domingo, 10 de janeiro de 2016

10 de Janeiro de 49 a.C. : Júlio César atravessa o rio Rubicão

Ao comando da XIII Legião, Caio Júlio César atravessa o rio Rubicão, uma fronteira natural que separa a Gália Cisalpina e a Itália no dia  10 de Janeiro de 49 a.C.. Na época, o Senado romano proibia formalmente a todo general em armas de transpor essa fronteira sem expressa autorização. Ao transgredir a ordem, Júlio César violou a lei de Roma e declarou guerra ao Senado. No instante em que atravessou o Rubicão, exclamou: "Anerrifthô Kubos" traduzido em latim popular por “Alea jacta est” (A sorte está lançada).
A partir daquele momento ninguém conseguiria deter Júlio César. O general, estadista, orador, historiador e legislador romano, considerado um dos homens mais cultos do seu tempo e um dos maiores chefes militares de toda a história, entra em Roma, afasta Pompeu e, ao fim de uma longa guerra civil, submete o conjunto do Império Romano aos seus desígnios de ditador vitalício.

É de se notar que, diferentemente do que o senso comum imagina, Júlio César nunca foi princeps (latim para o primeiro no tempo ou no fim, o primeiro, chefe, o mais eminente, distinguidos ou nobre, o primeiro homem, primeira pessoa"), portanto, não pode ser considerado imperador romano, ainda que tivesse sido nomeado ditador vitalício em 45 a.C..
O nome César tornou-se nome de família da primeira dinastia, sendo usado como título. E atravessou milénios: os títulos Czar, russo, Kaiser, alemão, não passam do César romano.
Júlio César nasceu no ano 100 a. C., filho de uma família patrícia. Começaria a sua carreira política tomando parte da batalha que opôs seu tio Marius, chefe da facção popular, a Silas, chefe da facção senatorial.
A partir do ano 70 a. C. começa a ascender politicamente. Torna-se sucessivamente tribuno, militar, pró-cônsul, edil e pretor. Em seguida, governador da Gália Cisalpina e transalpina e mais adiante, pró-pretor na Espanha.
Em 59 a. C, é nomeado cônsul de Roma, graças ao triunvirato que havia formado com Pompeu e Crasso, fruto de aliança secreta. No ano seguinte, inicia as “Guerras da Gália”, submetendo ao seu poder diversos povos do Norte. Em 51 a. C., após um longo cerco em torno da Alésia (Borgonha), o chefe Vercingetorix depõe as armas e se rende a  César. A Gália é conquistada para a glória do comandante romano.
Depois do episódio da travessia do Rubicão e após a sua entrada triunfal em Roma, Júlio César persegue e esmaga as tropas do seu rival Pompeu em Tessália. Pompeu e os senadores tinham abandonado Roma  dirigindo-se à Grécia. Pompeu, vencido, busca refúgio no Egipto, junto ao rei Ptolomeu XIII, que temendo a represália de César, manda assassiná-lo. César vai atrás de Pompeu no Egipto e lá toma conhecimento do assassinato. O episódio deixou Ptolomeu, à ocasião em conflito com sua irmã-esposa Cleópatra, em maus lençóis. Quando a encontra, o general romano vê-se imediatamente seduzido pela rainha egípcia. Depois dos seus exércitos derrotarem as tropas de Ptolomeu, César oferece o trono do Egipto à sua amada.
César estava no auge da sua glória e poder. O imperador reinava nos dois lados do Mediterrâneo. Em Roma exercia um poder absoluto e adoptou algumas medidas que favoreceram os mais pobres.
Porém, no dia 15 de Março de 44 a. C. Júlio César, que se havia proclamado ditador vitalício, é assassinado. Em plena sessão do Senado, cerca de 50 senadores partidários da restauração da república oligárquica atiram-se sobre ele e  conferem-lhe 23 golpes de espada. César cai ao pé da estátua de seu antigo rival Pompeu. Entre os conspiradores encontrava-se Brutus, filho da amante do imperador, por quem tinha uma grande estima, e Cássio, general romano. Ao perceber Brutus entre os seus agressores, dirige-se a ele em grego: "Kai su Brutus teknon", que se poderia traduzir em latim popular por “Tu quoque, Brutus fili mii (Até tu, Brutus, filho meu).
O corpo do ditador foi levado por escravos e incinerado no Campo de Marte, como impunha a tradição. No seu testamento, César designou por herdeiro o filho adoptivo, Octávio, futuro imperador Augusto.
Depois da morte de César, abriu-se uma luta pelo poder entre o seu sobrinho-neto César Augusto e Marco António, que haveria de resultar na queda da República e na fundação do Império Romano de cujo trono se apossou Marco António.
A obra escrita de César que o coloca entre os grandes mestres da língua latina. Destaca-se a “De Bello Gallico” – comentários sobre as campanhas da Gália As narrativas, aparentemente simples e directas, são na realidade sofisticadas manobras de propaganda política dirigidas ao patriciado de Roma.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia(imagens)
Anónimo-'César atravessa o Rubicão'-gravura in Eva March Tappan (1854-1930); The first old world hero stories. Emperor of Rome, pg. 102 
Ficheiro:Karl Theodor von Piloty Murder of Caesar 1865.jpg
Assassinato de César - 1865Karl Theodor von Piloty

2 comentários:

  1. Presumo que Júlio César, ao atravessar o rio Rubicão, pronunciou em grego "Anerrifthô Kubos" que, em latim, será o famoso “Alea jacta est”.
    É isso?
    É que "Anerrifthô Kubos" não me parece latim e o “Alea jacta est” é latim culto, não latim popular.

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    1. Boa Tarde,
      Sim, Júlio César pronunciou em grego "Anerrifthô Kubos", os romanos cultos da época utilizavam a língua grega.

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