sexta-feira, 20 de maio de 2016

20 de Maio de 1498: Vasco da Gama chega a Calecute, no final da viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia

Apesar de não ser fácil determinar exatamente qual a época em que os portugueses terão começado a desenvolver o plano da descoberta do caminho marítimo para a Índia, alguns historiadores consideram que a ideia teria vindo do infante D. Henrique. Todavia, pensa-se que apenas após se ter arrendado o comércio da Mina a Fernão Gomes, em 1469, é que se definiu, no plano das viagens, a necessidade de fazer um reconhecimento rápido da costa africana para sul, o que, obviamente, tinha como objetivo a descoberta da possível ligação do Oceano Atlântico com o Índico.Tal objetivo foi atingido em 1488, na altura em que Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, dando por acabado este ciclo de explorações, em que muitos outros navegadores, como Diogo Cão, tinham participado.Após ter recebido, em 1492, o relatório de Pero da Covilhã, que tinha ido por terra recolher informações sobre o Oriente, D. João II começou a preparar a primeira viagam marítima até à Índia ordenando a construção dos navios necessários, apesar de no reinado de D. Manuel I tal viagem ter tido lugar. Este monarca, fazendo prevalecer a sua opinião sobre uma maioria de cortesãos que se pronunciava negativamente, designou Vasco da Gama para chefiar a expedição, acabando a pequena armada por partir a 8 de junho de 1497. Constituída por três navios, as naus S. Rafael, S. Gabriel e Bérrio, capitaneadas por Paulo da Gama, Vasco da Gama e Nicolau Coelho, respetivamente, a armada levava cerca de centena e meia de marinheiros e soldados, dos quais metade terá falecido durante a viagem devido ao escorbuto.
Vasco da Gama partiu de Lisboa e seguiu a linha da costa de Cabo Verde até à Serra Leoa, atingindo a Baía de Santa Helena a 7 de novembro de 1497, a Baía de S. Brás a 25 de novembro, Moçambique (onde tomou um piloto mouro) a 2 de março de 1498, Mombaça a 7 de abril e Melinde a 14 de abril (onde contratou o excelente piloto árabe Ibn Madjid), chegando finalmente a norte de Calecute a 20 de maio desse ano. A 29 de agosto, os três navios partiram de regresso, tendo sido a nau Bérrio a primeira a chegar a Lisboa, a 10 de julho de 1499. Não se conhece, porém, a data exata da chegada de Vasco da Gama a Portugal.
Além de, a bordo, se terem determinado latitudes por observações solares, o que não era novidade, supõe-se que terá sido na armada de Vasco da Gama que se usaram tábuas quadrienais solares pela primeira vez.
Com o regresso das naus a Lisboa, estabeleceu-se uma ligação marítima que, durante muitas décadas, iria ser explorada pela Coroa e serviria para o estabelecimento da Índia Portuguesa. De facto, a descoberta do caminho marítimo para a Índia permitiu que se estabelecesse uma nova rota a ligar diretamente as regiões produtoras das especiarias aos mercados europeus. Dominada pelos portugueses até meados do século XVII, a Rota do Cabo possibilitou um grande desenvolvimento económico da metrópole.
Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)

Ao tempo que Vasco da Gama chegou a esta cidade de Calecute (…) mandou a terra o piloto mouro (…) participando a El-Rei a sua chegada e (…) pedindo-lhe que lhe mandasse dizer quando o podia receber (…)
Havida esta licença (…) entraram todos numa grande casa térrea em que estava aquele grande Samorim da província de Malabar (…) o qual estava em uma sala grande. O chão desta sala era todo coberto de veludo verde e as paredes armadas de panos de seda e ouro (…) El-Rei estava num leito coberto de um pano de seda branca e ouro, bem lavrado. Era homem de meia idade, baço, alto de corpo e de bom parecer e vestido com um pano lustroso de algodão com rosas de ouro na cabeça, uma carapuça de brocado alta cheia de pérolas e pedrarias. Tinha penduradas nas orelhas arrecadas e nos dedos dos pés e mãos muitos anéis (…) tudo de pérolas e pedraria de muito valor. Vasco da Gama nestas palavras resumiu o que lhe era mandado; que (…) a causa principal que movera El-Rei seu senhor a enviá-lo àquelas partes orientais (…) fora ser muito celebrada a fama da sua real pessoa (…) e estarem em seu poder a maior parte das especiarias que, por mão dos mouros se navegavam para todas as partes da cristandade, e por que ele tinha descoberto novo caminho para entre eles haver amizade e comércio."

João de Barros em Décadas da Ásia (adaptação)

Viagem de Vasco da Gama (a preto) e as viagens anteriores de Pero da Covilhã (laranja) e Afonso de Paiva(azul), com o caminho percorrido antes de se separarem (a verde
Ficheiro:Vascodagama.JPG 
Vasco da Gama na chegada à Índia, ostentando a bandeira usada nos Descobrimentos: as armas de Portugal e a cruz da Ordem de Cristo, patrocinadores do movimento de expansão iniciado pelo Infante D. Henrique. Pintura de Ernesto Casanova
 Ficheiro:Vasco da Gama apresenta a D. Manuel as primícias da Índia.jpg


Vasco da Gama apresenta a D. Manuel as primícias da Índia, Biblioteca Nacional de Portugal, c.1900

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