segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

18 de Janeiro de 1919: Começa a Conferência de Paz de Versalhes, sobre a Grande Guerra de 1914-18.

No dia 18 de Janeiro de 1919, algumas das mais poderosas personalidades políticas do mundo reuniram-se perto de Paris para dar início às longas negociações que marcariam oficialmente o fim da Primeira Guerra Mundial. 

Líderes das potências aliadas – França, Reino Unido, Estados Unidos e Itália –, vitoriosas, decidiram grande parte das questões ao longo de seis meses de debates. O presidente dos EUA, Woodrow Wilson, defendeu a sua tese de uma “paz sem vitória”, para que essa ideia prevalecesse nas resoluções finais. Ele queria assegurar que a Alemanha, líder das Potências Centrais e grande derrotada na guerra, não fosse tratada com excessivo rigor. Em sentido contrário operaram os primeiros-ministros George Clemenceau da França e David Lloyd George do Reino Unido, argumentando que punir adequadamente a Alemanha e limitar bastante seu poderio bélico seria o único meio de justificar o imenso custo em vidas e bens.

O Tratado de Versalhes resultante acabou por desagradar aos vencidos, vencedores e observadores neutros. Para os especialistas independentes, o documento, punitivo demais, estava distante da proposta de 14 pontos de Wilson, que fundamentou o armistício. Para os franceses, porém, todo o castigo ainda foi pequeno. O Tratado de Versalhes não atendeu por completo à sede de vingança da França, que sofreu a invasão alemã no seu território, vitimando mais de 400.000 civis. Clemenceau queria que a província da Renânia, de indústria historicamente pujante, fosse retirada da Alemanha para evitar um novo fortalecimento do país. Wilson e Lloyd George vetaram a proposta, determinando, em contrapartida, uma ocupação militar aliada na região durante 15 anos. 

No final, Wilson teve de ceder a fim de garantir a aprovação do seu projecto preferido – a criação de uma entidade internacional para a manutenção da paz, que se chamaria Sociedade das Nações. 
Mesmo com o veto às exigências de Clemenceau, os negociadores temeram que o tratado fosse pesado em excesso – as suas exigências poderiam, em vez de apaziguar a Alemanha, incitá-la ainda mais contra os aliados. E é esse o único ponto que parece ter-se tornado unânime em Versalhes. 
Representantes da Alemanha foram excluídos das negociações até Maio. Chegando a Paris, receberam um rascunho do tratado. Com fé nas promessas de Wilson, os alemães ficaram profundamente frustrados e decepcionados com o texto, que exigia a perda de parte do seu território e o pagamento de reparações. Pior ainda, o artigo 231 obrigou a Alemanha a aceitar ser a única culpada pela guerra. Esta foi uma pílula amarga que muitos alemães não iriam engolir. A Primeira Guerra expôs um novo paradigma de destruição bélica ao mundo. 

O Tratado de Versalhes foi assinado em 28 de Junho de 1919, exactamente cinco anos após o tiro de um nacionalista sérvio ter matado o arquiduque Francisco Fernando da Áustria e detonado a Primeira Guerra Mundial. Nas décadas que se seguiram, ódio e ressentimento em relação ao tratado e seus autores envenenaram o ambiente na Alemanha. Partidos de extrema-direita como o Partido Nacional-Socialista (nazi) de Adolf Hitler capitalizaram essas emoções para ganhar força, um processo que levou quase directamente ao ponto exacto que Wilson e outros negociadores de Paris em 1919 queriam evitar – uma segunda e ainda mais devastadora guerra mundial.    
Ironicamente, foi o supremo comandante aliado, marechal Ferdinand Foch, quem melhor exteriorizou o que viria a acontecer. Com seu pragmatismo característico, ele profetizou, após a notícia da assinatura do Tratado de Versalhes: "Isto não é a paz. É apenas um armistício válido pelos próximos 20 anos."



Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

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O Tratado de Versalhes

Assinatura do Tratado na Sala dos Espelhos  do Palácio de Versalhes - William Orpen

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