domingo, 3 de abril de 2016

03 de Abril de 1862: O Escritor francês Victor Hugo publica “Os Miseráveis”

No dia 3 de Abril de 1862, no seu exílio na ilha de Guernsey, Victor Hugo (1802-1885) publicou o livro Os Miseráveis, uma verdadeira epopeia popular que imortalizaria personagens como Jean Valjean, Cosette, ou Marius. O pano de fundo era a história recente da França, a partir da batalha de Waterloo até à insurreição republicana de 1832. 
  
Filho de um general do Império constantemente ausente, Victor Hugo foi criado basicamente pela sua mãe. Aluno ainda do Liceu Louis Le Grand, tornou-se conhecido ao publicar a sua primeira colectânea de poemas Odes, recebendo uma pensão de Luís XVIII. 

Líder de um grupo de jovens escritores, Hugo publicou em 1827 a sua primeira peça de teatro em verso,Cromwell, seguida por Orientales e Hernani. Ao lado de Nerval e Gauthier, torna-se o porta-voz do romantismo. Em 1831, publicou o seu primeiro romance histórico, Notre-Dame de Paris (O Corcunda de Notre-Dame), e sete anos depois, a obra-prima romântica Ruy Blas. Em 1841, foi eleito para a Academia Francesa. 

Em 1843, a morte da sua filha Leopoldine  atormentou-o e levou-o a repensar as suas acções. Empreendeu então uma carreira política. Elege-se para a Assembleia Constituinte em 1848 e tomou posição contra o modelo de sociedade que o cercava: a pena de morte, a miséria, a ordem moral e religiosa. Ardoroso opositor do golpe de Estado de 2 de Dezembro de 1851, teve de ir para o exílio em Jersey e Guernesey e lá permaneceu até 1870. 

Os Miseráveis, que conheceu um imenso sucesso popular na época, expõe claramente a filosofia política de Hugo. É um mundo em que há cooperação – e não luta – de classes; em que o empreendedor desempenha uma função essencialmente benéfica para todos; em que o trabalho é o meio essencial do aprimoramento pessoal e social; em que a intervenção do Estado por motivos moralistas - seja do polícia ou do revolucionário obcecado pela justiça terrena - é um dos principais riscos para o bem geral. 
  
A obra narra a história de Jean Valjean, que, por ver os irmãos passarem fome assalta uma padaria para roubar um pedaço de pão. Preso, é condenado a 5 anos. Acaba por ser condenado outras vezes por tentativas de fuga e mau comportamento na cadeia, tendo de cumprir 19 anos de reclusão. 

Posto em liberdade condicional tem de se apresentar regularmente às autoridades, condição que, apesar dos altos riscos, nunca cumpriu. Valjean  sente-se marginalizado por todos, pois carrega o "passaporte amarelo" que o identifica como ex-recluso. Um bispo, Bienvenu,  ajuda-o, mas ao invés de se mostrar grato, Valjean rouba a sua prata. É preso, pois as peças de prata ostentavam o brasão do bispo. No entanto, o bispo  recusa-se a denunciá-lo e diz que era um presente que lhe tinha dado. 

O bispo é para ele um homem de Deus, que lhe deu uma lição de solidariedade e o trata como filho, fazendo com que volte a crer na humanidade. Após 9 anos sob nova identidade, Valjean prospera como negociante, tornando-se um homem rico e respeitado como prefeito da pequena cidade de Vigau. 

Desolado diante do drama de uma das suas operárias, Fantine, demitida da sua fábrica, e que tem de recorrer à prostituição para sustentar sua filha, Cosette, Valjean decide salvar a criança, adoptando-a, mas não a tempo de impedir a morte da mãe. 

Ocorre que o inspector Javert é transferido para a mesma cidade. Javert era o homem que tratara o prisioneiro Valjean com crueldade. Quando Javert o reconhece, fica obcecado em desmascarar o prefeito, que não se apresentara para cumprir as condições da sua liberdade. 
Contudo, um outro homem é acusado de ser Jean Valjean, mas o verdadeiro Jean Valjean, que estava no tribunal durante o julgamento, diz que o acusado é inocente, provando que ele é Jean Valjean. Isto fará com que Javert inicie uma caçada sem tréguas para prender Valjean, o que o faz passar toda a vida  a fugir com Cosette.
Até que, retornam  a Paris, e lá permanecem na casa de um velho amigo. Cosette  apaixona-se por Marius, um jovem aristocrata ligado aos meios revolucionários parisienses. Ao descobrir que o amor de Cosette não podia ser combatido, Valjean, apesar da presença de Javert, vai retirar Marius das barricadas, durante uma revolta, e transporta-o ferido através dos esgotos de Paris. 

Finalmente, Javert acaba por se convencer que toda a perseguição de décadas não passava de crime contra “um homem de Deus” suicida-se. Jean Valjean morre tendo ao lado Marius e Cosette. 
Fontes:Opera Mundi
wikipedia (imagens)
File:Jean Valjean.JPG
Jean Valjean como Monsieur Madeleine. Ilustração de  Gustave Brion
File:Ebcosette.jpg
Retrato de "Cosette" por Emile Bayard, da  primeira edição de Les Misérables(1862)
File:Lesmiserables1900hugo 0012.jpg
Cosette, Jean Valjean (sentado) e Marius, nos Jardins do Luxemburgo, ilustração americana de 1900


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