terça-feira, 29 de março de 2016

29 de Março de 1809: Invasões francesas. Desastre da Ponte das Barcas, no Porto, na fuga da população ao ataque do exército francês do general Soult.

No dia 12 de Março de 1809 (durante a 2ª invasão francesa) o general Soult entrou em Portugal, por Chaves e dirigiu-se ao Porto. A cidade foi conquistada e saqueada pelas tropas francesas, havendo focos de resistência por parte da população. Da Serra do Pilar as tropas portuguesas ripostaram como puderam. A 29 de Março, os habitantes do Porto em fuga, dirigiram-se  para a “Ponte das Barcas”, tentando passar para o lado de Gaia. Perante a fragilidade da ponte e a quantidade de pessoas que a atravessava aquela cedeu e cerca de 4000 pessoas caíram e morreram nas águas do Douro.
Após esta tragédia Soult, querendo ganhar a simpatia dos portuenses, proibiu novos saques, mandou patrulhar as lojas, mercados e igrejas para evitar novas pilhagens, isentou o povo do direito de portagem e mandou distribuir sopa às pessoas carenciadas.
No dia 12 de Maio Soult foi batido no Porto pelas tropas anglo-lusas, comandadas pelo Duque de Wellington e foi obrigado a retirar para Espanha, atravessando a 18 de Maio a fronteira em Montalegre, acabando assim a segunda invasão francesa.

Como surgiu a Ponte das Barcas


Ao longo dos séculos a comunicação de pessoas e mercadorias entre as margens do Douro era feita através de barcos. Apesar de vários projectos para a construção de uma ponte sobre o rio Douro que servisse as populações do Porto e de Vila Nova de Gaia, nomeadamente o da construção de uma ponte em pedra, da autoria de Carlos Amarante, a primeira passagem seria lançada somente no ano de 1806, tendo sido aberta ao público a 15 de Agosto de 1806. Era constituída por 33 barcas, com cerca de mil palmos de extensão e abria e fechava para dar passagem às grandes embarcações que subiam e desciam o rio. Em tempo de cheias a ponte era desmantelada para evitar a sua destruição.

Havia muita concorrência na sua passagem, sobretudo às terças e sábados. Os preços de passagem praticados eram os seguintes:

Cada pessoa a pé ……………………………... 5 réis
Cada pessoa a cavalo ………………………..20 réis
Carro de uma junta de bois …………….. 40 réis
Cadeirinhas de mãos ……………………….. 60 réis
Liteira …………………………………………….. 120 réis
Sege ………………………………………………….160 réis

À noite, passados 45 minutos do sol-posto, os preços duplicavam, taxa que se mantinha até 45 minutos antes do nascer do sol, em momento que era anunciado pelo toque de um sino.
A “Ponte das Barcas” revestiu-se de uma enorme importância para o desenvolvimento das comunicações entre as zonas ribeirinhas, mas também no contexto inter-regional, na ligação entre as margens norte e sul do rio Douro.
No entanto, dadas as suas naturais limitações, a crescente necessidade do desenvolvimento das comunicações e a melhoria dos meios técnicos a nível da engenharia de pontes, nos anos 40 de oitocentos foi projectada nova ponte, a nascente da velha “Ponte das Barcas”. A “Ponte Pênsil”, “Ponte de Ferro”, ou “Ponte D. Maria II”, projectada e executada pelo engenheiro Claranges Lucotte.
wikipedia(Imagens)
notícias.sapo.pt

Ficheiro:Vue de la ville et du port de Porto 1817 Henry L'Eveque.jpg
Gravura de 1807, vendo-se a Ponte das Barcas
O desastre da Ponte das Barcas
Ficheiro:São Nicolau-Alminhas da Ponte (2).jpg


As "Alminhas da Ponte" lembram a tragédia de 29 de Março de 1809, no rio Douro

5 comentários:

  1. Minha querida, não sei se os alunos a quem este post é dirigido, darão algum valor pelo seu trabalho, mas pelo menos da minha parte (que vale o que vale) tem todo o valor. Obrigado por estes "mimos" históricos. É um prazer poder conhecer mais sobre a História dos nosso país.

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    1. Muito obrigada pelo seu comentário. Nem sempre os alunos leem os artigos mas o mais importante é que de alguma forma seja transmitida a importância da História e que a mesma seja valorizada.

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  2. Minha querida, não sei se os alunos a quem este post é dirigido, darão algum valor pelo seu trabalho, mas pelo menos da minha parte (que vale o que vale) tem todo o valor. Obrigado por estes "mimos" históricos. É um prazer poder conhecer mais sobre a História dos nosso país.

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  3. A crescer e a aprender,muito grato pela divulgação deste facto histórico.

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