quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

17 de Fevereiro de 1600: Giordano Bruno é queimado vivo no Campo de' Fiori em Roma, acusado de heresia.

No dia 17 de Fevereiro de 1600, Giordano Bruno foi queimado vivo no Campo de Fiori, em Roma, onde é relembrado desde 1899 com um monumento.
Ao contrário de Galileu Galilei, Bruno negou-se a refutar a teoria do astrónomo alemão Johannes Kepler (1571–1630) de que a Terra girava em torno do Sol. Além disso, por ser padre e teólogo, as suas heresias e dúvidas, em relação à Santíssima Trindade, por exemplo, partiam de dentro da Igreja e foram interpretadas como um acto de insubordinação ao papa.
Nascido numa família da nobreza de Nola (próximo ao Vesúvio) em 1548, inicialmente chamava-se Fellipo Bruno. Aos 13 anos, começou a estudar Humanidades, Lógica e Dialéctica em Nápoles, no mesmo convento em que São Tomás de Aquino vivera e ensinara.
Em 1565, aos 17 anos, recebeu o hábito de dominicano, ocasião em que mudou o nome para Giordano. Ordenado sacerdote em 1572, continuou os seus estudos de Teologia no convento, concluindo-os em 1575.
A sua vida académica foi marcada pela fuga constante das autoridades eclesiásticas. Leccionou em Nápoles, Roma, Génova, Turim, Veneza, Pádua e Londres, antes de se mudar para Paris em 1584. Passou o período de 1586 a 1591 em Praga e nas cidades alemãs de Marburg, Wittenberg, Frankfurt e Helmstedt, onde escreveu a que é considerada sua principal obra: Sobre a associação de imagens, os signos e as ideias.
Apesar das advertências de amigos, voltou para a Itália em 1591, convicto de que na liberal Veneza não cairia nas garras da Inquisição. Mas logo foi preso e levado para Roma, onde passou os seus últimos anos na prisão.
Giordano Bruno teria caído numa armadilha ao retornar a Itália. Na Feira do Livro de Frankfurt de 1590, uma dupla de livreiros ao serviço do nobre veneziano Giovanni Mocenigo, tê-lo-ia convidado a ir para Veneza ensinar Mnemotécnica, a arte de desenvolver a memória, na qual era um perito. Pouco depois do seu regresso, desentendeu-se com Mocenigo, que o trancou num quarto e chamou os agentes da Inquisição.
Encarcerado na prisão de San Castello no dia 26 de Maio de 1592, o seu julgamento começou em Veneza, foi transferido para Roma em 1593 e chegou à fase final na primavera europeia de 1599. Durante os sete anos do processo romano, Bruno negou qualquer interesse particular em questões teológicas e reafirmou o carácter filosófico das suas especulações.
Essa defesa não satisfez os inquisidores, que pediram uma retratação incondicional de suas teorias. Como se mantivesse irredutível, foi condenado devido à sua doutrina teológica de que Jesus Cristo era apenas um mágico de habilidade incomum, que o Espírito Santo era a alma do mundo e que o demónio seria salvo um dia.
Ao ouvir sua sentença, a 8 de Fevereiro de 1600, teria dito aos juízes: "Vocês pronunciam esta sentença contra mim com um medo maior do que eu sinto ao recebê-la".
A Congregação do Santo Ofício, presidida pelo papa Clemente VIII (1592–1605), ainda concedeu ao "herege impertinente e pertinaz" oito dias de clemência para um eventual arrependimento.
A capitulação de Bruno teria um forte efeito propagandístico num ano da "graça" como o de 1600. Mas ele preferiu enfrentar a pena de morte a renegar as suas ideias. Os seus trabalhos foram publicados no Índex em Agosto de 1603 e só foram liberados pela censura do Vaticano em 1948.
Segundo os historiadores, Giordano Bruno prestou uma contribuição intelectual decisiva para acabar de vez com a Idade Média. Morto aos 52 anos, tornou-se um mártir do livre pensamento. Ele foi vítima da intolerância religiosa típica da chamada Contrarreforma, a batalha travada pela Igreja Católica contra a Igreja Reformada.
O martírio de Giordano Bruno em 1600, seguido do julgamento de GalileouGalilei em 1616, abriu um fosso de desconfiança entre a ciência e a religião.
Fontes: DW
wikipedia (imagens)


File:Giordano Bruno.jpg
Retrato de Giordano Bruno
 
O Julgamento de Giordano Bruno pela Inquisição, obra de  Ettore Ferrari


Sem comentários:

Enviar um comentário