sexta-feira, 20 de novembro de 2015

20 de Novembro de 284: Diocleciano é aclamado imperador romano

César Caio Aurélio Valério Diocleciano Augusto  é coroado imperador romano em 20 de Novembro de 284. O seu reinado durou até 305, quando abdicou por problemas de saúde.
Nascido em 22 de Dezembro de 244 em Diocleia, perto de Salona, Dalmácia, de família ilíria humilde, começou a carreira militar no império de Numeriano. Foi governador de Mísia, antiga região do noroeste da Ásia Menor, e em 282 foi chefe da guarda imperial. Em 283 tornou-se cônsul. Foi aclamado imperador pelas Legiões no dia 20 de Novembro de 284, depois do assassinato de Numeriano.
O seu primeiro acto como imperador foi assassinar pessoalmente o assassino de Numeriano, Árrio Áper. Tomou uma atitude corajosa quando dividiu o império romano em dois: oriental e ocidental. Para governar o império romano ocidental nomeou Maximiniano, ficando Diocleciano com o oriental, quando recuperou a Mesopotâmia e estabeleceu protectorado sobre a Arménia.
Durante os anos 293 a 305 impôs uma reforma política, militar, judicial, económica e financeira ao império. Criou também uma tetrarquia. Nomeou Galério para governar com ele no oriente e depois ser o seu sucessor; para o governo do ocidente nomeou Constâncio Cloro. Maximiano governava a Itália e a África, e Constâncio Cloro, a Grã-Bretanha, a Gália e a Espanha. Galério governava as regiões do Danúbio e a Ilíria, e Diocleciano, o Egipto e a maior parte do oriente.
Durante as campanhas contra os sármatas e tribos do Danúbio (285-290), os alamanos (288) e os usurpadores na província do Egipto (297-298), Diocleciano expulsou das fronteiras do império as ameaças ao seu poder.
Em 299, negociou com os sassânidas, tradicional inimigo do império no Oriente, obtendo uma paz duradoura. Separou e ampliou os serviços militar e civil e reorganizou as divisões provinciais de Nicomédia, Mediolanum e Augusta Trevorum, implementando o maior governo na história do Império Romano.
Tendendo ao absolutismo, comum aos governantes do século III, passou a denominar-se autócrata. Estimulou formas imponentes nas cerimónias públicas e na arquitectura. As despesas burocráticas e militares e os projectos megalómanos levaram a uma reforma tributária, com a elevação, a partir de 297, dos impostos.
Nem todos os planos de Diocleciano tiveram sucesso. O Édito sobre os Preços Máximos de 301, a sua tentativa de controlar a inflação por meio do controlo de preços, foi mal sucedido. O sistema tetrárquico ruiu logo após a abdicação de Diocleciano ante as disputas dinásticas rivais de Magêncio e Constantino.  A perseguição de Diocleciano (303-311), a maior e mais sangrenta perseguição oficial do cristianismo, não só não conseguiu destruir a comunidade cristã como ainda a deixou mais fortalecida.
Após 324, a religião tornou-se maioritária no império, especialmente depois do seu primeiro imperador cristão, Constantino. Apesar dos insucessos, as reformas de Diocleciano alteraram fundamentalmente a estrutura do governo imperial romano, e ajudaram a estabilizar o império económica e militarmente, permitindo que seguisse intacto nos 100 anos subsequentes , apesar de ter chegado perto do colapso total durante a juventude de Diocleciano.

Em 1 de Maio de 305, debilitado pela doença, Diocleciano abandonou o palácio imperial e tornou-se o primeiro imperador romano a abdicar voluntariamente do seu cargo. Viveu os últimos anos da sua vida num palácio na Dalmácia, onde faleceu em 3 de Dezembro de 311. O seu palácio tornou-se posteriormente o centro da cidade croata de Split.

Diocleciano reabilitou as velhas tradições, incentivando o culto dos deuses antigos. Perseguiu os maniqueus, praticantes de religião persa. Empreendeu a grande perseguição aos cristãos no que é considerada pelos historiadores como a "Era dos Mártires".
O pretexto que desencadeou a perseguição teria sido um sacrifício no palácio imperial de Nicomédia, oficiado por Diocleciano, em que os cristãos presentes teriam feito gestos para desviar a presença dos "demónios idólatras". Em Fevereiro de 303, um primeiro édito imperial ordenava a destruição geral de igrejas, objectos de culto cristãos, e a destituição de funcionários adeptos da "nova" religião. Um segundo édito ordenou a prisão do clero em geral. Um terceiro previa a libertação dos cristãos em caso de apostasia, e o quarto ordenava toda a população do império a sacrificar aos deuses sob pena de morte ou trabalhos forçados em minas.
As perseguições de Diocleciano esbarraram na falta de entusiasmo de uma população já bastante cristianizada - especialmente no Oriente, onde Diocleciano e Galério governavam directamente. No Ocidente, Constâncio Cloro limitou-se a aplicar o primeiro édito. O zelo administrativo dos funcionários foi suficiente para garantir perseguições violentas tanto no Oriente como na parte do Ocidente governada por Maximiano, que só arrefeceriam em 311, quando Galério, moribundo, emitiu um édito de descriminalização do Cristianismo.
O édito de tolerância de Galério abriria caminho ao Édito de Milão de 313 – editado por Licínio e Constantino I – que não apenas toleraria o Cristianismo mas o reconheceria como uma das religiões oficiais – e finalmente a única – do império.

 Fontes: Opera Mundi
 wikipedia (imagens)

O palácio de Diocleciano
Lápide com o texto "decreto sobre os preços máximos" de Diocleciano

Sem comentários:

Enviar um comentário