domingo, 22 de novembro de 2015

22 de Novembro de 1928: Estreia de "Bolero", de Maurice Ravel, em Paris.

O Bolero, obra musical criada pelo compositor Maurice Ravel, estreou em 22 de Novembro de 1928 em Paris, na Ópera Garnier. Ballet dedicado à bailarina Ida Rubinstein, o seu imediato êxito e rápida difusão universal  converteram-no não somente na mais famosa obra do compositor, como também num dos expoentes da música do século XX.
Ravel pretendia que o ballet fosse montado numa área exterior, com uma fábrica ao fundo, numa alusão à Carmen de Bizet, ópera que admirava. No entanto, a montagem situou a acção num obscuro café de Barcelona, iluminado apenas por uma lâmpada. A bailarina começa a dançar sobre uma grande mesa enquanto uma vintena de homens  jogar às cartas.

Ida Rubinstein representava o papel da bailarina de flamenco, numa coreografia sensual que despertou escândalo. O crítico René Chalupt assim a descreveu: “Movimento orquestral inspirado numa dança espanhola, que se caracteriza por um ritmo e um tempo invariáveis, com uma melodia obsessiva, em dó maior, repetida uma e outra vez sem nenhuma modificação, salvo efeitos orquestrais, num crescendo que, in extremis, termina com uma modulação em mi maior e uma coda estrondosa.”

Apesar de Ravel tê-lo considerado como um simples estudo de orquestração, o Bolero esconde grande originalidade e, na sua versão de concerto, chegou a ser uma das obras musicais mais interpretadas a ponto de permanecer, até 1993, em primeiro lugar na classificação mundial de direitos da Sociedade dos Autores, Compositores e Editores de Música .

Em 1928, Ravel só compôs o Bolero, antes que uma estranha enfermidade o condenasse ao silêncio. Todavia, compôs no ano seguinte obras importantes como o Concerto para a mão esquerda (1929–30), para o pianista amputado Paul Wittgenstein, o Concerto em sol maior (1929–31) e as três canções de "Dom Quixote e Dulcineia" (1932–33).

A história do Bolero remonta a 1927. Ravel acabara de terminar a Sonata para violino e piano e firmara contrato para uma digressão nos Estados Unidos e no Canadá. Pouco antes de partir, a bailarina russa Rubinstein encomendou-lhe um “ballet de carácter espanhol”, pois queria montar a sua companhia “Les Ballets Ida Rubinstein”. 

Ravel não havia composto música para ballet desde “La Valse”, em 1919, e aceitou com muito interesse a encomenda. Tinha 52 anos e, desde a morte de Claude Debussy, era reconhecido como o maior compositor francês vivo. Para facilitar a tarefa, decidiu orquestrar seis peças extraídas da suíte Iberia, do compositor espanhol Isaac Albeniz. Porém, ao regressar da digressão norte-americana, quando já havia começado o trabalho, foi advertido que os direitos de Iberia, propriedade da editora Max Eschig, tinham sido cedidos com exclusividade ao compositor espanhol Enrique Arbós, antigo aluno de Albeniz.
Ravel passara curtas férias no verão de 1928 na sua cidade natal de Ciboure, no País Basco francês. Foi então que teve a ideia de somente utilizar um tema e um contra-tema repetidos, em que o único elemento de variação proviria dos efeitos de orquestração que sustentariam um imenso crescendo ao longo de toda a obra. Foi ao piano e tocou o tema com apenas um dedo.

Finalizou rapidamente a peça a qual deu o nome de Fandango. No entanto, para o ritmo de sua obra, o fandango pareceu-lhe uma dança demasiado rápida e  substituiu-o por um bolero, outra dança tradicional andaluza que suas viagens a Espanha lhe permitiram conhecer.

Ravel aceitou, relutante, a montagem de Benois, porém solicitou ao seu amigo Léon Leyritz, o escultor que esculpiu o busto de Ravel que adorna o vestíbulo da Ópera de Paris, que preparasse outro cenário. Essa produção viria à luz, mas já não seria em vida de Ravel.

Gravou-o pela primeira vez, em Janeiro de 1930, com a orquestra dos “Concerts Lamoureux”. Os regentes, que viam na obra um terreno fértil e uma fonte fácil de glória, logo se ocuparam do Bolero. Alguns tentaram deixar a sua marca. 

O Bolero foi  interpretado em muitas transmissões radiofónicas. Finalmente, em 1934, o estúdio Paramount produziu um filme, protagonizado por Carole Lombard e George Raft, intitulado Bolero, em que a música desempenha importante papel. A fama da obra já não podia ser travada.



Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Maurice Ravel em 1925

Ida Rubinstein, a inspiração para Bolero. Retrato pintado por Valentin Serov


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