quarta-feira, 2 de março de 2016

02 de Março de 1855: Morre Nicolau I, czar da Rússia e rei da Polónia

Nicolau I, czar da Rússia e rei da Polónia entre 1825 e 1855, morre em São Petersburgo no dia 2 de Março de 1855. Filho do czar Paulo I, ascendeu ao trono com a morte do seu irmão mais velho Alexandre I.

O czar Alexandre I havia morrido em 1 de Dezembro de 1825, de tifo, na quinta imperial da Crimeia, longe da capital e sem mencionar quem seria o herdeiro ao trono. No entanto, firmara uma declaração, em 1822, que Nicolau assumiria a coroa quando morresse.

Ao conhecer-se em São Petersburgo, em 4 de Dezembro, a notícia da morte do czar, os decembristas decidiram iniciar uma sublevação e aproveitar a ideologia liberal do príncipe Constantino, irmão imediato de Alexandre, para as desejadas reformas políticas. Em 9 de Dezembro, Constantino recebe em Varsóvia uma carta do Conselho Imperial pondo-se às suas ordens como novo czar.

Entretanto, poucos dias depois do funeral de Alexandre I, Constantino informa o Conselho sobre a sua renúncia ao trono, firmada três anos antes. Como resultado, a coroa recairia no príncipe Nicolau, o menor dos irmãos.

Em 25 de Dezembro, Nicolau publica o manifesto reclamando o trono para si. Nesta altura, uma conspiração foi organizada por militares para impedi-lo de assumir a coroa, a Insurreição Decembrista de 1825, que Nicolau conseguiu reprimir com êxito. Mostrando-se inviável mudar as ordens de Alexandre e devido à reiteração de renuncia de Constantino, Nicolau Pavlovich Romanov acaba por ser proclamado czar em 26 de Dezembro em São Petersburgo.

Durante o seu governo, tentou eliminar os movimentos nacionalistas, perpetuar os privilégios da aristocracia e impedir o avanço do liberalismo. Reprimiu a insurreição decembrista de 1825 e apoiou a Áustria na repressão à revolta húngara, em 1848, o que lhe valeu o epíteto de “O Guarda da Europa”.

Em 1830, depois de negar-se a aceitar os limites constitucionais fixados pelo Congresso polaco, foi deposto como rei da Polónia no chamado Levante de Novembro. Nicolau respondeu aniquilando os insurrectos e anexando a Polónia como província russa.

Levou a cabo uma política expansionista que começou com a Guerra da Crimeia. Faleceu antes que britânicos e franceses, aliados na guerra ao Império Otomano, triunfassem no Cerco de Sebastopol, abrindo caminho às reformas realizadas pelo seu filho Alexandre II.

A Nicolau faltava a educação política e intelectual dos seus irmãos mais velhos. Via o seu papel simplesmente como o de um autocrata paternal que deveria manter o povo controlado por todos os meios necessários. Tendo passado pelo trauma da Insurreição Decembrista, Nicolau I estava determinado a estabelecer um braço de ferro com a sociedade russa. A Terceira Secção da Chancelaria Imperial mantinha um grande ramo de espiões e informadores com a ajuda dos Gendarmes, a polícia política.


O governo exercia censura e outros tipos de controlo sobre a educação, a imprensa e todas as manifestações da vida pública. Em 1833, o ministro da educação, Serguei Uvarov, formulou o programa “Autocracia, Ortodoxia e Nacionalidade”, que se tornou a cartilha dos princípios do Império. As pessoas deveriam mostrar lealdade à autoridade do Czar, às tradições da Igreja Ortodoxa Russa e, de forma mais vaga, à nação russa. Estes princípios levaram à repressão geral e à supressão das nacionalidades não-russas e religiosas em particular. O governo suprimiu as igrejas católicas gregas na Ucrânia e Bielorússia em 1839.


Nicolau pensou em abolir a escravidão na Rússia, mas não avançou com o projecto por razões de Estado. Temia os proprietários e acreditava que eles podiam  virar-se contra a coroa se perdessem os servos. Contudo, fez alguns esforços para melhorar as condições de vida dos servos do Estado.

Apesar da repressão nessa época, a Rússia viu florescer a literatura e as artes em geral. Por intermédio das obras de Aleksandr Pushkin, Nikolai Gogol e Ivan Turguenev entre muitos outros, a literatura russa ganhou estatuto e reconhecimento, internacional. O ballet enraizou-se na Rússia após ser importado de França e a música clássica impôs-se por meio de compositores como Mikhail Glinka, Alexandr Borodin e Modest Mussorgsky.




Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens) 


Retrato de Nicolau I - Vladimir Sverchkov

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