segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

08 de Fevereiro de 1587: Execução de Maria Stuart, Rainha da Escócia

Maria Stuart nasceu no dia 8 de Dezembro de 1542 e subiu ao trono com apenas seis dias de idade, após a morte do seu pai, Jaime V. Sendo muito nova para reinar, a Escócia foi governada por regentes até Maria atingir a maioridade. Desde o início, eram duas as pretensões à regência: uma Católica, do Cardeal Beaton, e outra Protestante, do conde de Arran, que era o mais próximo na linha de sucessão ao trono. A pretensão de Beaton era baseada numa versão do testamento do falecido rei, que os seus oponentes descartaram como uma falsificação. Arran, com o apoio dos seus amigos e relacionamentos, tornou-se regente até 1554, quando a mãe de Maria conseguiu afastá-lo e suceder-lhe.
Por ser francesa, a rainha começa a aproximar cada vez mais a Escócia da França, inimiga declarada da Inglaterra. Naquela época a Reforma Protestante espalhava-se por toda Europa, e a nobreza da Escócia, assim como da Inglaterra pretendiam o rompimento com Roma. No entanto Maria de Guise era católica e manteve a religião, o que enfureceu mais ainda os lordes escoceses e os ingleses, que desejavam sequestrar Maria Stuart para que ela se casasse com Eduardo (filho de Henrique VIII). Temendo pela segurança da sua filha, a rainha da Escócia envia-a para a França em 1548, após o rei Henrique II daquele país pedir a mão da princesa para o seu filho, Francisco II. Em Julho daquele ano, com apenas cinco anos de idade, Maria Stuart rumava para o país onde  viveria até à morte do seu primeiro marido. Em Abril de 1558 Maria e Francisco casam-se. Nesse mesmo ano a Rainha Maria I da Inglaterra,  faleceu. Vista como filha legítima de Henrique VIII pela Igreja Católica, Maria instituiu novamente o catolicismo durante o seu brevíssimo governo. Com a sua morte quem sobe ao trono é Elizabeth, meia irmã de Maria I e provinda do casamento protestante de Henrique VIII. Aos olhos da Igreja Católica e do governo francês isso era um sacrilégio, visto que o rei havia anulado o seu casamento com Ana Bolena, mãe de Elizabeth, para que pudesse casar-se novamente. De acordo com a sucessão católica, a próxima a assumir o trono inglês deveria ser Maria Stuart, que era bisneta de Henrique VII. No ano seguinte, com a morte de Henrique II; Francisco II e Maria Stuart são coroados reis da França. Enquanto isso Maria de Guise continuava a governar a Escócia, e enfrentava problemas quanto à reforma religiosa que os lordes tentavam impor no país.  Doente, Maria de Guise é afastada do governo e um conselho de nobres assume a Escócia durante a ausência de Maria Stuart. No ano de 1560 o parlamento escocês adoptou o protestantismo presbiteriano como religião oficial do país, abolindo a autoridade do papa no país e proibindo as celebrações católicas.
Depois de um ano de guerra religiosa na Escócia, em Junho de 1560, Maria de Guise morre. Em Dezembro daquele mesmo ano, o rei Francisco II também viria a falecer. Mal o jovem morreu a sua mãe, Catarina de Médicis, decidiu o futuro da França, onde ficou acertado que a coroa francesa cabia a Carlos IX, sendo que a regente seria Catarina de Médicis, até que o jovem atingisse a maioridade. Assim, a jovem viúva Maria Stuart não tinha lugar na corte francesa. Em 1561 a rainha dos escoceses regressa à sua terra natal, para um governo mais conturbado que o da sua mãe. Durante um baile em 1565, Maria conheceu o seu segundo marido, Lorde Henrique Darnley. Maria Stuart encantou-se com o jovem e em menos de seis meses eles estavam casados. Com o passar do tempo ela passa a sentir-se infeliz com o seu casamento, pois o rei  desejava governar no seu lugar, exigindo a co-regência. Em 19 de Junho de 1566, nasce o príncipe Jaime VI . Entretanto surge uma nova paixão na vida da rainha: Jaime Hepburn, o conde Bothwell, que era um homem extremamente leal à coroa escocesa. Henrique Darnley , marido da rainha, aparece morto e Maria Stuart casa-se com o conde Bothwell em Maio de 1567.  A corte planeia acabar com essa união e tentam matar o rei, mas este consegue fugir. Eles tentam então persuadir a rainha a deixar o marido, que não lhes dá ouvidos e foge para encontrar-se com o rei. O casal conta com um pequeno exército e em Junho daquele ano confrontam os rebeldes em Carberry Hill. A batalha nem chega a acontecer: o exército real aos poucos começa a dispersar-se e Maria Stuart resolve conferenciar com os rebeldes. Estes prometem a Maria Stuart que deixam Bothwell ir para onde ele desejar se ela os acompanhar de volta a Edimburgo e a rainha acata. Mal Bothwell se afasta e os rebeldes mostram que a enganaram. Maria é conduzida para Edimburgo e mantida como prisioneira. Os lordes então ameaçam-na e convencem-na a assinar um documento onde ela passa o trono para o seu filho Jaime VI, sendo que o meio-irmão da rainha deveria governar até  à maioridade do príncipe.
Maria Stuart foge do cativeiro, reúne uma legião de soldados e parte para a sua última batalha, a batalha de Langside; entretanto o seu irmão rapidamente consegue dispersar os homens da rainha. Iludida pela promessa da sua prima Elizabeth, que dizia que ela sempre poderia contar com a Inglaterra, Maria Stuart decide fugir para lá. A corte inglesa deseja julgar a escocesa por suspeitarem dela ter participado no assassinato de Darnley; entretanto ela não aceita o julgamento. O processo decorre lentamente, a fim de se manter a rainha dos escoceses sob o cárcere inglês. A contra reforma assolava a Europa e havia uma trama por parte dos católicos para matar Elizabeth e colocar Maria Stuart no trono inglês. Uma conspiração designada  Babington Plot é montada pelo governo inglês, a fim de que Maria Stuart assinasse um termo onde aprovava que os seus seguidores assassinassem Elizabeth. Esta é informada da conspiração e acaba então por assinar a sentença de morte de Maria em Fevereiro de 1587.
No dia 8 de Fevereiro de 1587, dia da sua morte, Maria estava ornada com rosários e escapulários, demonstrando até ao fim a sua fé católica. A ela não é concedida a presença de um padre, e mandam um pastor para celebrar as rezas fúnebres. Maria Stuart, no entanto, começou a rezar em voz alta em latim, sobrepondo-se ao pastor e firmando, novamente, a sua religião católica. Ela ajoelhou-se na almofada e aguardou a decapitação. Maria não foi decapitada com o primeiro golpe. O primeiro falhou o pescoço e atingiu-lhe a nuca. O segundo golpe cortou-lhe o pescoço, excepto um pequeno pedaço de tendão, o qual o carrasco cortou com o machado. Depois, ele segurou na cabeça e declarou, "Deus Salve a Rainha!."
Fontes:http://arqueologiapublicalap.blogspot.pt/
rainhastragicas.com
wikipedia(imagens)

Ficheiro:Mary Queen of Scots Blairs Museum.jpg
Maria Stuart - Autor desconhecido
File:Francois Second Mary Stuart.jpg
Maria Stuart e o seu primeiro marido, Francisco II de França- Autor desconhecido
File:Execution of Mary, Queen of Scots, created 1613, artist unknown.JPG
A execução de Maria Stuart - Autor desconhecido

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