quarta-feira, 23 de março de 2016

23 de Março de 1842: Morre, em Paris, o escritor Henri Beyle, Stendhal, autor de "Vermelho e o Negro", "A Cartuxa de Parma", precursor do realismo e inspirador do "nouveau roman" do século XX.

Henri Beyle, mais conhecido pelo seu pseudónimo Stendhal, escritor francês do século XIX, morre em Paris no dia 23 de Março de 1842. Consagrado pela sua aguda análise da psicologia dos seus personagens e a concisão do seu estilo, é considerado como um dos primeiros e mais importantes literatos do realismo.
Beyle utilizou diferentes pseudónimos, sendo Stendhal o mais conhecido. A hipótese mais verossímil sobre a sua origem é que o "tomou emprestado" da cidade alemã de Stendal, lugar de nascimento de Johann Winckelmann, fundador da arqueologia moderna, a quem admirava.
Nascido em Grenoble, em 23 de Janeiro de 1783, numa família burguesa, o seu pai Cherubin Beyle era advogado. Ficou órfão de mãe aos 7 anos. O pai foi preso em 1794 durante o Terror, pela sua defesa da monarquia. Estudou a partir de 1796 na Escola Central de Grenoble, conseguindo elevadas qualificações em matemática.

Em 1799 foi para Paris com ideia de estudar na Escola Politécnica, porém ficou doente e não pôde ingressar. Obteve trabalho no Ministério da Defesa e, no ano seguinte, viajou para a Itália como sub-tenente. acompanhando a retaguarda do exército de Napoleão. Ali conheceu a música de Domenico Cimarosa e Gioacchino Rossini, de quem viria a escrever uma célebre biografia.


Em 1802 deixa o exército, passando a trabalhar como funcionário da administração imperial na Alemanha, Áustria e Rússia. Nesse mesmo ano torna-se amante da Madame Rebuffel, primeira das muitas amantes que teve.


Foi viver para Milão em 1815 e, dois anos depois, publicou "Roma, Nápoles e Florença", uma declaração do seu amor pela Itália. Nessa obra descreve uma espécie de êxtase ao contemplar a basílica de Santa Croce de Florença e o seu entorno de arte e beleza.

Depois de viajar nos anos 1820 pela Europa, de regresso à Itália é acusado de espionagem e expulso, retornando a Paris. Começa a trabalhar num periódico onde pôde exercer o seu estilo romântico, caracterizado pelo reconhecimento da história como parte essencial da literatura.

De 1832 a 1836 foi designado vice-cônsul da França em Civitavecchia, porto dos Estados Pontifícios, perto de Roma. Em 1836 obtém permissão para residir em Paris. Em 1841 sofre um primeiro ataque de apoplexia.


Em 22 de Março de 1842, Stendhal sofre um novo ataque em plena rua. Levado a casa, morre na madrugada de 23 sem ter recuperado a consciência. É enterrado no dia seguinte no cemitério de Montmartre.

Na sua lápide funerária fez escrever o seguinte epitáfio: “Arrigo Beyle, milanese. Scrisse, amò, visse Ann. LIX  M. II.  Mori il XXIII marzo MDCCCXLII”  (Henri Beyle, milanês. Escreveu, amou, viveu 59 anos, 2 meses. Morreu em 23 de Março de 1842).


O seu êxito extraordinário deve-se fundamentalmente aos quatro famosos romances: "Armancia" (1826), "O Vermelho e o Negro" (1830), "A Cartuxa de Parma" (1839) e "Lucien Leuwen" (incompleta e póstuma, 1894).


As principais marcas da sua produção literária foram a elevada sensibilidade romântica e um poderoso sentido crítico que deram vida à filosofia de ‘ busca da felicidade’.
A análise das paixões, dos comportamentos sociais, o amor pela arte e pela música, além da busca pelo prazer,  expressavam-se através de um modo de escrever personalíssimo em que o realismo da observação objectiva e o carácter individual da sua expressão se fundiam de modo harmónico.
Por todas estas razões, Stendhal teve de sofrer o desprezo, se não o desconhecimento, dos seus contemporâneos, com excepção de Balzac, alcançando, posteriormente, um enorme prestígio. Mesclando com mestria a ambientação histórica e a análise psicológica, os seus romances descrevem o clima moral e intelectual da França.

Stendhal é considerado o criador do romance moderno, que deu passo à grande narrativa do século XIX. Diz-se que é o escritor do século XIX que menos envelheceu. Sem se deixar contaminar por modas, mostra ainda hoje ao leitor uma linguagem bastante moderna.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia(imagens)

Stendhal, por Olof Johan Södermark


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