sábado, 26 de dezembro de 2015

26 de Dezembro de 1898: Os cientistas Pierre e Marie Curie apresentam, na Academia das Ciências de Paris, a descoberta do elemento rádio

Diante do auditório da Academia de Ciências de Paris, Pierre e Marie Curie, com a colaboração de Gustave Bémont, anunciam em 26 de Dezembro de 1898 que conseguiram extrair um elemento radioactivo de um mineral, a pechblenda, variedade de uranita, principal mineral-minério do urânio: o radium (rádio). 

O casal salientou na data que a radioactividade libertada pelo rádio é claramente superior à do polónio, que eles haviam igualmente descoberto em Julho. Os Curie receberam o Prémio Nobel de Física juntamente com o físico Henri Becquerel em 1903 pelos seus estudos sobre as radiações emitidas espontaneamente pelos sais de urânio e pela descoberta de minerais activos. Todavia, apenas em 1910  Marie Curie conseguiria isolar esta substância em estado puro. 

Maria e Pierre trabalharam juntos, e as suas caligrafias  alternavam-se nos cadernos onde eram anotadas as ideias e experiências. Por meio de sucessivos processos de purificação, foi possível obter um material que se parecia com o bismuto, mas era 400 vezes mais activo que o urânio. Os Curie mantiveram a hipótese de que havia um novo elemento na substância que havia sido separada, e deram-lhe o nome de “polónio”, em homenagem à terra natal de Maria. 
  
Continuando a investigar a pechblenda, o casal Curie descobriu que era possível encontrar mais uma substância fortemente radioactiva. Novamente, essa substância parecia difícil de ser isolada. Após uma série de reacções químicas, foi possível obter um material fortemente radioactivo, mas as suas propriedades químicas eram dessa vez iguais às do bário. Foi possível aumentar a concentração do material radioactivo, através de processos de dissolução e precipitação, obtendo um material 900 vezes mais activo do que o urânio puro, porém, sem conseguir uma separação total do bário. Supuseram que havia um novo elemento desconhecido misturado ao bário, e deram-lhe o nome de rádio. 

Para tentar demonstrar a existência dos novos elementos, os Curie imaginaram um teste decisivo: analisar o espectro dos materiais radioactivos colhidos. Cada elemento químico, quando vaporizado e percorrido por uma descarga eléctrica, emite uma luz cujo espectro luminoso é constituído por certas linhas luminosas coloridas. A expectativa dos Curie era de que o espectro do bismuto radioactivo (que supostamente continha polónio) e o do bário radioactivo (que supostamente continha rádio) mostrassem linhas espectrais novas, diferentes dos elementos conhecidos, o que confirmaria as suas hipóteses. 

No caso do bismuto, o teste fracassou. Eugène Demarçay, um químico que trabalhava com Curie, especialista em espectroscopia, fez o teste para eles e não conseguiu notar nenhuma raia espectral nova. Algum tempo depois, fazendo o mesmo teste com o bário, a expectativa foi confirmada: Demarçay encontrou uma raia luminosa diferente de todas as conhecidas, que era mais visível no material mais radioactivo. Era uma forte evidência da existência do rádio, um novo elemento químico. 

Com os resultados inesperados e extremamente importantes obtidos em 1898, estava aberto o caminho para os estudos que o casal Curie realizou nos anos seguintes. A linha fundamental de trabalho passou a ser a de tentar isolar o polónio e o rádio da pechblenda, procurando obter esses elementos em forma pura, para determinar as suas propriedades (especialmente o peso atómico). 

Durante quatro anos, de 1899 a 1902, o trabalho a que eles se dedicaram foi tratar quimicamente uma tonelada de pechblenda, purificando gradualmente os seus materiais radioactivos. O polónio resistiu a todas as tentativas e não foi isolado. Obtiveram, no entanto, cerca de um décimo de grama de cloreto de rádio quase puro, conseguindo determinar o peso atómico desse elemento. Estava aberto o caminho para as múltiplas aplicações da radioactividade.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)


 Pierre e Marie Curie no seu laboratório
PierreIrène, Marie Curie

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