quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A Crise de 1929

No primeiro ano da administração do presidente Herbert Hoover (1929-1933), as bases económicas dos Estados Unidos da América foram profundamente abaladas pelo pânico na Bolsa de Valores de 1929. Durante o boom económico do período do pós-Primeira Guerra Mundial, muitos americanos investiram as suas poupanças em movimentos especulativos.
A época de prosperidade verificada entre 1925 e 1929 desviava as atenções de uma estrutura económica frágil nos países industrializados. A atividade bolsista era bastante ativa, facilitada pelo crédito facilmente acessível e pela especulação. Mas em 1929 a crise económica era por demais evidente.
Assistia-se então à descida de preços do ferro e do cobre, ao crescimento dos stocks industriais, à descida dos lucros de indústrias como a automóvel. Em muitos países as taxas de desconto foram aumentadas para impedir a fuga de capitais; o acesso ao crédito tornava-se mais difícil.
Em outubro de 1929 a incrível onda de compras, efetuadas durante a Administração Hoover, estava completamente saturada e deu então lugar a uma igual febre de vendas. Os preços caíram drasticamente, arrastando consigo uma imensidão de investidores que perderam todo o seu investimento.
Nesse mesmo mês estava iminente o colapso da Bolsa Americana. A quebra da cotação das ações na Bolsa de Nova Iorque ameaçava o influente Grupo Morgan, que aplicou grandes quantidades de dinheiro na compra de ações, não conseguindo, no entanto, travar a crise.
A 24 de outubro, o pior dia desta corrida de vendas, conhecido na história mundial como a "Quinta-Feira negra", cerca de 16 milhões e meio de títulos foram postos em circulação na Bolsa de Valores de Nova Iorque sem encontrarem qualquer tipo de procura por parte dos compradores. Esta situação gerou o pânico e o desespero, um sentimento que se alastrou a todo o Mundo. Não devemos esquecer que, depois da Primeira Guerra Mundial, grande parte do mundo europeu ocidental estava dependente dos empréstimos e dos capitais norte-americanos, essenciais à reconstrução dos países e suas economias. Meses depois destes acontecimentos, o Grupo Morgan deixou os títulos que comprara, vindo deste modo a agravar ainda mais a crise.
No final de 1929 a queda das ações atingira cerca de 15 biliões de dólares (valores da época).
Os pequenos acionistas, na impossibilidade de pagarem as dívidas contraídas, arrastaram consigo a falência de muitos bancos. O crédito, o consumo e os salários baixaram, enquanto que se multiplicavam as falências e as taxas de desemprego.
Em todo o Mundo se sentiu as repercussões desta crise, sobretudo os países dependentes do crédito americano. Os preços dos produtos agrícolas diminuíram, as matérias-primas e os alimentos foram afetados, as trocas industriais baixaram e o escoamento das produções era cada vez mais difícil.
Esta crise económica, conhecida por A Grande Crise do Capitalismo ou Ano Negro em Wall Street, acarretou fortes tensões sociais, nomeadamente de origem rácica; as taxas de nupcialidade registaram uma quebra e a idade de casamento foi por sua vez alterada.
O capitalismo entrava numa época de crise, pois tinha caído em descrédito com a explosão desta grave crise económica que degenerou numa multiplicidade de problemas de ordem social e política. A falta de credibilidade do sistema capitalista abriu caminho a um conjunto de ideologias e de propostas políticas de um teor mais conservador e consequentemente menos tolerantes ou recetivas à resolução de determinados problemas. Neste contexto de instabilidade surgiu, por exemplo, o fascismo na Itália, com Benito Mussolini, ou o nacional-socialismo na Alemanha, que evoluiu para o nazismo, um regime fascista liderado por Adolf Hitler.
 
Ano Negro em Wall Street (1929). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
wikipedia (Imagens)
 
 
 
 
Ficheiro:Waiting for relief checks during Great depression.jpg
Fila de Famílias à espera de ajuda
Arquivo: Lange-MigrantMother02.jpg
A fotografia Migrant Mother, de Dorothea Lange, uma das fotos norte americanas mais famosas da década de 1930, mostrando Florence Owens Thompson, mãe de sete crianças, de 32 anos de idade, em Nipono,Califórnia, março de 1936, em busca de um emprego ou de ajuda social para sustentar a sua família. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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