde passou para as mãos dos herdeiros de Gottfried. Em 1813, foi comprada por 50 florins pelo conde Czernin. 
Vermeer era pouco conhecido até o final do século XIX. Foi a intervenção de um estudioso de Vermeer, o francês Thoré Bürger e do historiador de arte alemão Gustav Friedrich Waagen que permitiu reconhecer esta obra como um original de Vermeer. A obra esteve em exposição pública no Museu Czernin, em Viena.
Após a anexação da Áustria, durante a Segunda Guerra Mundial, destacados  oficiais nazis, incluindo Hermann Göring tentaram adquirir a pintura. Finalmente a mesma  foi comprada ao então proprietário, o Conde Jaromir Czernin por Adolf Hitler para a sua colecção pessoal. A pintura foi resgatada de uma mina de sal no fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, onde foi preservada dos bombardeamentos  dos Aliados, com outras obras de arte.

A impressão de realidade passada por esta obra é tão intensa que, à primeira vista, é possível acreditar que se trata de uma imagem quase fotograficamente exacta do atelier de um pintor do século XVII. Desde as cortinas pesadas no primeiro plano até ao mapa na parede e o candelabro de bronze que brilha acima do artista, cada cor e textura parecem de verdade, banhadas numa luz que entra pela janela retratada à esquerda.

A obra, no entanto, não tem como intenção representar a cena simples de um pintor no trabalho. O seu objectivo é glorificar a arte da pintura e a principal indicação disso são as vestes do pintor - não são roupas comuns de trabalho, e sim um traje antigo e fantasioso. A modelo aparece vestida como Clio, musa da História, cujo trompete anunciará a fama do pintor. Ao pintar uma modelo vestida de Clio, Vermeer enfatizou a importância do conhecimento histórico para o artista. No século XVII, era comum o conhecimento bíblico, mitológico, histórico e alegórico figurarem como temas a serem explorados de forma a demonstrar o conhecimento do artista. 
  
Detalhes de A Arte da Pintura se destacam:
O pintor:
A figura do pintor foi descrita muitas vezes como auto-retrato, embora não seja possível confirmar as especulações. A visão de costas revela muito pouco sobre o aspecto do pintor. No entanto a figura pode reproduzir os métodos de trabalho do autor da obra, como trabalhar sentado e com um cavalete.

 A musa da História:
Vários objectos segurados pela modelo  identificam-na como Clio, a musa (deusa de inspiração criativa) da História. A coroa de folhas de louro simboliza a glória, o trompete representa a fama e o livro indica o registo histórico.

Mapa:
O mapa que se encontra na parede ao fundo é das "Dezassete Províncias Unidas dos Países Baixos", ladeado por pontos de vista dos principais centros de poder. Foi publicado pela Claes Jansz Visscherem em 1636, talvez faça uma alusão patriótica à República Holandesa, terra do pintor.
 Cortinas:

Os artistas holandeses costumavam colocar pesadas cortinas parcialmente recolhidas na lateral das suas pinturas, o que ajudava a criar um ar de intimidade e sugeria que tinham sido puxadas para permitir o vislumbre de um mundo particular. Além disso as cortinas permitiam aos pintores exibir sua perícia em representar tecidos complexos.
A pintura está em exposição no Museu Kunsthistorisches de Viena, Áustria, desde que foi adquirida pelo governo austríaco em 1946.

wikipedia: (ImageM)
Ficheiro:Jan Vermeer van Delft 011.jpg
"Arte da Pintura" ou "A Alegoria da Pintura"  -  Johannes Vermeer
Detalhe da obra
Johannes Vermeer

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