segunda-feira, 7 de março de 2016

07 de Março de 1274: Morre o teólogo italiano Tomás de Aquino

Morre no dia 7 de Março de 1274, na Abadia de Fossanova, o grande teólogo e filósofo italiano São Tomás de Aquino. Tinha apenas 49 anos e estava a  dirigir-se para Lyon, onde participaria de um Concílio a pedido do Papa.
Nasceu na cidade de Aquino (actual Lácio) no castelo do pai, o Conde Landulf de Aquino, por volta de 1225. Ao contrário dos irmãos, que seguiram carreira militar, optou por uma vida religiosa frutificada a partir da sua convivência com a condessa Teodora de Theate.
Com cinco anos, Tomás começou a sua instrução inicial em Monte Cassino. Depois seria matriculado na studium generale, em Nápoles, onde conheceria as obras de Aristóteles, Averróis e Maimônides.
Ingressou na ordem fundada por Domingos de Gusmão aos 19 anos. Discípulo de Santo Alberto Magno, que se impressionou com a sua inteligência, estudaria teologia em Colónia e Paris.
O seu maior mérito foi a síntese do cristianismo com a visão aristotélica do mundo. Trata-se de uma sólida base filosófica para a teologia somada à retificação do materialismo de Aristóteles. Em suas duas summae, sistematizou o conhecimento teológico e filosófico de sua época: a “Summa theologiae” e a “Summa contra Gentiles”.
A partir do seu pensamento, a Igreja passa a ter uma teologia fundada na revelação e uma filosofia baseada no exercício da razão. A união das duas aconteceria na orientação divina e em sua reciprocidade.
Deixou também textos de aconselhamento político: Do governo do Príncipe, ao rei de Chipre, que se contrapõe, do ponto de vista ético, ao Príncipe de Maquiavel, obra bem posterior.
Segundo Tomás, é possível demonstrar, pelo uso da razão, e em cinco vias, a existência de Deus:
Primeira via: primeiro motor imóvel, tudo o que se move é movido por alguém, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido;
Segunda via: é necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa;
Terceira via: é necessário, é preciso que haja um ser que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser;
Quarta via: ser perfeito, deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição que é a causa da perfeição dos demais seres;
Quinta via: inteligência ordenadora, existe uma ordem no universo, logo há um ser inteligente que dispôs o universo de forma ordenada.
Tomás de Aquino concluiu que a descoberta da verdade ia além do que é visível. Defendia que a verdade existia em todas as coisas porque todas são reais, visíveis ou invisíveis: “uma pedra que está no fundo do oceano não deixa de ser uma pedra real e verdadeira só porque não pode ser vista”.
Sobre a eternidade da verdade, Tomás discorda de Agostinho. Para este, a verdade é definitiva, imutável. Para Aquino, a verdade é a consequência de factos causados no passado e, sem esses factos, a verdade deixa de existir.
Segundo Aquino, a ética consiste em agir de acordo com a natureza racional. Todo o homem é dotado de livre arbítrio, orientado pela consciência, e tem uma capacidade inata de captar, intuitivamente, os ditames da ordem moral. O primeiro postulado da ordem moral é: faz o bem e evita o mal.
Há uma Lei Divina, revelada por Deus aos homens, que consiste nos Dez Mandamentos. Há uma Lei Eterna, que é o plano racional de Deus que ordena todo o universo e uma Lei Natural, que é a participação da Lei Eterna na criatura racional, ou seja, aquilo que o homem é levado a fazer pela sua natureza racional.
A Lei Positiva é a lei feita pelo homem, de modo a possibilitar uma vida em sociedade. Esta  subordina-se à Lei Natural, não podendo contrariá-la, sob pena de se tornar uma lei injusta. Portanto, não há a obrigação de obedecer às leis injustas. Nisso reside a verdadeira objecção de consciência.
A Justiça consiste na disposição constante da vontade em dar a cada um o que é seu – suum cuique tribuere - e classifica-se como comutativa, distributiva e legal, conforme se faça entre iguais: do soberano para os súbditos e dos súbditos para o soberano, respectivamente.
Para Aquino, uma vez que corpo e alma se unem para formar um ser humano, não pode existir alma humana em corpo que ainda não é plenamente humano. O feto em desenvolvimento não tem a forma substancial da pessoa humana. Primeiro o feto é dotado de uma alma vegetativa, depois, de uma alma animal, em seguida, quando o corpo já se desenvolveu, de uma alma racional. Cada uma dessas "almas" é integrada à alma que a sucede até que ocorra, enfim, a união definitiva alma-corpo.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

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S. Tomás de Aquino por Carlo Crivelli
S. Tomás de Aquino por Diego Velázquez

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