quinta-feira, 12 de novembro de 2015

12 de Novembro de 1927: Leon Trotsky é expulso do Partido Comunista da URSS

A dissidência no interior do Partido Comunista é revelada quando Leon Trotsky publica, em 1924, um prefácio aos seus textos de 1917 ("As Lições de Outubro"), criticando a falta de estratégia revolucionária de Estaline e da direcção do Komintern no levantamento alemão de 1923, e compara-as com a indecisão demonstrada por Kamenev e Zinoviev nas vésperas da Revolução de Outubro.
Estas discordâncias abertas afastam politicamente Trotsky de Estaline, culminando na sua expulsão do partido em 12 de Novembro de 1927, o exílio em Almaty, Cazaquistão, em 31 de Janeiro de 1928 e, finalmente, a saída definitiva da União Soviética em 1929. Ainda em Julho desse ano, começa a publicar um boletim mensal de oposição, que seria introduzido no território soviético durante todo o seu exílio.
Desde 1920, Lenine receava crescentemente a burocratização do partido e do Estado, criticava Trotsky pela falta de "opinião firme sobre o marxismo" e condenava-o na tentativa de querer conciliar as diferentes classes sociais esquerdistas. A sua morte, em 1924, gera um vazio de poder que acirra a disputa interna entre o sector da máquina partidária e o sector em defesa de uma maior sovietização do regime.
O primeiro, simbolizado por Estaline acabaria por predominar, assumindo a direcção quase total do partido. Nesse momento, Trotsky não quis ou não pôde opor-se activamente a Estaline, mantendo-se discreto no 12º Congresso do partido em 1923, onde acabaria por perder o poder para um triunvirato constituído por Estaline, Lev Kamenev e Grigori Zinoviev. Trotsky e os seus apoiantes organizam-se na Oposição de Esquerda, facção que nos anos seguintes lutaria no interior do partido contra Estaline.
Havia, no entanto, uma assimetria fundamental nesta luta de facções: a Oposição de Esquerda, por mais bem implantada que estivesse no interior da militância do partido, não tinha qualquer poder no interior das instâncias decisórias de um partido como o bolchevique. Trotsky, pela sua entrada tardia no partido – ele fora antes um menchevique -  e por não ter assumido responsabilidade por nomeações burocráticas como Estaline, não reunia condições de alavancar as suas posições pelo exercício da influência pessoal. Mas, ainda, desde o seu 10º Congresso, em 1920, o Partido Bolchevique havia adoptado um novo regimento administrativo que proibia a existência de facções permanentemente organizadas no partido, o que tornava possível, ante qualquer contestação à liderança do partido, ser caracterizada como "divisionista".
O prestígio pessoal de Trotsky era inteiramente desproporcional aos recursos políticos concretos que ele poderia mobilizar no interior de um partido a cuja vida interna era estranho. Daí, em grande parte, a inacção de Trotsky diante da ascensão de Estaline. Na ausência de Lenine, que até então havia sempre abonado as suas políticas em momentos decisivos, Trotsky escolheu não desafiar a direcção bolchevique, sabendo que as suas possibilidades de vitória eram reduzidas.
Durante a preparação pelo Komintern de um levantamento revolucionário na Alemanha no final de 1923 - com Lenine ainda vivo, mas, incapacitado - Trotsky solicitou ao partido permissão para atender a um convite do líder comunista alemão Heinrich Brandler para dirigir in loco o levantamento programado na condição de combatente revolucionário internacional.
A permissão foi negada, pois Estaline temia que Trotsky fosse feito prisioneiro ou morto e o embaraço que isto provocaria ao governo soviético. Temia ainda mais a possibilidade de que ele retornasse da Alemanha vitorioso, caso em que o seu poder e influência seriam irresistíveis. O levantamento alemão, mal preparado e executado, foi um fracasso, fortalecendo a tendência estalinista de abandonar a revolução socialista internacional pelo "socialismo num só país".
No decorrer das disputas que se seguiriam, Trotsky buscou consolação, assim como aumento de influência, concentrando-se no trabalho teórico e intelectual. Ele já havia, durante a Revolução de 1905, formulado a Teoria da Revolução Permanente, segundo a qual a revolução liberal-burguesa, nas condições de um país capitalista atrasado como a Rússia, não se deteria na constituição de uma república democrática, mas avançaria para a revolução socialista, num processo sem solução de continuidade, contrariamente ao entendimento evolucionista do marxismo predominante à época de que a revolução socialista seria um produto do esgotamento prévio das possibilidades de desenvolvimento capitalista nacional.
Após a Revolução de 1917, passou a defender também que a revolução socialista era um processo mundial e que a Revolução Russa precisaria continuar a desenvolver-se na arena mundial, no âmbito de uma perspectiva internacional que contrastava claramente com a política estalinista do "socialismo num só país". Defendeu a rápida industrialização da economia e o abandono da NEP (Nova Política Económica) de Lenine, quando Estaline e o teórico Bukharin, naquele momento, defendiam a industrialização gradual e a manutenção daquela política.
Ironicamente, afastado Trotsky, Estaline vira-se contra Bukharin e acaba por se apropriar de alguns dos preceitos da política económica enunciados por Trotsky, implementando-as, porém, de uma forma criticada por grande maioria como exageradamente violenta e autoritária. Tal "viragem à esquerda" de Estaline, no entanto, fez muito para privar a Oposição de Esquerda de grande parte dos seus partidários na URSS, que acabam por aderir a Estaline, que consideravam estar a realizar na prática o programa da oposição, nomeadamente o economista Ievgueni Preobrajensky e o antigo chefe de governo da Ucrânia soviética e amigo pessoal de Trotsky desde a época da sua estadia nos Balcãs, o socialista romeno de etnia búlgara Christian Rakovsky. Eles,  juntamente com a imensa maioria dos antigos trotskistas, morreram nas Grandes Purgas dos anos 1930.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Trotsky em 1920
Trotsky com os Guardas Vermelhos

1 comentário:

  1. Lenine morreu antes de acabar a sua tarefa,acontece, e, há consequências dramáticas por vezes,aconteceu, neste caso. Coisas....

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