segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A capa da revista Time com a reportagem sobre Salazar e o Estado Novo com o título "Até que ponto o melhor de Portugal é mau"

No dia 22 de Julho de 1946, a edição semanal da revista TIME dedicou a sua primeira página a António de Oliveira Salazar. Em manchete, o artigo referia: "Portugal Salazar's: Dean of Dictators – How Bad is the Best?"("Até que ponto o melhor de Portugal é mau").  O número de Julho é retirado do mercado nacional e, por seis anos, é proibida a venda da "Time" em Portugal. 
Na capa da revista à esquerda de uma imagem de Salazar, a revista colocou uma maçã aparentemente viçosa, mas repleta de bichos no interior. Era a metáfora escolhida para ilustrar a mais antiga ditadura da Europa. O trabalho resultara da recolha de informação por parte do editor Percy Knauth e de um correspondente em Lisboa, o italiano Piero Saporiti, radicado na capital portuguesa desde 1944. No texto, referia-se que, com praticamente “duas décadas de ditadura, Portugal era uma terra melancólica de pessoas empobrecidas, confusas e assustadas”.
O presidente do conselho não tolerou o teor do texto. A 27 de Agosto de 1946, um despacho PIDE, ratificado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, deu ordem imediata a um dos autores da peça (Saporiti), para abandonar o país até 3 de Setembro. Enquanto Saporiti lutava contra a extradição, foi-lhe dito pela PIDE que poderia evitá-la, caso se demitisse da TIME. O italiano recusou.
A venda da revista foi proibida em território nacional, todos os exemplares ainda por vender foram apreendidos e a PIDE recebeu ordens para confiscar as revistas que viessem a ser encontradas em domicílios privados. Saporiti conseguiu adiar a expulsão por mais um mês, tendo abandonado Lisboa de barco no dia 3 de Outubro, com destino  a Paris.




1 comentário:

  1. Obrigada Carla Brito ,por partilhar este facto ,certamente pouco conhecido .Eu desconhecia .Contudo ,para os mais jovens ,é bem elucidativo da forma como decorriam as coisas em plena ditadura .

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