quinta-feira, 17 de março de 2016

Análise da obra: "A Família Bellelli", de Edgar Degas

A obra A Família Bellelli é considerada uma das primeiras obras-primas de Edgar Degas. Depois de estudar pintura em Paris com Louis Lamothe, um discípulo de Ingres, Degas esteve três anos em Itália para "aprender" com os grandes mestres renascentistas.
A família do seu pai era italiana e o artista e alojava-se habitualmente em casa dos seus parentes, a mulher que aparece na obra é a sua tia Laura, irmã do seu pai, estava casada com o Barão Gennaro Bellelli  e tinha duas filhas, Giovanna e  Giulia.  Apesar de não se notar na obra, estava grávida. O barão, patriota italiano, fora expulso de Nápoles, por apoiar a unificação italiana, e vivia no exílio em Florença.
Degas retrata uma família tipicamente burguesa, num ambiente luxuoso. O barão, sentado do lado direito, está de frente para a lareira e próximo da escrivaninha. Encontra-se parcialmente  de costas para o observador, com o rosto de perfil, voltado para um livro ou cartas que se encontram sobre a mesa. As duas crianças vestem roupas iguais, a mais velha, Giovanna, está de pé, olha fixamente para o observador, tem as mãos cruzadas na cintura, parece uma menina tímida e triste. Existe um motivo para esta tristeza/seriedade, o seu avô tinha falecido recentemente em Nápoles, por isso Laura e as suas filhas estão vestidas de preto. O pequeno esboço que vemos junto à cabeça de Laura é um retrato do seu pai, que Degas decidiu incluir na obra para reunir simbolicamente as três gerações. O único que fica à margem é o senhor Bellelli, Degas  tinha uma má relação com o cunhado e a relação do Barão com a esposa também não era boa. Ao colocar as figuras nesta disposição, com um mínimo de comunicação entre elas, Degas pretende mostrar o mau ambiente que se vivia na família. O pintor deixa transparecer a animosidade entre o casal, o que fica comprovado através de cartas que a sobrinha escrevia ao tio, pai de Degas, onde classificava o marido de “detestável e preguiçoso”. Na composição, o artista apresenta um grupo dividido, sendo que a escrivaninha se interpõe entre a mulher e o marido, simbolizando a distância afectiva que existe entre eles. O barão não estabelece nenhum contacto visual com a mulher e as filhas. A baronesa Laura, de pé atrás de uma das filhas, com a mão no seu ombro e a outra na mesa, tem um ar majestático e o rosto muito sério e distante. Ela é a figura dominante da cena, a sua figura digna e imponente contrasta com a do marido, que parece triste e resignado. Ela forma uma pirâmide com as duas filhas, estando as três bastante iluminadas, ao contrário do barão.
Fontes: www.musee-orsay.fr
http://www.artehistoria.com/

 wikipedia (imagens)


Esboço de Giulia


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