quarta-feira, 6 de abril de 2016

Análise da obra: "A Escola de Atenas", de Rafael

Uma das obras mais conhecidas do pintor renascentista Rafael Sanzio, “Causarum cognitio”, mais conhecida como “A Escola de Atenas”, desde o século XVII, é um dos frescos mais famosos do período renascentista. Este fresco, encomendado pelo Papa Júlio II, é constituído por quatro painéis que representam a Stanza  della segnatura, local dentro do Vaticano onde o sumo pontífice despachava.

A Escola de Atenas ilustra a Academia de Platão, contudo os filósofos que surgem representados identificam-se com épocas distintas, mostrando a continuidade histórica do pensamento filosófico.
 Ao centro da obra surgem Platão e Aristóteles. Platão segura o Timeu e aponta para o alto, sendo assim identificado com o ideal, o mundo das ideias. Aristóteles segura a Ética e tem a mão na horizontal, representando o mundo terrestre, o mundo sensível. A obra "Escola de Atenas" é uma alegoria complexa do conhecimento filosófico profano. Estão representados na obra para além de filósofos, matemáticos, astrónomos e personagens contemporâneos do pintor, assim como humanistas e artistas. A identidade de alguns dos filósofos como Platão ou Aristóteles, são inegáveis. Porém, a identificação das restantes figuras representadas tem sido sempre hipotéticas.

Entre as figuras representadas destacam-se tal como referimos, Platão e Aristóteles que ocupam o lugar central da obra. Platão, filósofo e matemático grego, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia de Atenas, simboliza a filosofia natural e moral com as leis da harmonia cósmica. Traz debaixo do braço esquerdo o seu Timeu, e aponta para o céu, simbolizando o mundo das ideias, o ideal, o mundo inteligível. Leonardo da Vinci serve de modelo para o filósofo Platão.
Aristóteles, filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande, caminha ao lado do mestre, e segura na mão esquerda a Ética (aí se encontram as leis da conduta moral), enquanto a mão direita encontra-se aberta, com a palma virada para o chão, representando o terrestre, o mundo sensível, a filosofia natural e empírica. As suas obras abrangem diversos assuntos como a física, a metafísica, as leis da poesia e do drama, a música, a lógica, a retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia.

Entre as figuras representadas destacam-se ainda:

Pitágoras, filósofo e matemático grego, encontra-se sentado no canto inferior esquerdo, onde apresenta um dos seus enunciados;

Epicuro, filósofo grego, que ensinava que a felicidade consiste em buscar os prazeres da mente, encontra-se em primeiro plano, à esquerda, coroado com folhas de videira;

Euclides  (ou Arquimedes), matemático grego e aluno de Sócrates, expõe os seus princípios geométricos usando um compasso. Encontra-se rodeado por um grupo de estudantes, possivelmente;

Heráclito, filósofo melancólico, está sentado num degrau em primeiro plano, tem o braço esquerdo apoiado num bloco de mármore, numa atitude de extrema tristeza. Tem como modelo o genial Miguel Ângelo. Esta figura foi acrescentada depois, pois não se encontrava no desenho preparatório. Após ver, secretamente, parte do trabalho do artista na Capela Sistina, Rafael ficou maravilhado e resolveu fazer uma homenagem ao pintor mais velho, usando-o como modelo para Heráclito;

Alexandre, o Grande (ou Alcibíades), o mais célebre conquistador do mundo antigo, ouve Sócrates com atenção. Traz um elmo sobre a cabeça, e tem a mão esquerda na espada;

Sócrates, um dos mais importantes ícones da tradição filosófica ocidental, enumera pontos específicos com os dedos. Questionar e analisar são a essência da filosofia socrática;

Diógenes, filósofo que odiava os bens materiais e vivia num barril, encontra-se nos degraus da escada, na parte central da composição. Conta-se que Alexandre, o Grande, ao visitá-lo, perguntou-lhe o que poderia fazer por ele, que prontamente respondeu: “Não me tires o que não podes dar.”. Referia-se ao sol, que o conquistador tapava, fazendo-lhe sombra;

Zenão de Cítio , filósofo fundador da escola filosófica estoica, surge com uma criança nos braços, enquanto ouve atentamente Epicuro. Enfatizou a bondade e a paz de espírito, conquistadas através de uma vida plena de virtude, de acordo com as leis da natureza;

Ptolomeu, astrónomo e geógrafo, achava que a Terra era o centro do universo. Tem nas mãos o globo terrestre;

Parménides, fundador da escola eleática, tem o pé esquerdo sobre um bloco de mármore e faz anotações;

Averróis, um dos maiores conhecedores e comentaristas de Aristóteles, curva-se ligeiramente, para ver a demonstração de Pitágoras;

Protógenes, pintor da Grécia antiga, usa um manto branco, e encontra-se ao lado de Rafael;

Apolo, o deus da razão, encontra-se no nicho da esquerda, segura uma lira. Representa o esclarecimento filosófico e o poder da razão;

Minerva, a deusa da sabedoria, encontra-se no nicho à direita. É a protetora tradicional das instituições devotadas à busca do saber e das realizações artísticas.
Nesta obra clássica de Rafael Sanzio, vemos então retratada a Academia de Platão com alguns dos seus mais importantes pensadores discutindo ideias. Entre os filósofos  e estudiosos retratados na obra nem todos pertenceram ao século de Platão, porém Rafael consegue criar um panorama geral de toda a filosofia antiga clássica.
Fontes: wikipedia (imagens)
 
 
Raffaello Scuola di Atene numbered.svg
 
1. Zenão de Cítio ou Zenão de Eléia 2: Epicuro 3: Frederico II, duque de Mântua e Montferrat 4: Anicius Manlius Severinus Boethius ou Anaximandro ou Empédocles 5: Averroes 6: Pitágoras 7: Alcibíades ou Alexandre, o Grande 8: Antístenes ou Xenofonte 9: Hipátia (Francesco Maria della Rovere ou Margherita, amante de Rafael) 10: Ésquines ou Xenofonte 11: Parménides 12: Sócrates 13: Heráclito (Miguel Ângelo). 14: Platão segura o Timeu (Leonardo da Vinci). 15:Aristóteles segura a Ética  16: Diógenes de Sínope 17: Plotino 18: Euclides ou Arquimedes acompanhado por estudantes (Bramante) 19: Estrabão ou Zoroastro (Baldassare Castiglione ou Pietro Bembo). 20: Ptolomeu : Apeles (Rafael). 21: Protogenes (Il Sodoma ou Pietro Perugino). 
Platão
 
Aristóteteles
 
 
 

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