O
autoproclamado Estado Islâmico parece ter destruído mais um monumento milenar
em Palmira. Os extremistas detonaram o Arco do Triunfo, uma das principais
construções da era romana na cidade que foi conquistada pelos extremistas
islâmicos em Maio.
A notícia foi transmitida no domingo à Reuters pelo
director-geral das Antiguidades e Museus na Síria, Maamoun Abdulkarim, sediado
em Damasco, e mais tarde confirmada por activistas à AFP e ao Observatório
Sírio dos Direitos Humanos.
A confirmarem-se estas informações, o Arco do Triunfo de
Palmira, erguido no século I, tem agora o mesmo destino dos dois principais
monumentos na cidade milenar, os templos de Bel e
de Baal Shamin, detonados em Agosto pelo
autoproclamado Estado Islâmico, e de três das suas mais bem preservadas torres
funerárias, destruídas em Setembro.
“É como se uma maldição se tivesse apoderado desta
cidade”, afirmou Abdulkarim à Reuters. Se os jihadistas continuarem no poder em
Palmira, assegura, “a cidade está condenada”.
Os extremistas têm usado a cidade como palco mediático. O grupo não tolera símbolos
de culturas e religiões que não sejam do islão, o que considera apostasia, e
está agora a servir-se da importância arqueológica e cultural de Palmira para o
afirmar com impacto.
A riqueza de Palmira, Património Mundial da UNESCO e um
dos mais importantes locais históricos no Médio Oriente, no passado um ponto
fundamental na Rota da Seda, deve-se em grande medida às influências de várias
religiões e à sua arquitectura greco-romana com influências persas.
O Estado Islâmico capturou a cidade em Maio ao Exército
sírio, que diz ter levado consigo centenas de estátuas antes de bater em
retirada. Os aviões de Bashar al-Assad, agora mais eficazes com o armamento
dado pela Rússia, bombardearam várias posições do grupo extremista nas últimas
semanas de Setembro.
Irina Bokova, directora-geral da UNESCO, disse depois da
destruição do templo de Baal Shamin que as acções do Estado Islâmico em Palmira
são um “crime de guerra”. “Peço à comunidade internacional que se erga unida
contra esta persistente limpeza cultural”, disse então a responsável.
Fonte: Público
O Arco do Triunfo de Palmira, uma das principais construções da era romana em Palmira, agora destruído
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