segunda-feira, 16 de novembro de 2015

16 de Novembro de 1920: Guerra Civil Russa, tomada de Sebastopol pelos Bolcheviques

O general russo Pyotr Wrangel, líder do Exército Branco, sucumbe em Sebastopol, em 16 de Novembro de 1920, frente aos bolcheviques do Exército Vermelho, que tinham cercado o istmo de Perekop e tomado a cidade, obrigando Wrangel e os seus aliados a bater em retirada. 
A guerra civil russa foi um conflito armado que eclodiu em 1917 e terminou  em 1922. Durante este período, tropas de ocupação de 13 países estrangeiros mais exércitos e milícias de diversas matizes políticas, ex-generais czaristas, republicanos liberais, milícias anarquistas do exército insurgente makhnovista, reunidos no que se convencionou chamar de Exército Branco, tentaram derrotar a Revolução bolchevique com o objectivo de voltar o status quo anterior. O Exército Vermelho foi o único vencedor da guerra, após a qual foi constituído o Estado soviético sob liderança dos bolcheviques.

As divisões na sociedade russa já eram evidentes em 1905, quando eclodiu uma revolução popular que atingiu o seu ponto crítico depois do país ter sido derrotado na guerra contra o Japão. A revolução seguinte, em Fevereiro de 1917 foi a que levou à abdicação do czar Nicolau II, mas dividiu o país uma vez que havia uma grande disparidade entre a classe dominante e a população pobre. Os bolcheviques, liderados por Lenine, receberam forte apoio popular e estavam unidos quando tomaram o poder em Outubro, enquanto os opositores se dividiam num amplo espectro de tendências.



O principal instrumento armado na defesa da Revolução bolchevique foi o Exército Vermelho, que teve origem no operariado das fábricas e entre soldados e marinheiros que voltavam da Primeira Guerra Mundial. Esses militantes operários e soldados  organizaram-se em destacamentos conhecidos como Guardas Vermelhos e ajudaram os bolcheviques a conquistar o poder. As forças derrotadas reuniram-se em torno de militares depostos e constituíram o que se chamou de Exército Branco que contou com tropas e apoio logístico de forças de 13 países estrangeiros no sentido de promover a contra-revolução.




Aproveitando-se do caos em que o país se encontrava, as nações aliadas da primeira guerra mundial resolveram intervir a favor dos brancos. Tropas inglesas, francesas, americanas e japonesas e outras desembarcaram tanto nas regiões ocidentais - Crimeia e Geórgia -  como nas orientais - Vladivostok e Sibéria Oriental. O objectivo declarado era derrocar o governo bolchevique e instaurar um regime favorável à continuação da Rússia na guerra. Contudo o objectivo principal, não declarado, era evitar a “contaminação” da Europa pelos ideais socialistas. O primeiro-ministro da França Clemenceau deixou claro essa hipótese ao enunciar que as potências ocidentais deveriam estabelecer um “cordão sanitário” em torno da Rússia.

Nos dias finais da guerra civil, o Exército Branco efectuou desembarques nos rios Kuban e Don, aproximando-se da bacia do Donetz e ameaçando os centros carboníferos do país. A situação do poder soviético complicava-se porque o Exército Vermelho estava já bastante cansado. As tropas vermelhas foram obrigadas a avançar em condições extremamente difíceis, atacando as tropas de Wrangel e lutando, ao mesmo tempo, com os grupos anarquistas de Majno, que ajudavam o general branco.

Porém, apesar de Wrangel ter em seu favor a superioridade da técnica, apesar de carecerem as tropas soviéticas de tanques, o Exército Vermelho expulsou Wrangel para a península da Crimeia. Em meados de Novembro de 1920, o Exército Vermelho tomou as posições fortificadas de Perekop, irrompeu na Crimeia, esmagou as tropas de Wrangel e libertou essa península das mãos dos guardas brancos e dos intervencionistas. A Crimeia passou a formar parte do território soviético.



Não havia porém terminado completamente a intervenção estrangeira. A intervenção armada dos japoneses no Extremo Oriente continuou até 1922. Houve, além disso, várias tentativas destinadas a organizar novas intervenções, como a de Seminov e do barão Ungern, no Oriente, e a branco-finlandesa na Carélia, em 1921. Contudo, as forças fundamentais da intervenção haviam sido destruídas em fins de 1920.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)




 
Cartaz do exército branco contra os bolcheviques
Tanques franceses em Odessa durante a intervenção aliada de 1918-1919

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