sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

25 de Dezembro de 800: Carlos Magno é coroado imperador pelo papa Leão III

Carlos Magno terá nascido em Aix-la-Chapelle, a actual cidade de Aachen, na Alemanha, no seio da família real dos francos, no dia 2 de Abril de 742.* O seu pai era Pepino, o Breve, e o seu avô Carlos Martel.
Pepino destronara em 751 o último rei merovíngio e apoderara-se do título real. Mais tarde, em 754, fez-se coroar e sagrar pelo Papa Estêvão II. Logo de seguida invadiu a Itália para defender o Papa dos Lombardos, que viria de novo a auxiliar em 756. A partir de 760, o seu principal objectivo militar foi a conquista da Aquitânia, as terras a sul do rio Loire. Nestas expedições, Pepino, o Breve, fazia-se acompanhar pelo seu filho Carlos Magno.
Quando Pepino morreu, em 768, Carlos Magno procurou forjar uma aliança com os Lombardos, através do seu casamento com a filha do rei Desiderius (ou Didier), em 770. Mas Carlos Magno não era o único a reinar. Como era costume entre os francos, de acordo com a lei sálica, o trono era dividido pelos filhos do rei. Ora, Pepino deixara, para além de Carlos, Carlomano responsável pela governação de boa parte do reino. Este, entretanto, morreu em 771 e, nessa altura, Carlos Magno tentou apoderar-se dos seus territórios. Na sequência destes acontecimentos, os herdeiros de Carlomano procuraram refúgio na corte de Desiderius. Quebravam-se deste modo as relações amistosas com o seu sogro, e iniciava-se então um período de confronto.
Entretanto, em 772 o Papa Adriano I pediu ajuda a Carlos Magno para se proteger de Desiderius. Esta oportunidade foi aproveitada pelo rei franco, que invadiu a Itália lombarda e assumiu o título real.
Na sua estadia em Roma, Carlos Magno reafirmou a promessa feita pelo seu pai e prometeu proteger as terras papais. Em 772, travou batalhas com os Saxões e, embalado pelo sucesso obtido em Itália, envolveu-se em novas campanhas para os cristianizar em 775. De início, estas operações militares tiveram algum sucesso, mas arrastaram-no para uma guerra de 30 anos. Neste período conduziu muitas outras campanhas. Em 778, travou batalhas em território ibérico. No regresso ao seu reino, a retirada liderada por Rolando foi surpreendida por uma emboscada de pastores bascos, em Roncesvales.
No final da década de 80 do século VIII (788), subjugou os Bávaros e, entre 791 e 796, os seus exércitos conquistaram o império dos Ávaros (o "Ring"), que nos dias de hoje corresponde, de um modo geral, à Hungria e à Áustria oriental.
Tendo estabelecido o seu domínio sobre muitos povos, o rei franco construiu um vasto domínio territorial, no qual se assumiu como o imperador. Esse título foi-lhe concedido no dia de Natal de 800 na igreja de S. Pedro, em Roma, pelo Papa Leão III, que o ungiu e lhe colocou uma coroa na sua cabeça. Em 813, Carlos Magno designou o seu filho Luís seu sucessor e pessoalmente o coroou.
A coroação de Carlos Magno como imperador dos Romanos, no dia 25 de Dezembro do ano 800, foi um acontecimento revivalista da tradição imperial romana ocidental e ao mesmo tempo abriu um precedente para a dependência dos imperadores em relação à aprovação papal.  Nesse dia, na antiga Basílica de São Pedro,  reuniram-se autoridades eclesiásticas e líderes políticos, entre eles, Carlos – rei dos francos e lombardos – apelidado "Magno": o grande. Antes do início da missa, Carlos Magno dirigiu-se ao túmulo de São Pedro para venerar o príncipe dos apóstolos. Ajoelhou-se e começou a rezar. O Sumo Pontífice aproximou-se dele, trazendo nas mãos um diadema de ouro. E então, para surpresa de muitos, Leão III coroou o rei franco como imperador do Sacro Império Romano, investindo-o da suprema autoridade temporal sobre os povos cristãos do Ocidente.Em clima de festa, tanto romanos quanto francos aclamaram o "grande Carlos, augusto e sereníssimo, pacífico imperador dos romanos, pela misericórdia de Deus rei dos francos e dos lombardos".
Carlos Magno deu continuidade à obra iniciada por Clóvis, o chefe franco do século V d. C., que derrotara os Romanos e estabelecera um reino estendido entre grande parte da Gália e o Sudoeste da Alemanha, para além de converter os seus súbditos, adeptos da heresia ariana, em cristãos fervorosos.
No século VIII, Carlos Magno retomou a ação de Clóvis. Lutou com os Eslavos a sul do Danúbio, anexou o Sul da Germânia e subjugou e converteu os Saxões do Noroeste.
Durante a sua administração, Carlos Magno estabeleceu uma capital com carácter mais permanente, ao contrário dos seus antecessores. Para sua residência predilecta, a partir de 794, escolheu Aix-la-Chapelle (Aachen, na Alemanha). Para tal, mandou erigir uma igreja e um palácio; a cidade inspirava-se, essencialmente, nos critérios arquitetónicos das cidades de Ravena e de Roma, antigas metrópoles romanas.

Na sua corte, reuniu estudiosos e intelectuais de toda a Europa, de entre os quais se destacava o religioso britânico Alcuíno de York, a quem confiou a direcção da Escola do Palácio. Alcuíno, ou Albino (735-804), foi um intelectual eclesiástico, natural de Yorkshire, educado na Escola de York, cujas cartas se encontram entre as mais valiosas fontes de informação do quotidiano e humanismo francês do século VIII. Em 778, estava à frente da escola da catedral de York, e, passados dois anos, conheceu Carlos Magno numa missão em Roma. A pedido deste foi incumbido de dirigir o programa educacional dos Francos, entre 781 e 790, vindo a exercer uma forte influência na vida intelectual do mundo ocidental. Em 794, no concílio reunido em Frankfurt, sobre o Reno, lutou contra o adocionismo, uma heresia que dividia a Igreja. Depois de uma curta passagem pela sua terra natal, Alcuíno voltou para França. No seu regresso foi nomeado abade de S. Martinho de Tours em 796. Da sua obra ficaram, para além das epístolas, trabalhos de retórica e poemas.

Carlos Magno tornou-se famoso, em muitos cantos do Mundo, pela promoção que fez da educação e mecenato das artes. Durante o seu tempo, preparou-se o advento da arte românica. Este movimento de renovação cultural ficou conhecido como Renascimento Carolíngio.
Os chefes carolíngios foram fervorosos encorajadores do trabalho missionário junto dos germanos. Entre eles destaque-se S. Wilibrord, que fundou o mosteiro de Echternach, e Santo Bonifácio, fundador das abadias de Reichenau e Fulda e reformador da Igreja franca. Os germanos não francos, no entanto, retiveram muitas das crenças pagãs misturando-as com a sua nova fé. O Heliand, por exemplo, um épico do século IX, representa Cristo como um rei guerreiro saxão.
O reino de Carlos Magno era administrado por cerca de 250 administradores, que recebiam o nome de condes através da emissão de capitulares, isto é, decretos que abordavam um vasto número de temas, referentes, por exemplo, a assuntos militares, judiciais, mosteiros, à educação e à administração das propriedades régias.


O Império Carolíngio estava baseado na estrutura social do Império Romano tardio. A língua oficial da corte e da Igreja era o latim. No entanto, os Francos da Gália adotaram um latim vernacular, que originou a língua francesa; os Francos de outras regiões germânicas do Leste falavam variadas línguas que formaram o alemão. O único exemplar de germânico arcaico é um poema do século VIII, o Hildebrandslied, que versa sobre um trágico duelo travado entre um pai e o seu filho.
Depois de 800 o império não se expandiu. Aliás, na última década do século VIII, os Francos tiveram o seu primeiro encontro com um novo invasor: o povo Viking, que durante anos assolará as costas europeias.
O contributo de Carlos Magno não se limitou apenas às suas vitórias e à grandeza do seu império. Legou-nos mais do que isso: sobretudo, trouxe uma curiosa mistura entre a tradição latina e a inovação germânica, que ele próprio representava. Por um lado, era um típico guerreiro germânico, que passou a maior parte da sua vida em campos de batalha e, por outro, um campeão da Cristandade, que colocou o seu imenso poder e prestígio ao serviço da doutrina cristã, da vida monástica, do ensino do latim, da cópia de livros, do respeito pela lei e fidelidade a Roma.
A sua vida serviu de modelo a muitos reis medievais, uma vez que associava as culturas germânica e romana, duas referências basilares da civilização europeia, que então se forjava.
* Não existem certezas quanto à data
Novo Império do Ocidente: Carlos Magno (Séculos VIII-IX). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagem)
Ficheiro:Charlemagne-by-Durer.jpg

Carlos Magno - Albrecht Dürer


Representação de Carlos Magno na Catedral de Moulins, França


A Coroação de Carlos Magno - Grandes crónicas da França
File:Sacre de Charlemagne.jpg

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