quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

18 de Fevereiro de 1943: A Gestapo prende os líderes da organização de resistência alemã "Rosa Branca"

Por se oporem ao regime nazi, Hans Scholl e a sua irmã Sophie, os líderes da organização juvenil alemã Weisse Rose (Rosa Branca), são presos em 18 de Fevereiro de 1943 pela Gestapo, a polícia política.

A Rosa Branca era composta por estudantes universitários, principalmente alunos de medicina que denunciavam Adolf Hitler e o seu regime. O fundador, Hans Scholl, era ex-membro da Juventude Hitleriana que cresceu desencantado com a ideologia nazi. Estudante na Universidade de Munique em 1940-41, encontrou-se com duas pessoas cultas que professavam a religião católica romana e que redireccionaram a sua vida. Passando da medicina para a religião, filosofia e artes, Scholl reuniu em torno de si amigos com ideias próximas e que também punham em causa os nazis. Assim nasceu a Rosa Branca. 

Durante o Verão de 1942, Scholl e um amigo redigiram quatro panfletos que expunham e denunciavam as atrocidades nazis e da organização paramilitar nazi SS, inclusive o extermínio dos judeus. Conclamando para a resistência ao regime, o texto continha citações de grandes escritores e pensadores, de Aristóteles a Goethe, e exigia o renascimento da universidade alemã. Esta era uma meta de uma elite culta dentro da Alemanha. 
Os riscos envolvidos em tal iniciativa eram enormes. As vidas dos cidadãos comuns eram vigiadas e qualquer desvio de uma absoluta lealdade ao Estado, punido duramente. Até mesmo uma observação crítica informal a Hitler ou aos nazis poderia resultar na prisão pela Gestapo. Já os estudantes da Rosa Branca – a origem do nome do grupo é incerta, possivelmente provem do desenho de uma flor nos seus panfletos – arriscavam tudo, simplesmente motivados pelo idealismo, por uma moral elevada e princípios éticos, além de simpatia pelos seus vizinhos e amigos judeus. A despeito dos riscos, a irmã de Hans, Sophie, uma estudante de biologia da mesma universidade do seu irmão, pediu para participar das actividades da Rosa Branca. Foi então que descobriu a operação secreta do seu irmão. 

No dia 18 de Fevereiro de 1943, Hans e Sophie deixam uma pasta cheia de cópias de outro panfleto no edifício principal da universidade. O folheto declarava, em parte: "O Dia do Juízo Final chegou, o juízo final da nossa juventude alemã com a mais abominável tirania que o nosso povo jamais suportou. Em nome de todo o povo germânico exigimos do Estado de Adolf Hitler o retorno à liberdade pessoal, o mais precioso tesouro dos alemães que ele astuciosamente roubou." 

Os dois foram descobertos e denunciados à Gestapo, que os prendeu. Levados a tribunal, estavam condenados de antemão, o julgamento a que foram submetidos não passou de uma farsa e a sentença foi pronunciada imediatamente. No interrogatório, Sophie negou tudo, desesperada por proteger o irmão e os demais companheiros. Mas quando descobre que o irmão confessou, deixa de mentir. Os Scholls, ao lado de outro membro da Rosa Branca, também capturado, foram sentenciados à pena de morte. Foram decapitados – uma punição reservada apenas a “traidores políticos” - em 23 de Fevereiro, mas não sem antes Hans Scholl bradar “Viva a Liberdade!” 

A tragédia dos Scholl foi levada às telas com o filme alemão Sophie Scholl – Os Últimos Dias, que conquistou o Urso de Prata do Festival Internacional de Berlim de 2005 além de outras 14 prémios e nove indicações. 

Os membros da Rosa Branca, principalmente Sophie Scholl, são ainda hoje respeitados e todas as cidades têm ruas com os seus nomes, em memória dos estudantes que tentaram de forma heroica pôr fim à crueldade e à enorme indiferença existente na Alemanha nazi. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Selo postal comemorativo de Hans Scholl e Sophie Scholl, RDA, 1961

Monumento em homenagem ao movimento "Rosa Branca", em frente à Universidade Ludwig Maximilian em Munique.

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